{"id":59468,"date":"2013-01-01T12:22:00","date_gmt":"2013-01-01T12:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/01\/01\/homilia-do-bispo-de-viseu-no-dia-mundial-da-paz-2013\/"},"modified":"2013-01-01T12:22:00","modified_gmt":"2013-01-01T12:22:00","slug":"homilia-do-bispo-de-viseu-no-dia-mundial-da-paz-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-viseu-no-dia-mundial-da-paz-2013\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Viseu no Dia Mundial da Paz 2013"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><br \/><\/strong>A Liturgia do 1&ordm; dia do ano invoca Santa Maria, a M&atilde;e de Deus, como prote&ccedil;&atilde;o materna para os 365 dias que todos esperamos serem dias felizes. S&atilde;o os votos que eu quero fazer e as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os que eu quero pedir a Deus para todos. Que Deus, juntamente com as Suas b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os e Seus favores paternos, tenha, para todos n&oacute;s, um olhar favor&aacute;vel e fa&ccedil;a com que todos os bens da cria&ccedil;&atilde;o tenham, como fonte, refer&ecirc;ncia e destino, a Paz.<\/p>\n<p>A Igreja foi chamando ao 1&ordm; dia do ano civil o &ldquo;Dia Mundial da Paz&rdquo;, sendo este o 46&ordm;. Paz que nasce num cora&ccedil;&atilde;o de filho que, como nos diz S. Paulo, na 2&ordf; leitura, nos leva a reconhecer a grandeza do dom da filia&ccedil;&atilde;o como o grande dom do crist&atilde;o e nos leva a chamar Deus com o nome carinhoso e terno de &ldquo;pap&aacute;&rdquo;. Somos filhos de Deus. Todos, somos Fam&iacute;lia de Deus. Este dom que nos engrandece e &eacute; garantia de uma Vida Feliz d&aacute;-nos acesso a todos os outros bens e dons divinos e, pelo E. Santo, torna-nos herdeiros, &ldquo;por gra&ccedil;a de Deus&rdquo;. &Eacute; esta mesma paz que nos ajuda a escutar e a perceber os sinais da presen&ccedil;a de Deus no mundo e na nossa vida, como Maria que escuta, observa e guarda tudo no cora&ccedil;&atilde;o. S&oacute; um cora&ccedil;&atilde;o atento que observa, ama e escuta pode viver e perceber a paz e ser sinal e instrumento de paz para os outros.<\/p>\n<p>Do cora&ccedil;&atilde;o novo nasce a paz e um cora&ccedil;&atilde;o em paz torna-se obreiro e construtor de paz na fam&iacute;lia humana e na pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o. &Eacute; nesta sintonia que Bento XVI desenvolve o tema deste 46&ordm; Dia Mundial, intitulando-o: &ldquo;Bem-aventurados os obreiros da Paz&rdquo;.<\/p>\n<p>Do entendimento, justo e s&aacute;bio desta Bem-aventuran&ccedil;a e da sua pr&aacute;tica, depende o bem comum e o bem-estar das pessoas, o equil&iacute;brio econ&oacute;mico e social e a preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente, deixando uma heran&ccedil;a saud&aacute;vel e feliz para quem vier depois de n&oacute;s. Da justa rela&ccedil;&atilde;o com os bens da cria&ccedil;&atilde;o e do seu bom uso, dependem a paz neste nosso tempo dif&iacute;cil, caracterizado pela globaliza&ccedil;&atilde;o, o justo desenvolvimento humano integral e o relacionamento solid&aacute;rio entre todos os povos.<\/p>\n<p>Pede-se, de facto, uma solidariedade universal e comunit&aacute;ria no uso dos bens que Deus criou para todos, assente numa s&atilde; e aut&ecirc;ntica economia social. O desenvolvimento n&atilde;o pode ser somente a favor de alguns, normalmente de quem se aproveita, de forma oportunista, interesseira e ego&iacute;sta, privilegiando o lucro e esquecendo a justi&ccedil;a, a solidariedade &ndash; os outros. Cito Bento XVI na mensagem para este dia: &ldquo;causam apreens&atilde;o os focos de tens&atilde;o e conflito, vindos de crescentes desigualdades entre ricos e pobres, do predom&iacute;nio duma mentalidade ego&iacute;sta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado&rdquo;. Diz ainda: &ldquo;condi&ccedil;&atilde;o preliminar para a paz &eacute; o desmantelamento da ditadura do relativismo e da apologia duma moral totalmente aut&oacute;noma, que impede o reconhecimento de qu&atilde;o imprescind&iacute;vel seja a lei moral natural inscrita por Deus na consci&ecirc;ncia de cada homem&rdquo;.