{"id":59444,"date":"2012-12-26T16:19:51","date_gmt":"2012-12-26T16:19:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/26\/o-tunel-de-priscos\/"},"modified":"2012-12-26T16:19:51","modified_gmt":"2012-12-26T16:19:51","slug":"o-tunel-de-priscos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-tunel-de-priscos\/","title":{"rendered":"O T\u00fanel de Priscos"},"content":{"rendered":"<p>Homilia na Missa de Natal de D. Jorge Ortiga <!--more--> <\/p>\n<p>1. Quem visita o Pres&eacute;pio de Priscos, n&atilde;o consegue ficar indiferente &agrave; nostalgia dos pormenores, detalhes e precis&otilde;es hist&oacute;ricas que se esbate sobre aquele evento. Ap&oacute;s percorrer todo o itiner&aacute;rio do pres&eacute;pio, chega-se &agrave; porta de uma gruta que nos oferece a entrada num breve t&uacute;nel. Passando por a&iacute;, o sil&ecirc;ncio das paredes e as tonalidades das pedras levam-nos a perder a confian&ccedil;a no andar e a focarmo-nos na luz que adv&eacute;m ao fundo do t&uacute;nel. Trata-se de uma sensa&ccedil;&atilde;o estranha, perturbadora e inquietante, mas sobretudo de um exerc&iacute;cio de f&eacute;: porque acreditamos na luz, caminhamos em frente! Assim sendo, j&aacute; no fim do t&uacute;nel, encontramos o maior de todos os presentes: a fam&iacute;lia de Nazar&eacute;.<\/p>\n<p>Partindo desta imagem, a dial&eacute;ctica entre o Advento e o Natal inscreve-se nesta categoria do t&uacute;nel. Na mensagem para o Advento, partindo da hist&oacute;ria de Sara, convidei a Arquidiocese a sorrir.[1] N&atilde;o um sorriso qualquer, mas um sorriso como express&atilde;o da confian&ccedil;a e f&eacute; em Deus. O Advento &eacute; assim este t&uacute;nel da vida quotidiana, tantas vezes marcada pelo sil&ecirc;ncio do desemprego e as tonalidades da pobreza, que nos leva a perder a confian&ccedil;a em viver!<\/p>\n<p>Mas a luz ao fundo do t&uacute;nel, qual estrela de Bel&eacute;m, cultiva em n&oacute;s uma esperan&ccedil;a de que nem tudo est&aacute; perdido. O sorriso provocado no Advento recebe agora a sua factura: a alegria da presen&ccedil;a do Messias, anunciado outrora pelos profetas.<\/p>\n<p>Gra&ccedil;as ao seu nascimento, Deus come&ccedil;a a habitar entre os homens e a contagiar-nos com o seu sonho de paz. Por isso, em vez do nome familiar, o evangelista S. Jo&atilde;o preferiu chamar-lhe pelo nome profissional (miss&atilde;o): o &ldquo;Verbo&rdquo;, isto &eacute;, a Palavra atrav&eacute;s da qual o Pai (Deus) Se d&aacute; a conhecer aos homens, fazendo-nos tamb&eacute;m seus filhos.<\/p>\n<p>Uma vez chegados ao fim do t&uacute;nel, o Natal, surge ent&atilde;o um novo elemento a descobrir na textura do Credo, neste Ano da F&eacute;: Jesus Cristo, filho &uacute;nico de Deus, que foi concebido pelo poder do Esp&iacute;rito Santo, nascendo da Virgem Maria.[2]<\/p>\n<p>2. Diz-nos o Papa Bento XVI que &ldquo;(&hellip;) a f&eacute; n&atilde;o &eacute; a simples aceita&ccedil;&atilde;o dumas verdades abstractas, mas uma rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima com Cristo que nos leva a abrir o nosso cora&ccedil;&atilde;o a este mist&eacute;rio de amor e a viver como pessoas que se sabem amadas por Deus.&rdquo;[3]<\/p>\n<p>&Eacute; verdade que alguma comunica&ccedil;&atilde;o social, menos competente, procurou reduzir o mist&eacute;rio do Natal ao dilema do &ldquo;ar condicionado&rdquo; no pres&eacute;pio de Bel&eacute;m.