{"id":59170,"date":"2012-12-04T11:53:40","date_gmt":"2012-12-04T11:53:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/04\/valorizar-a-experiencia-e-promover-o-envelhecimento-ativo\/"},"modified":"2012-12-04T11:53:40","modified_gmt":"2012-12-04T11:53:40","slug":"valorizar-a-experiencia-e-promover-o-envelhecimento-ativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/valorizar-a-experiencia-e-promover-o-envelhecimento-ativo\/","title":{"rendered":"Valorizar a experi\u00eancia e promover o envelhecimento ativo"},"content":{"rendered":"<p>A presidente da Comiss\u00e3o Nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gera\u00e7\u00f5es tra\u00e7a \u00e0 ECCLESIA o balan\u00e7o desta iniciativa <!--more--> <\/p>\n<p>A presidente da Comiss&atilde;o Nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gera&ccedil;&otilde;es tra&ccedil;a &agrave; ECCLESIA o balan&ccedil;o desta iniciativa que decorreu em Portugal, num ano n&atilde;o de desenvolvimento mas de envolvimento. Joaquina Madeira, de 65 anos, encara esta iniciativa como uma oportunidade para mudar, onde os seniores ter&atilde;o uma palavra a dizer. No final do ano o Governo vai receber um documento com boas pr&aacute;ticas que j&aacute; existem e que importa alargar, bem como com recomenda&ccedil;&otilde;es para tornar a sociedade mais participativa e respeitadora de direitos garantidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia &#8211; O que mudou com o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gera&ccedil;&otilde;es (AEEASG)? <\/em><\/p>\n<p><em>Joaquina Madeira &#8211;<\/em> O AEEASG foi um ano que se propunha sobretudo usar da palavra para que a sociedade tomasse consci&ecirc;ncia de uma nova caracter&iacute;stica, pr&oacute;pria do desenvolvimento, que &eacute; a longevidade. Isto requer organiza&ccedil;&atilde;o para que o envelhecimento seja longo mas ativo, saud&aacute;vel, seguro, &uacute;til, participativo. Toda a sociedade tem responsabilidade na promo&ccedil;&atilde;o de um envelhecimento ativo porque implica todos, desde que nascemos.<\/p>\n<p>Penso que este Ano nos veio dizer isto: os cidad&atilde;os, as organiza&ccedil;&otilde;es vocacionadas para as pessoas idosas e o legislador devem ter em conta que a sociedade tem de promover o envelhecimento ativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Mas fic&aacute;mos pela tomada de consci&ecirc;ncia? <\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> Esse era o primeiro objetivo. T&iacute;nhamos depois de desencadear a&ccedil;&otilde;es concretas sobre o envelhecimento ativo e solidariedade entre gera&ccedil;&otilde;es. Muitas a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o come&ccedil;aram este ano mas intensificaram-se atividades.<\/p>\n<p>H&aacute; organiza&ccedil;&otilde;es muito atentas aos mais velhos e aos jovens que fomentam o apoio e mobiliza&ccedil;&atilde;o para o encontro. H&aacute; centenas de boas pr&aacute;ticas, n&atilde;o apenas pontuais mas muitas estruturadas.<\/p>\n<p>Penso que, por outro lado, este Ano permitiu perceber que as pessoas idosas n&atilde;o s&atilde;o in&uacute;teis ou um peso para a sociedade. Elas pr&oacute;prias d&atilde;o o seu contributo. Sabemos que as pessoas mais velhas t&ecirc;m hoje um papel importante nas fam&iacute;lias &ndash; acompanhamento dos netos, apoio aos dependentes; algumas organiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o geridas por pessoas mais velhas, h&aacute; muitas ainda a trabalhar. As pessoas continuam ativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que organiza&ccedil;&otilde;es se envolveram na promo&ccedil;&atilde;o de atividades neste AEEASG?<\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> Penso que nenhuma entidade passou ao lado deste Ano. Algumas vamos descobrindo. O s&iacute;tio na Internet disponibiliza e articula informa&ccedil;&atilde;o nacional mas h&aacute; sempre novidades e iniciativas que desconhecemos. At&eacute; a cultura realizou muitas atividades.