{"id":58940,"date":"2012-11-17T19:14:58","date_gmt":"2012-11-17T19:14:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/17\/mensagem-de-bento-xvi-aos-participantes-no-atrio-dos-gentios-em-portugal\/"},"modified":"2012-11-17T19:14:58","modified_gmt":"2012-11-17T19:14:58","slug":"mensagem-de-bento-xvi-aos-participantes-no-atrio-dos-gentios-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-aos-participantes-no-atrio-dos-gentios-em-portugal\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI aos participantes no \u00c1trio dos Gentios em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Queridos amigos,<\/p>\n<p>Com viva gratid&atilde;o e afeto, sa&uacute;do todos os congregados no &laquo;&Aacute;trio dos Gentios&raquo;, que se inaugura em Portugal nos dias 16 e 17 de novembro de 2012, reunindo crentes e n&atilde;o-crentes ao redor da aspira&ccedil;&atilde;o comum de afirmar o valor da vida humana sobre a mar&eacute; crescente da cultura da morte.<\/p>\n<p>Na realidade, a consci&ecirc;ncia da sacralidade da vida que nos foi confiada, n&atilde;o como algo de que se possa dispor livremente, mas como dom a guardar fielmente, pertence &agrave; heran&ccedil;a moral da humanidade. &laquo;Mesmo entre dificuldades e incertezas, cada homem sinceramente aberto &agrave; verdade e ao bem, com a luz da raz&atilde;o e n&atilde;o sem o secreto influxo da gra&ccedil;a, pode chegar a reconhecer na lei natural inscrita no cora&ccedil;&atilde;o (cf. Rm 2, 14-15) o valor sagrado da vida humana desde o primeiro momento do seu in&iacute;cio at&eacute; ao seu termo&raquo; (Enc. Evangelium vit&aelig;, 2). N&atilde;o somos produto casual da evolu&ccedil;&atilde;o, mas cada um de n&oacute;s &eacute; fruto de um pensamento de Deus: somos amados por Ele.<\/p>\n<p>Mas, se a raz&atilde;o pode alcan&ccedil;ar tal valor da vida, porqu&ecirc; chamar em causa Deus? Respondo citando uma experi&ecirc;ncia humana. A morte da pessoa amada &eacute;, para quem a ama, o acontecimento mais absurdo que se possa imaginar: aquela &eacute; incondicionalmente digna de viver, &eacute; bom e belo que exista (o ser, o bem e o belo, como diria um metaf&iacute;sico, equivalem-se transcendentalmente). Entretanto, a mesma morte da mesma pessoa aparece, aos olhos de quem n&atilde;o ama, como um acontecimento natural, l&oacute;gico (n&atilde;o absurdo). Quem tem raz&atilde;o? Aquele que ama (&laquo;a morte desta pessoa &eacute; absurda&raquo;) ou o que n&atilde;o ama (&laquo;a morte desta pessoa &eacute; l&oacute;gica&raquo;)?<\/p>\n<p>A primeira posi&ccedil;&atilde;o s&oacute; &eacute; defens&iacute;vel, se cada pessoa for amada por um Poder infinito; e aqui est&aacute; o motivo por que foi preciso apelar a Deus. De facto, quem ama n&atilde;o quer que a pessoa amada morra; e, se pudesse, impedi-lo-ia sempre. Se pudesse&hellip; O amor finito &eacute; impotente; o Amor infinito &eacute; omnipotente. Ora, esta &eacute; a certeza que a Igreja anuncia: &laquo;Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unig&eacute;nito, a fim de que todo o que nele cr&ecirc; n&atilde;o se perca, mas tenha a vida eterna&raquo; (Jo 3, 16). Sim! Deus ama cada pessoa e, por isso, &eacute; incondicionalmente digna de viver. &laquo;O sangue de Cristo ao mesmo tempo que revela a grandeza do amor do Pai, manifesta como o homem &eacute; precioso aos olhos de Deus e como seja inestim&aacute;vel o valor da sua vida&raquo; (Enc. Evangelium vit&aelig;, 25).<\/p>\n<p>Na modernidade, por&eacute;m, o homem quis subtrair-se ao olhar criador e redentor do Pai (cf. Gn 4, 14), fundando-se sobre si mesmo e n&atilde;o sobre o Poder divino. Quase como sucede nos edif&iacute;cios de cimento armado sem janelas, onde &eacute; o homem que prov&ecirc; ao clima e &agrave; luz; e, no entanto, mesmo em tal mundo autoconstru&iacute;do, vai-se beber aos &laquo;recursos&raquo; de Deus, que s&atilde;o transformados em produtos nossos. Que dizer ent&atilde;o? &Eacute; preciso tornar a abrir as janelas, olhar de novo a vastid&atilde;o do mundo, o c&eacute;u e a terra e aprender a usar tudo isto de modo justo. De facto, o valor da vida s&oacute; se torna evidente, se Deus existe. Por isso, seria bom se os n&atilde;o-crentes quisessem viver &laquo;como se Deus existisse&raquo;. Ainda que n&atilde;o tenham a for&ccedil;a para acreditar, deviam viver na base desta hip&oacute;tese; caso contr&aacute;rio, o mundo n&atilde;o funciona. H&aacute; tantos problemas que devem ser resolvidos, mas nunca o ser&atilde;o de todo, se Deus n&atilde;o for colocado no centro, se Deus n&atilde;o se tornar de novo vis&iacute;vel no mundo e determinante na nossa vida. Aquele que se abre a Deus n&atilde;o se alheia do mundo e dos homens, mas encontra irm&atilde;os: em Deus caem os nossos muros de separa&ccedil;&atilde;o, somos todos irm&atilde;os, fazemos parte uns dos outros.<\/p>\n<p>Meus amigos, gostava de concluir com estas palavras do Conc&iacute;lio Vaticano II aos homens de pensamento e de ci&ecirc;ncia: &laquo;Felizes os que, possuindo a verdade, a procuram ainda a fim de a renovar, de a aprofundar, de a dar aos outros&raquo; (Mensagem, 8 de dezembro de 1965). Tal &eacute; o esp&iacute;rito e a raz&atilde;o de ser do &laquo;&Aacute;trio dos Gentios&raquo;. A v&oacute;s comprometidos de v&aacute;rias maneiras neste significativo empreendimento, manifesto o meu apoio e dirijo o meu mais sentido encorajamento. O meu afeto e a minha b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o vos acompanham hoje e no futuro.<\/p>\n<p>Vaticano, 13 de novembro de 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queridos amigos, Com viva gratid&atilde;o e afeto, sa&uacute;do todos os congregados no &laquo;&Aacute;trio dos Gentios&raquo;, que se inaugura em Portugal nos dias 16 e 17 de novembro de 2012, reunindo crentes e n&atilde;o-crentes ao redor da aspira&ccedil;&atilde;o comum de afirmar o valor da vida humana sobre a mar&eacute; crescente da cultura da morte. 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