{"id":58786,"date":"2012-11-08T12:16:52","date_gmt":"2012-11-08T12:16:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/08\/comunicado-dos-movimentos-operarios-cristaos-de-portugal-e-espanha-sobre-a-jornada-europeia-de-greves-gerais-e-manifestacoes-de-14-de-novembro\/"},"modified":"2012-11-08T12:16:52","modified_gmt":"2012-11-08T12:16:52","slug":"comunicado-dos-movimentos-operarios-cristaos-de-portugal-e-espanha-sobre-a-jornada-europeia-de-greves-gerais-e-manifestacoes-de-14-de-novembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunicado-dos-movimentos-operarios-cristaos-de-portugal-e-espanha-sobre-a-jornada-europeia-de-greves-gerais-e-manifestacoes-de-14-de-novembro\/","title":{"rendered":"Comunicado dos Movimentos Oper\u00e1rios Crist\u00e3os de Portugal e Espanha sobre a jornada europeia de greves gerais e manifesta\u00e7\u00f5es de 14 de novembro"},"content":{"rendered":"<p>A Confedera&ccedil;&atilde;o Europeia de Sindicatos (CES) convocou uma jornada de a&ccedil;&atilde;o e solidariedade para 14 de novembro. Esta jornada adotar&aacute; diversas formas: greves, manifesta&ccedil;&otilde;es, concentra&ccedil;&otilde;es e outras a&ccedil;&otilde;es. Perante esta realidade importante e hist&oacute;rica para a vida dos trabalhadores e trabalhadoras dos nossos pa&iacute;ses e para quem sofre a chaga do desemprego, os movimentos oper&aacute;rios crist&atilde;os de Espanha e Portugal louvam esta iniciativa e tornam p&uacute;blica a sua posi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As taxas de pobreza e exclus&atilde;o dos nossos pa&iacute;ses do sul da Europa est&atilde;o a aumentar a um ritmo vertiginoso. H&aacute; um ataque profundo aos direitos sociais e &agrave;<strong>&nbsp;prote&ccedil;&atilde;o das pessoas e fam&iacute;lias trabalhadoras<\/strong>,<strong>&nbsp;<\/strong>com a desculpa de dar prioridade &agrave; redu&ccedil;&atilde;o do d&eacute;fice e ao pagamento da d&iacute;vida. Uma d&iacute;vida que &eacute; ileg&iacute;tima ao ter origem em empr&eacute;stimos que foram concedidos e geridos de maneira duvidosa e que atentam contra a dignidade da vida dos cidad&atilde;os e p&otilde;em em perigo a conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica entre os povos. A pol&iacute;tica europeia, que induziu medidas desastrosas em alguns dos estados membros, declarou como prioridade a salva&ccedil;&atilde;o do sistema financeiro e dos bancos, em vez de resgatar as pessoas. A d&iacute;vida p&uacute;blica est&aacute; a converter-se num mecanismo de transi&ccedil;&atilde;o da riqueza dos pobres para os ricos. Por isso, cada vez h&aacute; mais pessoas com empregos prec&aacute;rios ou jovens que n&atilde;o encontram trabalho e com um futuro incerto. As consequ&ecirc;ncias destas decis&otilde;es afetam o conjunto da sociedade mas, principalmente, os setores mais d&eacute;beis e empobrecidos do mundo do trabalho. Estas consequ&ecirc;ncias conduzem ao empobrecimento generalizado, &agrave; perda de coes&atilde;o social e dos horizontes de vida. Os grupos mais castigados s&atilde;o os imigrantes, os jovens, as mulheres, desempregados de longa dura&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p>Este ano, na Igreja celebramos &ldquo;o Ano da f&eacute;&rdquo;. Como parte dela, somos convidados a aprofundar a reflex&atilde;o do Catecismo da Igreja, onde lemos:&nbsp;<em>&ldquo;A regulamenta&ccedil;&atilde;o unicamente pela lei do mercado vai contra a justi&ccedil;a social, &laquo;pois h&aacute; muitas necessidades humanas que n&atilde;o podem ser atendidas pelo mercado&raquo;. &Eacute; preciso preconizar uma regulamenta&ccedil;&atilde;o racional do mercado e das iniciativas econ&oacute;micas, de acordo com uma justa hierarquia de valores e com vista ao bem comum.&rdquo;<\/em>&nbsp;(CIC, 2425)<\/p>\n<p>N&oacute;s, que integramos estes movimentos, entendemos que quem deve promover esta regula&ccedil;&atilde;o razo&aacute;vel do mercado s&atilde;o os governos. Mas na situa&ccedil;&atilde;o atual, os nossos governos s&atilde;o s&uacute;bditos da situa&ccedil;&atilde;o financeira e a &uacute;nica sa&iacute;da que nos oferecem s&atilde;o pol&iacute;ticas de cortes, que diminuem claramente os direitos dos trabalhadores no que respeita a situa&ccedil;&otilde;es anteriores. E constatamos que, em muitos anos das nossas democracias, os trabalhadores e os mais d&eacute;beis s&atilde;o sempre os que mais perdem, mesmo nas negocia&ccedil;&otilde;es em concerta&ccedil;&atilde;o social.