{"id":58820,"date":"2012-11-12T16:23:00","date_gmt":"2012-11-12T16:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/12\/discurso-de-abertura-da-180-a-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa\/"},"modified":"2012-11-12T16:23:00","modified_gmt":"2012-11-12T16:23:00","slug":"discurso-de-abertura-da-180-a-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-abertura-da-180-a-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa\/","title":{"rendered":"Discurso de Abertura da 180.\u00aa Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p>Senhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico<\/p>\n<p>Senhores Arcebispos e Bispos<\/p>\n<p>Senhora Presidente e Senhor Vice-Presidente da CIRP<\/p>\n<p>Senhora Presidente da CNISP<\/p>\n<p>Senhores Agentes da Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Iniciamos os trabalhos da 180.&ordf; Assembleia Plen&aacute;ria da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa. Em ambiente de fraternidade colegial, sa&uacute;do o Senhor D. Ant&oacute;nio Moiteiro Ramos, Bispo Auxiliar de Braga, a participar, pela primeira vez, nesta Assembleia. Pe&ccedil;o-vos tamb&eacute;m para recordarmos com saudade aqueles que o Senhor recentemente chamou a ultrapassar a fronteira da morte: D. Albino Mamede Cleto e D. Aur&eacute;lio Granada Escudeiro. A Eucaristia ser&aacute; o momento de dar a essa saudade a densidade da caridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. H&aacute; 50 anos teve in&iacute;cio o Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II que, como acontecimento e pelo Magist&eacute;rio que proferiu, revalorizou e recentrou nas fontes da Tradi&ccedil;&atilde;o o nosso minist&eacute;rio apost&oacute;lico de Pastores. O Conc&iacute;lio, experi&ecirc;ncia extraordin&aacute;ria do minist&eacute;rio dos Bispos, sucessores dos Ap&oacute;stolos, exprimiu-se como &oacute;rg&atilde;o supremo de Magist&eacute;rio na defesa e promo&ccedil;&atilde;o das verdades da f&eacute;, desde que em comunh&atilde;o com o Sucessor de Pedro, mas criou um dinamismo de trabalho em comunh&atilde;o dos Bispos das diversas regi&otilde;es do mundo, congregando-se em assembleias e projetos din&acirc;micos que, embora n&atilde;o sendo express&otilde;es completas do Magist&eacute;rio Colegial, s&atilde;o convidados a exercer o seu minist&eacute;rio de pastores com afeto colegial, sempre em comunh&atilde;o com o Sucessor de Pedro, express&atilde;o viva da Igreja-comunh&atilde;o. O pr&oacute;prio Papa no exerc&iacute;cio do seu minist&eacute;rio petrino recorre a este dinamismo colegial. &Eacute; o caso do S&iacute;nodo dos Bispos que recentemente terminou mais uma reuni&atilde;o, indicando ao Santo Padre o que a Igreja sente e deseja como caminhos novos da sua miss&atilde;o evangelizadora. Inspirar-me-ei na Mensagem final deste S&iacute;nodo para fazer algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre as exig&ecirc;ncias presentes do nosso minist&eacute;rio de Pastores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. O S&iacute;nodo assumiu de novo a afirma&ccedil;&atilde;o de Paulo VI na &ldquo;Evangelii Nuntiandi&rdquo;: a Igreja para ser evangelizadora tem de ser continuamente evangelizada. As nossas Igrejas precisam de reavivar e aprofundar a f&eacute; que corre o risco de se eclipsar no atual quadro cultural das nossas sociedades, definhando mesmo em muitos batizados. A&iacute; est&aacute; um desafio ao nosso projeto de repensar a pastoral em ordem a um dinamismo unificador.<\/p>\n<p>N&atilde;o esque&ccedil;amos que a principal express&atilde;o da f&eacute; &eacute; a caridade que nos h&aacute; de levar a edificar uma Igreja acolhedora e verdadeira experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o fraterna.<\/p>\n<p>Estamos reunidos num momento particularmente exigente e dif&iacute;cil para muitos dos nossos diocesanos, de um modo especial para as fam&iacute;lias onde o desemprego e a austeridade exigida, trouxeram sofrimento e, por vezes, fizeram perder a esperan&ccedil;a. A Mensagem dos Padres Sinodais &eacute; mobilizadora: &ldquo;Conscientes de que o Senhor &eacute; o guia da Hist&oacute;ria e que o mal n&atilde;o ter&aacute; a &uacute;ltima palavra, os Bispos reunidos em S&iacute;nodo convidam os crist&atilde;os a vencer, pela f&eacute;, o medo e a olhar o mundo com coragem e serenidade&rdquo;.