{"id":59315,"date":"2012-12-14T15:45:00","date_gmt":"2012-12-14T15:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/14\/mensagem-de-bento-xvi-para-a-celebracao-do-46-o-dia-mundial-da-paz-01-01-2013\/"},"modified":"2012-12-14T15:45:00","modified_gmt":"2012-12-14T15:45:00","slug":"mensagem-de-bento-xvi-para-a-celebracao-do-46-o-dia-mundial-da-paz-01-01-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-para-a-celebracao-do-46-o-dia-mundial-da-paz-01-01-2013\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI para a celebra\u00e7\u00e3o do 46.\u00ba Dia Mundial da Paz (01-01-2013)"},"content":{"rendered":"<p style=\"TEXT-ALIGN: center\"><strong>Mensagem de Bento XVI para a celebra&ccedil;&atilde;o do<br \/>46.&ordm; Dia Mundial da Paz<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center\"><strong>1 de janeiro de 2013<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center\"><strong>Bem-aventurados os obreiros da paz<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Cada ano novo traz consigo a expectativa de um mundo melhor. Nesta perspetiva, pe&ccedil;o a Deus, Pai da humanidade, que nos conceda a conc&oacute;rdia e a paz a fim de que possam tornar-se realidade, para todos, as aspira&ccedil;&otilde;es duma vida feliz e pr&oacute;spera.<\/p>\n<p>&Agrave; dist&acirc;ncia de 50 anos do in&iacute;cio do Conc&iacute;lio Vaticano II, que permitiu dar mais for&ccedil;a &agrave; miss&atilde;o da Igreja no mundo, anima constatar como os crist&atilde;os, Povo de Deus em comunh&atilde;o com Ele e caminhando entre os homens, se comprometem na hist&oacute;ria compartilhando alegrias e esperan&ccedil;as, tristezas e ang&uacute;stias,[1] anunciando a salva&ccedil;&atilde;o de Cristo e promovendo a paz para todos.<\/p>\n<p>Na realidade o nosso tempo, caracterizado pela globaliza&ccedil;&atilde;o, com seus aspetos positivos e negativos, e tamb&eacute;m por sangrentos conflitos ainda em curso e por amea&ccedil;as de guerra, requer um renovado e concorde empenho na busca do bem comum, do desenvolvimento de todo o homem e do homem todo.<\/p>\n<p>Causam apreens&atilde;o os focos de tens&atilde;o e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predom&iacute;nio duma mentalidade ego&iacute;sta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado. Al&eacute;m de variadas formas de terrorismo e criminalidade internacional, p&otilde;em em perigo a paz aqueles fundamentalismos e fanatismos que distorcem a verdadeira natureza da religi&atilde;o, chamada a favorecer a comunh&atilde;o e a reconcilia&ccedil;&atilde;o entre os homens.<\/p>\n<p>E no entanto as in&uacute;meras obras de paz, de que &eacute; rico o mundo, testemunham a voca&ccedil;&atilde;o natural da humanidade &agrave; paz. Em cada pessoa, o desejo de paz &eacute; uma aspira&ccedil;&atilde;o essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a um princ&iacute;pio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento integral, social, comunit&aacute;rio, e isto faz parte dos des&iacute;gnios que Deus tem para o homem. Na verdade, o homem &eacute; feito para a paz, que &eacute; dom de Deus.<br \/>Tudo isso me sugeriu buscar inspira&ccedil;&atilde;o, para esta Mensagem, &agrave;s palavras de Jesus Cristo: &laquo;Bem-aventurados os obreiros da paz, porque ser&atilde;o chamados filhos de Deus&raquo; (Mt 5, 9).