{"id":59256,"date":"2012-12-11T10:46:28","date_gmt":"2012-12-11T10:46:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/11\/a-modernidade-reclama-e-a-imaginacao-desafia\/"},"modified":"2012-12-11T10:46:28","modified_gmt":"2012-12-11T10:46:28","slug":"a-modernidade-reclama-e-a-imaginacao-desafia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-modernidade-reclama-e-a-imaginacao-desafia\/","title":{"rendered":"A modernidade reclama e a imagina\u00e7\u00e3o desafia"},"content":{"rendered":"<p>Manuel de Lemos, Presidente da Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias Portuguesas <!--more--> <\/p>\n<p>Sou dos que acreditam que a confian&ccedil;a &eacute; fundamental para o progresso e desenvolvimento das na&ccedil;&otilde;es e das institui&ccedil;&otilde;es, desde logo porque corresponde a um sentimento profundo de duplo sentido; quer dos que confiam, quer dos que s&atilde;o objeto dessa confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Vivemos dias dif&iacute;ceis, em que os valores que dominaram e foram o motor do desenvolvimento da Europa ao longo dos s&eacute;culos est&atilde;o postergados e submersos numa cascata confusa de interesses e de poderes, que utilizam os recursos financeiros como arma e alavanca.<\/p>\n<p>N&atilde;o sei, n&atilde;o posso saber, durante quanto tempo e para onde nos conduzir&aacute; este percurso; mas &eacute; inquestion&aacute;vel que Portugal, mais op&ccedil;&atilde;o, menos op&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; sempre um elemento fr&aacute;gil deste puzzle.<\/p>\n<p>De facto, n&atilde;o havendo recursos e proliferando as necessidades, teremos todos n&atilde;o s&oacute; que ser realistas, como tamb&eacute;m eficazes e imaginativos. Porque todos sabemos j&aacute; que se n&atilde;o existisse setor solid&aacute;rio em Portugal, o problema do Governo n&atilde;o seria o de reduzir a despesa p&uacute;blica em 4,5 mil milh&otilde;es de euros, mas sim certamente em mais alguns milhares de milh&otilde;es de euros.<\/p>\n<p>&Eacute; evidente que a principal fun&ccedil;&atilde;o do Estado Social, no futuro pr&oacute;ximo, ser&aacute; o de garantir um conjunto de respostas que a dignidade humana exige, a modernidade reclama e a imagina&ccedil;&atilde;o desafia, e que para n&oacute;s, cat&oacute;licos, se pode designar de uma forma soberba na express&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II: &ldquo;A nova fantasia da caridade!&rdquo;<\/p>\n<p>A devolu&ccedil;&atilde;o dos hospitais &agrave;s Miseric&oacute;rdias, as experi&ecirc;ncias-piloto na &aacute;rea do Alzheimer ou do acolhimento de idosos, a rede de cantinas sociais, os cuidados continuados para crian&ccedil;as, o esfor&ccedil;o no sentido da abertura de todas as unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados em fase de conclus&atilde;o ou j&aacute; prontas, a continua&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o &agrave; defici&ecirc;ncia e &agrave;s crian&ccedil;as em risco, a integra&ccedil;&atilde;o das amas nas institui&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o algumas das manifesta&ccedil;&otilde;es dessa imagina&ccedil;&atilde;o, em que todos temos de dar as m&atilde;os, em nome dessa &ldquo;fantasia&rdquo; e da nossa miss&atilde;o em cooperar com o Estado, em nome e por causa das pessoas.<\/p>\n<p>Chamo a aten&ccedil;&atilde;o para a circunst&acirc;ncia de ter utilizado a palavra &ldquo;garantir&rdquo; e n&atilde;o a palavra &ldquo;prestar&rdquo;. O Estado Social do futuro pr&oacute;ximo pode e deve ser um Estado que garanta as respostas &agrave;s necessidades dos cidad&atilde;os, como regulador para todos, como pagador em nome da solidariedade e da coes&atilde;o social para os que precisem e s&oacute;, residualmente, como prestador.