{"id":59261,"date":"2012-12-11T11:06:55","date_gmt":"2012-12-11T11:06:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/11\/esperar-pelo-natal-entre-a-fe-e-a-felicidade\/"},"modified":"2012-12-11T11:06:55","modified_gmt":"2012-12-11T11:06:55","slug":"esperar-pelo-natal-entre-a-fe-e-a-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/esperar-pelo-natal-entre-a-fe-e-a-felicidade\/","title":{"rendered":"Esperar pelo Natal entre a f\u00e9 e a felicidade"},"content":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia ECCLESIA convidou uma especialista em \u00abpsicologia positiva\u00bb e um te\u00f3logo a responderem \u00e0s mesmas quest\u00f5es sobre o tema da esperan\u00e7a <!--more--> <\/p>\n<p><em>A Ag&ecirc;ncia ECCLESIA convidou uma especialista em &ldquo;psicologia positiva&rdquo; e um te&oacute;logo a responderem &agrave;s mesmas quest&otilde;es sobre o tema da esperan&ccedil;a. Duas vis&otilde;es diferentes, numa esp&eacute;cie de provoca&ccedil;&atilde;o, apresentadas por Helena Marujo, do professora do Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Politicas da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa, e por Jo&atilde;o Duque, professor da Faculdade de Teologia da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa-Braga.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211; O que &eacute; a esperan&ccedil;a?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>Helena Marujo (HM) &#8211;<\/em> A esperan&ccedil;a &eacute; um atributo psicol&oacute;gico, entendido como uma virtude, composta por 3 elementos: ter metas\/objetivos; ter o componente motivacional de desejar atingi-los e acreditar que se consegue (the will); e a capacidade de desenhar caminhos para chegar a essas metas (the way). S&oacute; na integra&ccedil;&atilde;o de todos &eacute; poss&iacute;vel ter esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jo&atilde;o Duque (JD) &ndash;<\/em> &Eacute; a capacidade de acreditar que &eacute; poss&iacute;vel uma condi&ccedil;&atilde;o da nossa exist&ecirc;ncia que supere aquilo que, no presente, nos faz sofrer. Essa capacidade &eacute;-nos dada, se formos capazes de a acolher. O sofrimento mais profundo &eacute; provocado pelo denominado mal moral, ou seja, pelo mal que os humanos exercem uns sobre os outros. O mais profundo cerne da esperan&ccedil;a ser&aacute;, portanto, a esperan&ccedil;a de que a injusti&ccedil;a n&atilde;o tenha a &uacute;ltima palavra sobre as rela&ccedil;&otilde;es humanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Neste tempo, que relevo deve ser dado &agrave; esperan&ccedil;a?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>HM &#8211;<\/em> O que se faz sem horizontes para fazer caminhos? Como se caminha se n&atilde;o soubermos para onde nem de que forma chegamos? Como vivemos sem acreditar e ter vontade em perseguir, sabendo para onde se vai? Como se v&ecirc;, a vida sem esperan&ccedil;a &eacute; um deserto &aacute;rido ou um deambular perdido e son&acirc;mbulo.<\/p>\n<p>JD &#8211; Poderemos considerar que o maior problema do ser humano, em situa&ccedil;&atilde;o de sofrimento, &eacute; a incapacidade de esperar algo diferente. Se uma situa&ccedil;&atilde;o de sofrimento &ndash; sobretudo a que &eacute; provocada pela injusti&ccedil;a &ndash; j&aacute; &eacute; suficientemente destrutora, o desespero completo significa a irremedi&aacute;vel destrui&ccedil;&atilde;o. Se atravessamos um tempo em que sentimos os efeitos da injusti&ccedil;a &ndash; pessoal e social &ndash; de modo especialmente premente, ent&atilde;o o que pode salvar esse tempo &eacute;, antes de tudo, a esperan&ccedil;a. Caso contr&aacute;rio, n&atilde;o haveria sa&iacute;da.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que afinidade existe entre crise e esperan&ccedil;a?