{"id":58845,"date":"2012-11-13T11:56:04","date_gmt":"2012-11-13T11:56:04","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/13\/acabar-com-o-ritmo-constantiniano-na-igreja\/"},"modified":"2012-11-13T11:56:04","modified_gmt":"2012-11-13T11:56:04","slug":"acabar-com-o-ritmo-constantiniano-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/acabar-com-o-ritmo-constantiniano-na-igreja\/","title":{"rendered":"Acabar com o \u00abritmo constantiniano\u00bb na Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Numa entrevista concedida h\u00e1 50 anos ao Boletim de Informa\u00e7\u00e3o Pastoral (BIP), D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, bispo do Porto e membro da Comiss\u00e3o Conciliar dos Semin\u00e1rios e Estudos do II Conc\u00edlio do Vaticano, real\u00e7ava que \u201cnem sempre os per\u00edodos de abund\u00e2ncia de clero foram os melhores; quase sempre, o pref\u00e1cio dos piores\u201d. <!--more--> <\/p>\n<p>Numa entrevista concedida h&aacute; 50 anos ao Boletim de Informa&ccedil;&atilde;o Pastoral (BIP), D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes, bispo do Porto e membro da Comiss&atilde;o Conciliar dos Semin&aacute;rios e Estudos do II Conc&iacute;lio do Vaticano, real&ccedil;ava que &ldquo;nem sempre os per&iacute;odos de abund&acirc;ncia de clero foram os melhores; quase sempre, o pref&aacute;cio dos piores&rdquo;.<\/p>\n<p>Ao responder &agrave; quest&atilde;o formulada pelo BIP n&ordm; 19 (setembro-outubro de 1962) sobre se &laquo;as voca&ccedil;&otilde;es e os semin&aacute;rios s&atilde;o o problema n&uacute;mero um da Igreja em Portugal&raquo;, o bispo portugu&ecirc;s exilado sublinhou que a Igreja &#8211; na altura j&aacute; sofria de &ldquo;escassez de clero&rdquo; &#8211; &ldquo;sofreu de excesso&rdquo; em determinadas alturas da sua hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>No in&iacute;cio do II Conc&iacute;lio do Vaticano (11 de outubro de 1962), D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes referia que a hierarquia estava empenhada &ldquo;em combater o anticlericalismo&rdquo; &ndash; &ldquo;muito, talvez demais&rdquo; &ndash; mas que &ldquo;seria decerto mais &uacute;til e mais justo combater o clericalismo&rdquo;. E acentua: &ldquo;Enquanto n&atilde;o acabar o clericalismo na Igreja n&atilde;o acabar&aacute; o anticlericalismo &ndash; e muito justamente&rdquo;.<\/p>\n<p>Para este padre conciliar, &ldquo;s&oacute; o advento dum verdadeiro laicado cat&oacute;lico, muito eclesial e nada clerical, com plena consci&ecirc;ncia dos seus deveres e direitos na Igreja, neste sentido crist&atilde;o adulto, poder&aacute; aproveitar o servi&ccedil;o da verdade e da gra&ccedil;a que &eacute; pr&oacute;prio do sacerd&oacute;cio&rdquo;.<\/p>\n<p>Na mesma resposta, D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes real&ccedil;a que terminou a &laquo;idade constantiniana&raquo; e tem &ldquo;de acabar o ritmo constantiniano em que continuam a funcionar, por in&eacute;rcia, tantas mentes&rdquo;. O cristianismo tem de ser &ldquo;pessoal&rdquo; e &ldquo;n&atilde;o estat&iacute;stico&rdquo;, que lhe importa &ldquo;a qualidade muito mais que o n&uacute;mero&rdquo;, que a Igreja &ldquo;&eacute; o reinado da consci&ecirc;ncia e portanto &laquo;p&aacute;tria da liberdade&raquo;&rdquo;, que pouco valia e j&aacute; &ldquo;nada pode valer a miss&atilde;o &agrave; base da convers&atilde;o do rei-convers&atilde;o do seu povo&rdquo;.<\/p>\n<p>Ao fazer uma an&aacute;lise do cristianismo da primeira metade do s&eacute;culo XX, o bispo do Porto afirma que a &ldquo;religi&atilde;o de Cristo&rdquo; tem de partir das &ldquo;consci&ecirc;ncias para a sociedade e para o estado e que a marcha contr&aacute;ria &eacute; pag&atilde;&rdquo;. O &laquo;episcopado interior&raquo; da Igreja tem de &ldquo;dispensar e, se necess&aacute;rio, resistir ao &laquo;bispo exterior&raquo; (como a si mesmo chamou Constantino, ainda n&atilde;o batizado e mesmo &laquo;pontifex maximus&raquo; do paganismo)&rdquo;. A era constantiniana &ldquo;quis sacralizar o profano (sem negarmos os bens que o homem hist&oacute;rico disso colheu)&rdquo;, mas s&oacute; conseguiu &ldquo;finalmente profanar o sagrado&rdquo;.<\/p>\n<p>Nas previs&otilde;es sobre este acontecimento eclesial convocado pelo Papa Jo&atilde;o XXIII, D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes dizia que o conc&iacute;lio nunca poderia &ldquo;perder de vista&rdquo; as solu&ccedil;&otilde;es das perguntas postas &agrave; Igreja por um tempo dado &ldquo;pelo homem desta segunda metade j&aacute; adiantada do s&eacute;culo XX, num mundo materialmente uno, mas dilacerado por fortes tens&otilde;es de dissolu&ccedil;&atilde;o em conflito com as for&ccedil;as morais coesivas&rdquo;.<\/p>\n<p>Na entrevista, o prelado apresentava tamb&eacute;m alguns t&oacute;picos que devem estar nas reflex&otilde;es conciliares: &ldquo;Atualiza&ccedil;&atilde;o (aggiornamento) da &uacute;nica verdadeira Igreja, para que ela possa tornar-se realmente a fam&iacute;lia reintegrada de Deus Pai revelado em Cristo&rdquo; e como &ldquo;m&aacute;xima aspira&ccedil;&atilde;o imediata a unidade dos crist&atilde;os&rdquo;.<\/p>\n<p><em>&nbsp;LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa entrevista concedida h\u00e1 50 anos ao Boletim de Informa\u00e7\u00e3o Pastoral (BIP), D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, bispo do Porto e membro da Comiss\u00e3o Conciliar dos Semin\u00e1rios e Estudos do II Conc\u00edlio do Vaticano, real\u00e7ava que \u201cnem sempre os per\u00edodos de abund\u00e2ncia de clero foram os melhores; quase sempre, o pref\u00e1cio dos piores\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[100,187],"class_list":["post-58845","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-advento","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58845"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58845\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}