{"id":58834,"date":"2012-11-13T11:15:49","date_gmt":"2012-11-13T11:15:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/13\/trabalho-e-criacao-de-emprego\/"},"modified":"2012-11-13T11:15:49","modified_gmt":"2012-11-13T11:15:49","slug":"trabalho-e-criacao-de-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/trabalho-e-criacao-de-emprego\/","title":{"rendered":"Trabalho e cria\u00e7\u00e3o de emprego"},"content":{"rendered":"<p>Manuel Carvalho da Silva, Observat\u00f3rio sobre Crises e Alternativas <!--more--> <\/p>\n<p>Escrevi recentemente em Vencer o Medo que &ldquo;As op&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas que v&atilde;o sendo adotadas chocam com os direitos no trabalho, com os direitos sociais fundamentais, com os direitos humanos, com a nossa cultura. Um fundamentalismo econ&oacute;mico\/gestion&aacute;rio de trapa&ccedil;a, colocado ao servi&ccedil;o do terrorismo financeiro, destr&oacute;i o indispens&aacute;vel equil&iacute;brio entre o econ&oacute;mico, o social, o cultural e o pol&iacute;tico nas mais diversas &aacute;reas da nossa vida individual e coletiva: o funcionamento e as decis&otilde;es das institui&ccedil;&otilde;es e da generalidade dos &oacute;rg&atilde;os de poder surgem-nos cada vez mais marcados por este aprisionamento, colocando em causa a dignidade dos cidad&atilde;os, o primado da lei caracter&iacute;stico de um Estado de Direito e a pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica.<\/p>\n<p>O fundamentalismo dos n&uacute;meros ao servi&ccedil;o de um ganancioso, louco e perigoso processo de agiotagem, coisifica tudo para gerar falsas rela&ccedil;&otilde;es de valores em que, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, a sobreviv&ecirc;ncia de um indiv&iacute;duo ou de uma fam&iacute;lia tem menos valor que uns tost&otilde;es, que pretensamente esse indiv&iacute;duo ou essa fam&iacute;lia est&atilde;o a dever a um qualquer capitalista que se move pelo mundo saqueando tudo. Neste processo, o valor do trabalho &ndash; por conta de outrem, mas tamb&eacute;m individual e de muitos pequenos e m&eacute;dios empres&aacute;rios &ndash; &eacute; manipulado no sentido de lhe provocar uma redu&ccedil;&atilde;o permanente. Por arrastamento, grande parte das atividades econ&oacute;micas de grande utilidade e criadoras de emprego s&atilde;o tamb&eacute;m condenadas ao desaparecimento.&rdquo;<\/p>\n<p>Nestes tempos de ebuli&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica em que no plano mundial, europeu e nacional est&aacute; em fermenta&ccedil;&atilde;o a emerg&ecirc;ncia de uma nova era, o estrebuchar dos &ldquo;velhos&rdquo; poderes que ainda nos governam, ou desgovernam, dos seus dogmas e &ldquo;valores&rdquo; est&aacute; a gerar destrui&ccedil;&atilde;o de trabalho humano &uacute;til na constru&ccedil;&atilde;o da dignidade de muitos milh&otilde;es de seres humanos, a provocar desemprego em massa, a tentar impor um retrocesso civilizacional, nomeadamente despindo o trabalho de direitos, ou seja, estilha&ccedil;ando o moderno conceito de emprego, que foi, como sabemos, a base de sustenta&ccedil;&atilde;o do progresso, de avan&ccedil;os na justi&ccedil;a social, ancoradouro da democracia e da paz para grande parte dos povos.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o como defender o valor do trabalho? Que pol&iacute;ticas propor para que se trave a destrui&ccedil;&atilde;o e se crie o emprego necess&aacute;rio?<\/p>\n<p>Fa&ccedil;amos um exerc&iacute;cio de mem&oacute;ria hist&oacute;rica. Quando em 1919, em Versalhes, foi criada a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT) as na&ccedil;&otilde;es assumiam que o desequil&iacute;brio nas rela&ccedil;&otilde;es entre capital e trabalho era a primeira causa de instabilidade nas sociedades e um enorme perigo para a paz. A den&uacute;ncia desse desequil&iacute;brio havia sido feita ao longo de d&eacute;cadas por diversas correntes de pensamento e tamb&eacute;m pela Igreja Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>Quando, em 10 de maio de 1944, perante os horrores da guerra, foi adotada a &ldquo;Declara&ccedil;&atilde;o de Filad&eacute;lfia&rdquo;, &ldquo;relativa aos fins e objetivos da OIT&rdquo;, os pa&iacute;ses assumiam que &ldquo;o trabalho n&atilde;o &eacute; uma mercadoria&rdquo; e que &ldquo;a pobreza, onde quer que exista, constitui um perigo para a prosperidade de todos&rdquo;.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m na &ldquo;Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos&rdquo;, de 10 de dezembro de 1948, encontramos as bases suficientes para nos orientarmos quanto ao lugar e ao valor do trabalho.<\/p>\n<p>O primeiro desafio que se nos coloca &eacute;, pois, o de lembrar estes compromissos para se evitar novos horrores, que podem resultar de cada vez mais injusta distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza e da sua utiliza&ccedil;&atilde;o ego&iacute;sta.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso travar a destrui&ccedil;&atilde;o dos direitos no trabalho e do direito do trabalho. H&aacute; que fazer op&ccedil;&otilde;es de investimento que favore&ccedil;am a resposta aos problemas concretos das pessoas, a cria&ccedil;&atilde;o de emprego e o crescimento econ&oacute;mico, em contraposi&ccedil;&atilde;o a um austeritarismo demolidor do desenvolvimento. Imp&otilde;e-se o &ldquo;retorno&rdquo; do econ&oacute;mico ao social com valoriza&ccedil;&atilde;o do trabalho, do emprego, do sal&aacute;rio e do tempo dos cidad&atilde;os. A responsabiliza&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o das pessoas t&ecirc;m de fazer-se a partir dessas op&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso apostar na produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os &uacute;teis ao desenvolvimento humano nos diversos setores de atividade, com um forte impulso de industrializa&ccedil;&atilde;o. Com outra utiliza&ccedil;&atilde;o da riqueza &eacute; poss&iacute;vel criar milhares de postos de trabalho de interesse em &aacute;reas novas de resposta &agrave;s express&otilde;es da crise do capitalismo, ou para fazer face &agrave;s exig&ecirc;ncias de grandes conquistas da humanidade, como o aumento da esperan&ccedil;a de vida ou o desenvolvimento do Estado Social.<\/p>\n<p>Entretanto n&atilde;o ignoremos um fator fundamental: novos caminhos de progresso e justi&ccedil;a s&oacute; se atingir&atilde;o com uma governa&ccedil;&atilde;o com autoridade moral e &eacute;tica, que paute os seus compromissos pela interpreta&ccedil;&atilde;o dos anseios e necessidades dos cidad&atilde;os, que seja rigorosa e fale verdade.<\/p>\n<p><em>Manuel Carvalho da Silva,<br \/>Observat&oacute;rio sobre Crises e Alternativas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Carvalho da Silva, Observat\u00f3rio sobre Crises e Alternativas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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