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>HM &#8211;<\/em> A crise deixa-nos duas escolhas poss&iacute;veis: deixar de acreditar na capacidade de criar novas formas de vida, de que nos orgulhemos mais e mais nos sirvam como humanidade coletivamente consciente do que queremos manter e do que queremos mudar; ou reformular os horizontes que nos imp&otilde;em, decidir mais e pensar mais profundamente, construirmos juntos novos caminhos a trilhar, determinadamente tudo fazer para acabar com a condi&ccedil;&atilde;o de escravos (em todas as &aacute;reas da vida, desde a politica ao social, da educa&ccedil;&atilde;o ao emprego, fazendo-o com suporte na virtuosidade pessoal e relacional e na reconstru&ccedil;&atilde;o de um sentido de comunidade e de bem-comum. A&iacute; reside, na urg&ecirc;ncia da consci&ecirc;ncia critica, a esperan&ccedil;a de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>JD &#8211;<\/em> A crise tem a vantagem, antes de tudo, de colocar em causa as seguran&ccedil;as presentes. Ao mesmo tempo, torna mais evidentes as estruturas e as rela&ccedil;&otilde;es injustas. Tudo isso provoca de modo mais forte a esperan&ccedil;a, pois faz crescer o desejo de altera&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o presente. &Eacute; claro que a crise s&oacute; ter&aacute; esse efeito ben&eacute;fico se, de facto, estiver ligada &agrave; esperan&ccedil;a. No caso do desespero, a crise pode ser destrutora para o ser humano. &Eacute; por isso que, nessas situa&ccedil;&otilde;es, se revela de modo mais claro que &eacute; pela esperan&ccedil;a que somos salvos.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que afinidade existe entre Natal e esperan&ccedil;a?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>HM &#8211; <\/em>&Eacute; como um sino que toca. &Eacute; como um sinal de luz: um aviso, um acordar. &Eacute; como um retorno ao brilho de quem repensa e luta por renascer, por manter viva a confian&ccedil;a numa humanidade com um futuro que inspire.<\/p>\n<p>Estrelas cadentes, raras mas memor&aacute;veis, deixam-nos um rasto que nos lembra que a vida foi sempre dura, mas sempre bela; que sempre houve trevas, mas tamb&eacute;m sempre luz. Que oscilamos entre a ferida e a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o. E que &eacute; a essa din&acirc;mica que vamos buscar a energia para novas e mais esperan&ccedil;adas caminhadas.<\/p>\n<p>Porque o Natal &eacute; tamb&eacute;m isso: Um piscar de olhos para voltar a ver com nitidez. E este Natal, mas do que nunca na nossa hist&oacute;ria recente, tem que ir para al&eacute;m da fogosidade e superficialidade que a todos j&aacute; cansa. Precisamos escavar mais fundo nas nossas vontades, picar-nos nas nossas dorm&ecirc;ncias, e olhar para n&oacute;s com um olhar l&iacute;mpido. Mas temos, cada vez mais, que olhar bem para o lado, atentamente, combinar as metas e fazer um caminho juntos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>JD &#8211;<\/em> O Natal, como acontecimento da presen&ccedil;a especial de Deus connosco, fazendo-se humano como n&oacute;s, para nos libertar de tudo o que nos faz sofrer profundamente e que perverte as nossas rela&ccedil;&otilde;es, &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o de uma esperan&ccedil;a milenar, que aparece configurada ao longo da hist&oacute;ria de Israel e nos &eacute; acess&iacute;vel pelos seus textos. A situa&ccedil;&atilde;o de sofrimento que originou essa esperan&ccedil;a &ndash; e que rememoramos no advento &ndash; n&atilde;o terminou, contudo. Por isso, podemos dizer que o Natal seja a celebra&ccedil;&atilde;o de uma antecipa&ccedil;&atilde;o, que est&aacute; ainda por realizar em plenitude: a antecipa&ccedil;&atilde;o de um reino em que, de facto, se supere o que nos oprime, pessoal e comunitariamente. O Reino de Deus que celebramos no Natal, veio, est&aacute; a vir e est&aacute; para vir. Assim o esperamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia ECCLESIA convidou uma especialista em \u00abpsicologia positiva\u00bb e um te\u00f3logo a responderem \u00e0s mesmas quest\u00f5es sobre o tema da esperan\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[100,172,267],"class_list":["post-59261","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-advento","tag-diocese-de-braga","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59261","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59261"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59261\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59261"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}