{"id":59359,"date":"2012-12-18T10:52:33","date_gmt":"2012-12-18T10:52:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/18\/tradicoes-natalicias\/"},"modified":"2012-12-18T10:52:33","modified_gmt":"2012-12-18T10:52:33","slug":"tradicoes-natalicias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tradicoes-natalicias\/","title":{"rendered":"Tradi\u00e7\u00f5es  natal\u00edcias"},"content":{"rendered":"<p>P. Jos\u00e9 da Cunha Duarte, CSSp <!--more--> <\/p>\n<p><strong>AFIRMA&Ccedil;&Atilde;O DO NATAL<\/strong>. A P&aacute;scoa &eacute; a festa das festas do crist&atilde;o. Atrav&eacute;s dos Padres da Igreja podemos ver como nasceu e cresceu nas comunidades crist&atilde;s a festa natal&iacute;cia. At&eacute; ao s&eacute;culo IV, o Natal de Jesus n&atilde;o teve grande relev&acirc;ncia nas comunidades crist&atilde;s. Apesar disso, at&eacute; ao s&eacute;culo VII, os Padres da Igreja legaram-nos textos apolog&eacute;ticos onde se defende a Encarna&ccedil;&atilde;o no seio virginal de Maria. A partir de ent&atilde;o, a pouco e pouco, a festa do Natal surge estruturada com um tempo de prepara&ccedil;&atilde;o &ndash; o Advento. Incorporava a celebra&ccedil;&atilde;o do Nascimento, Epifania, Batismo de Cristo no Rio Jord&atilde;o e as Bodas de Can&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>TRADI&Ccedil;&Atilde;O AP&Oacute;CRIFA<\/strong>. Para se compreender melhor as das tradi&ccedil;&otilde;es natal&iacute;cias &eacute; preciso parar e ler com aten&ccedil;&atilde;o os evangelhos ap&oacute;crifos e outros escritos, onde os pregadores medievais foram beber. S&atilde;o livros que est&atilde;o fora do c&acirc;non ou regra da Igreja. N&atilde;o s&atilde;o aut&ecirc;nticos. &Eacute; a &ldquo;<em>vox populi<\/em>&rdquo;. Estes textos procuram completar (ampliar) as lacunas dos Evangelhos. Satisfazem a curiosidade do povo. Surgem como um conto: &laquo;era uma vez&hellip;&raquo;, onde est&aacute; presente o maravilhoso e a lenda. A distin&ccedil;&atilde;o entre Evangelho can&oacute;nico e ap&oacute;crifo foi estabelecida pelo papa Gel&aacute;sio I (s&eacute;c.V). Muitas tradi&ccedil;&otilde;es populares contempor&acirc;neas t&ecirc;m por base estes textos ap&oacute;crifos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REIS MAGOS<\/strong>. N&atilde;o sabemos a sua origem e os seus nomes. O Evangelho de S&atilde;o Mateus trata-os com defer&ecirc;ncia e limita-se a dizer que &laquo;no tempo do rei Herodes chegaram a Jerusal&eacute;m uns Magos vindos do Oriente&raquo; (<em>Mt<\/em> 2, 1). Os Padres da Igreja, seguindo a tradi&ccedil;&atilde;o popular ou ap&oacute;crifa, uns afirmam que s&atilde;o oriundos da P&eacute;rsia (S. Bas&iacute;lio), outros da Ar&aacute;bia (Tertuliano), aqueloutros oriundos da Europa, &Aacute;frica e &Aacute;sia. Afirmam tamb&eacute;m que eram sacerdotes, astr&oacute;logos, adivinhos, m&aacute;gicos, feiticeiros, reis ou pr&iacute;ncipes. Tertuliano (s&eacute;c. III) e outros Padres da Igreja afirmam que os Magos eram reis. O contexto apresenta-os como oriundos da Caldeia, por&eacute;m, as ofertas faz-nos pensar que s&atilde;o da Ar&aacute;bia.<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a dos Magos &eacute; a resposta dos povos pag&atilde;os &agrave; revela&ccedil;&atilde;o do Evangelho. Santo Ireneu (s&eacute;culo II) explica os presentes: como mortal, a mirra; como rei, o ouro; como Deus, o incenso. Os Magos eram irm&atilde;os: Melchior reinava sobre os persas, Baltasar sobre os &iacute;ndios e Gaspar sobre os &aacute;rabes. Beda diz-nos que Melchior era o mais velho, Gaspar, um jovem e Baltasar &eacute; negro. Os Magos entraram na gruta, um de cada vez, prostraram-se por terra e adoraram Jesus. Cada um &laquo;beijou os p&eacute;s&raquo; do Menino. Todas estas &lsquo;novidades&rsquo; s&atilde;o ap&oacute;crifas e divulgaram-se pela Idade M&eacute;dia.