{"id":58643,"date":"2012-10-29T14:26:00","date_gmt":"2012-10-29T14:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/10\/29\/comunicado-da-joc-e-loc-mtc-sobre-o-orcamento-de-estado-2013\/"},"modified":"2012-10-29T14:26:00","modified_gmt":"2012-10-29T14:26:00","slug":"comunicado-da-joc-e-loc-mtc-sobre-o-orcamento-de-estado-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunicado-da-joc-e-loc-mtc-sobre-o-orcamento-de-estado-2013\/","title":{"rendered":"Comunicado da JOC e LOC\/MTC sobre o Or\u00e7amento de Estado 2013"},"content":{"rendered":"<p>A JOC e a LOC\/MTC, sendo movimentos da Igreja com vis&otilde;es concretas inerentes ao trabalho, apesar de j&aacute; terem tomado posi&ccedil;&atilde;o anteriormente sobre o Or&ccedil;amento de Estado para 2013 (OE), consideram agora que devem denunciar, conjuntamente, as injusti&ccedil;as deste OE, sem perder de vista algumas convic&ccedil;&otilde;es que sustentam a esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As incongru&ecirc;ncias do Or&ccedil;amento de Estado<\/p>\n<p>Constatamos que existe neste OE um enorme retrocesso social que afeta de maneira especial as pessoas mais desprotegidas, com menor capacidade de defesa, levando a um aumento da pobreza, da precariedade, da viol&ecirc;ncia e de outros problemas sociais. S&atilde;o exemplos disto a diminui&ccedil;&atilde;o dos escal&otilde;es do IRS, que p&otilde;em no mesmo patamar rendimentos muito d&iacute;spares, assim como a diminui&ccedil;&atilde;o, sem quaisquer exce&ccedil;&otilde;es, dos subs&iacute;dios de desemprego e de doen&ccedil;a, do complemento solid&aacute;rio para idosos e do rendimento social de inser&ccedil;&atilde;o. Sendo evidente a clara desvaloriza&ccedil;&atilde;o do trabalho humano e do desprezo pelos direitos laborais, h&aacute; um completo vazio no que concerne ao investimento na cria&ccedil;&atilde;o de emprego e em medidas de crescimento, que se tenta colmatar, de forma errada, atrav&eacute;s do assistencialismo. A este prop&oacute;sito &eacute; muito clara a enc&iacute;clica social Populorum Progressio: &ldquo;a solidariedade sem subsidiariedade pode, de facto, degenerar facilmente em assistencialismo, ao passo que a subsidiariedade sem a solidariedade se exp&otilde;e ao risco de alimentar formas de localismo e ego&iacute;smo.&rdquo;&nbsp;<\/p>\n<p>Estas op&ccedil;&otilde;es atacam violentamente os rendimentos do trabalho e os cidad&atilde;os mais pobres; mostram incapacidade para combater a corrup&ccedil;&atilde;o, a fraude fiscal e a promiscuidade entre interesses privados e servi&ccedil;os p&uacute;blicos; revelam irresponsabilidade no financiamento tendencioso da banca e na impunidade da economia especulativa; confirmam incapacidade de reduzir em despesas vistas como imorais pela maioria dos cidad&atilde;os, designadamente as mordomias a titulares de mandatos e de cargos pol&iacute;ticos, a gestores p&uacute;blicos, uns e outros com as suas reformas antecipadas enquanto as dos outros se tornam adiadas; seguem o caminho da injusti&ccedil;a quando aumentam a verba de alguns Minist&eacute;rios em detrimento de outros considerados basilares da coes&atilde;o social como o da Sa&uacute;de, da Educa&ccedil;&atilde;o, da Solidariedade e Seguran&ccedil;a Social e da Cultura.<\/p>\n<p>Assistimos ainda a um Estado incapaz de &ldquo; guardar&rdquo; as contribui&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores para mais tarde garantir as suas pens&otilde;es e insens&iacute;vel perante a necessidade de sustentabilidade da Seguran&ccedil;a Social. Consideramos que pagar impostos &eacute; um dever de todos mas &eacute; imperioso que aqueles sejam cobrados com justi&ccedil;a e utilizados de forma honesta, justa e transparente.<\/p>\n<p>Tudo isto, tantas vezes apresentado de forma confusa para que muitos n&atilde;o entendam, leva-nos a pensar que h&aacute; uma tentativa de desacreditar a Democracia, o Estado e a Europa sociais, promovendo a desconfian&ccedil;a e o individualismo e incentivando a especula&ccedil;&atilde;o financeira, que &eacute; sempre favor&aacute;vel a uma elite que det&eacute;m um certo poder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Onde sustentar a esperan&ccedil;a?