{"id":58837,"date":"2012-11-13T11:22:25","date_gmt":"2012-11-13T11:22:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/13\/a-fe-ensina-a-viver-melhor\/"},"modified":"2012-11-13T11:22:25","modified_gmt":"2012-11-13T11:22:25","slug":"a-fe-ensina-a-viver-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-fe-ensina-a-viver-melhor\/","title":{"rendered":"A f\u00e9 ensina a viver melhor?"},"content":{"rendered":"<p>&#8230; cada vez estamos mais distantes da fonte, do original, do acontecimento, porque vivemos na novela dos coment\u00e1rios e das interpreta\u00e7\u00f5es.  <!--more--> <\/p>\n<p>A f&eacute;, manifestada em Jesus, ensina-nos a viver neste mundo. O nosso ponto de partida pode ser a passagem da Carta a Tito (Tt 2, 12), onde se diz a prop&oacute;sito de Jesus: <em>&ldquo;a gra&ccedil;a de Deus, fonte de salva&ccedil;&atilde;o, manifestou-se a todos os homens, ensinando-nos a viver neste mundo&rdquo;.<\/em>&nbsp; Esta frase &eacute; um desafio, antes de tudo, a tomarmos a s&eacute;rio a humanidade de Jesus como narrativa de Deus e do Homem. Nessa humanidade temos o caminho, a verdade e a vida.<\/p>\n<p>Hoje sentimos a necessidade muito grande de uma f&eacute; orientada para a vida. De uma f&eacute; que possa constituir uma arte de viver, um laborat&oacute;rio para uma exist&ecirc;ncia aut&ecirc;ntica e n&atilde;o apenas para a manuten&ccedil;&atilde;o de um conjunto de pr&aacute;ticas fragment&aacute;rias. E precisamos reencontrar ou reinventar, a partir da f&eacute;, uma gram&aacute;tica do humano. A f&eacute; &eacute; um exerc&iacute;cio muito concreto de confian&ccedil;a na narrativa de Deus que Jesus nos relata com a sua pr&oacute;pria vida, com o seu pr&oacute;prio corpo, os seus gestos, o seu sil&ecirc;ncio, a sua hist&oacute;ria, a po&eacute;tica da sua humanidade. Que se pode concluir ent&atilde;o? Que Deus, por exemplo, n&atilde;o bate a uma porta que n&oacute;s n&atilde;o temos, mas est&aacute; &agrave; nossa porta e bate; que Deus n&atilde;o est&aacute; numa &eacute;poca passada ou futura simplesmente, mas Deus emerge no nosso presente hist&oacute;rico e &eacute; a&iacute; (&eacute; aqui!) que o encontro com Ele se torna para n&oacute;s decisivo.&nbsp;<\/p>\n<p>H&aacute; um ensaio liter&aacute;rio de uma grande autora americana, Susan Sontag, onde ela se levanta contra a interpreta&ccedil;&atilde;o, porque diz, <em>&ldquo;O mundo encheu-se de coment&aacute;rios, j&aacute; s&oacute; vivemos de coisas em segunda m&atilde;o&rdquo;<\/em>. De facto, cada vez estamos mais distantes da fonte, do original, do acontecimento, porque vivemos na novela dos coment&aacute;rios e das interpreta&ccedil;&otilde;es. H&aacute; sempre mais uma interpreta&ccedil;&atilde;o que se sobrep&otilde;e, &agrave; maneira de cascas de cebola. Mas o que &eacute; a ess&ecirc;ncia do (nosso) problema? O que &eacute; o n&uacute;cleo fundamental? Isso como que nos escapa. E Sontag dizia que o que temos a fazer &eacute; ensinar a ver melhor, a ouvir melhor, a saborear melhor, a tocar melhor. No fundo, a exercitar melhor a nossa humanidade. Uma f&eacute; vivida aqui e agora &eacute; tamb&eacute;m uma f&eacute; que n&atilde;o se deixa capturar pelo labirinto epid&eacute;rmico dos meros coment&aacute;rios,&nbsp; mas arrisca-se a construir como uma aventura na ordem do ser.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jos&eacute; Tolentino Mendon&ccedil;a<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230; cada vez estamos mais distantes da fonte, do original, do acontecimento, porque vivemos na novela dos coment\u00e1rios e das interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-58837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58837\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}