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A bem-aventuran&ccedil;a evang&eacute;lica<\/strong><\/p>\n<p>2. As bem-aventuran&ccedil;as proclamadas por Jesus (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23) s&atilde;o promessas. Com efeito, na tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica, a bem-aventuran&ccedil;a &eacute; um g&eacute;nero liter&aacute;rio que traz sempre consigo uma boa nova, ou seja um evangelho, que culmina numa promessa. Assim, as bem-aventuran&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o meras recomenda&ccedil;&otilde;es morais, cuja observ&acirc;ncia prev&ecirc; no tempo devido &ndash; um tempo localizado geralmente na outra vida &ndash; uma recompensa, ou seja, uma situa&ccedil;&atilde;o de felicidade futura; mas consistem sobretudo no cumprimento duma promessa feita a quantos se deixam guiar pelas exig&ecirc;ncias da verdade, da justi&ccedil;a e do amor. Frequentemente, aos olhos do mundo, aqueles que confiam em Deus e nas suas promessas aparecem como ing&eacute;nuos ou fora da realidade; ao passo que Jesus lhes declara que j&aacute; nesta vida &ndash; e n&atilde;o s&oacute; na outra &ndash; se dar&atilde;o conta de serem filhos de Deus e que, desde o in&iacute;cio e para sempre, Deus est&aacute; totalmente solid&aacute;rio com eles. Compreender&atilde;o que n&atilde;o se encontram sozinhos, porque Deus est&aacute; do lado daqueles que se comprometem com a verdade, a justi&ccedil;a e o amor. Jesus, revela&ccedil;&atilde;o do amor do Pai, n&atilde;o hesita em oferecer-Se a Si mesmo em sacrif&iacute;cio. Quando se acolhe Jesus Cristo, Homem-Deus, vive-se a jubilosa experi&ecirc;ncia de um dom imenso: a participa&ccedil;&atilde;o na pr&oacute;pria vida de Deus, isto &eacute;, a vida da gra&ccedil;a, penhor duma vida plenamente feliz. De modo particular, Jesus Cristo d&aacute;-nos a paz verdadeira, que nasce do encontro confiante do homem com Deus.<\/p>\n<p>A bem-aventuran&ccedil;a de Jesus diz que a paz &eacute;, simultaneamente, dom messi&acirc;nico e obra humana. Na verdade, a paz pressup&otilde;e um humanismo aberto &agrave; transcend&ecirc;ncia; &eacute; fruto do dom rec&iacute;proco, de um m&uacute;tuo enriquecimento, gra&ccedil;as ao dom que prov&eacute;m de Deus e nos permite viver com os outros e para os outros. A &eacute;tica da paz &eacute; uma &eacute;tica de comunh&atilde;o e partilha. Por isso, &eacute; indispens&aacute;vel que as v&aacute;rias culturas de hoje superem antropologias e &eacute;ticas fundadas sobre motivos teorico-pr&aacute;ticos meramente subjetivistas e pragm&aacute;ticos, em virtude dos quais as rela&ccedil;&otilde;es da conviv&ecirc;ncia se inspiram em crit&eacute;rios de poder ou de lucro, os meios tornam-se fins, e vice-versa, a cultura e a educa&ccedil;&atilde;o concentram-se apenas nos instrumentos, na t&eacute;cnica e na efici&ecirc;ncia. Condi&ccedil;&atilde;o preliminar para a paz &eacute; o desmantelamento da ditadura do relativismo e da apologia duma moral totalmente aut&oacute;noma, que impede o reconhecimento de qu&atilde;o imprescind&iacute;vel seja a lei moral natural inscrita por Deus na consci&ecirc;ncia de cada homem. A paz &eacute; constru&ccedil;&atilde;o em termos racionais e morais da conviv&ecirc;ncia, fundando-a sobre um alicerce cuja medida n&atilde;o &eacute; criada pelo homem, mas por Deus. Como lembra o Salmo 29, &laquo; o Senhor d&aacute; for&ccedil;a ao seu povo; o Senhor aben&ccedil;oar&aacute; o seu povo com a paz &raquo; (v. 11).<\/p>\n<p><strong>A paz: dom de Deus e obra do homem<\/strong><\/p>\n<p>3. A paz envolve o ser humano na sua integridade e sup&otilde;e o empenhamento da pessoa inteira: &eacute; paz com Deus, vivendo conforme &agrave; sua vontade; &eacute; paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o pr&oacute;ximo e com toda a cria&ccedil;&atilde;o. Como escreveu o Beato Jo&atilde;o XXIII na Enc&iacute;clica Pacem in terris&ndash; cujo cinquenten&aacute;rio ter&aacute; lugar dentro de poucos meses &ndash;, a paz implica principalmente a constru&ccedil;&atilde;o duma conviv&ecirc;ncia humana baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justi&ccedil;a.[2]A nega&ccedil;&atilde;o daquilo que constitui a verdadeira natureza do ser humano, nas suas dimens&otilde;es essenciais, na sua capacidade intr&iacute;nseca de conhecer a verdade e o bem e, em &uacute;ltima an&aacute;lise, o pr&oacute;prio Deus, p&otilde;e em perigo a constru&ccedil;&atilde;o da paz. Sem a verdade sobre o homem, inscrita pelo Criador no seu cora&ccedil;&atilde;o, a liberdade e o amor depreciam-se, a justi&ccedil;a perde a base para o seu exerc&iacute;cio.