{"id":5935,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/coerencia-e-responsabilidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"coerencia-e-responsabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/coerencia-e-responsabilidade\/","title":{"rendered":"Coer\u00eancia e Responsabilidade"},"content":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Portalegre &#8211; Castelo Branco <!--more--> No fundo da consci\u00eancia o homem descobre a exist\u00eancia de uma lei, que ele n\u00e3o imp\u00f4s a si mesmo, mas \u00e0 qual deve obedecer, e cuja voz, convidando-o a amar e a fazer o bem e a evitar o mal, no momento oportuno ressoa aos ouvidos do cora\u00e7\u00e3o: faz isto, evita aquilo. (Gaudium et Spes, 16)  Fala-se muito de que n\u00f3s, portugueses, temos a tend\u00eancia para a desobedi\u00eancia, para o n\u00e3o cumprimento das normas. De tal modo isto \u00e9 uma realidade que at\u00e9 o pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica, criticando esta nossa maneira de actuar, afirmou que no nosso Pa\u00eds, as leis mais parecem ser meras sugest\u00f5es, que poder\u00e3o ser ou n\u00e3o cumpridas.  A frequ\u00eancia desses comportamentos desrespeitosos da lei e das normas \u00e9 tal que j\u00e1 poucos ousam question\u00e1-los, parecendo mesmo que eles fazem parte da nossa idiossincrasia. No entanto, esse desrespeito, multiplicado pelos muitos que n\u00f3s somos, quotidianamente, talvez seja o respons\u00e1vel por estarmos, ainda, muito aqu\u00e9m das metas de desenvolvimento social e econ\u00f3mico que desejar\u00edamos alcan\u00e7ar. E n\u00e3o se pense que esses comportamentos de fuga \u00e0s normas e leis passam apenas pelo n\u00e3o pagamento de impostos, pela grande corrup\u00e7\u00e3o ou tr\u00e1fico de influ\u00eancias ou pelos casos de pedofilia.   Basta sairmos de casa e logo observamos que &#8211; se continua, com a mais despudorada desfa\u00e7atez e impunidade, a ignorarem-se as regras mais elementares da seguran\u00e7a rodovi\u00e1ria; &#8211; chegar atrasado, ao emprego, \u00e0s aulas, a uma reuni\u00e3o ou encontro, a uma cerim\u00f3nia ou espect\u00e1culo, j\u00e1 n\u00e3o constitui falta que poderia exigir justifica\u00e7\u00e3o. Trata-se, simplesmente, de uma norma que o h\u00e1bito institucionalizou e generalizou.  Ora, estes dois tipos de desvio \u00e0s regras, meramente exemplificativos, s\u00e3o respons\u00e1veis por muitas vidas ceifadas, muitas perdas em dinheiro, muitos neg\u00f3cios por concluir.   A nossa cultura \u00e9 a de \u201cmais ou menos\u201d. Ao aluno, quando se lhe pergunta sobre dado assunto responde que sabe \u201cmais ou menos\u201d. Ao professor, quando \u00e9 interrogado sobre o aproveitamento, comportamento e desenvolvimento dos seus alunos, a sua resposta anda pelo \u201cmais ou menos\u201d. A economia vai \u201cmais ou menos\u201d (\u201cj\u00e1 esteve pior, mas agora, embora n\u00e3o se veja, j\u00e1 est\u00e1 a melhorar\u201d), assim como os nossos costumes (somos pessoas de brandos costumes, continuando, no entanto, a cometer crimes), tal como v\u00e3o \u201cmais ou menos\u201d os sectores da justi\u00e7a e da sa\u00fade.   Na sociedade portuguesa n\u00e3o se determinam objectivos espec\u00edficos (ou determinam-se mal), nem se avalia a sua concretiza\u00e7\u00e3o, ao n\u00edvel das diversas estruturas da administra\u00e7\u00e3o do Estado ou da empresa \u2013 ficamo-nos pelas grandes generalidades, pelas inten\u00e7\u00f5es. As honrosas excep\u00e7\u00f5es confirmam a regra. Igualmente nos ficamos, ainda, pela maledic\u00eancia, pela intriga e pelo desfazer daquilo que os outros j\u00e1 tinham feito bem. N\u00e3o h\u00e1 mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas, sejam elas de natureza individual ou colectiva, para as metas bem determinadas, com prazos a cumprir. Somos muito exigentes para com os outros mas pouco exigentes para connosco pr\u00f3prios. Um l\u00edder dever\u00e1 ser algu\u00e9m que consegue influenciar. Mas que esp\u00e9cie de influ\u00eancia exercer\u00e1 esse l\u00edder se ele n\u00e3o cumpre aquilo que vai exigir aos outros?  Ora, na base deste incomensur\u00e1vel n\u00e3o cumprimento das pequenas e grandes regras que nos regem, do fechar de olhos \u00e0quilo que me aborrece ou que me d\u00e1 trabalho, do exigir aos outros aquilo que eu n\u00e3o cumpro e, \u00e0s vezes, at\u00e9, aquilo que eu pr\u00f3prio legislo, est\u00e1 uma quest\u00e3o de incoer\u00eancia.  A coer\u00eancia tem a ver com o que se pensa, com que se diz e com o que se faz. Todo o cidad\u00e3o que diz professar determinados valores de justi\u00e7a, de paz e de solidariedade, ter\u00e1, pois, que se interrogar se, mesmo nos mais simples actos do seu quotidiano, tais como fazer uma ultrapassagem na estrada ou dar uma dada resposta a um seu colega, superior hier\u00e1rquico ou subordinado, est\u00e1 a ser coerente com esses valores que diz professar ou praticar. O mesmo tipo de interroga\u00e7\u00f5es se devem colocar para as organiza\u00e7\u00f5es, seja elas empresariais, culturais, desportivas, estatais ou ao pr\u00f3prio Governo: em que medida este ou aquele acto que vai ser levado \u00e0 pr\u00e1tica tem coer\u00eancia com os princ\u00edpios que diz defenderem-se?   A coer\u00eancia gera a responsabilidade. A responsabilidade gera o desenvolvimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Portalegre &#8211; Castelo Branco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[191,314],"class_list":["post-5935","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-economia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5935"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5935\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}