<\/p>\n<p>Este &eacute; tamb&eacute;m o nosso apelo, coragem e serenidade. &Eacute; uma palavra escudada numa forte experi&ecirc;ncia de solidariedade e partilha fraterna. Essa &eacute; a nossa principal resposta &agrave; crise que estamos a viver. Nessa partilha a Igreja manifesta-se como casa acolhedora, que ao partilhar o que tem semeia a esperan&ccedil;a e fortifica a coragem. Alarguemos a partilha, que cada crist&atilde;o esteja atento ao seu vizinho, que &eacute; o seu pr&oacute;ximo, aceitemos a colabora&ccedil;&atilde;o com outras iniciativas de solidariedade. N&atilde;o &eacute; uma comunidade nacional dividida, mas solid&aacute;ria, que poder&aacute; enfrentar estes tempos dif&iacute;ceis. Na linha da Mensagem dos Padres Sinodais devemos acreditar que as dificuldades e os sofrimentos que acarretam podem representar oportunidades de evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. A Mensagem faz uma refer&ecirc;ncia especial &agrave;s fam&iacute;lias como lugar natural da evangeliza&ccedil;&atilde;o e convida a Igreja, os pol&iacute;ticos e toda a sociedade a socorrer e fortalecer as fam&iacute;lias. Algumas an&aacute;lises do momento presente consideram que &eacute; sobretudo a fam&iacute;lia que &eacute; mais atingida pelas exig&ecirc;ncias da austeridade. N&atilde;o temos possibilidade, nem &eacute; nossa miss&atilde;o, encontrar solu&ccedil;&otilde;es alternativas; mas &eacute; nossa miss&atilde;o estar com as fam&iacute;lias para que as dificuldades materiais n&atilde;o as anulem como lugar de amor, de conviv&ecirc;ncia, de discernimento e de coragem para lutar. Que as fam&iacute;lias que podem sejam solid&aacute;rias com as fam&iacute;lias que precisam; que as que lutam com coragem sejam fermento da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Os Padres Sinodais sublinham a import&acirc;ncia de a Igreja estar em di&aacute;logo com diversos setores da sociedade: a cultura, a ci&ecirc;ncia, a pol&iacute;tica. A esta pede-se, em todas as suas express&otilde;es e organiza&ccedil;&otilde;es &ldquo;um compromisso desinteressado e transparente em favor do bem-comum&rdquo;. A consci&ecirc;ncia do bem-comum sup&otilde;e a experi&ecirc;ncia da dimens&atilde;o comunit&aacute;ria da sociedade e dessa consci&ecirc;ncia a Igreja tem obriga&ccedil;&atilde;o de ser fermento. Estar&aacute; a nossa popula&ccedil;&atilde;o, nas diversas manifesta&ccedil;&otilde;es do seu descontentamento, consciente de que o bem-comum da nossa sociedade pode estar amea&ccedil;ado e que, se isso acontecer, ser&atilde;o os mais pobres e desfavorecidos que mais sofrer&atilde;o? N&atilde;o seria necess&aacute;ria mais informa&ccedil;&atilde;o, objetiva e verdadeira sobre os problemas reais e as solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis?<\/p>\n<p>S&oacute; haver&aacute; preocupa&ccedil;&atilde;o com o bem-comum de toda a sociedade se houver, ao n&iacute;vel cultural e &eacute;tico, respeito e cultivo da dignidade da pessoa humana, que se exprime na solidariedade e no empenho comunit&aacute;rio. Os ego&iacute;smos e individualismos n&atilde;o levam &agrave; solu&ccedil;&atilde;o dos problemas, nem das pessoas, nem da sociedade.<\/p>\n<p>A principal express&atilde;o da dignidade da pessoa humana &eacute; a liberdade. Esta s&oacute; pode ser condicionada pela pr&oacute;pria liberdade. Ser livre significa que cada pessoa, perante as dificuldades e os riscos, decide da atitude a tomar e &eacute; a generosidade da liberdade que afirma a sua dignidade. Para este exerc&iacute;cio nobre da liberdade sup&otilde;e-se informa&ccedil;&atilde;o, acesso &agrave; verdade das situa&ccedil;&otilde;es, porque a liberdade exige discernimento. &Eacute; miss&atilde;o da Igreja, no seu di&aacute;logo pastoral com as pessoas, ajudar neste discernimento.<\/p>\n<p>H&aacute; liberdades constitucionais e jur&iacute;dicas que a Igreja respeita, tais como o direito a manifestar-se, a fazer greve, etc., desde que seja nos par&acirc;metros da Lei e da ordem democr&aacute;tica estabelecida. Mas o exerc&iacute;cio dessas liberdades pode ser motivado pela preocupa&ccedil;&atilde;o do bem-comum. O exerc&iacute;cio generoso da liberdade &eacute; a mais nobre manifesta&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria liberdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. Ao referirem-se &agrave;s Igrejas da Europa, os Padres Sinodais na sua Mensagem, dirigem-nos palavras de esperan&ccedil;a. &ldquo;A Europa, embora marcada por uma seculariza&ccedil;&atilde;o, por vezes agressiva e ferida pelos regimes passados, criou uma cultura humanista capaz de dar rosto &agrave; dignidade humana da pessoa e &agrave; edifica&ccedil;&atilde;o do bem-comum. Os crist&atilde;os europeus n&atilde;o devem deixar-se abater pelas dificuldades do presente, mas aceit&aacute;-las como um desafio&rdquo;.<\/p>\n<p>Aceitemos esse desafio nos nossos trabalhos que hoje iniciamos. Que tudo o que dissermos e fizermos seja express&atilde;o do nosso amor de Pastores e que a nossa solicitude seja inspiradora de coragem para quem aceitar escutar-nos. Que Nossa Senhora de F&aacute;tima, em cujo Santu&aacute;rio estamos reunidos, nos inspire e nos proteja.<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 12 de novembro de 2012<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa e presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico Senhores Arcebispos e Bispos Senhora Presidente e Senhor Vice-Presidente da CIRP Senhora Presidente da CNISP Senhores Agentes da Comunica&ccedil;&atilde;o Social &nbsp; 1. Iniciamos os trabalhos da 180.&ordf; Assembleia Plen&aacute;ria da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa. Em ambiente de fraternidade colegial, sa&uacute;do o Senhor D. 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