<\/p>\n<p>Para nos tornarmos aut&ecirc;nticos obreiros da paz, s&atilde;o fundamentais a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; dimens&atilde;o transcendente e o di&aacute;logo constante com Deus, Pai misericordioso, pelo qual se implora a reden&ccedil;&atilde;o que nos foi conquistada pelo seu Filho Unig&eacute;nito. Assim o homem pode vencer aquele germe de obscurecimento e nega&ccedil;&atilde;o da paz que &eacute; o pecado em todas as suas formas: ego&iacute;smo e viol&ecirc;ncia, avidez e desejo de poder e dom&iacute;nio, intoler&acirc;ncia, &oacute;dio e estruturas injustas.<\/p>\n<p>A realiza&ccedil;&atilde;o da paz depende sobretudo do reconhecimento de que somos, em Deus, uma &uacute;nica fam&iacute;lia humana. Esta, como ensina a Enc&iacute;clica Pacem in terris, est&aacute; estruturada mediante rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e institui&ccedil;&otilde;es sustentadas e anima&not;das por um &laquo;n&oacute;s&raquo; comunit&aacute;rio, que implica uma ordem moral, interna e externa, na qual se reconhe&ccedil;am sinceramente, com verdade e justi&ccedil;a, os pr&oacute;prios direitos e os pr&oacute;prios deveres para com os demais. A paz &eacute; uma ordem de tal modo vivificada e integrada pelo amor, que se sentem como pr&oacute;prias as necessidades e exig&ecirc;ncias alheias, que se fazem os outros comparticipantes dos pr&oacute;prios bens e que se estende sempre mais no mundo a comunh&atilde;o dos valores espirituais. &Eacute; uma ordem realizada na liberdade, isto &eacute;, segundo o modo que corresponde &agrave; dignidade de pessoas que, por sua pr&oacute;pria natureza racional, assumem a responsabilidade do pr&oacute;prio agir.[3]<\/p>\n<p>A paz n&atilde;o &eacute; um sonho, nem uma utopia; a paz &eacute; poss&iacute;vel. Os nossos olhos devem ver em profundidade, sob a superf&iacute;cie das apar&ecirc;ncias e dos fen&oacute;menos, para vislumbrar uma realidade positiva que existe nos cora&ccedil;&otilde;es, pois cada homem &eacute; criado &agrave; imagem de Deus e chamado a crescer contribuindo para a edifica&ccedil;&atilde;o dum mundo novo. Na realidade, atrav&eacute;s da encarna&ccedil;&atilde;o do Filho e da reden&ccedil;&atilde;o por Ele operada, o pr&oacute;prio Deus entrou na hist&oacute;ria e fez surgir uma nova cria&ccedil;&atilde;o e uma nova alian&ccedil;a entre Deus e o homem (cf. Jr 31, 31-34), oferecendo-nos a possibilidade de ter &laquo; um cora&ccedil;&atilde;o novo e um esp&iacute;rito novo &raquo; (cf. Ez 36, 26).<\/p>\n<p>Por isso mesmo, a Igreja est&aacute; convencida de que urge um novo an&uacute;ncio de Jesus Cristo, primeiro e principal fator do desenvolvimento integral dos povos e tamb&eacute;m da paz. Na realidade, Jesus &eacute; a nossa paz, a nossa justi&ccedil;a, a nossa reconcilia&ccedil;&atilde;o (cf. Ef 2, 14; 2 Cor 5, 18). O obreiro da paz, segundo a bem-aventuran&ccedil;a de Jesus, &eacute; aquele que procura o bem do outro, o bem pleno da alma e do corpo, no tempo presente e na eternidade.<\/p>\n<p>A partir deste ensinamento, pode-se deduzir que cada pessoa e cada comunidade &ndash; religiosa, civil, educativa e cultural &ndash; &eacute; chamada a trabalhar pela paz. Esta consiste, principalmente, na realiza&ccedil;&atilde;o do bem comum das v&aacute;rias sociedades, prim&aacute;rias e interm&eacute;dias, nacionais, internacionais e a mundial. Por isso mesmo, pode-se supor que os caminhos para a implementa&ccedil;&atilde;o do bem comum sejam tamb&eacute;m os caminhos que temos de seguir para se obter a paz.