<\/p>\n<p>As academias seniores, em seis anos de atividades, tiveram um aumento de cinco mil alunos para 40 mil.<\/p>\n<p>Penso que o tema veio para ficar porque ele corresponde a uma necessidade que temos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A gera&ccedil;&atilde;o que nasceu ap&oacute;s a II Grande Guerra teve oportunidades que a gera&ccedil;&atilde;o dos meus pais e dos meus av&oacute;s n&atilde;o tiveram, como mobilidade social e estudo. Ganh&aacute;mos com a sociedade industrial, que promoveu direitos &agrave;s pessoas. Fomos os primeiros benefici&aacute;rios da mudan&ccedil;a na sociedade europeia, que agora est&aacute; em crise.<\/p>\n<p>H&aacute; pessoas seniores ativas, interessadas, curiosas, tratam de si, da sua qualidade de vida, est&atilde;o dispon&iacute;veis para o voluntariado e para os outros.<\/p>\n<p>O AEEASG veio levantar estas quest&otilde;es. N&atilde;o podemos desvalorizar a reflex&atilde;o e a mensagem porque o primeiro passo para agir &eacute; tomar consci&ecirc;ncia dos problemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E &#8211; O passo foi dado ao longo deste ano?<\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> Sem d&uacute;vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O que <\/em>&eacute;<em> que gostaria de ter visto mudado depois deste ano?<\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> N&atilde;o tenho a ideia de que o AEEASG veio resolver os problemas todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Mas houve quest&otilde;es que poderiam ter sido resolvidas e n&atilde;o foram?<\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> N&atilde;o podemos esquecer que estamos num momento cr&iacute;tico para uma mudan&ccedil;a estrutural no bem-estar e qualidade de vida dos seniores. N&atilde;o vamos dourar porque a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; cr&iacute;tica: 26% da nossa popula&ccedil;&atilde;o idosa vive riscos de pobreza e h&aacute; pessoas sem o suficiente para viver.<\/p>\n<p>Gostaria que toda a parte da sa&uacute;de e prote&ccedil;&atilde;o pudesse ter evolu&iacute;do este ano mas sabemos que n&atilde;o podemos esperar avan&ccedil;os na melhoria significativa da qualidade de vida b&aacute;sica das pessoas.<\/p>\n<p>Precisamos ativar a nossa solidariedade e a uni&atilde;o para atravessarmos este per&iacute;odo cr&iacute;tico. Penso que todos estamos concertados &#8211; cidad&atilde;os e pol&iacute;ticos &#8211; para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida das pessoas.<\/p>\n<p>H&aacute; um conjunto de propostas que o AEEASG vai apresentar, resultantes da aprendizagem e trabalho realizados.<\/p>\n<p>H&aacute; sugest&otilde;es a n&iacute;vel europeu e para Portugal que entregaremos ao Governo portugu&ecirc;s. Pensamos que muitas coisas n&atilde;o ser&atilde;o resolvidas este ano, porque &eacute; curto, mas poder&atilde;o ser uma promessa de melhoria de pol&iacute;ticas face &agrave; popula&ccedil;&atilde;o ativa.<\/p>\n<p>Um conceito que veio para ficar &eacute; o envelhecimento ativo. Culturalmente e atrav&eacute;s de modelos concretos para o funcionamento das nossas institui&ccedil;&otilde;es, na forma como nos dirigimos &agrave;s pessoas idosas, os preconceitos podem ser quebrados.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &#8211; A crise limitou o que poderiam ser as consequ&ecirc;ncias deste Ano? <\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> N&atilde;o podemos ignorar que estamos num momento cr&iacute;tico, n&atilde;o numa fase de desenvolvimento. Estamos num momento de envolvimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Esta fase tirou oportunidades para uma participa&ccedil;&atilde;o mais ativa, at&eacute; no mercado de trabalho?<\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> &Eacute; verdade, mas eu considero que as dificuldades v&atilde;o gerar novas realidades. O Jap&atilde;o, por exemplo, &eacute; dos pa&iacute;ses mais envelhecidos mas encara esta realidade como uma oportunidade que pode trazer mais-valias para a sociedade. Ser&aacute; uma sociedade com um perfil cultural diferente.