<\/p>\n<p>Parece-me evidente que um novo olhar sobre o Estado Social implica um novo olhar sobre o fen&oacute;meno social do envelhecimento. Basta olhar para a inquestion&aacute;vel verdade da demografia, associando-lhe as doen&ccedil;as cr&oacute;nicas (70% do or&ccedil;amento do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de), as dem&ecirc;ncias (153 mil pessoas em 2010), a solid&atilde;o, a cont&iacute;nua desestrutura&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias at&eacute;, imagine-se, invocando a competitividade, o aumento da incid&ecirc;ncia da pobreza sobre os mais velhos e dependentes (cerca de 65% dos nossos pobres s&atilde;o idosos), para percebermos que, mais dia, menos dia, o problema vai assumir uma dimens&atilde;o que pode ser incontrol&aacute;vel do ponto de vista da dignidade humana.<\/p>\n<p>S&oacute; uma pol&iacute;tica humanista de verdadeiro cuidado com os nossos idosos (que podem ser fator de despesa, mas s&atilde;o os nossos pais, os nossos av&oacute;s, os nossos amigos e um dia n&oacute;s pr&oacute;prios) evitar&aacute; que os hospitais p&uacute;blicos, os lares, as unidades de cuidados continuados ou os centros de dia possam correr o risco de se transformarem de lugares em &ldquo;deslugares&rdquo;, para utilizar a pertinente express&atilde;o do padre Jos&eacute; Nuno Silva.<\/p>\n<p>&Eacute; por isso que a reflex&atilde;o sobre o Estado Social do futuro ser&aacute; pois, tamb&eacute;m, necessariamente uma reflex&atilde;o sobre a nossa sustentabilidade, a nossa miss&atilde;o e o pr&oacute;prio projeto europeu.<\/p>\n<p>&Eacute; evidente que n&atilde;o tenho ilus&otilde;es que, pelas mais variadas raz&otilde;es, muitos v&atilde;o tentar tirar ou colocar este debate da ordem do dia, mas n&oacute;s &ndash; Miseric&oacute;rdias e setor solid&aacute;rio &ndash; &eacute; que n&atilde;o podemos ir ao sabor desses interesses e mar&eacute;s, porque o que est&aacute; verdadeiramente em causa &eacute; a nossa sustentabilidade e a nossa miss&atilde;o de ajudar os que mais precisam!<\/p>\n<p>Se querem esse debate, se querem assumir a responsabilidade de reformar o Estado (por mim acho muito bem!) ent&atilde;o vamos l&aacute;, mas at&eacute; ao fim, seriamente, para que Portugal seja finalmente aquele Pa&iacute;s onde valha a pena viver e onde, como disse, S&aacute; Carneiro &ldquo;os velhos tenham presente e os jovens futuro&rdquo;.<\/p>\n<p><em>Manuel de Lemos,<br \/>Presidente da Uni&atilde;o das Miseric&oacute;rdias Portuguesas<\/em><\/p>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden; top: 0px; left: -10000px;\">Sou dos que acreditam que a confian&ccedil;a &eacute; fundamental para o progresso e desenvolvimento das na&ccedil;&otilde;es e das institui&ccedil;&otilde;es, desde logo porque corresponde a um sentimento profundo de duplo sentido; quer dos que confiam, quer dos que s&atilde;o objeto dessa confian&ccedil;a.<br \/>Vivemos dias dif&iacute;ceis, em que os valores que dominaram e foram o motor do desenvolvimento da Europa ao longo dos s&eacute;culos est&atilde;o postergados e submersos numa cascata confusa de interesses e de poderes, que utilizam os recursos financeiros como arma e alavanca.<br \/>N&atilde;o sei, n&atilde;o posso saber, durante quanto tempo e para onde nos conduzir&aacute; este percurso; mas &eacute; inquestion&aacute;vel que Portugal, mais op&ccedil;&atilde;o, menos op&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; sempre um elemento fr&aacute;gil deste puzzle.