<\/p>\n<p><strong>Obreiros da paz s&atilde;o aqueles que amam, defendem e promovem a vida na sua integridade<\/strong><\/p>\n<p>4. Caminho para a consecu&ccedil;&atilde;o do bem comum e da paz &eacute;, antes de mais nada, o respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspetos, a come&ccedil;ar da conce&ccedil;&atilde;o, passando pelo seu desenvolvimento at&eacute; ao fim natural. Assim, os verdadeiros obreiros da paz s&atilde;o aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimens&otilde;es: pessoal, comunit&aacute;ria e transcendente. A vida em plenitude &eacute; o &aacute;pice da paz. Quem deseja a paz n&atilde;o pode tolerar atentados e crimes contra a vida.<\/p>\n<p>Aqueles que n&atilde;o apreciam suficientemente o valor da vida humana, chegando a defender, por exemplo, a liberaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, talvez n&atilde;o se deem conta de que assim est&atilde;o a propor a prossecu&ccedil;&atilde;o duma paz ilus&oacute;ria. A fuga das responsabilidades, que deprecia a pessoa humana, e mais ainda o assassinato de um ser humano indefeso e inocente nunca poder&atilde;o gerar felicidade nem a paz. Na verdade, como se pode pensar em realizar a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a pr&oacute;pria salvaguarda do ambiente, sem estar tutelado o direito &agrave; vida dos mais fr&aacute;geis, a come&ccedil;ar pelos nascituros? Qualquer les&atilde;o &agrave; vida, de modo especial na sua origem, provoca inevitavelmente danos irrepar&aacute;veis ao desenvolvimento, &agrave; paz, ao ambiente. T&atilde;o-pouco &eacute; justo codificar ardilosamente falsos direitos ou op&ccedil;&otilde;es que, baseados numa vis&atilde;o redutiva e relativista do ser humano e com o h&aacute;bil recurso a express&otilde;es amb&iacute;guas tendentes a favorecer um suposto direito ao aborto e &agrave; eutan&aacute;sia, amea&ccedil;am o direito fundamental &agrave; vida.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m a estrutura natural do matrim&oacute;nio, como uni&atilde;o entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de uni&atilde;o que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabiliza&ccedil;&atilde;o, obscurecendo o seu car&aacute;ter peculiar e a sua insubstitu&iacute;vel fun&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>Estes princ&iacute;pios n&atilde;o s&atilde;o verdades de f&eacute;, nem uma mera deriva&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; liberdade religiosa; mas est&atilde;o inscritos na pr&oacute;pria natureza humana &ndash; sendo reconhec&iacute;veis pela raz&atilde;o &ndash; e consequentemente comuns a toda a humanidade. Por conseguinte, a a&ccedil;&atilde;o da Igreja para os promover n&atilde;o tem car&aacute;ter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, independentemente da sua filia&ccedil;&atilde;o religiosa. Tal a&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais necess&aacute;ria quando estes princ&iacute;pios s&atilde;o negados ou mal entendidos, porque isso constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma ferida grave infligida &agrave; justi&ccedil;a e &agrave; paz.<\/p>\n<p>Por isso, uma importante colabora&ccedil;&atilde;o para a paz &eacute; dada tamb&eacute;m pelos ordenamentos jur&iacute;dicos e a administra&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a quando reconhecem o direito ao uso do princ&iacute;pio da obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia face a leis e medidas governamentais que atentem contra a dignidade humana, como o aborto e a eutan&aacute;sia.