{"id":58732,"date":"2012-11-06T10:41:17","date_gmt":"2012-11-06T10:41:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/06\/atrio-dos-gentios-onde-a-democracia-se-faz-chao\/"},"modified":"2012-11-06T10:41:17","modified_gmt":"2012-11-06T10:41:17","slug":"atrio-dos-gentios-onde-a-democracia-se-faz-chao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/atrio-dos-gentios-onde-a-democracia-se-faz-chao\/","title":{"rendered":"\u00c1trio dos Gentios \u2013 onde a democracia se faz ch\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Isabel Varanda, Coordenadora geral do \u00c1trio dos Gentios em Braga e Guimar\u00e3es <!--more--> <\/p>\n<p>Gentios?! J&aacute; nos chamaram nomes piores.<\/p>\n<p>A poucos dias da inaugura&ccedil;&atilde;o do 1&ordm; &Aacute;trio dos Gentios em Portugal alegramo-nos ao constatar que o &ldquo;&Aacute;trio dos Gentios&rdquo; anda na boca de muita gente. Uns, ficam-se pela designa&ccedil;&atilde;o, que consideram infeliz e, de algum modo, insultuosa; outros, cheios de curiosidade, procuram saber mais sobre o tal templo de Jerusal&eacute;m que Herodes havia mandado construir por volta do ano 20 antes de Cristo; outros &ndash; muitos &ndash; entrando pela &ldquo;met&aacute;fora viva&rdquo; adentro, procuram descobrir as raz&otilde;es que presidiram &agrave; reabilita&ccedil;&atilde;o deste nome por parte do Pontif&iacute;cio Conselho da Cultura e da sua pertin&ecirc;ncia no tempo presente.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o do &Aacute;trio portugu&ecirc;s come&ccedil;ou h&aacute; quase um ano. As perip&eacute;cias da constru&ccedil;&atilde;o &ndash; e s&atilde;o muitas &ndash; ser&atilde;o contadas mais tarde. Por agora, alegramo-nos porque a obra n&atilde;o foi embargada, nem hipotecada, nem os construtores desanimaram. Prova disso &eacute; a grande festa de inaugura&ccedil;&atilde;o do &Aacute;trio que ter&aacute; lugar nos pr&oacute;ximos dias 16 e 17 de novembro, como tem sido amplamente noticiado.<br \/>Algumas notas de contextualiza&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p>1) Na g&eacute;nese est&aacute; a conjuga&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios fatores: por um lado, a iniciativa do Pontif&iacute;cio Conselho da Cultura ao lan&ccedil;ar em Paris, nos dias 24-25 de mar&ccedil;o de 2011, a primeira pedra de um novo lugar simb&oacute;lico &ndash; o &Aacute;trio dos Gentios &ndash; projetado para se ir construindo e estendendo ao mundo inteiro; por outro lado, a oportunidade de concretiza&ccedil;&atilde;o surge em 2012 com a distin&ccedil;&atilde;o das cidades de Braga e de Guimar&atilde;es como capitais europeias da juventude e da cultura, respetivamente. Neste contexto, a arquidiocese de Braga julgou oportuno pedir ao Pontif&iacute;cio Conselho da Cultura que o &Aacute;trio tamb&eacute;m passasse por Portugal. E assim, de Paris a Floren&ccedil;a, de Assis a Bucareste, de Tirana a Palermo, de Barcelona a Estocolmo, passando pelo Qu&eacute;bec e pelos EUA, o &Aacute;trio dos Gentios chega a Braga e a Guimar&atilde;es, para uma nova sess&atilde;o.<\/p>\n<p>2) Cada sess&atilde;o do &Aacute;trio dos Gentios desenvolve-se &agrave; volta de um tema, diferente de pa&iacute;s para pa&iacute;s, de sess&atilde;o para sess&atilde;o. Ousaria dizer que o &aacute;trio &eacute; mais importante do que o tema; o encontro das pessoas no &aacute;trio e a viagem que cada uma faz at&eacute; l&aacute; chegar, s&atilde;o, ousaria dizer, mais importantes do que as ideias que a&iacute; se (des)encontrar&atilde;o. Pensar a vida, no entanto, a nossa vida, nos seus sobressaltos, revela&ccedil;&otilde;es, mist&eacute;rios, desafios, afina&ccedil;&otilde;es e desafina&ccedil;&otilde;es; pensar as identidades e as culturas, pensar o estilo de vida e a salvaguarda do universo, para al&eacute;m dos limites do imp&eacute;rio financeiro e econ&oacute;mico, pode ser sinal distinto e claro de resist&ecirc;ncia &agrave;s tentativas de nos fazerem crer que a vida de cada um &eacute; redut&iacute;vel a um pre&ccedil;o, format&aacute;vel por um or&ccedil;amento, alien&aacute;vel por qualquer ideologia, seja religiosa, pol&iacute;tica ou cultural.