&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<br \/>De facto, n&atilde;o havendo recursos e proliferando as necessidades, teremos todos n&atilde;o s&oacute; que ser realistas, como tamb&eacute;m eficazes e imaginativos. Porque todos sabemos j&aacute; que se n&atilde;o existisse setor solid&aacute;rio em Portugal, o problema do Governo n&atilde;o seria o de reduzir a despesa p&uacute;blica em 4,5 mil milh&otilde;es de euros, mas sim certamente em mais alguns milhares de milh&otilde;es de euros.<br \/>&Eacute; evidente que a principal fun&ccedil;&atilde;o do Estado Social, no futuro pr&oacute;ximo, ser&aacute; o de garantir um conjunto de respostas que a dignidade humana exige, a modernidade reclama e a imagina&ccedil;&atilde;o desafia, e que para n&oacute;s, cat&oacute;licos, se pode designar de uma forma soberba na express&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II: &ldquo;A nova fantasia da caridade!&rdquo;<br \/>A devolu&ccedil;&atilde;o dos hospitais &agrave;s Miseric&oacute;rdias, as experi&ecirc;ncias-piloto na &aacute;rea do Alzheimer ou do acolhimento de idosos, a rede de cantinas sociais, os cuidados continuados para crian&ccedil;as, o esfor&ccedil;o no sentido da abertura de todas as unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integral em fase de conclus&atilde;o ou j&aacute; prontas, a continua&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o &agrave; defici&ecirc;ncia e &agrave;s crian&ccedil;as em risco, a integra&ccedil;&atilde;o das amas nas institui&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o algumas das manifesta&ccedil;&otilde;es dessa imagina&ccedil;&atilde;o, em que todos temos de dar as m&atilde;os, em nome dessa &ldquo;fantasia&rdquo; e da nossa miss&atilde;o em cooperar com o Estado, em nome e por causa das pessoas.<br \/>Chamo a aten&ccedil;&atilde;o para a circunst&acirc;ncia de ter utilizado a palavra &ldquo;garantir&rdquo; e n&atilde;o a palavra &ldquo;prestar&rdquo;. O Estado Social do futuro pr&oacute;ximo pode e deve ser um Estado que garanta as respostas &agrave;s necessidades dos cidad&atilde;os, como regulador para todos, como pagador em nome da solidariedade e da coes&atilde;o social para os que precisem e s&oacute;, residualmente, como prestador.<br \/>Parece-me evidente que um novo olhar sobre o Estado Social implica um novo olhar sobre o fen&oacute;meno social do envelhecimento. Basta olhar para a inquestion&aacute;vel verdade da demografia, associando-lhe as doen&ccedil;as cr&oacute;nicas (70% do or&ccedil;amento do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de), as dem&ecirc;ncias (153 mil pessoas em 2010), a solid&atilde;o, a cont&iacute;nua desestrutura&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias at&eacute;, imagine-se, invocando a competitividade, o aumento da incid&ecirc;ncia da pobreza sobre os mais velhos e dependentes (cerca de 65% dos nossos pobres s&atilde;o idosos), para percebermos que, mais dia, menos dia, o problema vai assumir uma dimens&atilde;o que pode ser incontrol&aacute;vel do ponto de vista da dignidade humana. &nbsp;<br \/>S&oacute; uma pol&iacute;tica humanista de verdadeiro cuidado com os nossos idosos (que podem ser fator de despesa, mas s&atilde;o os nossos pais, os nossos av&oacute;s, os nossos amigos e um dia n&oacute;s pr&oacute;prios) evitar&aacute; que os hospitais p&uacute;blicos, os lares, as unidades de cuidados continuados ou os centros de dia possam correr o risco de se transformarem de lugares em &ldquo;deslugares&rdquo;, para utilizar a pertinente express&atilde;o do padre Jos&eacute; Nuno Silva.