{"id":58967,"date":"2012-11-20T11:25:15","date_gmt":"2012-11-20T11:25:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/20\/estado-social\/"},"modified":"2012-11-20T11:25:15","modified_gmt":"2012-11-20T11:25:15","slug":"estado-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/estado-social\/","title":{"rendered":"Estado Social"},"content":{"rendered":"<p>Lino Maia, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade  <!--more--> <\/p>\n<p>&Eacute; consensual: o Estado Social, sobretudo, &eacute; um muito bom modelo europeu. Come&ccedil;ou a ganhar conte&uacute;do e consist&ecirc;ncia quando a Europa se refazia da segunda guerra mundial. Quase toda ela estava voltada para a reconstru&ccedil;&atilde;o, para os direitos humanos e para a prosperidade. Metodicamente, eram reconhecidos direitos sociais e ia sendo assegurado um conjunto de servi&ccedil;os coletivos relacionados com educa&ccedil;&atilde;o, cultura, recreio, habita&ccedil;&atilde;o, prote&ccedil;&atilde;o social e sa&uacute;de. Adotando um determinado ideal de homem e com o objetivo de respeitar todos os homens. Corrigiam-se as assimetrias enquanto a igualdade e a dignidade eram associadas entre si. Em tempos de crescimento econ&oacute;mico, o financiamento dos direitos sociais parecia indefinidamente assegurado, pelo que a universalidade de direitos ia sendo conjugada, tendencialmente, com a gratuidade.<\/p>\n<p>Hoje, h&aacute; significativas mudan&ccedil;as. Com o abrandamento da prosperidade, cuja agulha parece estar a mudar de sentido arrastando consigo bons quadros, e com uma progressiva &ldquo;des-sintonia&rdquo; entre popula&ccedil;&atilde;o ativa, que progressivamente baixa (h&aacute; uma preocupante diminui&ccedil;&atilde;o de natalidade), e popula&ccedil;&atilde;o passiva que, comparativamente, cresce (felizmente, a esperan&ccedil;a de vida &eacute; cada vez maior), a Europa confronta-se com outros ventos e com d&uacute;vidas crescentes sobre a viabilidade de financiamento do Estado Social.<\/p>\n<p>Estar&aacute; o Estado Social a correr perigo?<\/p>\n<p>&Eacute; uma quest&atilde;o recente, mas ganha acuidade. Tamb&eacute;m, e sobretudo em Portugal que acostou ao modelo social europeu quando j&aacute; na Europa come&ccedil;avam a pairar algumas sombras. No nosso caso, tratou-se mais de um envolvimento comunit&aacute;rio do que de um exato despertar do Estado para todas as suas fun&ccedil;&otilde;es sociais. Paralelamente, come&ccedil;a a ser evidente que sobre o povo portugu&ecirc;s j&aacute; pesa uma carga fiscal excessivamente onerosa, pelo que adensam-se amea&ccedil;as sobre o pr&oacute;ximo financiamento dos direitos sociais. E sem financiamento, os direitos correm perigos.<\/p>\n<p>O Estado Social parece amea&ccedil;ado.<\/p>\n<p>Ao Estado compete assegurar os direitos sociais e a exist&ecirc;ncia de servi&ccedil;os que os ministrem, conhecendo, reconhecendo e apoiando quem os promove e quem os serve, coordenando os seus promotores, regulando, estabelecendo metas a atingir e suprindo quando necess&aacute;rio. Se o Estado n&atilde;o servir para promover uma melhor justi&ccedil;a social e um futuro melhor e mais harmonioso para todos, n&atilde;o serve para nada.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso salvar o Estado Social. E as vias de salva&ccedil;&atilde;o do Estado Social &#8211; e de um Estado Social mais justo &#8211; passam necessariamente pelo criativo testemunho de como o global n&atilde;o pode diluir o particular nem o particular pode diluir o coletivo. Tamb&eacute;m passam por uma filosofia perfilhada em que solidariedade e subsidiariedade, cruzando-se ambas com sobriedade, mutuamente se requeiram.<\/p>\n<p>H&aacute; direitos sociais estruturantes e direitos sociais coadjuvantes e assistenciais. Enquanto direitos, todos eles s&atilde;o universais: de todos e para todos os humanos. A alguns direitos todos e todas recorrer&atilde;o para que o seu ser cres&ccedil;a harm&oacute;nico numa sociedade mais justa, enquanto a outros direitos, podendo aceder todos e todas, cada um e cada uma recorrer&aacute; conforme o seu ser e a dissemelhan&ccedil;a das circunst&acirc;ncias em que vive. Uns ser&atilde;o gratuitos e outros poder&atilde;o ser comparticipados.<\/p>\n<p>Ser&atilde;o direitos estruturantes quantos na &aacute;rea da promo&ccedil;&atilde;o da cidadania se situam. A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; um deles. Para um crescimento harm&oacute;nico e integral de todos. Educa&ccedil;&atilde;o para todos e educa&ccedil;&atilde;o gratuita &eacute; um objetivo inalien&aacute;vel de um Estado Social. Indissoci&aacute;vel, provavelmente, da cultura. F&iacute;sica e mental. Para assegurar uma &ldquo;mente s&atilde; em corpo sadio&rdquo;. Tamb&eacute;m para garantir igualdade de oportunidades e promover a coes&atilde;o social.<\/p>\n<p>Os direitos sociais relacionados com a sa&uacute;de poder&atilde;o ser estruturantes quando a previnem e, a&iacute;, universalidade conjuga-se com gratuidade. Noutros casos poder&atilde;o ser direitos coadjuvantes ou assistenciais, como no que se relaciona com habita&ccedil;&atilde;o, prote&ccedil;&atilde;o social e crescimento, da e na comunidade local. Cada um e todos os cidad&atilde;os devem poder ascender &agrave; sua frui&ccedil;&atilde;o e ao seu exerc&iacute;cio. Provavelmente com o seu contributo. Moderado e adequado &agrave;s suas circunst&acirc;ncias, &agrave;s suas capacidades e &agrave;quilo que t&ecirc;m, sem que ningu&eacute;m dos mesmos direitos fique arredado ou para tr&aacute;s. A&iacute;, universalidade de direitos n&atilde;o ser&aacute; necessariamente sin&oacute;nima de gratuidade universal. Talvez a universalidade de direitos se conforme melhor com comparticipa&ccedil;&atilde;o moderada e adequada.<\/p>\n<p>Em sintonia com a comunidade, o Estado define uma Carta de Direitos Sociais, afeta recursos dispon&iacute;veis, assegura uma justi&ccedil;a redistributiva &ndash; enquanto a comunidade, moderada e adequadamente, se envolve.<\/p>\n<p>E o Estado Social funciona com uma sociedade solid&aacute;ria. Sustent&aacute;vel e progressivo.<\/p>\n<p><em>Lino Maia, <br \/>presidente da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional das Institui&ccedil;&otilde;es de Solidariedade<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lino Maia, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[189,203,267,314],"class_list":["post-58967","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-direitos-humanos","tag-europa","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58967"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58967\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}