<\/p>\n<p>3) A leitura do programa detalhado permite ao leitor perceber alguns dos crit&eacute;rios que presidiram ao convite dos intervenientes nos diferentes atos: a) que a ci&ecirc;ncia, a pol&iacute;tica, as artes e of&iacute;cios, a cultura, a laicidade, a cidadania, a literatura e a religi&atilde;o, estivessem representados; b) que isto n&atilde;o &eacute; &ldquo;uma coisa da Igreja e dos padres&rdquo;. Quer na organiza&ccedil;&atilde;o do &aacute;trio quer nos convidados para os di&aacute;logos, a representa&ccedil;&atilde;o da Igreja como institui&ccedil;&atilde;o e da religi&atilde;o, em geral, &eacute; discreta e proporcional: uns crentes, outros n&atilde;o crentes ou agn&oacute;sticos, todos s&atilde;o convidados a sair dos seus espa&ccedil;os habituais de convic&ccedil;&atilde;o e de reflex&atilde;o para se encontrarem num &aacute;trio, num lugar neutro e acess&iacute;vel a todos. c) Muitos estranhar&atilde;o n&atilde;o encontrarem alguns nomes, por exemplo, da &aacute;rea da sa&uacute;de, da medicina ou da bio&eacute;tica, que s&atilde;o refer&ecirc;ncia nacional e internacional em algumas das tem&aacute;ticas em discuss&atilde;o. Procur&aacute;mos ir mais longe do que as refer&ecirc;ncias comuns e do que os nomes expect&aacute;veis. Esse tamb&eacute;m &eacute; o esp&iacute;rito do &Aacute;trio. d) Do mesmo modo, n&atilde;o h&aacute; lugar para convites oficiais, formais ou pessoais, nem lugar para representa&ccedil;&otilde;es institucionais, para al&eacute;m das justas obriga&ccedil;&otilde;es relativamente aos nossos anfitri&otilde;es. As autoridades civis, religiosas e militares n&atilde;o s&atilde;o convidadas formalmente mas, esperamos que se sintam convidadas no convite dirigido a todos os homens e a todas as mulheres para quem o mist&eacute;rio da vida no cosmos e da vida humana em particular n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de somenos import&acirc;ncia; contamos com a vossa presen&ccedil;a, gentios com os gentios.<\/p>\n<p>4) No &aacute;trio n&atilde;o h&aacute; p&uacute;lpitos, nem c&aacute;tedras nem palcos; h&aacute; liberdade para as gentes, para os gentios que todos somos quando nos decidimos a sair dos espa&ccedil;os onde se tecem biografias confort&aacute;veis, para habitarmos um espa&ccedil;o onde as singularidades biogr&aacute;ficas irredut&iacute;veis rimam com a aventura da fraternidade. No &aacute;trio dos gentios h&aacute; ch&atilde;o para toda a gente poder enraizar a sua palavra e fazer ouvir o seu direito e o seu dever &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o de um projeto de vida e de um estilo de vida &agrave; altura do ser humano. <br \/>Isto tamb&eacute;m &eacute; exerc&iacute;cio e constru&ccedil;&atilde;o da democracia.<\/p>\n<p><em>Isabel Varanda,<br \/>Coordenadora geral do &Aacute;trio dos Gentios em Braga e Guimar&atilde;es<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isabel Varanda, Coordenadora geral do \u00c1trio dos Gentios em Braga e Guimar\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168,172],"class_list":["post-58732","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58732"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58732\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}