<br \/>&Eacute; por isso que a reflex&atilde;o sobre o Estado Social do futuro ser&aacute; pois, tamb&eacute;m, necessariamente uma reflex&atilde;o sobre a nossa sustentabilidade, a nossa miss&atilde;o e o pr&oacute;prio projeto europeu. <br \/>&Eacute; evidente que n&atilde;o tenho ilus&otilde;es que, pelas mais variadas raz&otilde;es, muitos v&atilde;o tentar tirar ou colocar este debate da ordem do dia, mas n&oacute;s &ndash; Miseric&oacute;rdias e setor solid&aacute;rio &ndash; &eacute; que n&atilde;o podemos ir ao sabor desses interesses e mar&eacute;s, porque o que est&aacute; verdadeiramente em causa &eacute; a nossa sustentabilidade e a nossa miss&atilde;o de ajudar os que mais precisam!<br \/>Se querem esse debate, se querem assumir a responsabilidade de reformar o Estado (por mim acho muito bem!) ent&atilde;o vamos l&aacute;, mas at&eacute; ao fim, seriamente, para que Portugal seja finalmente aquele Pa&iacute;s onde valha a pena viver e onde, como disse, S&aacute; Carneiro &ldquo;os velhos tenham presente e os jovens futuro&rdquo;.<\/p>\n<p>Manuel de Lemos,<br \/>Presidente da Uni&atilde;o<br \/>das Miseric&oacute;rdias Portuguesas <\/p>\n<p>Sou dos que acreditam que a confian&ccedil;a &eacute; fundamental para o progresso e desenvolvimento das na&ccedil;&otilde;es e das institui&ccedil;&otilde;es, desde logo porque corresponde a um sentimento profundo de duplo sentido; quer dos que confiam, quer dos que s&atilde;o objeto dessa confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Vivemos dias dif&iacute;ceis, em que os valores que dominaram e foram o motor do desenvolvimento da Europa ao longo dos s&eacute;culos est&atilde;o postergados e submersos numa cascata confusa de interesses e de poderes, que utilizam os recursos financeiros como arma e alavanca.<\/p>\n<p>N&atilde;o sei, n&atilde;o posso saber, durante quanto tempo e para onde nos conduzir&aacute; este percurso; mas &eacute; inquestion&aacute;vel que Portugal, mais op&ccedil;&atilde;o, menos op&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; sempre um elemento fr&aacute;gil deste puzzle.<\/p>\n<p>De facto, n&atilde;o havendo recursos e proliferando as necessidades, teremos todos n&atilde;o s&oacute; que ser realistas, como tamb&eacute;m eficazes e imaginativos. Porque todos sabemos j&aacute; que se n&atilde;o existisse setor solid&aacute;rio em Portugal, o problema do Governo n&atilde;o seria o de reduzir a despesa p&uacute;blica em 4,5 mil milh&otilde;es de euros, mas sim certamente em mais alguns milhares de milh&otilde;es de euros.<\/p>\n<p>&Eacute; evidente que a principal fun&ccedil;&atilde;o do Estado Social, no futuro pr&oacute;ximo, ser&aacute; o de garantir um conjunto de respostas que a dignidade humana exige, a modernidade reclama e a imagina&ccedil;&atilde;o desafia, e que para n&oacute;s, cat&oacute;licos, se pode designar de uma forma soberba na express&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II: &ldquo;A nova fantasia da caridade!&rdquo;<\/p>\n<p>A devolu&ccedil;&atilde;o dos hospitais &agrave;s Miseric&oacute;rdias, as experi&ecirc;ncias-piloto na &aacute;rea do Alzheimer ou do acolhimento de idosos, a rede de cantinas sociais, os cuidados continuados para crian&ccedil;as, o esfor&ccedil;o no sentido da abertura de todas as unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integral em fase de conclus&atilde;o ou j&aacute; prontas, a continua&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o &agrave; defici&ecirc;ncia e &agrave;s crian&ccedil;as em risco, a integra&ccedil;&atilde;o das amas nas institui&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o algumas das manifesta&ccedil;&otilde;es dessa imagina&ccedil;&atilde;o, em que todos temos de dar as m&atilde;os, em nome dessa &ldquo;fantasia&rdquo; e da nossa miss&atilde;o em cooperar com o Estado, em nome e por causa das pessoas.