{"id":58843,"date":"2012-11-13T11:51:28","date_gmt":"2012-11-13T11:51:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/13\/cultura-de-austeridade-veio-para-ficar\/"},"modified":"2012-11-13T11:51:28","modified_gmt":"2012-11-13T11:51:28","slug":"cultura-de-austeridade-veio-para-ficar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cultura-de-austeridade-veio-para-ficar\/","title":{"rendered":"\u00abCultura de austeridade\u00bb veio para ficar?"},"content":{"rendered":"<p>As an&aacute;lises socioecon&oacute;micas mais recentes confirmam que a crise financeira dos &uacute;ltimos anos fez com que os portugueses desenvolvessem uma rela&ccedil;&atilde;o mais contida e realista com os mercados e privilegiassem h&aacute;bitos de vida mais sustent&aacute;veis, mas ser&aacute; que essa mudan&ccedil;a veio para ficar?<\/p>\n<p>Um estudo datado de outubro de 2012, realizado pelo Consumer Inteligence Lab (Grupo C) e enviado &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, destaca que os consumidores &ldquo;come&ccedil;am a assumir a nova realidade da crise como algo permanente&rdquo;, que &ldquo;influencia todas as decis&otilde;es quotidianas e determina um conjunto de mudan&ccedil;as de estilo de vida&rdquo;.<\/p>\n<p>O organismo especializado na investiga&ccedil;&atilde;o das &uacute;ltimas tend&ecirc;ncias de mercado e comportamentos de consumo, criado h&aacute; tr&ecirc;s anos com o apoio de Augusto Mateus, antigo ministro da Economia, Industria, Com&eacute;rcio e Turismo, diz que est&aacute; &ldquo;a ganhar tra&ccedil;&atilde;o uma certa cultura de austeridade&rdquo;.<\/p>\n<p>Algo que se manifesta na &ldquo;hiperssensibilidade ao pre&ccedil;o, na valoriza&ccedil;&atilde;o do aforro (seguran&ccedil;a), na rejei&ccedil;&atilde;o de compromissos de mais largo prazo, sejam eles compras a cr&eacute;dito ou cl&aacute;usulas de fideliza&ccedil;&atilde;o, na reutiliza&ccedil;&atilde;o e na reciclagem&rdquo; de produtos, entre outros fen&oacute;menos identificados.<\/p>\n<p>&ldquo;Pela primeira vez desde que estuda o frugalismo&rdquo;, o Grupo C reconhece aquele comportamento como uma &ldquo;tend&ecirc;ncia de facto&rdquo; presente em Portugal.<\/p>\n<p>Num inqu&eacute;rito inserido no referido estudo, realizado a 612 pessoas residentes na Grande Lisboa e no Grande Porto, mulheres e homens com idade igual ou superior a 18 anos, 45 por cento dos inquiridos mostraram-se totalmente identificados com uma viv&ecirc;ncia &ldquo;menos consumista&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Uma franja significativa da popula&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a a estar efetivamente atenta ao desperd&iacute;cio, em conseguir que as coisas que tem durem mais e recetiva a mecanismos de troca fora do retalho tradicional, como seja o mercado em segunda m&atilde;o ou a pequena economia de subsist&ecirc;ncia caseira&rdquo;, sustentam os analistas de mercado.<\/p>\n<p>Em conversa mantida com diversos consumidores, os investigadores verificaram ainda muitas &ldquo;refer&ecirc;ncias espont&acirc;neas&rdquo; a um &ldquo;novo modo de estar na vida&rdquo;, onde predominam as &ldquo;hortas urbanas e as bicicletas substituem carros e transportes p&uacute;blicos&rdquo;, tudo em nome da redu&ccedil;&atilde;o de gastos financeiros.<\/p>\n<p>As pessoas procuram cada vez mais alternativas econ&oacute;micas de compra de produtos e o seu pensamento financeiro j&aacute; n&atilde;o est&aacute; apenas focado no presente mas no futuro.