{"id":5876,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/revisao-da-concordata\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"revisao-da-concordata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/revisao-da-concordata\/","title":{"rendered":"Revis\u00e3o da concordata?"},"content":{"rendered":"<p>Coment\u00e1rio de Ant\u00f3nio Leite, Canonista  <!--more--> Segundo parece, vai proceder-se \u00e0 revis\u00e3o da Concordata assinada a 7 de Maio de 1940 entre a Igreja Cat\u00f3lica, representada pela Santa S\u00e9 e Portugal, representado pelos seus governantes.  O que \u00e9 uma Concordata? \u00e9 um verdadeiro tratado ou contrato que obriga as partes contratantes, neste caso a Igreja Cat\u00f3lica e o Estado Portugu\u00eas os quais se comprometem a observar as disposi\u00e7\u00f5es acordadas sobre pontos de interesse comum.  \u00c9 um tratado muito semelhante aos tratados que se celebram frequentemente entre dois ou mais Estados. Por exemplo, muito recentemente foi celebrado um tratado entre Portugal e a Espanha acerca da utiliza\u00e7\u00e3o dos rios comuns aos dois pa\u00edses.  A Lei da Separa\u00e7\u00e3o de 21 de Abril de 1911, da autoria de Afonso Costa, era sumamente injusta e persecut\u00f3ria para com a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal. Urgia sanar a situa\u00e7\u00e3o e algumas arestas mais chocantes j\u00e1 tinham sido limadas durante a presid\u00eancia de Sid\u00f3nio Pais (1919) e logo a seguir \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de 1926.  Mas urgia ir mais al\u00e9m para, como se diz no pr\u00f3logo da Concordata, &#8220;regular por m\u00fatuo acordo e de modo est\u00e1vel a situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal para a Paz e maior bem da Igreja e o Estado&#8221;. Para tanto, as duas altas partes contratantes, Santa S\u00e9 e governantes portugueses, &#8220;resolveram concluir entre si uma solene Conven\u00e7\u00e3o que reconhe\u00e7a e garanta a liberdade da Igreja e salvaguarde os leg\u00edtimos interesses da Na\u00e7\u00e3o Portuguesa.&#8221;.  A Concordata foi assinada ap\u00f3s longas e dif\u00edceis negocia\u00e7\u00f5es, que duraram v\u00e1rios anos, entre a Santa S\u00e9 e o governo portugu\u00eas.  Reconhece a personalidade jur\u00eddica p\u00fablica (internacional) da Igreja Cat\u00f3lica e mant\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas por meio de um N\u00fancio Apost\u00f3lico em Portugal e um Embaixador de Portugal junto da Santa S\u00e9 (art. 1\u00ba): garante a plena liberdade de organiza\u00e7\u00e3o e actua\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal, a livre comunica\u00e7\u00e3o entre a Santa S\u00e9 e os cat\u00f3licos portugueses e dos Bispos com os seus fi\u00e9is (art. II) e a liberdade de culto (art. XVI). Garante-se tamb\u00e9m a liberdade de constitui\u00e7\u00e3o e funcionamento de associa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es ou funda\u00e7\u00f5es religiosas, com capacidade para possu\u00edrem bens (art. III e IV), restituem-se \u00e0 Igreja os bens violentamente confiscados pela Lei da Separa\u00e7\u00e3o que estivessem na posse do Estado e n\u00e3o aplicados a servi\u00e7os p\u00fablicos. Na realidade, quase s\u00f3 foram restitu\u00eddas as igrejas pois tudo o mais tinha sido vendido pelo Estado, ou estava aplicado a servi\u00e7os p\u00fablicos (art. VI).  Concedem-se algumas pequenas e justificadas isen\u00e7\u00f5es fiscais \u00e0s igrejas e semin\u00e1rios e aos eclesi\u00e1sticos pelo exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio espiritual (art. VIII).  Garante-se tamb\u00e9m a assist\u00eancia espiritual aos hospitais, \u00e0s for\u00e7as armadas, estabelecimentos de assist\u00eancia espiritual, asilos e outros similares (art. XVII e XVIII); liberdade de ensino e de funda\u00e7\u00e3o de escolas de todos os graus. Estabelece-se o ensino da religi\u00e3o e moral cat\u00f3licas aos alunos cujos pais n\u00e3o tiverem pedido isen\u00e7\u00e3o (art. XX e XXI); reconhecem-se efeitos civis aos casamentos cat\u00f3licos (art. XXII a XXV) e determinam-se v\u00e1rias disposi\u00e7\u00f5es acerca do Padroado Portugu\u00eas do Oriente e das miss\u00f5es no Ultramar (art. XVI a XXIX), hoje caducadas depois da transfer\u00eancia da soberania de Goa e Macau para a \u00cdndia e a China, e da independ\u00eancia dos outros territ\u00f3rios do Ultramar portugu\u00eas.  H\u00e1 ainda outras estipula\u00e7\u00f5es, de menor import\u00e2ncia.  Pelo Protocolo de 15 de Fevereiro de 1975 foi revisto o art. XXIV da Concordata que proibia o div\u00f3rcio \u00e0s pessoas casadas catolicamente, que passou a ser-lhes permitido civilmente.  Quais ser\u00e3o as disposi\u00e7\u00f5es da Concordara que ir\u00e3o ser alteradas? N\u00e3o o sabemos. Tem havido algumas propostas, inclusive na Assembleia da Rep\u00fablica que v\u00e3o desde a aboli\u00e7\u00e3o pura e simples da Concordata, passando a Igreja Cat\u00f3lica a ficar submetida apenas \u00e0s prescri\u00e7\u00f5es da nova Lei da Liberdade Religiosa, em prepara\u00e7\u00e3o, ou \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o de algumas isen\u00e7\u00f5es fiscais, ao ensino religioso nas escolas, etc. Tudo isto se reivindica em nome n\u00e3o de uma simples laicidade do Estado estabelecida pela Constitui\u00e7\u00e3o, mas de um verdadeiro laicismo agressivo que pretende eliminar de toda a vida p\u00fablica o fen\u00f3meno religioso especialmente cat\u00f3lico, apesar de, segundo as estat\u00edsticas, a grande maioria dos portugueses se declararem cat\u00f3licos.  Ant\u00f3nio Leite  Canonista   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coment\u00e1rio de Ant\u00f3nio Leite, Canonista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[146,261,297],"class_list":["post-5876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-concordata","tag-missoes","tag-santa-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5876"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5876\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}