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>S&Atilde;O JOS&Eacute;. <\/strong>Os Evangelhos pouco nos falam do jovem Jos&eacute;. A tradi&ccedil;&atilde;o ap&oacute;crifa, para defender a virgindade de Maria, descreve-o como um homem honest&iacute;ssimo, carpinteiro, anci&atilde;o de barbas que fazia arados e jugos. S&atilde;o Justino divulgou a mesma ideia nos seus escritos. Jos&eacute; levou para dentro da gruta um boi e um jumentinho que tinha trazido. Foi procurar lume e alimento e, quando voltou, j&aacute; tinha nascido o Menino e na gruta havia uma nuvem luminosa. Ajoelhou e adorou o Menino. Foi ele quem recebeu os Magos.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>ANIMAIS. <\/strong>Maria envolveu o Menino em panos e deitou-O numa manjedoura, diz-nos o Evangelho (<em>Mat<\/em> 2, 7). Mais nada. O imagin&aacute;rio popular legou-nos uma m&atilde;o cheia de tradi&ccedil;&otilde;es ap&oacute;crifas. A manjedoura recorda-nos os animais que ali se alimentam. Mas no Evangelho n&atilde;o se fala de animais. Os nossos &ldquo;eruditos&rdquo; jornalistas ficaram escandalizados e aproveitaram a ocasi&atilde;o para atacar o Papa revelando uma grande ignor&acirc;ncia. Difundiram a &ldquo;novidade&rdquo; do pres&eacute;pio de Bento XVI que n&atilde;o tem burro. A campanha contra o Papa e contra a Igreja est&aacute; patente. O profeta Isa&iacute;as predisse que &laquo;o boi conhece o seu dono, e o jumento o est&aacute;bulo do seu senhor mas Israel, meu povo, nada entende (<em>Is 1, 3<\/em>). Or&iacute;genes diz-nos que simbolizam o povo judeu e o povo pag&atilde;o. S. Jer&oacute;nimo Tamb&eacute;m afirma que na gruta estava o boi e o burro. A partir do s&eacute;culo IV, a tradi&ccedil;&atilde;o popular apresenta a manjedoura ladeada pelos animais. Quando, Jesus nasceu os animais ajoelharam-se.<em> <\/em>Os animais e outras figuras surgem no pres&eacute;pio para satisfazer a avidez do povo carente de novidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ANJOS. <\/strong>A tradi&ccedil;&atilde;o popular afirma que foram eles quem guiaram os pastores at&eacute; &agrave; gruta. No dia do nascimento de Jesus, um anjo apareceu em forma de estrela, aos governantes da P&eacute;rsia. Eles enviaram os seus filhos ao encontro de Jesus e levaram consigo tr&ecirc;s libras de ouro, incenso e mirra. Vinham vestidos como reis. O anjo com uma estrela na m&atilde;o ou o anjo em forma de estrela aparece, frequentemente, nos autos e cantares natal&iacute;cios. No s&eacute;culo V surgem com asas.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>PRES&Eacute;PIO. <\/strong>S&atilde;o Francisco de Assis (s&eacute;c. XII) pediu licen&ccedil;a ao Papa para fazer a representa&ccedil;&atilde;o teatral da cena do nascimento de Jesus (<em>ludi theatrales<\/em>). Como era costume, as figuras do pres&eacute;pio eram representadas pelos pr&oacute;prios frades. O Menino estava nas palhinhas junto dos animais. &Eacute; poss&iacute;vel que se tenham declamado um texto b&iacute;blico da natividade. No s&eacute;culo XVI, os conventos come&ccedil;aram a fazer o Menino Jesus em cera e surgiram os primeiros pres&eacute;pios armados. At&eacute; ao s&eacute;culo XVIII, o pres&eacute;pio tradicional era armado num altar, nas catedrais e algumas igrejas. O Menino estava de p&eacute; no seu trono, pois Ele &eacute; o Senhor e Rei do Universo. Lentamente o povo come&ccedil;a a armar este pres&eacute;pio em suas casas. O bispo B&eacute;rulle, fundador dos Padres do Orat&oacute;rio, mandou colocar laranjas e trigo germinado (searinhas) junto do Menino, para que aben&ccedil;oe as &aacute;rvores de fruto e as searas que eram a fonte de riqueza do povo.