{"id":58741,"date":"2012-11-16T11:27:00","date_gmt":"2012-11-16T11:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/16\/ouvir-as-razoes-de-quem-nao-cre\/"},"modified":"2012-11-16T11:27:00","modified_gmt":"2012-11-16T11:27:00","slug":"ouvir-as-razoes-de-quem-nao-cre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ouvir-as-razoes-de-quem-nao-cre\/","title":{"rendered":"Ouvir as raz\u00f5es de quem n\u00e3o cr\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>O presidente do Conselho Pontif\u00edcio da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, apresenta em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o projeto do \u2018\u00c1trio dos Gentios\u2019, uma iniciativa que valoriza a \u201cescuta\u201d de quem tem outras convic\u00e7\u00f5es, por parte da Igreja Cat\u00f3lica, e procura ir ao encontro dos grandes temas da vida <!--more--> <\/p>\n<p>Depois de Paris, Barcelona, Estocolmo, Tirana, Budapeste ou Floren&ccedil;a, entre outras cidades, o &Aacute;trio dos Gentios vai chegar a Portugal, em plena crise, para falar do valor da vida, de esperan&ccedil;a e da necessidade de resolver as quest&otilde;es fundamentais para se encontrarem solu&ccedil;&otilde;es para as &ldquo;pequenas coisas&rdquo;. Guimar&atilde;es e Braga, respetivamente capitais europeias da Cultura e da Juventude, acolhem a iniciativa, nos dias 16 e 17 de novembro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA &ndash; Como nasceu a ideia de criar um &laquo;&Aacute;trio dos Gentios&raquo;?<\/em><\/p>\n<p><em>Cardeal Gianfranco Ravasi <\/em>&ndash; A fonte, o ponto de partida &eacute; a interven&ccedil;&atilde;o de Bento XVI nas sauda&ccedil;&otilde;es &agrave; C&uacute;ria Romana, no Natal de 2009. Nessa ocasi&atilde;o, o Papa falou da necessidade de constituir uma esp&eacute;cie de &lsquo;&aacute;trio dos gentios&rsquo;, onde pudessem entrar os que n&atilde;o acreditam mas se interrogam sobre a transcend&ecirc;ncia, os grandes valores, a humanidade e, eventualmente, sobre o Deus desconhecido.<\/p>\n<p>N&oacute;s, como um Conselho Pontif&iacute;cio que tinha em si a tradi&ccedil;&atilde;o de ser o Secretariado para os N&atilde;o Crentes, criado ap&oacute;s o Conc&iacute;lio Vaticano II (1962-1965), pens&aacute;mos institucionalizar o &lsquo;&Aacute;trio dos Gentios&rsquo; como espa&ccedil;o de di&aacute;logo entre crentes e n&atilde;o crentes sobre os grandes temas: a verdade, a justi&ccedil;a, o direito, a arte, o amor, a morte, a palavra sagrada das tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, a transcend&ecirc;ncia, a ci&ecirc;ncia, o mal, a dor.<\/p>\n<p>Come&ccedil;&aacute;mos na Universidade da Bolonha (It&aacute;lia), num encontro sobre ci&ecirc;ncia, filosofia e literatura, antes de ir a Paris, para a grande inaugura&ccedil;&atilde;o [mar&ccedil;o de 2011], porque era considerada a capital mais laica, secularizada da Europa.<\/p>\n<p>Da&iacute; em diante, tivemos pedidos de dezenas e dezenas de cidades ou institui&ccedil;&otilde;es, religiosas e n&atilde;o crentes, pelo que estivemos em Floren&ccedil;a, para falar sobre a arte; em Palermo, sobre o direito, onde h&aacute; o problema da Mafia; em Bucareste e Tirana, encontr&aacute;mo-nos com os herdeiros do ate&iacute;smo; em Barcelona, para al&eacute;m da arte, houve o mundo da ci&ecirc;ncia, com o envolvimento de todas as universidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Este &eacute; um projeto que implica a capacidade de ouvir. Como tem sido recebido este desafio pela Igreja Cat&oacute;lica, mais habituada a uma din&acirc;mica do discurso do que da escuta?