{"id":59475,"date":"2013-01-02T11:26:14","date_gmt":"2013-01-02T11:26:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/01\/02\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-solenidade-de-santa-maria-mae-e-deus-rainha-da-paz\/"},"modified":"2013-01-02T11:26:14","modified_gmt":"2013-01-02T11:26:14","slug":"homilia-do-bispo-de-lamego-na-solenidade-de-santa-maria-mae-e-deus-rainha-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-solenidade-de-santa-maria-mae-e-deus-rainha-da-paz\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Lamego na solenidade de Santa Maria, M\u00e3e e Deus, Rainha da Paz"},"content":{"rendered":"<p>1. A Igreja Una e Santa celebra neste Dia de &laquo;Ano Bom&raquo;, como &eacute; usual chamar-se o Primeiro Dia do Ano Civil, a Solenidade de Santa Maria, M&atilde;e de Deus, a que anda associada, desde 1968, a celebra&ccedil;&atilde;o do Dia Mundial da Paz, este Ano subordinada ao tema &laquo;Bem-Aventurados os obreiros da paz&raquo;. Na sua Mensagem para este 46.&ordm; Dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI p&otilde;e a nu diante dos nossos olhos a desumanidade do homem para com o seu semelhante, que se manifesta, n&atilde;o apenas nas guerras, conflitos internacionais e regionais e atos terroristas, mas tamb&eacute;m nas viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos mais elementares, como &eacute; o direito &agrave; vida desde o seu verdadeiro in&iacute;cio at&eacute; ao seu fim natural, sem esquecer a estrutura natural do matrim&oacute;nio, o direito &agrave; liberdade, que requer a necess&aacute;ria educa&ccedil;&atilde;o e abertura de todos para o bem comum, para gerar uma cultura de s&atilde; conviv&ecirc;ncia, de benevol&ecirc;ncia e de perd&atilde;o. N&atilde;o pode ser esquecido, e tem de ser promovido,&nbsp; um verdadeiro clima de justi&ccedil;a social, para que todos os seres humanos se possam sentir irm&atilde;os e sujeito de dignidade na fam&iacute;lia, no trabalho, na escola, em toda a parte. Todas as institui&ccedil;&otilde;es humanas, da fam&iacute;lia, &agrave; pol&iacute;tica, &agrave; justi&ccedil;a, &agrave; escola, &agrave; religi&atilde;o, t&ecirc;m a sua raz&atilde;o de ser no servi&ccedil;o desinteressado e apaixonado que prestam em prol da dignifica&ccedil;&atilde;o de cada ser humano. A fam&iacute;lia, c&eacute;lula basilar da sociedade humana, tem de ser protegida e defendida de tantos s&oacute;rdidos ataques que de toda a parte lhe s&atilde;o movidos. Se n&atilde;o defendemos a fam&iacute;lia natural, &eacute; toda a comunidade humana que fica seriamente amea&ccedil;ada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Verdadeiramente, o servi&ccedil;o da Paz deve envolver-nos a todos e reclamar de todos, todos os dias, as nossas melhores energias. O servi&ccedil;o da Paz &eacute; um apelo permanente &agrave; nossa sabedoria, responsabilidade e pedagogia. O respeito e o amor m&uacute;tuos cultivam-se, aprendem-se, praticam-se e ensinam-se. T&ecirc;m de estar bem acesos no nosso humano cora&ccedil;&atilde;o. O que fazemos aos nossos irm&atilde;os e dos nossos irm&atilde;os, que aten&ccedil;&otilde;es nos merecem, como olhamos para eles e por eles? Quando deixamos prosperar fundamentalismos, totalitarismos e nacionalismos, fica amea&ccedil;ada a vida humana, a fam&iacute;lia, a educa&ccedil;&atilde;o, a liberdade religiosa. Vale a pena lembrar, para que a nossa consci&ecirc;ncia permane&ccedil;a sempre l&uacute;cida e sens&iacute;vel, que, no ano de 2012 que ontem terminou, mais de 105 mil crist&atilde;os foram assassinados, pelo simples facto de entrarem numa igreja, de irem &agrave; catequese, ou de ostentarem s&iacute;mbolos crist&atilde;os. 105 mil crist&atilde;os. 1 em cada 5 minutos. Humanidade, o que fizeste de ti mesma?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. A Paz permanece, portanto, para n&oacute;s um desafio imenso e intenso, dado que os &iacute;ndices de &oacute;dio, de intoler&acirc;ncia, de corrup&ccedil;&atilde;o, de desrespeito e de gan&acirc;ncia s&atilde;o cada vez mais elevados motivando uma explora&ccedil;&atilde;o desenfreada e irrespons&aacute;vel da bondade e da beleza do nosso planeta, decorrendo da&iacute; um aumento preocupante dos pobres e deslocados da terra e uma degrada&ccedil;&atilde;o cada vez mais acentuada do ambiente desta casa comum da humanidade. No meio desta lixeira que vamos produzindo, tamb&eacute;m &eacute; not&oacute;rio que cresce cada vez mais uma sociedade indiferente, insens&iacute;vel, demente, dormente e anestesiada, sem amor nem dor nem alegria, simplesmente adormecida no div&atilde; dos seus ego&iacute;smos, ideologias e comodismos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Muita gente tem falado e vai continuar a falar dos pobres e da crise econ&oacute;mica e do cada vez maior buraco de ozono, com muitos n&uacute;meros e n&uacute;meros muito altos, muito saber e elevada compet&ecirc;ncia t&eacute;cnico-cient&iacute;fica. Mas