<\/p>\n<p>Portugal em 2040 ter&aacute; 40% de pessoas mais velhas, onde as mulheres estar&atilde;o em lugares de decis&atilde;o; ser&aacute; certamente um mundo diferente do mundo jovem ocupado por homens.<\/p>\n<p>O centro da sociedade mudou dos jovens, da racionalidade, fortemente masculinizada, para as pessoas mais velhas, para as mulheres. Vamos ter uma sociedade com mais intelig&ecirc;ncia emocional.<\/p>\n<p>As crises surgem para mudar as sociedades. O modelo que t&iacute;nhamos at&eacute; agora serviu. O desenvolvimento &eacute; fruto desta sociedade, no entanto agora &eacute; chegado o tempo de mudar para uma sociedade mais humanizada, mais amiga, mais afetuosa. Eu n&atilde;o vejo isto como um problema, mas como uma viragem.<\/p>\n<p>Precisamos de organizar-nos para uma nova sociedade &ndash; os sistemas de seguran&ccedil;a social, de sa&uacute;de e de trabalho &ndash;, para uma popula&ccedil;&atilde;o diferente. A tens&atilde;o reside aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como <\/em>&eacute;<em> que avalia o lugar da pessoa s&eacute;nior no quadro familiar? Nas viagens que realizou, de norte a sul do pa&iacute;s, do interior para o litoral&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> H&aacute; o melhor e h&aacute; o pior. Costumo dizer que as fam&iacute;lias s&atilde;o os melhores lugares do mundo mas tamb&eacute;m podem ser o maior inferno. Infelizmente isso acontece.<\/p>\n<p>H&aacute; uma press&atilde;o grande nas fam&iacute;lias: quando confrontadas com problemas aumenta a viol&ecirc;ncia sobre os mais fr&aacute;geis, nomeadamente as pessoas idosas.<\/p>\n<p>O que lhe posso dizer &eacute; que existem excelentes exemplos de considera&ccedil;&atilde;o pelos mais velhos, de integra&ccedil;&atilde;o na sociedade, nas fam&iacute;lias, na participa&ccedil;&atilde;o ativa, no respeito e considera&ccedil;&atilde;o pelo seu papel, pelo seu patrim&oacute;nio e cultura, que certamente ser&atilde;o a maioria, mas ainda temos pequenos casos na sociedade portuguesa relativamente &agrave; fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Falta uma cultura de respeito e considera&ccedil;&atilde;o pelos mais velhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">AE &#8211; Este AEEASG n&atilde;o serviu para p&ocirc;r em evid&ecirc;ncia as boas pr&aacute;ticas em detrimento de not&iacute;cias sobre morte de idosos em casa?<\/span><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> Tamb&eacute;m houve. Tivemos excelentes programas nas nossas televis&otilde;es sobre boas pr&aacute;ticas, sobre a posi&ccedil;&atilde;o dos idosos na sociedade. Eu, como sou positiva, considero que h&aacute; sinais de que as coisas est&atilde;o a mudar. &Eacute; verdade que temos de informar sobre o que n&atilde;o est&aacute; certo e a comunica&ccedil;&atilde;o social tem um papel muito importante, mas n&atilde;o podemos ficar por a&iacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A sociedade acompanha a realidade social, financeira e espiritual dos idosos de forma equilibrada?<\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> Eu tenho a tese de que o s&eacute;culo XXI &eacute; o s&eacute;culo dos sentimentos, dos afetos e da espiritualidade. Penso que isso falta &agrave; sociedade portuguesa.<\/p>\n<p>A espiritualidade n&atilde;o tem a ver com religi&atilde;o, mas sim com uma dimens&atilde;o em que todos n&oacute;s somos feitos e, por isso, precisamos dela. Na a&ccedil;&atilde;o junto das pessoas precisamos de ter essa dimens&atilde;o espiritual e cultural tamb&eacute;m para gerar bem-estar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como <\/em>&eacute;<em> que acompanha as muitas iniciativas realizadas por Institui&ccedil;&otilde;es Particulares de Solidariedade Social (IPSS), algumas ligadas <\/em>&agrave;<em> Igreja Cat&oacute;lica, na resposta <\/em>&agrave;s<em> pessoas seniores?