{"id":59169,"date":"2012-12-04T11:38:04","date_gmt":"2012-12-04T11:38:04","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/12\/04\/responde-a-igreja-de-modo-adequado-ao-problema-dos-mais-idosos\/"},"modified":"2012-12-04T11:38:04","modified_gmt":"2012-12-04T11:38:04","slug":"responde-a-igreja-de-modo-adequado-ao-problema-dos-mais-idosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/responde-a-igreja-de-modo-adequado-ao-problema-dos-mais-idosos\/","title":{"rendered":"Responde a Igreja, de modo adequado, ao problema dos mais idosos?"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, bispo em\u00e9rito de Aveiro <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\"><em>Lembra-te dos dias de outrora, considera os anais do passado, interroga o teu pai e ele te contar&aacute;, os teus av&oacute;s e eles te ensinar&atilde;o.<\/em> (Deut 32, 7)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tem sempre raz&atilde;o de ser a pergunta se a Igreja se preocupa, de modo efetivo e adequado, atenta a situa&ccedil;&atilde;o em que os mesmos vivem. O problema n&atilde;o tem uma resposta igual para todos os casos, nem de sentido evangelizador &uacute;nico, mesmo distinguindo respostas da hierarquia em rela&ccedil;&atilde;o aos seus idosos, e das comunidades crist&atilde;s em rela&ccedil;&atilde;o aos seus membros.<\/p>\n<p>Hoje vive-se mais tempo, as reformas profissionais alcan&ccedil;aram-se mais cedo, as fam&iacute;lias, em muitos casos, t&ecirc;m dificuldade em manterem na sua casa os familiares mais idosos, e, frequentemente, os esquecem, multiplicam-se iniciativas sociais de apoio, v&ecirc;m-se revelando, neste grupo et&aacute;rio, capacidades, antes impens&aacute;veis.<\/p>\n<p>Cresceram os casos de isolamento, de internamento em institui&ccedil;&otilde;es, de abandono de idosos nos hospitais e nos lares, as pens&otilde;es de reforma s&atilde;o para muitos claramente insuficientes, muitos dos mais idosos se instalam nas suas rotinas e nostalgias, mais parecendo esperar a morte, do que saborear e valorizar a vida com sentido positivo.<\/p>\n<p>H&aacute; ainda iniciativas sociais muito v&aacute;lidas como as academias de seniores, os coros musicais e orquestras, os passeios de descoberta do pa&iacute;s. At&eacute; o com&eacute;rcio multiplicou os produtos para os mais idosos e as autarquias se desdobram em propostas a seu favor. Pode ver-se o cuidado das par&oacute;quias e outras institui&ccedil;&otilde;es em encontrar e implementar respostas sociais, como lares, centros de dia, espa&ccedil;os de conviv&ecirc;ncia, enfermarias de cuidados intensivos, e agora, tamb&eacute;m, de acolhimento de noite. Muitas respostas t&ecirc;m muita qualidade, mormente quando se confrontam as diversas solu&ccedil;&otilde;es em campo. Mas, n&atilde;o falta na sociedade gente sem escr&uacute;pulos que, vendo o interesse das fam&iacute;lias em internar os seus idosos, cai na tenta&ccedil;&atilde;o do lucro indevido, recebendo muito e gastando o m&iacute;nimo com os internados &agrave; sua conta.<\/p>\n<p>As respostas dadas pela Igreja em rela&ccedil;&atilde;o aos membros da hierarquia mais idosos, n&atilde;o raro s&atilde;o contradit&oacute;rias. Elege-se um Papa a rondar os oitenta anos, mas os cardeias dessa idade j&aacute; n&atilde;o podem ser eleitores. Qualquer que seja a sua situa&ccedil;&atilde;o, aos setenta e cinco anos o bispo deve ceder o governo diocesano, mas esta idade, determinada canonicamente para toda a Igreja, excetua, facilmente, arcebispos importantes e, sobretudo, cardeais. Os casos n&atilde;o s&atilde;o decididos tendo em conta as pessoas e as comunidades que servem. As medidas surgem fora da realidade, &agrave; revelia do tempo que se vive, segundo gostos, postos e interesses. Se cito, de modo suave, este modo de tratar os mais idosos, &eacute; porque a coer&ecirc;ncia evang&eacute;lica tem um alto valor testemunhal. Hoje tudo &eacute; p&uacute;blico, tudo se pode apreciar.