n&oacute;s, que vivemos do Evangelho, estamos avisados para n&atilde;o ficarmos preocupados quando ouvirmos falar destas coisas e quando virmos estas coisas acontecer (Lucas 21,5-28). E tamb&eacute;m sabemos que a &uacute;nica crise verdadeira e boa, verdadeira porque boa, acontece quando o Evangelho embate na nossa vida, e a p&otilde;e em crise, fazendo cair os nossos mais estudados e requintados sonhos, projetos e planos (Isa&iacute;as 8,9-10), e fazendo nascer caminhos novos e germinar mundos insuspeitados, que Isa&iacute;as descreve e desenha com rios e flores a despontar no deserto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">5. &Eacute; assim que, no Evangelho deste Dia (Lucas 2,16-21), e contra toda a estudada l&oacute;gica e frios calculismos humanos, &eacute; aos pastores, que s&atilde;o pobres, desprezados e marginalizados pelos olhares ditos civilizados, que se abre o c&eacute;u e ouvem um recital de m&uacute;sica divina, e &eacute; a eles ainda que chega a Grande Not&iacute;cia e correm ao encontro do Pobre e falam do que ouviram e deixam as pessoas maravilhadas! E de Maria, a Senhora deste Dia, &eacute; dito que &laquo;conservava todas estas Palavras que acontecem e n&atilde;o esquecem, compondo-as (<em>symb&aacute;llousa<\/em>) no seu cora&ccedil;&atilde;o&raquo; (Lucas 2,19). E &eacute; dito ainda, num pleonasmo &uacute;nico na Escritura Santa, que Maria &laquo;concebeu no ventre&raquo; (Lucas 2,21). Redund&acirc;ncia. M&uacute;sica divina. O ventre de Maria em sintonia com o &laquo;ventre de miseric&oacute;rdia do nosso Deus&raquo; (Lucas 1,78), causa da Luz que nas alturas se levanta e visita toda a gente, causa do Rebento que na nossa terra germina, que a nossa terra aquece e alumia, Jesus, filho de Deus e de Maria, a quem neste oitavo Dia &eacute; posto o Nome (Lucas 2,21).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. De Deus vem sempre um mundo novo. Maravilhoso. T&atilde;o novo e maravilhoso, que nos cega, a n&oacute;s que vamos arrastando os olhos cansados pela lama. Que o nosso Deus fa&ccedil;a chegar at&eacute; n&oacute;s tempo e modo para ouvir outra vez a extraordin&aacute;ria b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o sacerdotal, que o Livro dos N&uacute;meros guarda na sua forma tripartida: &laquo;O Senhor te aben&ccedil;oe e te guarde.\/ O Senhor fa&ccedil;a brilhar sobre ti a sua face e te seja favor&aacute;vel.\/ O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz&raquo; (N&uacute;meros 6,24-26).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7. Olhada por Deus com singular olhar de Gra&ccedil;a foi Maria &ndash; tamb&eacute;m pobre, tamb&eacute;m Feliz, Bem-aventurada &ndash;, Santa Maria, M&atilde;e de Deus, que hoje celebramos em un&iacute;ssono com a Igreja inteira. Para ela elevamos hoje os nossos olhos de filhos enlevados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8. M&atilde;e de Deus, Senhora da Alegria, M&atilde;e igual ao Dia, Maria. A primeira p&aacute;gina do ano &eacute; toda tua, Mulher do sol, das estrelas e da lua, Rainha da Paz, Aurora de Luz, Estrela matutina, M&atilde;e de Jesus e tamb&eacute;m minha, Senhora de janeiro, do Dia primeiro e do Ano inteiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>9. Aben&ccedil;oa, M&atilde;e, os nossos dias breves. Ensina-nos a viv&ecirc;-los todos como tu viveste os teus, sempre sob o olhar de Deus, sempre a olhar por Deus. &Eacute; verdade. A grande verdade da tua vida, o teu segredo de ouro. Tu soubeste sempre que Deus velava por ti, enchendo-te de gra&ccedil;a. Mas tu soubeste sempre olhar por Deus, porque tu soubeste que Deus tamb&eacute;m &eacute; pequenino. Acariciada por Deus, viveste acariciando Deus. Por isso, todas as gera&ccedil;&otilde;es te proclamam &laquo;Bem-aventurada&raquo;! Por isso, n&oacute;s te proclamamos &laquo;Bem-aventurada&raquo;!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>10. Senhora e M&atilde;e de janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro. Acaricia-nos. Senta-nos em casa ao redor do amor, do cora&ccedil;&atilde;o. Somos t&atilde;o modernos e t&atilde;o cheios de coisas estes teus filhos de hoje! T&atilde;o cheios de coisas e t&atilde;o vazios de n&oacute;s mesmos e de humanidade e divindade! Temos tudo. Mas falta-nos, se calhar, o essencial: a tua simplicidade e alegria. Faz-nos sentir, M&atilde;e, o calor da tua m&atilde;o no nosso rosto frio, insens&iacute;vel, enrugado, e faz-nos correr, com alegria, ao encontro dos pobres e necessitados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>11. Que seja, e pode ser, Deus o quer, e n&oacute;s tamb&eacute;m podemos querer, um Ano Bom, cheio de Paz, P&atilde;o e Amor, para todos n&oacute;s e para todos os irm&atilde;os que Deus nos deu! &Aacute;men!<\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Couto, bispo de Lamego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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