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, surgiu o pres&eacute;pio proven&ccedil;al, por oposi&ccedil;&atilde;o ao tradicional. O Menino j&aacute; n&atilde;o &eacute; um Rei no trono, mas deitado nas palhinhas recordando o &ldquo;<em>Polverello<\/em>&rdquo; de Assis. Mais tarde este pres&eacute;pio &eacute; popularizado, recebendo muitas figuras do povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MISSA DO GALO.<\/strong><\/p>\n<p>Outrora, as festas mais importantes tinham uma vig&iacute;lia e celebravam-se tr&ecirc;s missas. Era dia de jejum. Desde o p&ocirc;r do sol, o povo ia para a igreja rezar, cantar e escutar a Palavra de Deus, preparando-se para a festa. A &acute;missa da vig&iacute;lia&acute; era &agrave; meia-noite. Depois seguiam-se os &ldquo;mist&eacute;rios&rdquo; ou &ldquo;jogos&rdquo;, isto &eacute;, a representa&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;as teatrais, para catequizar o povo e divertir. Antes de nascer o sol, havia a &acute;missa do Galo&acute; e, ao meio da manh&atilde;, a missa da aurora. Quando as vig&iacute;lias foram proibidas, o povo continuou a dizer &acute;missa do galo&acute; &agrave; missa do nascer do dia, porque era a primeira missa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CEPO DO NATAL<\/strong>. Outrora guardava-se um grande tronco de uma &aacute;rvore de fruto para arder na quadra natal&iacute;cia. Ficava aceso dia e noite. Era de uma &aacute;rvore de fruta para que Jesus aben&ccedil;oasse os frutos. O pai de fam&iacute;lia fazia uma ora&ccedil;&atilde;o, benzia-o com vinho e acendia-se. Aquecia e iluminava a casa. Nos adros das igrejas faziam-se grandes fogueiras para iluminar o espa&ccedil;o e aquecer as pessoas que vinham &agrave; festa e missa da vig&iacute;lia.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>BODO. <\/strong>&Eacute; secular a tradi&ccedil;&atilde;o dar aos pobres um bodo, nas principais festas do ano. No fim da prociss&atilde;o ou festa corriam-se touros. A carne destes animais era distribu&iacute;da pelos pobres. O clero e outras pessoas ricas davam um &ldquo;bodo&rdquo; aos pobres. Roupas e alimentos. As igrejas colocavam uma &aacute;rvore na sacristia ou noutro lugar e toda a gente vinha trazer alimentos e roupas que dependurava na &aacute;rvore. Hoje ainda se diz &laquo;oferecer um ramo&raquo; quando h&aacute; uma d&aacute;diva numa festa. Em tempos passados, s&oacute; as crian&ccedil;as tinham prendas no Natal. Hoje a partilha &eacute; generalizada. Os pastores e os Reis Magos fizeram ofertas, o povo crist&atilde;o tamb&eacute;m assinala o Natal trocando prendas em sinal de amizade e amor.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>PASTORES. <\/strong>A tradi&ccedil;&atilde;o popular diz-nos que, depois do an&uacute;ncio dos anjos, os pastores tomaram os mantos, cada um levou o seu cordeiro aos ombros, queijo e l&atilde;. Os anjos conduziram-nos at&eacute; &agrave; gruta. Como faziam muito barulho, Jos&eacute; saiu da gruta e pediu sil&ecirc;ncio, pois l&aacute; dentro estava o Salvador. Entrou um de cada vez, ajoelharam e colocaram as ofertas junto da manjedoura. O Menino dormia nas palhinhas.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>(<em>in Natal no Algarve: Ra&iacute;zes Medievais<\/em>)<\/p>\n<p><em>P. Jos&eacute; da Cunha Duarte, CSSp<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P. 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