<\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> Ao longo da minha vida profissional sempre estive ligada ao trabalho junto de pessoas idosas e assisti a uma evolu&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria, fruto desta parceria com as IPSS, centros paroquiais, miseric&oacute;rdias. A qualidade das respostas tem melhorado e analiso-a muito positivamente.<\/p>\n<p>Mas h&aacute; um conceito, trazido pelo envelhecimento ativo, que deve ser incorporado na forma como se presta servi&ccedil;o &agrave;s pessoas: olhar para os idosos que v&atilde;o para um lar n&atilde;o como a sua &uacute;ltima morada mas v&ecirc;-los como pessoas que se desenvolvem sempre ao longo da vida e que v&atilde;o viver novas oportunidades.<\/p>\n<p>Devem, por isso, ser tratados como pessoas capazes, &uacute;teis e participar na vida da institui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Temos de passar de uma vis&atilde;o assistencialista e explorar as suas compet&ecirc;ncias para que elas se sintam com um projeto de vida. Devemos trabalhar com elas como atores e parceiros e n&atilde;o como destinat&aacute;rios de uma a&ccedil;&atilde;o que por vezes retira a dignidade e o respeito das pessoas. Esta &eacute; uma mudan&ccedil;a a fazer em toda a nossa rede de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os que implica forma&ccedil;&atilde;o dos agentes. &Eacute; um dos legados do AEEASG. Devemos perceber nas nossas institui&ccedil;&otilde;es e nas pol&iacute;ticas de que forma est&atilde;o a promover o envelhecimento ativo, a autonomia, a independ&ecirc;ncia e a participa&ccedil;&atilde;o das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; D. Manuel Clemente, bispo do Porto, participou no encontro <\/em>&laquo;<em>Presente no Futuro &ndash; os portugueses em 2030<\/em>&raquo;<em>, promovido pela Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos, onde prop&ocirc;s a constitui&ccedil;&atilde;o de um senado com pessoas mais velhas que se pronunciasse sobre medidas e projetos, mesmo que a t&iacute;tulo consultivo. Estamos ainda longe desta realidade?<\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> Penso que n&atilde;o. Essa &eacute; uma das propostas que temos para apresentar no final deste AEEASG e &eacute; j&aacute; uma pr&aacute;tica em alguns munic&iacute;pios. Com nomes diferentes, mas j&aacute; existem grupos de idosos que s&atilde;o ouvidos, onde se partilha informa&ccedil;&atilde;o sobre o que lhes diz respeito mas n&atilde;o s&oacute;.<\/p>\n<p>Essa proposta n&atilde;o me parece de dif&iacute;cil concretiza&ccedil;&atilde;o. Trata-se de valorizar a sua participa&ccedil;&atilde;o e dar-lhe, n&atilde;o uma fun&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, mas de interesse pela polis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; H&aacute; condi&ccedil;&otilde;es em Portugal para um envelhecimento ativo e feliz?<\/em><\/p>\n<p>JM &#8211; Temos condi&ccedil;&otilde;es, mas precisamos de desenvolver melhorias nas pol&iacute;ticas e na organiza&ccedil;&atilde;o social a todos os n&iacute;veis. Se n&atilde;o conseguimos garantir a todas as pessoas seniores os seus direitos, temos ainda muito para fazer.<\/p>\n<p>N&atilde;o se trata de dar mais sa&uacute;de, por exemplo, mas recriar os sistemas. A sa&uacute;de tal como est&aacute; &eacute; uma ind&uacute;stria. Eu vejo uma sa&uacute;de fora dos centros de sa&uacute;de: comunit&aacute;ria, preventiva, uma educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de. Se a sa&uacute;de n&atilde;o for s&oacute; para tratar doen&ccedil;as mas para a sua promo&ccedil;&atilde;o, ter&aacute; menos doentes. Isto n&atilde;o &eacute; exclusivo para pessoas idosas, mas para todas.<\/p>\n<p>H&aacute; um grande consumo de medicamentos. N&atilde;o queremos mais sa&uacute;de nos termos em que atualmente existe, mas sim uma sa&uacute;de diferente. Se acompanharmos as pessoas idosas para a sua participa&ccedil;&atilde;o, provavelmente v&atilde;o menos ao m&eacute;dico. A crise traz essa necessidade de reflex&atilde;o sobre o desenvolvimento dos nossos sistemas.