<\/p>\n<p>Entre os direitos humanos basilares mesmo para a vida pac&iacute;fica dos povos, conta-se o direito dos indiv&iacute;duos e comunidades &agrave; liberdade religiosa. Neste momento hist&oacute;rico, torna-se cada vez mais importante que este direito seja promovido n&atilde;o s&oacute; negativamente, como liberdade de &ndash; por exemplo, de obriga&ccedil;&otilde;es e coa&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; liberdade de escolher a pr&oacute;pria religi&atilde;o &ndash;, mas tamb&eacute;m positivamente, nas suas v&aacute;rias articula&ccedil;&otilde;es, como liberdade para: por exemplo, para testemunhar a pr&oacute;pria religi&atilde;o, anunciar e comunicar a sua doutrina; para realizar atividades educativas, de benefic&ecirc;ncia e de assist&ecirc;ncia que permitem aplicar os preceitos religiosos; para existir e atuar como organismos sociais, estruturados de acordo com os princ&iacute;pios doutrinais e as finalidades institucionais que lhe s&atilde;o pr&oacute;prias. Infelizmente v&atilde;o-se multiplicando, mesmo em pa&iacute;ses de antiga tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, os epis&oacute;dios de intoler&acirc;ncia religiosa, especialmente contra o cristianismo e aqueles que se limitam a usar os sinais identificadores da pr&oacute;pria religi&atilde;o.<\/p>\n<p>O obreiro da paz deve ter presente tamb&eacute;m que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opini&atilde;o p&uacute;blica, a convic&ccedil;&atilde;o de que o crescimento econ&oacute;mico se deve conseguir mesmo &agrave; custa da eros&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, h&aacute; que considerar que estes direitos e deveres s&atilde;o fundamentais para a plena realiza&ccedil;&atilde;o de outros, a come&ccedil;ar pelos direitos civis e pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>E, entre os direitos e deveres sociais atualmente mais amea&ccedil;ados, conta-se o direito ao trabalho. Isto &eacute; devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jur&iacute;dico dos trabalhadores n&atilde;o serem adequadamente valorizados, porque o crescimento econ&oacute;mico dependeria sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho &eacute; considerado uma vari&aacute;vel dependente dos mecanismos econ&oacute;micos e financeiros. A prop&oacute;sito disto, volto a afirmar que n&atilde;o s&oacute; a dignidade do homem mas tamb&eacute;m raz&otilde;es econ&oacute;micas, sociais e pol&iacute;ticas exigem que se continue &laquo; a perseguir como priorit&aacute;rio o objetivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manuten&ccedil;&atilde;o &raquo;.[4] Para se realizar este ambicioso objetivo, &eacute; condi&ccedil;&atilde;o preliminar uma renovada aprecia&ccedil;&atilde;o do trabalho, fundada em princ&iacute;pios &eacute;ticos e valores espirituais, que revigore a sua conce&ccedil;&atilde;o como bem fundamental para a pessoa, a fam&iacute;lia, a sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e ousadas pol&iacute;ticas de trabalho para todos.<\/p>\n<p><strong>Construir o bem da paz atrav&eacute;s de um novo modelo de desenvolvimento e de economia<\/strong><\/p>\n<p>5. De v&aacute;rios lados se reconhece que, hoje, &eacute; necess&aacute;rio um novo modelo de desenvolvimento e tamb&eacute;m uma nova vis&atilde;o da economia. Quer um desenvolvimento integral, solid&aacute;rio e sustent&aacute;vel, quer o bem comum exigem uma justa escala de bens-valores, que &eacute; poss&iacute;vel estruturar tendo Deus como refer&ecirc;ncia suprema. N&atilde;o basta ter &agrave; nossa disposi&ccedil;&atilde;o muitos meios e muitas oportunidades de escolha, mesmo apreci&aacute;veis; &eacute; que tanto os in&uacute;meros bens em fun&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento como as oportunidades de escolha devem ser empregues de acordo com a perspetiva duma vida boa, duma conduta reta, que reconhe&ccedil;a o primado da dimens&atilde;o espiritual e o apelo &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do bem comum. Caso contr&aacute;rio, perdem a sua justa val&ecirc;ncia, acabando por erguer novos &iacute;dolos.