<\/em><\/p>\n<p><em>GR<\/em> &ndash; Este elemento a que se refere &eacute;, seguramente, o mais importante, porque a carater&iacute;stica fundamental [do &aacute;trio] est&aacute; numa palavra, que usamos quase como s&iacute;mbolo: o di&aacute;logo.<\/p>\n<p>A palavra, na sua origem grega, significa encontro de dois discursos: por isso, crentes e n&atilde;o crentes chegam com as suas raz&otilde;es, n&atilde;o &eacute; simplesmente para procurar um m&iacute;nimo denominador comum. &Eacute; antes a possibilidade de dizer com clareza, de forma elevada e tamb&eacute;m de forma popular, qual &eacute; a identidade de crentes e n&atilde;o crentes sobre os temas fundamentais da vida e, se quisermos, do mist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Por isso, a escuta &eacute; fundamental: n&atilde;o se pode fazer um &lsquo;&Aacute;trio dos Gentios&rsquo; s&oacute; com crentes ou n&atilde;o crentes. Hoje, al&eacute;m das dioceses, h&aacute; organiza&ccedil;&otilde;es laicas que se organizam e nos convidam, como aconteceu na Cidade do M&eacute;xico, onde irei em maio [2013], onde um professor, um fil&oacute;sofo n&atilde;o crente iniciou este percurso. A Igreja, neste caso, coloca-se numa posi&ccedil;&atilde;o de observadora das raz&otilde;es que transporta a pr&oacute;pria raz&atilde;o.<\/p>\n<p>Acredito que esta seja uma forma de celebrar, de forma nova, o Conc&iacute;lio Vaticano II.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O &uacute;ltimo S&iacute;nodo dos Bispos (7-28 de outubro, Vaticano), sobre a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, fez refer&ecirc;ncia ao &aacute;trio nas propostas que entregou ao Papa. Este &eacute; um projeto para a convers&atilde;o dos n&atilde;o crentes?<\/em><\/p>\n<p><em>GR <\/em>&ndash; N&atilde;o, n&atilde;o. Diria antes que &eacute; muito semelhante ao &lsquo;kerygma&rsquo;, isto &eacute;, ao an&uacute;ncio. Dou como exemplo a passagem de S&atilde;o Paulo pelo are&oacute;pago [Atenas]: ele est&aacute; num contexto cultural completamente diferente e adota uma linguagem que &eacute; compreens&iacute;vel para os seus interlocutores, mostra conhecer a sua cultura e depois apresenta a sua identidade crist&atilde;. Isto n&atilde;o quer dizer que os conven&ccedil;a, at&eacute; porque foi rejeitado. Alguns, no entanto, converteram-se.<\/p>\n<p>Entendo que ambos, crentes e n&atilde;o crentes, n&atilde;o se re&uacute;nem no &lsquo;&Aacute;trio dos Gentios&rsquo; para informar, simplesmente, porque a mensagem que t&ecirc;m &eacute; apresentada com ardor, &eacute; uma mensagem performativa. N&atilde;o fazemos um congresso, apresentamos valores e eles, como tal, t&ecirc;m uma carga de convic&ccedil;&otilde;es, os n&atilde;o crentes t&ecirc;m raz&otilde;es que nos fazem pensar, vividas com intensidade. &Eacute; por isso que digo que n&atilde;o &eacute; evangeliza&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; um congresso tem&aacute;tico, &eacute; um encontro de vis&otilde;es, de conce&ccedil;&otilde;es. Nesse sentido, os crist&atilde;os tamb&eacute;m devem dar um testemunho caloroso.<\/p>\n<p>Na UNESCO, em Paris, Jean Vanier falou do Movimento F&eacute; e Luz, que se ocupa de pessoas com defici&ecirc;ncia. Ele n&atilde;o estava ali para convencer os outros, mas o seu testemunho impressionou os n&atilde;o crentes; n&atilde;o o escolhemos para convert&ecirc;-los, mas para que vissem o valor do amor crist&atilde;o em pr&aacute;tica. &Eacute; por isso que digo que n&atilde;o &eacute; um congresso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Quais foram os momentos do &Aacute;trio dos Gentios que mais destacaria, at&eacute; ao momento?