<\/p>\n<p>Chamo a aten&ccedil;&atilde;o para a circunst&acirc;ncia de ter utilizado a palavra &ldquo;garantir&rdquo; e n&atilde;o a palavra &ldquo;prestar&rdquo;. O Estado Social do futuro pr&oacute;ximo pode e deve ser um Estado que garanta as respostas &agrave;s necessidades dos cidad&atilde;os, como regulador para todos, como pagador em nome da solidariedade e da coes&atilde;o social para os que precisem e s&oacute;, residualmente, como prestador.<\/p>\n<p>Parece-me evidente que um novo olhar sobre o Estado Social implica um novo olhar sobre o fen&oacute;meno social do envelhecimento. Basta olhar para a inquestion&aacute;vel verdade da demografia, associando-lhe as doen&ccedil;as cr&oacute;nicas (70% do or&ccedil;amento do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de), as dem&ecirc;ncias (153 mil pessoas em 2010), a solid&atilde;o, a cont&iacute;nua desestrutura&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias at&eacute;, imagine-se, invocando a competitividade, o aumento da incid&ecirc;ncia da pobreza sobre os mais velhos e dependentes (cerca de 65% dos nossos pobres s&atilde;o idosos), para percebermos que, mais dia, menos dia, o problema vai assumir uma dimens&atilde;o que pode ser incontrol&aacute;vel do ponto de vista da dignidade humana.<\/p>\n<p>S&oacute; uma pol&iacute;tica humanista de verdadeiro cuidado com os nossos idosos (que podem ser fator de despesa, mas s&atilde;o os nossos pais, os nossos av&oacute;s, os nossos amigos e um dia n&oacute;s pr&oacute;prios) evitar&aacute; que os hospitais p&uacute;blicos, os lares, as unidades de cuidados continuados ou os centros de dia possam correr o risco de se transformarem de lugares em &ldquo;deslugares&rdquo;, para utilizar a pertinente express&atilde;o do padre Jos&eacute; Nuno Silva.<\/p>\n<p>&Eacute; por isso que a reflex&atilde;o sobre o Estado Social do futuro ser&aacute; pois, tamb&eacute;m, necessariamente uma reflex&atilde;o sobre a nossa sustentabilidade, a nossa miss&atilde;o e o pr&oacute;prio projeto europeu.<\/p>\n<p>&Eacute; evidente que n&atilde;o tenho ilus&otilde;es que, pelas mais variadas raz&otilde;es, muitos v&atilde;o tentar tirar ou colocar este debate da ordem do dia, mas n&oacute;s &ndash; Miseric&oacute;rdias e setor solid&aacute;rio &ndash; &eacute; que n&atilde;o podemos ir ao sabor desses interesses e mar&eacute;s, porque o que est&aacute; verdadeiramente em causa &eacute; a nossa sustentabilidade e a nossa miss&atilde;o de ajudar os que mais precisam!<\/p>\n<p>Se querem esse debate, se querem assumir a responsabilidade de reformar o Estado (por mim acho muito bem!) ent&atilde;o vamos l&aacute;, mas at&eacute; ao fim, seriamente, para que Portugal seja finalmente aquele Pa&iacute;s onde valha a pena viver e onde, como disse, S&aacute; Carneiro &ldquo;os velhos tenham presente e os jovens futuro&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Manuel de Lemos,<\/p>\n<p>Presidente da Uni&atilde;o<\/p>\n<p>das Miseric&oacute;rdias Portuguesas<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel de Lemos, Presidente da Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias Portuguesas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[203,314,323],"class_list":["post-59256","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-europa","tag-solidariedade","tag-uniao-das-misericordias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59256\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}