<\/p>\n<p>Para sair da crise financeira e econ&oacute;mica atual, que provoca um aumento das desigualdades, s&atilde;o necess&aacute;rias pessoas, grupos, institui&ccedil;&otilde;es que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da pr&oacute;pria crise uma ocasi&atilde;o de discernimento e de um novo modelo econ&oacute;mico. O modelo que prevaleceu nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas apostava na busca da maximiza&ccedil;&atilde;o do lucro e do consumo, numa &oacute;tica individualista e ego&iacute;sta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela sua capacidade de dar resposta &agrave;s exig&ecirc;ncias da competitividade. Olhando de outra perspetiva, por&eacute;m, o sucesso verdadeiro e duradouro pode ser obtido com a d&aacute;diva de si mesmo, dos seus dotes intelectuais, da pr&oacute;pria capacidade de iniciativa, j&aacute; que o desenvolvimento econ&oacute;mico suport&aacute;vel, isto &eacute;, autenticamente humano tem necessidade do princ&iacute;pio da gratuidade como express&atilde;o de fraternidade e da l&oacute;gica do dom. [5] Concretamente na atividade econ&oacute;mica, o obreiro da paz aparece como aquele que cria rela&ccedil;&otilde;es de lealdade e reciprocidade com os colaboradores e os colegas, com os clientes e os usu&aacute;rios. Ele exerce a atividade econ&oacute;mica para o bem comum, vive o seu compromisso como algo que ultrapassa o interesse pr&oacute;prio, beneficiando as gera&ccedil;&otilde;es presentes e futuras. Deste modo sente-se a trabalhar n&atilde;o s&oacute; para si mesmo, mas tamb&eacute;m para dar aos outros um futuro e um trabalho dignos.<\/p>\n<p>No &acirc;mbito econ&oacute;mico, s&atilde;o necess&aacute;rias &ndash; especialmente por parte dos Estados &ndash; pol&iacute;ticas de desenvolvimento industrial e agr&iacute;cola que tenham a peito o progresso social e a universaliza&ccedil;&atilde;o de um Estado de direito e democr&aacute;tico. Fundamental e imprescind&iacute;vel &eacute; tamb&eacute;m a estrutura&ccedil;&atilde;o &eacute;tica dos mercados monet&aacute;rio, financeiro e comercial; devem ser estabilizados e melhor coordenados e controlados, de modo que n&atilde;o causem dano aos mais pobres. A solicitude dos diversos obreiros da paz deve ainda concentrar-se &ndash; com mais determina&ccedil;&atilde;o do que tem sido feito at&eacute; agora &ndash; na considera&ccedil;&atilde;o da crise alimentar, muito mais grave do que a financeira. O tema da seguran&ccedil;a das provis&otilde;es alimentares voltou a ser central na agenda pol&iacute;tica internacional, por causa de crises relacionadas, para al&eacute;m do mais, com as bruscas oscila&ccedil;&otilde;es do pre&ccedil;o das mat&eacute;rias-primas agr&iacute;colas, com comportamentos irrespons&aacute;veis por parte de certos agentes econ&oacute;micos e com um controle insuficiente por parte dos Governos e da comunidade internacional. Para enfrentar semelhante crise, os obreiros da paz s&atilde;o chamados a trabalhar juntos em esp&iacute;rito de solidariedade, desde o n&iacute;vel local at&eacute; ao internacional, com o objetivo de colocar os agricultores, especialmente nas pequenas realidades rurais, em condi&ccedil;&otilde;es de poderem realizar a sua atividade de modo digno e sustent&aacute;vel dos pontos de vista social, ambiental e econ&oacute;mico.<\/p>\n<p><strong>Educa&ccedil;&atilde;o para uma cultura da paz: o papel da fam&iacute;lia e das institui&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>6. Desejo veementemente reafirmar que os diversos obreiros da paz s&atilde;o chamados a cultivar a paix&atilde;o pelo bem comum da fam&iacute;lia e pela justi&ccedil;a social, bem como o empenho por uma v&aacute;lida educa&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>Ningu&eacute;m pode ignorar ou subestimar o papel decisivo da fam&iacute;lia, c&eacute;lula b&aacute;sica da sociedade, dos pontos de vista demogr&aacute;fico, &eacute;tico, pedag&oacute;gico, econ&oacute;mico e pol&iacute;tico. Ela possui uma voca&ccedil;&atilde;o natural para promover a vida: acompanha as pessoas no seu crescimento e estimula-as a