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A pol&iacute;tica que se est&aacute; a desenvolver esqueceu o sentido da justi&ccedil;a e de um trabalho em defesa da fraternidade e do bem comum<strong>.&nbsp;<\/strong><strong>Por isso, o primeiro passo para tentar inverter esta situa&ccedil;&atilde;o de conflito &eacute; o di&aacute;logo.<\/strong> Quando este n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel a pr&oacute;pria Igreja reconhece a legitimidade do recurso&nbsp;<em>&ldquo;&agrave; greve n&atilde;o violenta, quando se apresenta como instrumento necess&aacute;rio, com vista a um melhoramento proporcionado e tendo em conta o bem comum&rdquo;<\/em>&nbsp;(CIC, 517).<\/p>\n<p>Precisamente por esta raz&atilde;o, entendemos que esta convocat&oacute;ria &agrave; greve geral e &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es em toda a Europa s&atilde;o justificadas. As pol&iacute;ticas ao servi&ccedil;o das pessoas e das suas necessidades b&aacute;sicas deveriam ter prioridade m&aacute;xima face aos interesses dos mercados e, enquanto n&atilde;o for assim, entendemos que existe legitimidade para agir em defesa dos direitos das pessoas e das fam&iacute;lias trabalhadoras. Por sua vez reivindicamos, como marco desta Jornada Europeia de a&ccedil;&atilde;o e solidariedade, o papel da pol&iacute;tica e, em especial, dos sindicatos, que s&atilde;o a principal defesa organizada dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Uma das terr&iacute;veis consequ&ecirc;ncias, causadas por esta regress&atilde;o social, &eacute; o aparecimento de um sentimento geral de medo. Um estado de medo e de incerteza que se foi instalando para condicionar as expetativas e os projetos pessoais e familiares das pessoas: o medo de perder o emprego, que faz aceitar todo o tipo de precariedade; o medo das retalia&ccedil;&otilde;es por participar em a&ccedil;&otilde;es de protesto; o medo, igualmente, por apoiar uma convocat&oacute;ria de greve&hellip;<\/p>\n<p>Apelamos por isso<strong> <\/strong>aos pol&iacute;ticos, sindicatos, empres&aacute;rios, entidades financeiras e aos demais intervenientes, que atuem com responsabilidade perante a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o atual, que pode vir a piorar no caso de se esquecerem deste princ&iacute;pio b&aacute;sico de humanidade:&nbsp;<em>&ldquo;as necessidades dos pobres devem ter prefer&ecirc;ncia sobre os desejos dos ricos; os direitos dos trabalhadores, sobre o aumento dos benef&iacute;cios&rdquo;<\/em>&nbsp;(Jo&atilde;o Paulo II, Toronto 1984).<\/p>\n<p>A terminar recordamos as palavras dos bispos, que participaram no recente S&iacute;nodo sobre a Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o, celebrado em outubro: &ldquo;<em>Ao mundo&nbsp;<strong>da economia e do trabalho<\/strong>&nbsp;queremos recordar como da luz do Evangelho surgem alguns apelos urgentes: libertar o trabalho das condi&ccedil;&otilde;es que, n&atilde;o poucas vezes, o transformam num peso insuport&aacute;vel com uma perspetiva incerta, amea&ccedil;ada pelo desemprego, especialmente entre os jovens; p&ocirc;r a pessoa humana no centro do desenvolvimento econ&oacute;mico e pensar este mesmo desenvolvimento como uma ocasi&atilde;o de crescimento da humanidade na justi&ccedil;a e unidade.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Madrid,&nbsp;Lisboa, Bruxelas, 7&nbsp;de novembro de 2012<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Liga Oper&aacute;ria Cat&oacute;lica\/Movimento de Trabalhadores Crist&atilde;os<br \/>Juventude Oper&aacute;ria Cat&oacute;lica<br \/>Hermandad Obrera de Acci&oacute;n Cat&oacute;lica<br \/>Acci&oacute;n Cat&oacute;lica Obrera<br \/>Juventud Obrera Cristiana<br \/>Movimento de Trabalhadores Crist&atilde;os da Europa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Confedera&ccedil;&atilde;o Europeia de Sindicatos (CES) convocou uma jornada de a&ccedil;&atilde;o e solidariedade para 14 de novembro. 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