<\/p>\n<p>H&aacute; outros campos de a&ccedil;&atilde;o, v&aacute;lidos e oportunos em que, por vezes, as respostas ficam aqu&eacute;m do que &agrave; par&oacute;quia e &agrave;s outras institui&ccedil;&otilde;es eclesiais compete, por miss&atilde;o, desde o acordar as fam&iacute;lias para o seu dever para com os seus idosos, &agrave; den&uacute;ncia, de situa&ccedil;&otilde;es graves. N&atilde;o raro se verifica que o p&aacute;roco se transformou em gestor de obras sociais, com preju&iacute;zo de outras atividades pastorais evangelizadoras, urgentes, tamb&eacute;m, para os mais idosos. Os programas das institui&ccedil;&otilde;es da Igreja n&atilde;o podem esquecer esta dimens&atilde;o. H&aacute; crit&eacute;rios e propostas de enriquecimento espiritual desta fase et&aacute;ria, tanto no Diret&oacute;rio Geral da Catequese, como no Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica, por vezes esquecidas ou secundarizadas. Sem a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade e de alguns membros da mesma, preparados ou preparar, muitas necessidades espirituais dos idosos ficam por atender, se tudo depender s&oacute; do padre. Mas, tudo a depender s&oacute; do padre &eacute; a contradi&ccedil;&atilde;o da Igreja conciliar e o ponto final da renova&ccedil;&atilde;o eclesial que urge.<\/p>\n<p>Muitos idosos permanecem nas suas casas, apoiados pela par&oacute;quia, por meio dos visitadores e pela participa&ccedil;&atilde;o dos ministros extraordin&aacute;rios. Por&eacute;m, nem sempre s&atilde;o alertados para a sua uni&atilde;o &agrave; comunidade e para o valor e sentido apost&oacute;lico da sua vida. Uma riqueza que se perde. Ouve-se, por vezes, o desabafo de p&aacute;rocos do interior desertificado, dizendo que n&atilde;o sabem porque est&atilde;o ali, dado que na par&oacute;quia s&oacute; h&aacute; velhos&hellip; H&aacute; muitos caminhos a andar na fidelidade &agrave; miss&atilde;o, mas nenhum caminho ser&aacute; evang&eacute;lico quando se menosprezam os mais idosos. A Igreja tem, pois, muito para fazer tanto dentro das obras sociais, como na a&ccedil;&atilde;o pastoral paroquial.<\/p>\n<p>H&aacute; na Igreja um movimento apost&oacute;lico dos mais idosos,&nbsp; destinado aos j&aacute; aposentados. &Eacute; a Vida Ascendente, Movimento Crist&atilde;o dos Reformados. Os pontos de apoio que prop&otilde;e s&atilde;o: Amizade, Espiritualidade, Apostolado. A caminhada faz-se em grupos de reflex&atilde;o e conv&iacute;vio, com temas adequados &agrave; idade. Disp&otilde;em os membros de uma revista bimensal e organizam-se&nbsp; tempos de ora&ccedil;&atilde;o e de lazer, e est&aacute; o campo aberto a todas as iniciativas que valorizem. VA &eacute; um movimento&nbsp; internacional, j&aacute; bem testado nos diversos continentes. Est&aacute; j&aacute; em quase todas as dioceses de Portugal, com grupos paroquiais ou interparoquiais, por vezes de forma ainda pouco expressiva. &Eacute; uma proposta v&aacute;lida, que os padres precisam de conhecer. Leigos, em comunh&atilde;o com os seus p&aacute;rocos, podem levar a bom termo o movimento sem os sobrecarregar.<\/p>\n<p>Se os padres est&atilde;o mais voltados para o esplendor&nbsp; lit&uacute;rgico que para a educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute; e para a caridade em a&ccedil;&atilde;o, o trabalho com os idosos pode n&atilde;o ser atraente, nem de resultados vistosos. Mas &eacute; uma exig&ecirc;ncia de amor e gratid&atilde;o, um reconhecimento p&uacute;blico do que a Igreja e a sociedade lhes devem e como os estimam. Os mais idosos constituem um patrim&oacute;nio social e eclesial de generosidade e fidelidade. Se a sociedade os julga um peso, &eacute; preciso que a Igreja, no seu testemunho atento, sublinhe o seu valor humano e crist&atilde;o e promova socialmente o respeito que lhes &eacute; devido.<\/p>\n<p><em>Ant&oacute;nio Marcelino, bispo em&eacute;rito de Aveiro<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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