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Essas propostas devem partir da sociedade civil ou do Estado?<\/em><\/p>\n<p>JM &#8211; As iniciativas devem partir de todos. Dou-lhe um exemplo de uma boa pr&aacute;tica: h&aacute; um concelho onde um m&eacute;dico em vez de prescrever medicamentos prescreve comportamentos &#8211; caminhadas di&aacute;rias, beber &aacute;gua, por exemplo. Temos de mudar o paradigma neste campo, porque tem gerado comportamentos baseados no dinheiro, no consumo, onde existem muitos interesses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A recomenda&ccedil;&atilde;o que vai dirigir ao Governo no final deste AEEASG baseia-se num apanhado de boas pr&aacute;ticas que se realizam no pa&iacute;s e que o Estado n&atilde;o tem consci&ecirc;ncia? <\/em><\/p>\n<p><em>JM &#8211;<\/em> O documento orienta-se para a recomenda&ccedil;&atilde;o de algumas boas pr&aacute;ticas que importa alargar e intensificar; outras s&atilde;o mudan&ccedil;as que importa realizar. Por exemplo: n&oacute;s n&atilde;o temos um sistema jur&iacute;dico que proteja e represente formalmente n&atilde;o s&oacute; os mais velhos como as pessoas dependentes e incapazes; &eacute; preciso uma aten&ccedil;&atilde;o especial &agrave;s fam&iacute;lias que tratam das pessoas dependentes e mais velhas. Em Portugal 80% das pessoas dependentes s&atilde;o tratadas por fam&iacute;lias e &eacute; um peso extraordin&aacute;rio &eacute; necess&aacute;rio criar oportunidades na gest&atilde;o das idades dentro das organiza&ccedil;&otilde;es nomeadamente na institui&ccedil;&atilde;o de formas de prepara&ccedil;&atilde;o para a reforma para que, com anteced&ecirc;ncia, as pessoas pensem no que v&atilde;o fazer. &Eacute; preciso investir na forma&ccedil;&atilde;o ao longo da vida, que &eacute; determinante na constru&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses e das sociedades.<\/p>\n<p>S&atilde;o propostas a v&aacute;rios n&iacute;veis &ndash; seguran&ccedil;a social, sa&uacute;de, emprego, cultura &#8211; que podem vir a melhorar sistemas, ajudar a resolver pontos cr&iacute;ticos e dar aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas que n&atilde;o t&ecirc;m os seus direitos garantidos, com percentagem elevada na faixa das pessoas idosas em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; S&atilde;o apenas recomenda&ccedil;&otilde;es?<\/em><\/p>\n<p>JM &#8211; H&aacute; coisas que n&atilde;o podemos decidir mas h&aacute; aspetos que s&atilde;o decididos ao n&iacute;vel local. Neste momento, a partir de juntas de freguesia, de IPSS, de autarquias, de redes de proximidade, associando muitas vezes as escolas, as par&oacute;quias, a C&aacute;ritas, &eacute; poss&iacute;vel criar redes de responsabilidade que acompanhem as pessoas que mais precisam e combatam o isolamento e a solid&atilde;o dos idosos. Isso est&aacute; a ser realizado de norte a sul e n&atilde;o precisou de pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O seu discurso incide no cidad&atilde;o e n&atilde;o no Estado&hellip;<\/em><\/p>\n<p>JM &#8211; Uma grande parte do bem-estar e da qualidade passa pela proximidade e pela cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os humanizados. Naturalmente n&atilde;o resolve tudo, mas avan&ccedil;a significativamente. Precisamos depois do nacional, das medidas pol&iacute;ticas, do acesso aos direitos.<\/p>\n<p>Neste momento n&atilde;o podemos ter a ilus&atilde;o que o pa&iacute;s se vai transformar na &aacute;rea dos direitos adquiridos. N&atilde;o podemos deixar de frisar o assunto, e quero que isto fique claro, a solidariedade n&atilde;o substitui a justi&ccedil;a social, mas a justi&ccedil;a social sem solidariedade &eacute; pouco porque n&atilde;o atinge os objetivos de sustentabilidade dos sistemas e de humanidade.