{"id":59441,"date":"2012-12-26T15:29:57","date_gmt":"2012-12-26T15:29:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/26\/o-verbo-era-a-luz-verdadeira-que-vindo-ao-mundo-ilumina-todo-o-homem\/"},"modified":"2012-12-26T15:29:57","modified_gmt":"2012-12-26T15:29:57","slug":"o-verbo-era-a-luz-verdadeira-que-vindo-ao-mundo-ilumina-todo-o-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-verbo-era-a-luz-verdadeira-que-vindo-ao-mundo-ilumina-todo-o-homem\/","title":{"rendered":"\u00abO Verbo era a luz verdadeira que vindo ao mundo ilumina todo o homem\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de Natal do bispo de Santar\u00e9m <!--more--> <\/p>\n<p>1.Celebramos o Natal como promessa de luz e de vida que dissipa as trevas do medo, do desalento, do deserto da cultura actual. As ilumina&ccedil;&otilde;es, o calor do afecto familiar, a aten&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;ximo, a sensibilidade &agrave; paz, fazem parte integrante do esp&iacute;rito desta quadra. Assim expressamos o significado profundo do nascimento do Menino, meditado por S&atilde;o Jo&atilde;o no texto do pr&oacute;logo do evangelho: &ldquo;N&rsquo;Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens&rdquo;.<\/p>\n<p>Neste ano da f&eacute;, a promessa de luz do Natal adquire um significado mais profundo. De facto, a indiferen&ccedil;a religiosa e o ate&iacute;smo criam um clima de relativismo, de confus&atilde;o, de d&uacute;vida. Cada um pensa a seu jeito e todas as opini&otilde;es parecem ter o mesmo valor. N&atilde;o podemos instalar-nos em ideias feitas mas procurar sempre a luz e a verdade, a bondade, o amor e a beleza. A luz verdadeira que todo o homem ilumina &eacute; o Verbo de Deus, que nos d&aacute; a conhecer o verdadeiro rosto de Deus, que nunca ningu&eacute;m viu, e revela o homem ao pr&oacute;prio homem: &ldquo;N&oacute;s vimos a sua gl&oacute;ria, gl&oacute;ria que lhe vem do Pai como Filho Unig&eacute;nito, cheio de gra&ccedil;a e de verdade&rdquo;.<\/p>\n<p>Quando descobrimos a luz de Cristo, encontramos uma fonte de esperan&ccedil;a e de alegria, de renova&ccedil;&atilde;o e de vida plena. Da sua plenitude todos n&oacute;s recebemos gra&ccedil;a sobre gra&ccedil;a, afirma o pr&oacute;logo. Sem Deus vivemos sem luz, sem refer&ecirc;ncias s&oacute;lidas, no vazio. Neste ano da f&eacute; somos convidados a redescobrir o tesouro da f&eacute; como luz e como vida., fonte de esperan&ccedil;a e alegria. Como recomenda Bento XVI na Carta que escreveu para este ano: &ldquo;Viver a f&eacute; como experi&ecirc;ncia de um amor recebido e a comunica-la como experi&ecirc;ncia de gra&ccedil;a e de alegria&rdquo; (PF 7).<\/p>\n<p>Alegremo-nos porque o Verbo se fez carne e veio habitar connosco para nos revelar o mist&eacute;rio de Deus e o mist&eacute;rio do homem. Pela Sua Encarna&ccedil;&atilde;o e pela P&aacute;scoa, renovou a natureza humana atingida pelo pecado. Apesar da nossa inclina&ccedil;&atilde;o natural para o individualismo e ego&iacute;smo, para a vaidade e a inveja, o poder e a ambi&ccedil;&atilde;o, Cristo veio viver connosco e tornar poss&iacute;vel a fraternidade, a verdade, o amor, a esperan&ccedil;a. Como ensinava S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino: &ldquo;os homens s&atilde;o reconduzidos ao seu destino de felicidade atrav&eacute;s da humanidade de Cristo&rdquo;. A felicidade &eacute;, de facto, o nosso destino. Fazendo-se homem, Cristo mostrou-nos, de forma concreta, o caminho para uma vida plena e feliz. Na mesma perspectiva pregava S&atilde;o Le&atilde;o Magno num serm&atilde;o de Natal: &ldquo;Estando n&oacute;s mortos para o pecado, fez-nos viver com Cristo para que f&ocirc;ssemos n&rsquo;Ele uma nova criatura, uma nova obra das suas m&atilde;os&hellip;Deponhamos portanto o homem velho com as suas m&aacute;s ac&ccedil;&otilde;es e, j&aacute; que fomos admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos &agrave;s obras da carne&rdquo;<\/p>\n<p>2. &ldquo;Aos que O receberam e acreditaram no Seu nome deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus&rdquo;. A f&eacute; crist&atilde; &eacute; primeiramente o acolhimento de uma pessoa que nos comunica uma forma de orientar a vida. &Eacute; o encontro com Cristo que nos leva a segui-Lo, a fazer caminho com Ele, a aderir ao seu evangelho. Quem verdadeiramente acredita transforma-se, vence o pecado, abre-se &agrave; esperan&ccedil;a e ao amor. A f&eacute; &eacute; uma for&ccedil;a que nos leva a viver como filhos de Deus em santidade e justi&ccedil;a: d&aacute;-nos o poder de nos tornarmos filhos de Deus e orienta-nos a viver como comunidade de irm&atilde;os, em atitude de servi&ccedil;o e partilha fraterna. Viver como filhos amados de Deus &eacute; amar o pr&oacute;ximo como a n&oacute;s mesmo, sobretudo os mais necessitados. Deus faz-se pr&oacute;ximo para nos tornarmos pr&oacute;ximos uns dos outros.<\/p>\n<p>Somos actualmente confrontados com uma onda descren&ccedil;a. Desde sempre muitos n&atilde;o admitiram a luz, como esclarecia o pr&oacute;logo: &ldquo;A luz brilha nas trevas e as trevas n&atilde;o a receberam&rdquo;. Se nos guiarmos apenas pela l&oacute;gica humana encontramos sempre mist&eacute;rios que n&atilde;o compreendemos. H&aacute; sempre argumentos para quem n&atilde;o quiser acreditar como h&aacute;, por outro lado, fundamento para quem se dispuser a acreditar. A f&eacute; &eacute; uma experi&ecirc;ncia interior que se cultiva e cresce na medida em que &eacute; alimentada com a ora&ccedil;&atilde;o, a escuta da Palavra de vida, o conhecimento da mensagem crist&atilde;, a participa&ccedil;&atilde;o na comunidade, a pr&aacute;tica do evangelho. O ano da f&eacute; &eacute; um convite insistente para vivermos a f&eacute; como experi&ecirc;ncia interior e conhecermos os seus fundamentos e conte&uacute;dos: &ldquo;Em quem e porque acreditamos?&rdquo;. O analfabetismo religioso &eacute; a grande lacuna que fragiliza a f&eacute; dos nossos crist&atilde;os. Verifica-se uma ignor&acirc;ncia espantosa de elementos essenciais do cristianismo. S&oacute; amamos o que conhecemos. S&oacute; transmitimos as convic&ccedil;&otilde;es fundamentadas. A nossa f&eacute; tem beleza, tem a consist&ecirc;ncia de s&eacute;culos. Quanto melhor a conhecemos, mais nos encantamos com s sua sabedoria.<\/p>\n<p>A leitura da carta aos hebreus, que ouvimos na segunda leitura, convida-nos a fixar a nossa medita&ccedil;&atilde;o no mist&eacute;rio de Cristo enquanto momento culminante da revela&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio de Deus. Antigamente, ao longo dos s&eacute;culos, Deus falou muitas vezes e de muitos modos aos nossos pais pelos profetas. A partir da Encarna&ccedil;&atilde;o de Jesus, nos &uacute;ltimos tempos, Deus falou-nos pelo seu Filho, &ldquo;esplendor da Sua gl&oacute;ria e imagem da sua subst&acirc;ncia&rdquo;.O Filho traz-nos a revela&ccedil;&atilde;o plena e definitiva, mostrando uma imagem vis&iacute;vel de Deus e comunicando a sua experi&ecirc;ncia &iacute;ntima de comunh&atilde;o com o Pai. Pela sua maneira de viver e pela sua prega&ccedil;&atilde;o, Ele &eacute; Luz e vida dos homens. Iluminados pela Palavra poderemos vencer as trevas. Somos, portanto, incentivados ao contacto ass&iacute;duo com a Sagrada Escritura, praticando frequentemente a sua leitura meditada e orante.<\/p>\n<p>Contemplemos o pres&eacute;pio &agrave; luz da f&eacute; descobrindo no menino que nos sorri e estende as m&atilde;os, o rosto de Deus que nos ama e o rosto dos irm&atilde;os que pedem o nosso afecto e ajuda. Aprendamos no pres&eacute;pio a fraternidade e a paz.<\/p>\n<p><em>Santar&eacute;m, 25 de dezembro 2012<br \/><\/em><em>D. Manuel Pelino<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de Natal do bispo de Santar\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,295,180,267],"class_list":["post-59441","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-diocese-de-santarem","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59441"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59441\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}