enriquecerem-se entre si atrav&eacute;s do cuidado rec&iacute;proco. De modo especial, a fam&iacute;lia crist&atilde; guarda em si o primordial projeto da educa&ccedil;&atilde;o das pessoas segundo a medida do amor divino. A fam&iacute;lia &eacute; um dos sujeitos sociais indispens&aacute;veis para a realiza&ccedil;&atilde;o duma cultura da paz. &Eacute; preciso tutelar o direito dos pais e o seu papel prim&aacute;rio na educa&ccedil;&atilde;o dos filhos, nomeadamente nos &acirc;mbitos moral e religioso. Na fam&iacute;lia, nascem e crescem os obreiros da paz, os futuros promotores duma cultura da vida e do amor. [6]<\/p>\n<p>Nesta tarefa imensa de educar para a paz, est&atilde;o envolvidas de modo particular as comunidades dos crentes. A Igreja toma parte nesta grande responsabilidade atrav&eacute;s da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, que tem como pontos de apoio a convers&atilde;o &agrave; verdade e ao amor de Cristo e, consequentemente, o renascimento espiritual e moral das pessoas e das sociedades. O encontro com Jesus Cristo plasma os obreiros da paz, comprometendo-os na comunh&atilde;o e na supera&ccedil;&atilde;o da injusti&ccedil;a.<\/p>\n<p>Uma miss&atilde;o especial em prol da paz &eacute; desempenhada pelas institui&ccedil;&otilde;es culturais, escol&aacute;sticas e universit&aacute;rias. Delas se requer uma not&aacute;vel contribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; para a forma&ccedil;&atilde;o de novas gera&ccedil;&otilde;es de l&iacute;deres, mas tamb&eacute;m para a renova&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, nacionais e internacionais. Podem tamb&eacute;m contribuir para uma reflex&atilde;o cient&iacute;fica que radique as atividades econ&oacute;micas e financeiras numa s&oacute;lida base antropol&oacute;gica e &eacute;tica. O mundo atual, particularmente o mundo da pol&iacute;tica, necessita do apoio dum novo pensamento, duma nova s&iacute;ntese cultural, para superar tecnicismos e harmonizar as v&aacute;rias tend&ecirc;ncias pol&iacute;ticas em ordem ao bem comum. Este, visto como conjunto de rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e institui&ccedil;&otilde;es positivas ao servi&ccedil;o do crescimento integral dos indiv&iacute;duos e dos grupos, est&aacute; na base de toda a verdadeira educa&ccedil;&atilde;o para a paz.<\/p>\n<p><strong>Uma pedagogia do obreiro da paz<\/strong><\/p>\n<p>7. Concluindo, h&aacute; necessidade de propor e promover uma pedagogia da paz. Esta requer uma vida interior rica, refer&ecirc;ncias morais claras e v&aacute;lidas, atitudes e estilos de vida adequados. Com efeito, as obras de paz concorrem para realizar o bem co&not;mum e criam o interesse pela paz, educando para ela. Pensamentos, palavras e gestos de paz criam uma mentalidade e uma cultura da paz, uma atmos&not;fera de respeito, honestidade e cordialidade. Por isso, &eacute; necess&aacute;rio ensinar os homens a amarem-se e educarem-se para a paz, a viverem mais de benevol&ecirc;ncia que de mera toler&acirc;ncia. Incentivo fundamental ser&aacute; &laquo; dizer n&atilde;o &agrave; vingan&ccedil;a, reconhecer os pr&oacute;prios erros, aceitar as desculpas sem as buscar e, finalmente, perdoar &raquo;,[7] de modo que os erros e as ofensas possam ser verdadeiramente reconhecidos a fim de caminhar juntos para a reconcilia&ccedil;&atilde;o. Isto requer a difus&atilde;o duma pedagogia do perd&atilde;o. Na realidade, o mal vence-se com o bem, e a justi&ccedil;a deve ser procurada imitando a Deus Pai que ama todos os seus filhos (cf. Mt 5, 21-48). &Eacute; um trabalho lento, porque sup&otilde;e uma evolu&ccedil;&atilde;o espiritual, uma educa&ccedil;&atilde;o para os valores mais altos, uma vis&atilde;o nova da hist&oacute;ria humana. &Eacute; preciso renunciar &agrave; paz falsa, que prometem os &iacute;dolos deste mundo, e aos perigos que a acompanham; refiro-me &agrave; paz