{"id":58829,"date":"2012-11-13T11:01:41","date_gmt":"2012-11-13T11:01:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/13\/funcoes-sociais-do-estado\/"},"modified":"2012-11-13T11:01:41","modified_gmt":"2012-11-13T11:01:41","slug":"funcoes-sociais-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/funcoes-sociais-do-estado\/","title":{"rendered":"Fun\u00e7\u00f5es sociais do Estado"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves, economista, Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p>As &uacute;ltimas gera&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;ram ao Estado uma enorme quantidade de tarefas no campo do apoio social, da sa&uacute;de &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, passando pela assist&ecirc;ncia, pens&otilde;es, prote&ccedil;&atilde;o civil, etc. S&atilde;o mecanismos relativamente recentes mas que todas as sociedades muito apreciam porque aumentam imenso a qualidade de vida. Acudindo a situa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis, da doen&ccedil;a ao desemprego, da velhice &agrave; pobreza, estes sistemas tornaram-se em poucas d&eacute;cadas pilares fundamentais da nossa sociedade.<\/p>\n<p>O consenso &eacute; t&atilde;o grande que n&atilde;o passa pela cabe&ccedil;a de ningu&eacute;m eliminar, ou sequer reduzir o Estado social. Apesar disso ouve-se a cada passo falar disso, surgindo cont&iacute;nuos avisos acerca das amea&ccedil;as contra o sistema, por parte de alguns autonomeados defensores. Parece que h&aacute; uma conspira&ccedil;&atilde;o sinistra de alguns perversos que n&atilde;o conseguem tolerar o nosso bem-estar. Estas certezas geram as habituais rea&ccedil;&otilde;es, do furor indignado &agrave; penit&ecirc;ncia compungida. De onde vem tudo isto?<\/p>\n<p>O centro do problema &eacute; financeiro e est&aacute; na sustentabilidade. O &uacute;nico mal &eacute; que, por muito populares e poderosos que sejam, os sistemas de apoio social n&atilde;o podem fugir &agrave;s regras da aritm&eacute;tica. &Eacute; preciso garantir suporte econ&oacute;mico para m&aacute;quinas que se tornaram enormes, precisamente para assegurar o n&uacute;mero crescente das responsabilidades que lhes competem. Mas esse suporte tem, felizmente, condi&ccedil;&otilde;es muito favor&aacute;veis devido ao j&aacute; referido consenso social &agrave; volta do Estado social. De onde vem ent&atilde;o a dificuldade? Existem duas fontes de problemas que podem transformar esta quest&atilde;o simples numa enorme dificuldade.<\/p>\n<p>O primeiro &eacute; a irresponsabilidade de muitos que atiram para cima do sistema custos e responsabilidades que ele n&atilde;o consegue suportar. Infelizmente o oportunismo pol&iacute;tico tem repetidamente manipulado os termos financeiros do processo, fazendo assim perigar a sua sustentabilidade. Os piores inimigos do Estado-provid&ecirc;ncia s&atilde;o os que se dizem seus dedicados defensores.<\/p>\n<p>A primeira atitude de quem diz defender o papel do Estado na sociedade deveria ser de seriedade na gest&atilde;o e cuidados na solidez. Mas s&atilde;o alguns dos mais vociferantes defensores do Estado social que criam as pol&iacute;ticas que o minam. No caso das pens&otilde;es, por exemplo, a ideia de reduzir a idade de reforma diante de um aumento da esperan&ccedil;a de vida representa uma loucura t&atilde;o evidente que s&oacute; pode ser tida como um ataque ao Estado social. Pior, quando depois algu&eacute;m pretende fazer as restrutura&ccedil;&otilde;es para tornar o sistema sustent&aacute;vel, os mesmos que o atacaram mascaram-se de protetores e descarregam as suas culpas sobre os que as tentam corrigir.<br \/>Aqui surge um segundo problema que &eacute; a oposi&ccedil;&atilde;o entre os interesses dos cidad&atilde;os e dos funcion&aacute;rios dos sistemas de apoio. Aquilo que muitos apresentam como agress&atilde;o aos direitos sociais s&atilde;o apenas medidas que afetam, n&atilde;o a efic&aacute;cia do Estado social, mas as conveni&ecirc;ncias diretas dos que nele trabalham. A press&atilde;o pol&iacute;tica dos agentes do Estado-provid&ecirc;ncia &eacute; poderosa, e tem pouco a ver com o Estado e com a sociedade. Mas considera-se a si mesma representiva de ambas.<\/p>\n<p>&Eacute; evidente que num momento de t&atilde;o grande aperto nacional, ap&oacute;s d&eacute;cadas de facilidade e esbanjamento, todos os elementos sociais t&ecirc;m de ser revistos. Quando a seguran&ccedil;a social representa mais de um quarto da despesa total das administra&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas (sem contar com sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o etc.), s&atilde;o indispens&aacute;veis a&iacute; ajustes e poupan&ccedil;as. Apelidar isso de ataque ou mesmo destrui&ccedil;&atilde;o do Estado social &eacute; uma total irresponsabilidade. Irresponsabilidade, n&atilde;o apenas em si mesmo, mas tamb&eacute;m por outra raz&atilde;o. &Eacute; que se um dia vierem a existir verdadeiras amea&ccedil;as, esses avisos ser&atilde;o misturados com as tolices atuais, e perdem muito do seu valor.<br \/>Em qualquer caso, a conclus&atilde;o &eacute; simples: o Estado social &eacute; um bem demasiado precioso para ser tratado desta forma displicente e irrespons&aacute;vel. Felizmente a grande maioria dos cidad&atilde;os portugueses &eacute; sensata e por isso n&atilde;o s&atilde;o de esperar grandes mudan&ccedil;as no Estado social. At&eacute; &eacute; poss&iacute;vel que um dia venhamos a ter um sustent&aacute;vel.<br \/><em><br \/>Jo&atilde;o C&eacute;sar das Neves, economista<br \/>Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves, economista, Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-58829","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58829"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58829\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}