<\/p>\n<p>Catarina, de 26 anos, &ldquo;comprou os seus m&oacute;veis em institui&ccedil;&otilde;es de caridade&rdquo;, considerando que gestos como &ldquo;alugar, pedir emprestado, renovar ou reutilizar&rdquo; fazem parte do &ldquo;futuro&rdquo; da sociedade. J&aacute; Cl&aacute;udia, de 32 anos, sublinha que a crise fez com que procurasse mais alternativas para &ldquo;aumentar o dinheiro&rdquo; e fazer &ldquo;render o p&eacute;-de-meia&rdquo;.<\/p>\n<p>Um quadro que, segundo o Grupo C, est&aacute; a ser acompanhado atentamente pelas empresas, atrav&eacute;s de campanhas que visam &ldquo;massificar a compra e venda de objetos usados\/antigos&rdquo;, do &ldquo;fornecimento de produtos mais pequenos e mais baratos&rdquo;, de &ldquo;facilita&ccedil;&atilde;o das trocas em segunda m&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Apesar de o futuro ser ainda muito difuso, prevalece uma relevante certeza: ser&aacute; muito diferente do passado recente que se viveu&rdquo;, apontam os investigadores financeiros.<\/p>\n<p>Em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, o diretor executivo da &ldquo;CAIS&rdquo;, institui&ccedil;&atilde;o particular de solidariedade social que apoia centenas de sem abrigo na busca de emprego e de casa, reconhece que a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa &ldquo;est&aacute; a ser obrigada a ter outro tipo de comportamento&rdquo;, a n&iacute;vel financeiro e humano. No entanto, Henrique Pinto tem d&uacute;vidas de que essa mudan&ccedil;a se mantenha &ldquo;amanh&atilde;, com uma conjuntura diferente&rdquo;, mais favor&aacute;vel.<\/p>\n<p>&ldquo;O que falta, e que n&atilde;o &eacute; de esperar do p&uacute;blico adulto de hoje, &eacute; enraizar esta consci&ecirc;ncia, e isso aprende-se em casa e nas escolas&rdquo;, aponta o docente universit&aacute;rio, que n&atilde;o v&ecirc; &ldquo;mat&eacute;rias criadas para preencher essa necessidade&rdquo;.<\/p>\n<p>Para o l&iacute;der da CAIS, entidade sem fins lucrativos, apesar de existir &ldquo;um discurso di&aacute;rio, mais aberto ou mais particular&rdquo;, sobre a necessidade de rever a rela&ccedil;&atilde;o das pessoas com a economia, essa comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; traduzida num &ldquo;caminho obrigat&oacute;rio a fazer&rdquo;.<\/p>\n<p>Henrique Pinto d&aacute; o exemplo da discuss&atilde;o que est&aacute; a decorrer &agrave; volta do Estado Social, quando o &ldquo;imperativo&rdquo; deveria ser &ldquo;servir as pessoas&rdquo;. O problema &eacute; que &ldquo;a economia usa as pessoas para servirem o lucro e determinados prop&oacute;sitos ideol&oacute;gicos&rdquo;, complementa.<\/p>\n<p>Quanto &agrave; atua&ccedil;&atilde;o das IPSS, o diretor geral da CAIS entende que a crise deve levar a uma reconfigura&ccedil;&atilde;o de processos, sobretudo no que diz respeito a uma &ldquo;gest&atilde;o melhorada&rdquo;. &ldquo;As IPSS n&atilde;o podem continuar sempre de m&atilde;os estendidas na dire&ccedil;&atilde;o do Estado ou do p&uacute;blico, sem fazerem nada para se tornarem mais autossustent&aacute;veis e independentes&rdquo;, conclui.<\/p>\n<p><em>JCP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As an&aacute;lises socioecon&oacute;micas mais recentes confirmam que a crise financeira dos &uacute;ltimos anos fez com que os portugueses desenvolvessem uma rela&ccedil;&atilde;o mais contida e realista com os mercados e privilegiassem h&aacute;bitos de vida mais sustent&aacute;veis, mas ser&aacute; que essa mudan&ccedil;a veio para ficar? 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