que torna as consci&ecirc;ncias cada vez mais insens&iacute;veis, que leva a fechar-se em si mesmo, a uma exist&ecirc;ncia atrofiada vivida na indiferen&ccedil;a. Ao contr&aacute;rio, a pedagogia da paz implica servi&ccedil;o, compaix&atilde;o, solidariedade, coragem e perseveran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Jesus encarna o conjunto destas atitudes na sua vida at&eacute; ao dom total de Si mesmo, at&eacute; &laquo;perder a vida&raquo; (cf. Mt 10, 39; Lc 17, 33; Jo 12, 25). E promete aos seus disc&iacute;pulos que chegar&atilde;o, mais cedo ou mais tarde, a fazer a descoberta extraordin&aacute;ria de que falamos no in&iacute;cio: no mundo, est&aacute; presente Deus, o Deus de Jesus Cristo, plenamente solid&aacute;rio com os homens. Neste contexto, apraz-me lembrar a ora&ccedil;&atilde;o com que se pede a Deus para fazer de n&oacute;s instrumentos da sua paz, a fim de levar o seu amor onde h&aacute; &oacute;dio, o seu perd&atilde;o onde h&aacute; ofensa, a verdadeira f&eacute; onde h&aacute; d&uacute;vida. Por nossa vez pedimos a Deus, juntamente com o Beato Jo&atilde;o XXIII, que ilumine os respons&aacute;veis dos povos para que, junto com a solicitude pelo justo bem-estar dos pr&oacute;prios concidad&atilde;os, garantam e defendam o dom precioso da paz; inflame a vontade de todos para superarem as barreiras que dividem, refor&ccedil;arem os v&iacute;nculos da caridade m&uacute;tua, compreenderem os outros e perdoarem aos que lhes tiverem feito inj&uacute;rias, de tal modo que, em virtude da sua a&ccedil;&atilde;o, todos os povos da terra se tornem irm&atilde;os e flores&ccedil;a neles e reine para sempre a t&atilde;o suspirada paz.[8]<\/p>\n<p>Com esta invoca&ccedil;&atilde;o, fa&ccedil;o votos de que todos possam ser aut&ecirc;nticos obreiros e construtores da paz, para que a cidade do homem cres&ccedil;a em conc&oacute;rdia fraterna, na prosperidade e na paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vaticano, 8 de dezembro de 2012.<\/p>\n<p>BENEDICTUS PP XVI<br \/>&nbsp;<br \/>&#8212;<\/p>\n<p>[1] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contempor&acirc;neo Gaudium et spes, 1.4<br \/>[2] Cf. Carta enc. Pacem in terris (11 de abril de 1963): AAS 55 (1963), 265-266.7<br \/>[3] Cf. ibidem: o. c., 266.9<br \/>[4] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de junho de 2009), 32: AAS 101 (2009), 666-667.13<br \/>[5] Cf. ibid., 34.36: o. c., 668-670.671-672.15<br \/>[6] Cf. Jo&atilde;o Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da paz de 1994 (8 de dezembro de 1993): AAS 86 (1994), 156-162.17<br \/>[7] Bento XVI, Discurso por ocasi&atilde;o do Encontro com os membros do Governo, das institui&ccedil;&otilde;es da Rep&uacute;blica, com o Corpo Diplom&aacute;tico, os l&iacute;deres religiosos e representantes do mundo da cultura (Baabda-L&iacute;bano, 15 de setembro de 2012): L&rsquo;Osservatore Romano (ed. port. de 23\/IX\/ 2012), 7.18<br \/>[8] Cf. Carta enc. Pacem in terris (11 de abril de 1963): AAS 55 (1963), 304.19<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para a celebra&ccedil;&atilde;o do46.&ordm; Dia Mundial da Paz 1 de janeiro de 2013 &nbsp; Bem-aventurados os obreiros da paz &nbsp; 1. Cada ano novo traz consigo a expectativa de um mundo melhor. Nesta perspetiva, pe&ccedil;o a Deus, Pai da humanidade, que nos conceda a conc&oacute;rdia e a paz a fim de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,120,165,168,189,191,272,314],"class_list":["post-59315","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-dia-mundial-da-paz","tag-diocese-da-guarda","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-pacem-in-terris","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59315","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59315"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59315\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}