<\/p>\n<p>A t&oacute;nica tem de estar na solidariedade sem esquecer a justi&ccedil;a social. Temos de ativar a solidariedade, a ajuda m&uacute;tua, a proximidade, a uni&atilde;o e a liga&ccedil;&atilde;o entre todos. Este &eacute; o meu discurso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Essa &eacute; a via para se construir o Estado Social?<\/em><\/p>\n<p>JM &#8211; N&oacute;s chegamos atrasados ao Estado Social e n&atilde;o o completamos. Estamos 20 anos atrasados em compara&ccedil;&atilde;o com o Estado Social dos restantes pa&iacute;ses europeus.<\/p>\n<p>O discurso do Estado Social tem de continuar a ser formulado. Teremos de encontrar outras formas de o realizar. Mas uma coisa &eacute; certa: entre n&oacute;s temos de encontrar solu&ccedil;&otilde;es para que todos tenham o m&iacute;nimo de dignidade e de vida.<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o &eacute; como. O objetivo &eacute; que todos tenham oportunidade de estar &agrave; mesa do desenvolvimento. Esta &eacute; a minha convic&ccedil;&atilde;o de sociedade mais justa, mais humanizada, mais desenvolvida, mas a partir de um paradigma diferente do atual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; No seu entender como &eacute; que o vamos conseguir? <\/em><\/p>\n<p>JM &#8211; Atrav&eacute;s de todos, mas talvez com o Estado a perder o seu papel. Temos assistido &agrave; perda dos Estados para o supraestado e para o local. Em determinadas &aacute;reas, n&atilde;o diria em todas, est&aacute; posto em causa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Est&aacute; a referir-se ao poder local e &agrave;s inst&acirc;ncias europeias?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; A inst&acirc;ncias globais internacionais. Eu sou apaixonada pelo futuro e h&aacute; coisas interessantes que est&atilde;o a ser desenvolvidas e n&atilde;o sabemos. Raciocinamos sempre do nosso quadrado.<\/p>\n<p>Existem grupos que est&atilde;o a pensar sobre o conceito de trabalho e emprego porque o que existe &eacute; produto da sociedade industrial e est&aacute; posto em causa. Os pilares da nossa organiza&ccedil;&atilde;o social est&atilde;o a ser questionados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &Eacute; esse quadro mental que tem de ser alterado?<\/em><\/p>\n<p>JM &ndash; &Eacute; necess&aacute;rio abrir o nosso esp&iacute;rito a novas solu&ccedil;&otilde;es porque as que existem est&atilde;o desatualizadas. A sociedade que temos &eacute; outra. Queremos mais esp&iacute;rito, mais afeto, mais liga&ccedil;&atilde;o entre as pessoas e isso tem de ser constru&iacute;do com outros pilares.<\/p>\n<p>Isto geralmente faz-se com guerras, agora felizmente est&aacute; a fazer-se com crise. &Eacute; uma guerra branca mas &eacute; a mudan&ccedil;a que est&aacute; a&iacute;, que vai al&eacute;m do envelhecimento ativo, e que nos faz pensar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Este AEEASG ficar&aacute; para al&eacute;m da efem&eacute;ride?<\/em><\/p>\n<p>JM &#8211; Tenho essa convic&ccedil;&atilde;o. Merc&ecirc; do trabalho dos anos passados (2010 &#8211; Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclus&atilde;o Social e 2011 &#8211; Ano Europeu das Atividades de Voluntariado que Promovam uma Cidadania Ativa, ndr) a semente est&aacute; lan&ccedil;ada.<\/p>\n<p>Naturalmente que o AEEASG veio trazer palavras a uma realidade que est&aacute; a ser vivida mas, estou segura, vai continuar.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presidente da Comiss\u00e3o Nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gera\u00e7\u00f5es tra\u00e7a \u00e0 ECCLESIA o balan\u00e7o desta iniciativa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[187,199,314,329],"class_list":["post-59170","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-do-porto","tag-espiritualidade","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59170"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59170\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}