{"id":58757,"date":"2012-11-07T09:00:00","date_gmt":"2012-11-07T09:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/07\/a-semana-social-do-porto-uma-excelente-oportunidade-para-a-esperanca\/"},"modified":"2012-11-07T09:00:00","modified_gmt":"2012-11-07T09:00:00","slug":"a-semana-social-do-porto-uma-excelente-oportunidade-para-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-semana-social-do-porto-uma-excelente-oportunidade-para-a-esperanca\/","title":{"rendered":"A Semana Social do Porto: uma excelente oportunidade para a esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Se alguma coisa a Igreja Cat&oacute;lica tem para dizer aos portugueses, para al&eacute;m de reafirmar que &eacute; ela que assegura, pela a&ccedil;&atilde;o gratuita e comprometida dos seus crentes, que uma boa parte dos pobres e desempregados n&atilde;o caia no abismo, esta &eacute; a oportunidade. As janelas da hist&oacute;ria n&atilde;o est&atilde;o sempre escancaradas, raramente o est&atilde;o, ali&aacute;s. Vivemos na crista da onda de mudan&ccedil;as s&eacute;rias e profundas.<\/p>\n<p>A Semana Social de 2012, a decorrer no Porto de 23 a 25 de novembro (<a href=\"http:\/\/www.semanasocial.pt\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.semanasocial.pt\/<\/a>), constitui, pela sua dimens&atilde;o nacional e pela presen&ccedil;a quer dos movimentos e obras quer dos leigos mais comprometidos com as quest&otilde;es sociais do pa&iacute;s, essa oportunidade de a Igreja dizer em que &eacute; que funda, aqui e agora, a sua esperan&ccedil;a em dias diferentes e melhores, com mais justi&ccedil;a, dignidade e liberdade.<\/p>\n<p>N&atilde;o basta repetir sempre a mesma conversa, que j&aacute; sabe a pouco. Tamb&eacute;m n&atilde;o sei se &eacute; justo e adequado ao tempo presente, deixarmos os nossos bispos a falarem sozinhos sobre a crise que Portugal e a Europa vivem e sobre os modos de a ultrapassarmos. Somos n&oacute;s, os crist&atilde;os comprometidos na polis, nos mais variados lugares e dos mais variados modos, que temos de tomar a palavra. Este tempo n&atilde;o &eacute; nada prop&iacute;cio a meias respostas, meias tintas, palavrinhas redondas, seixinhos rolantes. Nem a esconderijos, mesmo que seja atr&aacute;s da hierarquia, pois a luz que se acende nos nossos cora&ccedil;&otilde;es e, um pouco por todo o lado, na sociedade portuguesa tem de ser colocada em cima da mesa. &Eacute; Cristo que quer falar e &eacute; o Esp&iacute;rito Santo que se est&aacute; a manifestar dos mais variados modos e pelas mais diversas bocas.<\/p>\n<p>O tema &ldquo;Estado Social e Sociedade Solid&aacute;ria&rdquo; foi escolhido h&aacute; mais de um ano e n&atilde;o vem a reboque de nenhum apelo &agrave; &ldquo;refunda&ccedil;&atilde;o&rdquo; do Estado e da sociedade. Mas ainda bem que h&aacute; esta espantosa coincid&ecirc;ncia. Temos de fazer desta Jornada de reflex&atilde;o o momento para tomarmos a palavra e dizermos: em que &eacute; que j&aacute; n&atilde;o acreditamos, que caminhos t&ecirc;m de ser abandonados, o que &eacute; que nos mobiliza hoje no nosso quotidiano, nos mais variados campos da a&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica, o que &eacute; que vale a pena ser, para al&eacute;m dos n&uacute;meros e gr&aacute;ficos, por que &eacute; vale a pena viver e dar a vida!<\/p>\n<p>A Doutrina Social da Igreja n&atilde;o &eacute; uma coisa de comp&ecirc;ndios, embora eles existam e sejam &uacute;teis. &Eacute; uma esperan&ccedil;a que se faz a&ccedil;&atilde;o, que sai das nossas m&atilde;os, que d&aacute; ritmo ao nosso cora&ccedil;&atilde;o e que, por isso, se v&ecirc; nos olhos dos que est&atilde;o desorientados, se sente nas m&atilde;os dos aflitos de todos os tipos, se percebe nos passos dos pobres e desempregados. E &eacute; sobre isto mesmo que &eacute; preciso virmos ao Porto para conversarmos, porque temos de ser mais fi&eacute;is e mais fortes e porque a realidade de hoje precisa de n&oacute;s, n&atilde;o por n&oacute;s e pelos nossos olhos, mas porque tem imensa sede do Amor de Deus; n&atilde;o, n&atilde;o pode ficar para depois, porque j&aacute; ser&aacute; tarde, as Semanas