<\/em><\/p>\n<p><em>GR <\/em>&ndash; Eu diria que os mais curiosos foram em Assis e Estocolmo. Em Assis, veio falar comigo o presidente da Rep&uacute;blica da It&aacute;lia, Giorgio Napolitano, que n&atilde;o &eacute; crente, mas &eacute; um homem muito nobre do ponto de vista moral e mesmo espiritual, devo dizer.<\/p>\n<p>Ali havia seis tendas diferentes, nas quais se debatiam v&aacute;rios temas, em di&aacute;logo com crentes e n&atilde;o crentes, como os jovens, o grito da Terra, a m&iacute;stica.<\/p>\n<p>Outro momento de sucesso, inesperado, foi em Estocolmo, na Academia do Pr&eacute;mio Nobel e depois num centro juvenil, o maior da Europa. Num ambiente fortemente laico, quase anticrist&atilde;o, diria, houve um interesse de tal ordem que fizemos 3 horas e 40 minutos de interven&ccedil;&otilde;es, sem intervalo, com transmiss&atilde;o televisiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Como se vai desenvolver este &aacute;trio, no futuro?<\/em><\/p>\n<p><em>GR<\/em> &ndash; H&aacute; uma nova formula&ccedil;&atilde;o, que est&aacute; a suscitar muito interesse, ligada a categorias particulares: fizemos, por exemplo, &aacute;trios para crian&ccedil;as de fam&iacute;lias crentes e n&atilde;o crentes que foram um grande sucesso. Tamb&eacute;m j&aacute; decorreram sess&otilde;es para diplomatas e embaixadores e temos a inten&ccedil;&atilde;o de promover um &Aacute;trio dos Gentios para jornalistas, para m&uacute;sicos, para o Cinema. Este ser&aacute; o futuro, para al&eacute;m das cidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia &ndash; A sess&atilde;o de Guimar&atilde;es e Braga, capitais europeias da Cultura e da Juventude, tem como tema &laquo;O valor da vida&raquo;. N&atilde;o &eacute; uma escolha demasiado gen&eacute;rica?<\/em><\/p>\n<p><em>Cardeal Gianfranco Ravasi<\/em> &ndash; Esta &eacute; a primeira vez, de facto, que abordamos &ndash; escolhido em Portugal &ndash; um tema t&atilde;o vasto, antropol&oacute;gico. Penso, no entanto, que a vantagem &eacute; que, por causa de haver muitas interven&ccedil;&otilde;es, se possa obrigar as pessoas a abordar temas que n&atilde;o s&atilde;o dados por adquiridos. Ou seja, n&atilde;o se trata apenas de falar da bio&eacute;tica &ndash; alguns intervir&atilde;o sobre estas quest&otilde;es das c&eacute;lulas estaminais, o aborto, a eutan&aacute;sia -, mas de introduzir elementos que s&atilde;o a base para justificar o discurso da bio&eacute;tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O que espera do debate com Jo&atilde;o Lobo Antunes [&#8216;o valor e o sentido da vida de cada ser humano&#8217;]?<\/em><\/p>\n<p><em>GR<\/em> &ndash; Ainda n&atilde;o estruturei completamente o que quero dizer, mas quero insistir muito, usando textos b&iacute;blicos da categoria de &ldquo;rela&ccedil;&atilde;o&rdquo; e, portanto, da categoria de &ldquo;corporeidade&rdquo;, do corpo, por exemplo. Tamb&eacute;m quero falar da categoria de &ldquo;limite&rdquo;, da finitude do ser humano, isto &eacute;, da grandeza e da impot&ecirc;ncia: a crise, o mal, a dor, a morte e, por outro lado, a grandeza da criatura humana na sua rela&ccedil;&atilde;o com o transcendente, com o semelhante e com a mat&eacute;ria.<\/p>\n<p>Tendo um tema muito amplo, vai ser poss&iacute;vel mover-se sobre as grandes coordenadas, os grandes temas que muitas vezes n&atilde;o s&atilde;o abordados na sociedade contempor&acirc;nea, que reduz tudo &agrave;s quest&otilde;es imediatas. Penso que isto &eacute; algo com valor nesta sess&atilde;o do &aacute;trio, at&eacute; porque s&atilde;o cidades ligadas &agrave; cultura e aos jovens: quisemos falar mais de cultura, no sentido lato, mais do que de qualquer quest&atilde;o espec&iacute;fica, ainda que cada interveniente aborde pontos concretos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; H&aacute; a inten&ccedil;&atilde;o de falar a todo o pa&iacute;s, num momento de crise, de dizer alguma coisa ao Portugal de hoje?