{"id":59260,"date":"2012-12-11T10:56:13","date_gmt":"2012-12-11T10:56:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/11\/historia-de-esperanca\/"},"modified":"2012-12-11T10:56:13","modified_gmt":"2012-12-11T10:56:13","slug":"historia-de-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/historia-de-esperanca\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria de esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Padre Ricardo Jorge Freire, biblista, Professor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p>A B&iacute;blia &eacute; uma hist&oacute;ria de esperan&ccedil;a, e a esperan&ccedil;a n&atilde;o se diz na B&iacute;blia a n&atilde;o ser dentro da hist&oacute;ria. Bastar&aacute; pensar nos pontos marcantes da hist&oacute;ria do Povo de Israel, por quanto ao Antigo Testamento diz respeito, para se dar conta que &eacute; uma hist&oacute;ria marcada por uma esperan&ccedil;a de salva&ccedil;&atilde;o, sobretudo nos momentos dif&iacute;ceis deste Povo. Afigura-se, assim, j&aacute; desde o in&iacute;cio, uma conclus&atilde;o: a B&iacute;blia &eacute; uma hist&oacute;ria de di&aacute;logo em que, por um lado, est&aacute; Deus, Algu&eacute;m que pode garantir a salva&ccedil;&atilde;o e que a promete e, por outro lado, est&aacute; quem espera que a promessa se torne realidade, ou seja, o sujeito da esperan&ccedil;a, todo um Povo que confia na verdade de quem promete.<\/p>\n<p>Quando se passa para o Novo Testamento, esta ideia de fidelidade de Deus &agrave; promessa est&aacute; marcada bem desde o in&iacute;cio da hist&oacute;ria de Jesus. Veja-se a insist&ecirc;ncia sobre a realiza&ccedil;&atilde;o das promessas antigas no hino do Benedictus (cf. Lc 1,68-79), como j&aacute; tinha estado presente no Magnificat, tamb&eacute;m ele um hino de vit&oacute;ria pela salva&ccedil;&atilde;o oferecida por Deus em favor do &ldquo;seu servo, Israel&rdquo;, &ldquo;conforme tinha prometido&rdquo; (Lc 1,54-55). Torna-se claro que toda a esperan&ccedil;a de um povo se concentra no nascimento de um Menino que ser&aacute; chamado &ldquo;Jesus&rdquo; (cf. Lc 1,31), que quer dizer &ldquo;Deus salva&rdquo;. Ora, a pr&oacute;pria figura de Abra&atilde;o, que nos leva &agrave;s origens mais remotas da f&eacute; monote&iacute;sta de Israel &eacute; apresentada como modelo de uma esperan&ccedil;a quando n&atilde;o seria j&aacute; poss&iacute;vel esperar, esperan&ccedil;a esta tamb&eacute;m ela realizada (cf. Rm 4,18).<\/p>\n<p>Nestas primeiras linhas, ter&aacute; ficado clara a ideia de que o ator principal desta hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o &eacute; o pr&oacute;prio Deus, o que prometeu e que se mant&eacute;m fiel &agrave; promessa. Sujeito da esperan&ccedil;a, por&eacute;m, &eacute; o Povo de Israel. Importa saber o que espera. Certamente, espera o Messias, como bem recordam os textos b&iacute;blicos que nos acompanham na liturgia do Advento. No entanto, &eacute; importante que nos perguntemos sobre o porqu&ecirc; dessa esperan&ccedil;a, sobre as raz&otilde;es que levam a concentrar toda a esperan&ccedil;a sobre a vinda do Ungido do Senhor.