Sociais decorrem de tr&ecirc;s em tr&ecirc;s anos e Deus quer-nos aqui e agora a dizer, sem receios nem rodeios (n&atilde;o s&atilde;o s&oacute; os dirigentes dos partidos pol&iacute;ticos que est&atilde;o aflitos quanto ao que dizer e fazer!) as raz&otilde;es da nossa f&eacute; e da nossa esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Os pilares da Doutrina Social da Igreja, a saber, a dignidade da pessoa humana, a solidariedade, a subsidiariedade e a liberdade, que edif&iacute;cio &eacute; que seguram hoje e aqui? O mesmo tipo de Estado, com o mesmo tipo de democracia representativa, com o mesmo tipo de assistencialismo social, como mesmo tipo de participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os? At&eacute; onde vai a nossa cegueira ideol&oacute;gica, que nos impede de ouvir os apelos dos outros, sobretudo dos que mais sofrem, e da realidade? O que quer dizer hoje ser solid&aacute;rio, em Portugal e&nbsp; na Europa? E que &eacute; que isso tem a ver com a disponibilidade para estar junto dos mais aflitos, para lhes dar mais poder para serem pessoas aut&oacute;nomas e livres? Que rumos tem a sociedade portuguesa de seguir para crescer em solidariedade e em respeito pela dignidade da pessoa humana?<\/p>\n<p>As quest&otilde;es atuais n&atilde;o s&atilde;o simples para ningu&eacute;m.<\/p>\n<p>No blog do Secretariado Diocesano da Pastoral da Cultura do Porto, editei um pequeno texto sobre o ser pessoa, hoje. Creio que, nestes dias, &eacute; o pr&oacute;prio conceito de ser pessoa que est&aacute; em quest&atilde;o: confunde-se muito, nos dias de hoje, o ser pessoa com a consci&ecirc;ncia de si e at&eacute; com a manifesta&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias de cada um. Mas n&atilde;o, a pessoa &eacute; uma resposta a um apelo; um apelo que vem constantemente dos outros e do mundo que nos rodeia. O que nos vertebrera como seres &uacute;nicos &eacute; essa nossa capacidade &uacute;nica de responder a estes apelos ao longo de toda a vida, colocando-nos na posi&ccedil;&atilde;o de peregrinos: estamos sempre de partida, permanecemos toda a vida na ignor&acirc;ncia acerca do nosso lugar.<\/p>\n<p>Ou somos seres responsivos ou optamos, ainda que por omiss&atilde;o, por sermos seres vegetativos ou carneiros e ovelhas que se limitam a seguir o rebanho do ter, do salve-se quem puder, do ego&iacute;smo e do progressivo aniquilamento da vida. A verdade da nossa vida n&atilde;o a produzimos n&oacute;s, nem nos pertence. Ela &eacute; constru&iacute;da nessa resposta &agrave; verdade do mundo e da realidade, de modo inesperado.<\/p>\n<p>As m&uacute;ltiplas fantasias em que vivemos mergulhados, que nos trouxeram at&eacute; esta crise, n&atilde;o s&atilde;o nada alheias a este conceito do que &eacute; ser pessoa. Idealizamos, fantasiamo-nos como her&oacute;is, g&eacute;nios, grandes refer&ecirc;ncias constru&iacute;das de dentro para fora, escondidos atr&aacute;s de opini&otilde;es em cima de outras opini&otilde;es em cima de gr&aacute;ficos em cima de question&aacute;rios em cima de not&iacute;cias em cima de uma opacidade brutal que impede de ouvir e ver e sentir a realidade concreta que nos cerca e de nos ouvirmos a n&oacute;s mesmos.<\/p>\n<p>N&atilde;o somos sobreviventes, somos criadores; o que nos olha e convoca (chama, interpela, questiona), na incerteza, &eacute; o que nos d&aacute; o nosso futuro, o futuro com o rosto humano e digno de cada uma e de cada um. E. Housset lembra que &ldquo;a nossa esperan&ccedil;a &eacute; estrangeira a toda a certeza e a toda a probabilidade&rdquo;.<\/p>\n<p>Este &eacute; um tempo de extraordin&aacute;ria beleza, porque um tempo que Deus nos abre uma extraordin&aacute;ria brecha para o seu Amor.<\/p>\n<p><em>Joaquim Azevedo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se alguma coisa a Igreja Cat&oacute;lica tem para dizer aos portugueses, para al&eacute;m de reafirmar que &eacute; ela que assegura, pela a&ccedil;&atilde;o gratuita e comprometida dos seus crentes, que uma boa parte dos pobres e desempregados n&atilde;o caia no abismo, esta &eacute; a oportunidade. 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