<\/em><\/p>\n<p><em>GR <\/em>&ndash; Penso que, ao falar de antropologia &#8211; tamb&eacute;m vou introduzir a refer&ecirc;ncia ao transcendente &ndash; se vai introduzir o tema da esperan&ccedil;a. N&atilde;o conhe&ccedil;o Portugal, apesar de o ter visitado algumas vezes, mas penso que vive a mesma experi&ecirc;ncia dif&iacute;cil de Espanha e It&aacute;lia, pelo que h&aacute; o risco de que as pessoas se contentem apenas com as &ldquo;pequenas coisas&rdquo;.<\/p>\n<p>Assim, fazer uma interven&ccedil;&atilde;o forte sobre os grandes valores, &eacute; uma forma de sacudir um pouco as consci&ecirc;ncias e dizer: &lsquo;N&atilde;o se resolvem as coisas pequenas sem enfrentar as grandes&rsquo;. Isto &eacute;, temos de criar uma atmosfera que n&atilde;o se limite &agrave;s quest&otilde;es econ&oacute;micas nem financeiras, porque os seus problemas nasceram, em boa parte, quando se esqueceram as quest&otilde;es &eacute;ticas, morais.<\/p>\n<p>A verdadeira economia &eacute; uma ci&ecirc;ncia humanista, dizia o economista e pr&eacute;mio nobel indiano Amartya Sen. Por esse motivo, a falta de moralidade na finan&ccedil;a, nos mercados, gerou mis&eacute;ria.<\/p>\n<p>Acredito que voltar a oferecer ideias sobre a moral, os grandes valores, &eacute; algo precioso nesta situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O &Aacute;trio dos Gentios passa pelas cidades num grande evento, que mobiliza muitas pessoas. Como manter esta din&acirc;mica, ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o de cada sess&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>GR <\/em>&ndash; Essa &eacute; uma quest&atilde;o fundamental. Os primeiros eventos eram, por assim dizer, promocionais, para nos fazermos conhecer. Depois disso, em todos os lugares onde fomos, quisemos lan&ccedil;ar, em concord&acirc;ncia com todas as outras institui&ccedil;&otilde;es que colaboraram nas sess&otilde;es, uma esp&eacute;cie de comit&eacute;, um grupo que continua a manter encontros de n&iacute;vel mais simples. &Eacute; curioso o facto de a Universidade de Floren&ccedil;a ter lan&ccedil;ado um curso de um ano sobre temas da arte, lidos por crentes ou n&atilde;o crentes.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, posso dizer que a continuidade &eacute; assegurada, porque h&aacute; outros eventos, de menor dimens&atilde;o, em cidades pr&oacute;ximas das que acolheram as sess&otilde;es. O esfor&ccedil;o &eacute; continuar, de outras formas, a experi&ecirc;ncia mais importante, e tamb&eacute;m em Portugal estamos j&aacute; a pensar nesta continuidade. &Eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel.<\/p>\n<p><em>OC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente do Conselho Pontif\u00edcio da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, apresenta em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o projeto do \u2018\u00c1trio dos Gentios\u2019, uma iniciativa que valoriza a \u201cescuta\u201d de quem tem outras convic\u00e7\u00f5es, por parte da Igreja Cat\u00f3lica, e procura ir ao encontro dos grandes temas da vida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[93,120,172,191,203,267],"class_list":["post-58741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-braga","tag-economia","tag-europa","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58741"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58741\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}