<\/p>\n<p>Aceitando esta s&aacute;bia e correta leitura, precisamos todos de nova mentalidade e nova cultura que nos fa&ccedil;am ser agentes de nova educa&ccedil;&atilde;o, de novos valores e de nova pr&aacute;tica de vida. Somente assim ser&aacute; poss&iacute;vel descobrir o essencial da pessoa humana e o que lhe traz a paz. &Eacute; o respeito por cada pessoa, pela sua dignidade e seus direitos fundamentais que trar&aacute;, para todos: bem-estar, paz, seguran&ccedil;a, alegria, esperan&ccedil;a, felicidade. Defender, proteger e privilegiar apenas alguns, e esquecer direitos fundamentais e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e de vida dignos para todos &ndash; considerem-se pessoas ou povos &ndash; ser&aacute; sempre fomentar e aumentar amea&ccedil;as, tens&otilde;es, desequil&iacute;brios perigosos e mal-estar geral.<\/p>\n<p>Todos n&oacute;s, homens e mulheres, somos Fam&iacute;lia da mesma cria&ccedil;&atilde;o e, como criaturas, temos uma fun&ccedil;&atilde;o superior &ndash; a de exercermos um governo respons&aacute;vel dessa mesma cria&ccedil;&atilde;o, preservando-a, transformando-a e partilhando-a. Nesta fun&ccedil;&atilde;o, a F&eacute; e a vis&atilde;o transcendente que nos p&otilde;e em di&aacute;logo constante com Deus, permite-nos construir a paz e vencer todas as formas de pecado social e coletivo, como aponta o Santo Padre: &ldquo;ego&iacute;smo e viol&ecirc;ncia, avidez e desejo de poder e dom&iacute;nio, intoler&acirc;ncia, &oacute;dio e estruturas injustas&rdquo;.<\/p>\n<p>Tenhamos claro este pensamento: cada pessoa &eacute; herdeira dos dons da cria&ccedil;&atilde;o de que deve sentir-se respons&aacute;vel por transmitir &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras. Para isto, deve instaurar-se uma economia social, com pol&iacute;ticas sociais mais eficazes, a chegarem verdadeiramente e com rapidez a quem mais precisa. N&atilde;o &eacute; justo que vivendo uma crise t&atilde;o grave, t&atilde;o prolongada e com tantas consequ&ecirc;ncias no desemprego, uns n&atilde;o tenham meios para viver e outros os possam esbanjar. Uns n&atilde;o possam viver dignamente e outros n&atilde;o se sintam afetados nas suas extravag&acirc;ncias. Uns n&atilde;o consigam pagar as suas d&iacute;vidas e outros acumulem privil&eacute;gios. Uns n&atilde;o tenham emprego e outros sejam titulares de empregos fict&iacute;cios, com benesses imerecidas. O Estado Social passa pela organiza&ccedil;&atilde;o justa das fun&ccedil;&otilde;es do Estado, tendo em conta todos os cidad&atilde;os, corrigindo excessos, partilhando justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>A coragem, aud&aacute;cia, justi&ccedil;a, solidariedade e sentido dos outros que, como parece, est&atilde;o a faltar nos mais ricos e nos detentores do poder, t&ecirc;m sobejado no povo &ndash; crist&atilde;o e n&atilde;o crist&atilde;o. Solicitado, responde de forma generosa aos muitos pedidos para toda a esp&eacute;cie de bancos ou fundos de solidariedade. A todos, n&atilde;o esquecendo os sol&iacute;citos pastores e aqueles que s&atilde;o ve&iacute;culos de redes de solidariedade, o obrigado da Igreja, em nome de todos os beneficiados e carecidos de justi&ccedil;a e de paz.<\/p>\n<p>Precisamos de construir uma cultura e uma mentalidade de paz, de justi&ccedil;a e de fraternidade que se alargue para al&eacute;m das fronteiras da Igreja, do Pa&iacute;s e da Europa. Todo o homem &eacute; meu irm&atilde;o e todo o Pa&iacute;s dos meus irm&atilde;os &eacute; o meu Pa&iacute;s tamb&eacute;m. Este deve ser o pensamento a exigir altera&ccedil;&atilde;o de cultura, de mentalidade, de pol&iacute;ticas e de comportamentos para termos uma vida mais s&oacute;bria e mais simples, mais pr&oacute;xima e mais amiga do ambiente, mais fraterna e mais justa. O amor e a gratuidade, como caminhos de servi&ccedil;o &agrave; pessoa humana, t&ecirc;m que ser os crit&eacute;rios de vis&atilde;o e de gest&atilde;o do mundo. O estilo de vida que da&iacute; nascer&aacute; ser&aacute; tamb&eacute;m &ndash; sem d&uacute;vidas &ndash; mais saud&aacute;vel, mais fraterno, mais feliz porque ter&aacute; mais paz.<\/p>\n<p>&Eacute; o que, de todo o cora&ccedil;&atilde;o desejo, a v&oacute;s e a todos os homens e mulheres, nossos irm&atilde;os em Jesus que nasceu para n&oacute;s. Que o Senhor nos aben&ccedil;oe e nos proteja; nos seja favor&aacute;vel e nos conceda a Paz! Feliz 2013!<\/p>\n<p>Santa Maria, M&atilde;e de Deus e nossa M&atilde;e, Rainha da Paz, rogai por n&oacute;s! Amen!<\/p>\n<p>Viseu, 01 de janeiro de 2013<em><\/em><\/p>\n<p><em>D. Il&iacute;dio Leandro, bispo de Viseu<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Liturgia do 1&ordm; dia do ano invoca Santa Maria, a M&atilde;e de Deus, como prote&ccedil;&atilde;o materna para os 365 dias que todos esperamos serem dias felizes. 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