{"id":59356,"date":"2012-12-18T10:41:56","date_gmt":"2012-12-18T10:41:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/18\/facamos-as-boas-festas\/"},"modified":"2012-12-18T10:41:56","modified_gmt":"2012-12-18T10:41:56","slug":"facamos-as-boas-festas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/facamos-as-boas-festas\/","title":{"rendered":"Fa\u00e7amos as boas festas"},"content":{"rendered":"<p>Fernando J. Micael Pereira, Prof. Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p>As sociedades em que os bens s&atilde;o mais escassos, como a sociedade tradicional portuguesa t&atilde;o inspirada pelo cristianismo, compreenderam bem a raz&atilde;o de ser das festas e de elas serem espa&ccedil;adas ao longo do ano. S&atilde;o espa&ccedil;adas mas retornam todos os anos na mesma altura, construindo um processo em que h&aacute; esperan&ccedil;a e renova&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A festa &eacute; fundamental para quem quer viver uma vida com enredo comum, com um sentido que se pode renovar e partilhar com outras pessoas. S&atilde;o ainda mais importantes para quem sente as dificuldades da vida, sejam elas econ&oacute;micas ou de outra ordem: para quem tem falta de esperan&ccedil;a, de felicidade, de alegria, de acompanhamento, de bem-estar seja em que dom&iacute;nio for.<\/p>\n<p>N&atilde;o s&oacute; contrastam, e bem, com o dia a dia como o seu sentido ilumina a restante vida. Elas s&atilde;o marcos no tempo, pontos altos por que se anseia e que se recordam. S&atilde;o um sal que d&aacute; sabor &agrave; vida.<\/p>\n<p>O Natal &eacute; um dos tr&ecirc;s grandes marcos festivos da cultura portuguesa, como o s&atilde;o igualmente a P&aacute;scoa e as festas de ver&atilde;o. Pelo meio ficam os dias do quotidiano, os do esfor&ccedil;o e priva&ccedil;&atilde;o que antecedem as festas, e os da viva recorda&ccedil;&atilde;o que as prolongam.<\/p>\n<p>A festa do Natal &eacute; de todas a mais terna e encantadora, porque celebra o nascimento de um beb&eacute; que &eacute; Deus. Nela se partilha a alegria, a luz que rompe as trevas, o aconchego familiar, a esperan&ccedil;a que todo o in&iacute;cio e toda a semente evocam. H&aacute; cantares, h&aacute; prendas que v&atilde;o do ouro da realeza e da riqueza, ao incenso do sagrado e &agrave; mirra da nossa materialidade; h&aacute; os pastores e toda a comunh&atilde;o profunda com a natureza. Assim o Natal irradia felicidade e simplicidade, aproxima, reconforta, d&aacute; alento e aquece o cora&ccedil;&atilde;o para todo o ano.<\/p>\n<p>N&oacute;s e a Europa estamos a reaprender a sermos mais modestos e tamb&eacute;m mais justos socialmente. Custa-nos, protestamos, mas temos de reaprender a n&atilde;o vivermos sempre em festa, a ritmarmos a nossa vida com tempos de abund&acirc;ncia e tempos de escassez, a tornarmo-nos mais pr&oacute;ximos dos que vivem connosco.<\/p>\n<p>Hoje o com&eacute;rcio, as compras e as ilumina&ccedil;&otilde;es tornaram-se tamb&eacute;m s&iacute;mbolos do Natal. S&oacute; &eacute; lament&aacute;vel que por vezes fa&ccedil;am esquecer o nascimento de Jesus. Mas n&atilde;o tem nada de ser assim. Desde que n&atilde;o sejam escandalosamente exibicionistas, eles tamb&eacute;m t&ecirc;m o seu lugar. Sobretudo quando se associam com a m&uacute;sica, as decora&ccedil;&otilde;es, as ilumina&ccedil;&otilde;es, criam um ambiente que imp&otilde;e a pr&oacute;pria festa. N&atilde;o se limitam a evocar os acontecimentos, mas d&atilde;o azo a que se realize a pr&oacute;pria pr&aacute;tica festiva.<\/p>\n<p>A a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se limita ao seu desenvolvimento p&uacute;blico, mas decorre na pr&oacute;pria privacidade de cada casa e na expetativa da futura reuni&atilde;o familiar porventura mais alargada, implicando ou n&atilde;o a celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica.<\/p>\n<p>Tem igualmente lugar a partilha n&atilde;o s&oacute; com pobres e desconhecidos, mas tamb&eacute;m com os familiares, colegas e amigos que tantas vezes desconhecemos ao longo do ano. O que se passa em cada casa &eacute; reproduzido por todos de mil maneiras e todos sabem que o fazem, porque tantos factos o demonstraram.<\/p>\n<p>O gesto de descobrir o que ser&aacute; a prenda, o que fazer ou comprar, implica que me interrogue sobre mim, sobre o outro e seus gostos e necessidades. &Eacute; um desafio ao encontro, &agrave; compreens&atilde;o, &agrave; proximidade. Faz todo o sentido o gesto de trocar prendas que nos liguem &agrave;s pessoas que amamos, ou de quem &eacute; esperado que sejamos amigos. O dinheiro, a criatividade e o gesto de quem d&aacute;, s&atilde;o benditos porque nos restauram como irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Revigorar os la&ccedil;os de amizade e de vida familiar, dispor-se a uma vida mais simples, estar mais atento a quem precisa seja de bens, seja de considera&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o dimens&otilde;es a que Deus hoje nos chama a cada hora que passa, desafiando-nos a fazermos crescer a nossa vida com alegria, leveza e generosidade. Se as prendas de Natal contribu&iacute;rem para dar algum alento ao com&eacute;rcio e seus empregados, que dele tanto precisam, tamb&eacute;m estaremos perante um recurso que sempre foi precioso para as economias mais contidas. Foi ali&aacute;s o com&eacute;rcio quem soube de maneira atual revigorar esta solenidade, refor&ccedil;ando uma dimens&atilde;o familiar despida de ideologias militantes contra o pr&oacute;prio catolicismo.<\/p>\n<p>A alegria e o revigoramento do Natal s&atilde;o luzes que brilham no c&eacute;u dos nossos projetos dando-nos esperan&ccedil;a de sermos melhores e de conseguirmos encontrar quem de facto est&aacute; ao nosso lado.<\/p>\n<p>Fa&ccedil;amos festa, tenhamos e criemos boas festas na plenitude de sentido da express&atilde;o. Bem precisamos delas para sermos capazes de alimentar a esperan&ccedil;a, o trabalho, a mudan&ccedil;a de vida que t&atilde;o necess&aacute;ria &eacute;.<\/p>\n<p><em>Fernando J. Micael Pereira<br \/>Prof. Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando J. 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