{"id":59259,"date":"2012-12-11T10:52:12","date_gmt":"2012-12-11T10:52:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/11\/sollicitudo-rei-socialis-25-anos\/"},"modified":"2012-12-11T10:52:12","modified_gmt":"2012-12-11T10:52:12","slug":"sollicitudo-rei-socialis-25-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sollicitudo-rei-socialis-25-anos\/","title":{"rendered":"Sollicitudo Rei Socialis, 25 anos"},"content":{"rendered":"<p>Jo&atilde;o Paulo II publicava a 25 anos (30.12.1987) a enc&iacute;clica &lsquo;Sollicitudo Rei Socialis&rsquo; para assinalar o 20.&ordm; anivers&aacute;rio da enc&iacute;clica &lsquo;Populorum progressio&rsquo;, de Paulo VI, e abordava o desenvolvimento dos povos no contexto internacional e sobre as problem&aacute;ticas do trabalho e da quest&atilde;o social em dimens&atilde;o mundial, baseando-se na experi&ecirc;ncia das suas viagens apost&oacute;licas pelo mundo.<\/p>\n<p>O Papa polaco salientava a oportunidade da enc&iacute;clica do seu predecessor sobre o desenvolvimento num texto em que denunciou o fosso econ&oacute;mico-social entre o Norte e o Sul e prop&ocirc;s crit&eacute;rios para um aut&ecirc;ntico desenvolvimento humano &agrave; luz do Evangelho.<\/p>\n<p>&ldquo;A Solicitude Social da Igreja, que tem como fim um desenvolvimento aut&ecirc;ntico do homem e da sociedade, o qual respeite e promova a pessoa humana em todas as suas dimens&otilde;es, manifestou-se sempre das mais diversas maneiras. Um dos meios privilegiados de interven&ccedil;&atilde;o, nos &uacute;ltimos tempos, tem sido o magist&eacute;rio dos Romanos Pont&iacute;fices que, partindo da enc&iacute;clica &lsquo;Rerum Novarum&rsquo; de Le&atilde;o XIII como de um ponto de refer&ecirc;ncia, tratou com frequ&ecirc;ncia a quest&atilde;o, fazendo algumas vezes coincidir as datas de publica&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios documentos sociais com os anivers&aacute;rios daquela primeira enc&iacute;clica&rdquo;, escrevia o Beato Jo&atilde;o Paulo II, na abertura do seu documento.<\/p>\n<p>A Doutrina Social da Igreja n&atilde;o foi pensada desde o princ&iacute;pio como um sistema org&acirc;nico, como lembra o comp&ecirc;ndio dedicado a esta mat&eacute;ria, mas foi-se formando pouco a pouco, com progressivos pronunciamentos do magist&eacute;rio sobre os temas sociais.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II escreve na enc&iacute;clica &lsquo;Sollicitudo Rei Socialis&rsquo; que a Doutrina Social da Igreja pertence n&atilde;o ao campo da ideologia, mas ao &ldquo;da teologia e especialmente da teologia moral&rdquo;. Ela n&atilde;o &eacute; defin&iacute;vel segundo par&acirc;metros socioecon&oacute;micos. N&atilde;o &eacute; um sistema ideol&oacute;gico ou pragm&aacute;tico que vise definir e compor as rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, pol&iacute;ticas e sociais, mas uma categoria em si mesma.<\/p>\n<p>&Eacute;, segundo o Papa polaco, &ldquo;a formula&ccedil;&atilde;o cuidada dos resultados de uma reflex&atilde;o atenta sobre as complexas realidades da exist&ecirc;ncia do homem, na sociedade e no contexto internacional, &agrave; luz da f&eacute; e da tradi&ccedil;&atilde;o eclesial. A sua finalidade principal &eacute; interpretar estas realidades, examinando a sua conformidade ou desconformidade com as linhas do ensino do Evangelho sobre o homem, e sobre a sua voca&ccedil;&atilde;o terrena e ao mesmo tempo transcendente; visa, pois, orientar o comportamento crist&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>A enc&iacute;clica de 1987 quis sublinhar dois dados fundamentais: &ldquo;por um lado, a situa&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica do mundo contempor&acirc;neo, sob o aspeto do desenvolvimento que falta no Terceiro Mundo, e por outro lado, o sentido, as condi&ccedil;&otilde;es e as exig&ecirc;ncias dum desenvolvimento digno do homem&rdquo;.<\/p>\n<p>O documento introduz a diferen&ccedil;a entre progresso e desenvolvimento, e afirma que &ldquo;o verdadeiro desenvolvimento n&atilde;o pode limitar-se &agrave; multiplica&ccedil;&atilde;o dos bens e dos servi&ccedil;os, isto &eacute;, &agrave;quilo que se possui, mas deve contribuir para a plenitude do &lsquo;ser&rsquo; do homem. Deste modo pretende-se delinear com clareza a natureza moral do verdadeiro desenvolvimento&rdquo;.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II, evocando o lema do pontificado de Pio XII, &lsquo;Opus iustitiae pax&rsquo;, a paz como fruto da justi&ccedil;a, comentava: &ldquo;Hoje poder-se-ia dizer, com a mesma justeza e com a mesma for&ccedil;a de inspira&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica (cf. Is 32, 17; Tg 3, 18), &lsquo;Opus solidarietatis pax&rsquo;: a paz &eacute; o fruto da solidariedade&rdquo;.<\/p>\n<p>A enc&iacute;clica do beato falecido em 2005 antecipava algumas das quest&otilde;es mais prementes da atualidade, ao &ldquo;denunciar a exist&ecirc;ncia de mecanismos econ&oacute;micos, financeiros e sociais que, embora conduzidos pela vontade dos homens, funcionam muitas vezes de maneira quase autom&aacute;tica, tornando mais r&iacute;gidas as situa&ccedil;&otilde;es de riqueza de uns e de pobreza dos outros&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Estes mecanismos, manobrados &#8211; de maneira direta ou indireta &#8211; pelos pa&iacute;ses mais desenvolvidos, com o seu pr&oacute;prio funcionamento favorecem os interesses de quem os manobra, mas acabam por sufocar ou condicionar as economias dos pa&iacute;ses menos desenvolvidos&rdquo;, alertava.<\/p>\n<p>O documento deixou, no entanto, uma palavra de &ldquo;confian&ccedil;a no homem&rdquo;: &ldquo;Embora conhecendo a pervers&atilde;o de que ele &eacute; capaz, porque sabe bem que &mdash; n&atilde;o obstante a heran&ccedil;a de pecado e o pr&oacute;prio pecado que cada um pode cometer &mdash; h&aacute; na pessoa humana qualidades e energias suficientes&rdquo;, escrevia Jo&atilde;o Paulo II.<\/p>\n<p><em>(Oct&aacute;vio Carmo\/Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igreja)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo&atilde;o Paulo II publicava a 25 anos (30.12.1987) a enc&iacute;clica &lsquo;Sollicitudo Rei Socialis&rsquo; para assinalar o 20.&ordm; anivers&aacute;rio da enc&iacute;clica &lsquo;Populorum progressio&rsquo;, de Paulo VI, e abordava o desenvolvimento dos povos no contexto internacional e sobre as problem&aacute;ticas do trabalho e da quest&atilde;o social em dimens&atilde;o mundial, baseando-se na experi&ecirc;ncia das suas viagens apost&oacute;licas pelo 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