{"id":58728,"date":"2012-11-06T10:30:02","date_gmt":"2012-11-06T10:30:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/11\/06\/o-estado-social-na-superacao-da-crise\/"},"modified":"2012-11-06T10:30:02","modified_gmt":"2012-11-06T10:30:02","slug":"o-estado-social-na-superacao-da-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-estado-social-na-superacao-da-crise\/","title":{"rendered":"O Estado Social, na supera\u00e7\u00e3o da crise"},"content":{"rendered":"<p>Ac\u00e1cio F. Catarino, Vogal da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz <!--more--> <\/p>\n<p>A hist&oacute;ria do Estado Social (ES) est&aacute; marcada por revolu&ccedil;&otilde;es, lutas pol&iacute;ticas e defesa de princ&iacute;pios &eacute;ticos; pode afirmar-se que o esfor&ccedil;o multissecular e solid&aacute;rio, para a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida, tendia para ele. Em Portugal, o ES teve um primeiro esbo&ccedil;o no final da Monarquia, prolongou-se na I Rep&uacute;blica, teve continuidade no Estado Novo, apesar das suas orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, e recebeu um impulso extraordin&aacute;rio depois de 1974.<\/p>\n<p>S&atilde;o muito pr&oacute;ximos do conceito &laquo;Estado Social&raquo;, os de &laquo;Estado de Bem-Estar&raquo; e &laquo;Estado-Provid&ecirc;ncia&raquo;, cuja abordagem ultrapassaria o &acirc;mbito desta reflex&atilde;o (cf. Ant&oacute;nio da Silva Leal, &laquo;Temas de Seguran&ccedil;a Social&raquo;, coordena&ccedil;&atilde;o e pref&aacute;cio de Il&iacute;dio das Neves, Uni&atilde;o das Mutualidades Portuguesas, 1998). Em qualquer deles, o Estado, em coopera&ccedil;&atilde;o com a sociedade civil solid&aacute;ria, integra, na sua ess&ecirc;ncia e objetivos, a garantia de condi&ccedil;&otilde;es de vida condignas para todos\/as os cidad&atilde;os\/&atilde;s, sem discrimina&ccedil;&otilde;es; ele visa, em maior ou menor grau, a atenua&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais e uma reparti&ccedil;&atilde;o mais justa dos rendimentos (cf. &laquo;Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igreja&raquo;, nn. 356-357). No &acirc;mbito da Uni&atilde;o Europeia, com base nos seus Tratados, consagrou-se a express&atilde;o &laquo;modelo social europeu&raquo;; e, embora n&atilde;o exista uma pol&iacute;tica social comum, defende-se a converg&ecirc;ncia das que existem nos diferentes Estados; nestes registam-se, nomeadamente, quatro modelos: o &laquo;n&oacute;rdico&raquo;, o &laquo;anglo-sax&oacute;nico&raquo;, o &laquo;continental&raquo; e o &laquo;mediterr&acirc;nico&raquo;. Normalmente, entende-se que o ES abrange especificamente alguns dom&iacute;nios tais como a sa&uacute;de, a seguran&ccedil;a social, a fam&iacute;lia, a educa&ccedil;&atilde;o, a habita&ccedil;&atilde;o e o emprego (cf. art. 63&ordm;. a 79&ordm;., 58&ordm;. e 90&ordm;. da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa). Entende-se tamb&eacute;m que ele implica a reconfigura&ccedil;&atilde;o do sistema econ&oacute;mico, designada ou n&atilde;o por &laquo;economia social de mercado&raquo; ou &laquo;democracia econ&oacute;mica&raquo;.<\/p>\n<p>Pode afirmar-se que a hist&oacute;ria do ES foi marcada por crises e respetivas supera&ccedil;&otilde;es. Desde, pelo menos, os anos 60, difundiram-se estudos v&aacute;rios denunciando o risco de o ES n&atilde;o ter viabilidade; e, hoje em dia, as den&uacute;ncias v&ecirc;m surgindo com mais frequ&ecirc;ncia e virul&ecirc;ncia. As crises resultam de causas diversas, tais como: os constrangimentos econ&oacute;mico-financeiros, agudizados nos &uacute;ltimos anos; o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o; o contraste entre idealismos irrealistas, que abstraem dos custos financeiros, e realismos pragm&aacute;ticos, sem respeito pelos valores em causa; o cont&aacute;gio do ES pelos  sistemas econ&oacute;micos (sobretudo o capitalista e o de economia de planifica&ccedil;&atilde;o central &#8211; vulgo &laquo;comunista&raquo;); a defesa, por cada for&ccedil;a, pol&iacute;tica e social, do seu ES, em preju&iacute;zo de uma conce&ccedil;&atilde;o comum; a pr&oacute;pria conce&ccedil;&atilde;o de democracia que, nos pa&iacute;ses menos amadurecidos politicamente, sacrifica o bem comum &agrave; luta pelo poder e &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica; a insufici&ecirc;ncia da cultura de corresponsabilidade na constru&ccedil;&atilde;o do ES; a conce&ccedil;&atilde;o meramente estatizante deste&#8230; &Eacute; deveras animador que, apesar de tantos anticorpos, o ES se tenha mantido e atualizado.<\/p>\n<p>Na atual crise econ&oacute;mico-financeira envolvente, o ES e o povo, que vai empobrecendo, s&atilde;o as principais v&iacute;timas. Apesar disso o ES, com a sua experi&ecirc;ncia e saber, pode ser decisivo na supera&ccedil;&atilde;o da crise; para tanto, basta que n&atilde;o perca as suas origens &#8211; anteriores ao pr&oacute;prio Estado, na sociedade solid&aacute;ria &#8211; e que saiba viver o presente com lucidez, sempre orientado para o futuro. Mais concretamente, importa que: adapte a prote&ccedil;&atilde;o social &agrave;s condicionantes atuais, sem perder de vista a evolu&ccedil;&atilde;o desej&aacute;vel; promova a corresponsabilidade geral; e desenvolva a a&ccedil;&atilde;o social direta, de proximidade. A concretiza&ccedil;&atilde;o destas linhas de rumo justifica uma abordagem aut&oacute;noma; afirme-se no entanto, desde j&aacute;, que a ac&atilde;o do ES pode contribuir n&atilde;o s&oacute; para a garantia da prote&ccedil;&atilde;o social mas tamb&eacute;m para o desanuviamento do clima pol&iacute;tico-social e para a promo&ccedil;&atilde;o de atividades econ&oacute;micas geradoras de emprego.<\/p>\n<p><em>Ac&aacute;cio F. Catarino<br \/>Vogal da Comiss&atilde;o Nacional Justi&ccedil;a e Paz<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ac\u00e1cio F. 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