[4] Pol&eacute;micas &agrave; parte, isto revela uma verdade e um desafio s&eacute;rios aos crist&atilde;os: por um lado, a verdade de que o agnosticismo j&aacute; chegou &agrave;s nossas casas, onde muitos j&aacute; n&atilde;o conhecem minimamente a hist&oacute;ria, a mensagem e a pessoa de Jesus, e por isso alimentam e se deleitam com pol&eacute;micas ignorantes; por outro, o desafio de que precisamos de conhecer, catequizar e viver, mais do que nunca, a nossa f&eacute; que brota da Palavra de Deus.<\/p>\n<p>H&aacute; dias, ouvia algu&eacute;m dizer que, antigamente, eram fundamentais tr&ecirc;s coisas: aprender a ser (saberes interpretativos), aprender a conhecer (saberes cognitivos) e aprender a fazer (saberes pr&aacute;ticos). Por&eacute;m, hoje creio que falta uma: aprender a conviver (saberes relacionais).<\/p>\n<p>O Natal &eacute;, portanto, a consequ&ecirc;ncia da decis&atilde;o de Deus em se querer relacionar com o ser humano, como regista a Carta aos Hebreus na segunda leitura. A sua proximidade, provocada por um gesto gratuito de amor, n&atilde;o exclui a sua transcend&ecirc;ncia nem a liberdade humana. Com este Deus, o homem aprende a conviver de um modo diferente: relacionar-se segundo o c&oacute;digo do amor.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, os especialistas forenses dizem que o motivo que levou aquele jovem norte-americano a matar 20 crian&ccedil;as numa escola, na passada semana, deveu-se em grande parte &agrave; sua vida solit&aacute;ria.[5] A prop&oacute;sito, o poeta Fernando Pessoa dizia: &ldquo;amar &eacute; cansar-se de estar s&oacute;&rdquo;. Da&iacute; que tenhamos de recuperar a centralidade da fam&iacute;lia, como espa&ccedil;o primordial onde o ser humano aprende a relacionar-se segundo o c&oacute;digo do amor. E o melhor testemunho que podemos dar da nossa f&eacute; &eacute; o amor na, com e pela fam&iacute;lia.[6]<\/p>\n<p>3. Para terminar, a express&atilde;o mais pronunciada neste tempo natal&iacute;cio, tornou-se quase uma imposi&ccedil;&atilde;o do status social, que nem sempre traduz a verdade do nosso interior. Sorrir e dizer &ldquo;Feliz Natal&rdquo;, a toda a hora e em qualquer circunst&acirc;ncia, passou &agrave; banalidade lingu&iacute;stica.<\/p>\n<p>Nesta Catedral, sinto ser meu dever reconhecer que muitos arquidiocesanos n&atilde;o est&atilde;o a ter um &ldquo;Feliz Natal&rdquo;. A hospedaria do emprego fecha-se e o t&uacute;nel da pobreza prolonga-se. Por iner&ecirc;ncia, a instabilidade psicol&oacute;gica agrava-se, a press&atilde;o familiar atenua-se e a solid&atilde;o avizinha-se.<\/p>\n<p>Porque somos ousados, h&aacute; pequenos gestos, presen&ccedil;as e palavras que inauguram um novo estilo de conviv&ecirc;ncia e que podem realmente produzir um pouco de felicidade em tantos t&uacute;neis sombrios que se apresentam na nossa vida. Se cada um der o seu contributo, as palavras do salmista concretizar-se-&atilde;o e &ldquo;todos os confins da terra poder&atilde;o ver a salva&ccedil;&atilde;o do nosso Deus&rdquo;.<\/p>\n<p>D. Jorge Ortiga, A.P.<\/p>\n<p>S&eacute; Catedral de Braga, 25 de Dezembro de 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Cf. D. Jorge Ortiga, Entre o riso e um sorriso. Mensagem para o Advento 2012.<\/p>\n<p>[2] Cf. D. Jorge Ortiga, Uma janela aberta. Mensagem para o Natal 2012.<\/p>\n<p>[3] Bento XVI, Homilia de 20 de Agosto de 2011.<\/p>\n<p>[4] Bento XVI, A inf&acirc;ncia de Jesus, 62.<\/p>\n<p>[5] cf. &laquo;Revista S&aacute;bado&raquo;, 20 de Dezembro de 2012, 78.<\/p>\n<p>[6] CIC 2225.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na Missa de Natal de D. 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