<\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa no art&ordm; 9, sobre as &ldquo;tarefas fundamentais do Estado&rdquo;, &eacute; muito clara: &laquo;ao Estado compete garantir os direitos e deveres dos cidad&atilde;os, promovendo o seu &ldquo;bem-estar&rdquo; e a &ldquo;igualdade real entre os portugueses&rdquo;; &ldquo;defender a democracia pol&iacute;tica&rdquo; e &ldquo;incentivar &agrave; participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os&rdquo;&raquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; neste sentido que a JOC e a LOC\/MTC apelam a uma democracia mais participativa; ao desenvolvimento de uma &lsquo;Economia Verde&rsquo;, assumindo modelos que coloquem a t&oacute;nica na dignidade humana e no desenvolvimento sustent&aacute;vel. Para isto, tal como defendem os Bispos Europeus, &eacute; necess&aacute;rio que nos libertemos da sujei&ccedil;&atilde;o do PIB (Produto Interno Bruto) &ndash; dado meramente econ&oacute;mico &ndash; e que o desenvolvimento humano passe a ser avaliado mediante indicadores mais humanos, como a &ldquo;taxa de escolaridade, a esperan&ccedil;a de vida&rdquo; e a &ldquo;ecologia&rdquo;. &Eacute; tamb&eacute;m fundamental investir na economia social, solid&aacute;ria e cooperativa, que privilegie as pessoas, ou seja, uma economia ao servi&ccedil;o das comunidades e das suas necessidades, criadora de oportunidades de integra&ccedil;&atilde;o dos jovens e dos seus conhecimentos\/talentos no mercado de trabalho, para que estes n&atilde;o sejam obrigados a emigrar.<\/p>\n<p>Por &uacute;ltimo, apelamos a uma maior preocupa&ccedil;&atilde;o com o BEM-COMUM, em detrimento dos interesses pessoais ou elitistas. Por um lado, todos aqueles que s&atilde;o eleitos pelo povo devem dedicar-se em exclusivo a esta miss&atilde;o de representa&ccedil;&atilde;o. Por outro lado e de acordo com o Ensino Social da Igreja (Populorum Progressio, n&ordm; 14), a conduta da governa&ccedil;&atilde;o deve ter como objetivo a promo&ccedil;&atilde;o de &ldquo;finan&ccedil;as p&uacute;blicas capazes de se proporem como instrumento de desenvolvimento e de solidariedade&rdquo;, distribuindo a riqueza segundo os princ&iacute;pios &ldquo;da igualdade, da valoriza&ccedil;&atilde;o dos talentos, e prestar grande aten&ccedil;&atilde;o ao amparo das fam&iacute;lias, destinando a tal fim uma adequada quantidade de recursos&rdquo;.<\/p>\n<p>Os casos positivos que temos na Europa, nomeadamente na Isl&acirc;ndia, mostram que foi o povo quem conseguiu marcar a diferen&ccedil;a e recuperar a dignidade amea&ccedil;ada. &Eacute;, por isso, essencial criar uni&atilde;o, propor alternativas cred&iacute;veis mesmo com vis&otilde;es partid&aacute;rias diferentes.<\/p>\n<p>A todos n&oacute;s, jovens, adultos, idosos e crian&ccedil;as cabe-nos, pois, estar atentos &agrave; realidade, repensar os valores com os quais queremos construir a sociedade e agir coerentemente! Que o bem de todos seja mais forte que o interesse de alguns!<\/p>\n<p>Lisboa, 29 de outubro de 2012<\/p>\n<p><em>As equipas executivas da JOC e da LOC\/MTC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A JOC e a LOC\/MTC, sendo movimentos da Igreja com vis&otilde;es concretas inerentes ao trabalho, apesar de j&aacute; terem tomado posi&ccedil;&atilde;o anteriormente sobre o Or&ccedil;amento de Estado para 2013 (OE), consideram agora que devem denunciar, conjuntamente, as injusti&ccedil;as deste OE, sem perder de vista algumas convic&ccedil;&otilde;es que sustentam a esperan&ccedil;a. &nbsp; As incongru&ecirc;ncias do Or&ccedil;amento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,191,203,247,314],"class_list":["post-58643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-economia","tag-europa","tag-loc-mtc","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58643\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}