<\/p>\n<p>O conceito de salva&ccedil;&atilde;o traz consigo a ideia de justi&ccedil;a. Aqui toda a esperan&ccedil;a tem de ser colocada em Deus. A mensagem prof&eacute;tica vetero-testament&aacute;ria faz apelos constantes &agrave; convers&atilde;o, na esperan&ccedil;a de que as institui&ccedil;&otilde;es humanas, purificadas dos seus males, reponham a justi&ccedil;a (cf. Os 3,4-5). Todavia, como no caso de Isa&iacute;as, todo o an&uacute;ncio de salva&ccedil;&atilde;o vem da esperan&ccedil;a de uma interven&ccedil;&atilde;o de Deus na hist&oacute;ria humana, atrav&eacute;s do surgimento de um Messias que socorra os pobres e oprimidos (cf. Is 11,1-5, um texto messi&acirc;nico, com um cunho de justi&ccedil;a social). Neste contexto, &eacute; grande a desconfian&ccedil;a a respeito de uma total convers&atilde;o do Homem, a ponto de ser capaz de garantir a justi&ccedil;a ao Povo. Portanto, Deus aparece, uma vez mais, como o garante &uacute;ltimo, se n&atilde;o mesmo o &uacute;nico, garante da justi&ccedil;a e realizador da esperan&ccedil;a do Povo.<\/p>\n<p>A este ponto, uma nova quest&atilde;o emerge. Depois do nascimento de Jesus, que identificamos e proclamamos como o Messias esperado, haver&aacute; ainda lugar para a esperan&ccedil;a? Paulo d&aacute; a entender que n&atilde;o s&oacute; se pode continuar a ter esperan&ccedil;a, como tamb&eacute;m ela acaba por ser uma caracter&iacute;stica daqueles que s&atilde;o justificados pela f&eacute; em Cristo (cf. Rm 5,1-2). H&aacute; uma esperan&ccedil;a pela salva&ccedil;&atilde;o definitiva, conforme recomenda ainda Paulo, em 1Ts, ao falar sobre o Dia do Senhor: mais uma vez, &eacute; o pr&oacute;prio Deus o protagonista dessa promessa de salva&ccedil;&atilde;o que consiste na uni&atilde;o com Jesus Cristo (cf. 1Ts 5,9-10).<\/p>\n<p>Uma &uacute;ltima rela&ccedil;&atilde;o &eacute; sugerida ainda por Paulo. A rela&ccedil;&atilde;o entre esperar e ver: &ldquo;uma esperan&ccedil;a naquilo que se v&ecirc; n&atilde;o &eacute; esperan&ccedil;a. Quem &eacute; que vai esperar aquilo que j&aacute; est&aacute; a ver?&rdquo; (Rm 8,24). Desta forma, a esperan&ccedil;a coloca-se necessariamente do lado do futuro. Tal como futuro n&atilde;o se conhece, mas &eacute; na busca da sua realiza&ccedil;&atilde;o que vamos prosseguindo a nossa caminhada, porque acreditamos que h&aacute; futuro mesmo se continuamente vivemos no presente, da mesma forma, somos alimentados pela esperan&ccedil;a para viver a realiza&ccedil;&atilde;o da promessa no presente. A realiza&ccedil;&atilde;o da promessa n&atilde;o anula, contudo, a renova&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a, uma vez que ela &eacute; constitutiva do nosso crist&atilde;os. Por isso, em pleno Advento, sejamos arautos da esperan&ccedil;a, tamb&eacute;m na sociedade em que vivemos, quando fazem falta pessoas que acreditem. Ao nosso tempo de incerteza poderia bem aplicar-se um texto da Carta aos Hebreus: &ldquo;a f&eacute; &eacute; garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que n&atilde;o se veem&rdquo; (Heb 11,1). Tudo isto, confiantes que h&aacute; um futuro certo mesmo depois de um presente em que &eacute; a incerteza a reinar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Padre Ricardo Jorge Freire, biblista<\/p>\n<p>Professor da Universidade<\/p>\n<p>Cat&oacute;lica Portuguesa<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Ricardo Jorge Freire, biblista, Professor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[100,246],"class_list":["post-59260","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-advento","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59260\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}