{"id":58608,"date":"2012-10-25T21:31:00","date_gmt":"2012-10-25T21:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/10\/25\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-da-dedicacao-da-se-patriarcal-e-abertura-diocesana-do-ano-da-fe\/"},"modified":"2012-10-25T21:31:00","modified_gmt":"2012-10-25T21:31:00","slug":"homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-da-dedicacao-da-se-patriarcal-e-abertura-diocesana-do-ano-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-da-dedicacao-da-se-patriarcal-e-abertura-diocesana-do-ano-da-fe\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na solenidade da Dedica\u00e7\u00e3o da S\u00e9 Patriarcal e abertura diocesana do Ano da F\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><strong>Reconhecer o Senhor na Sua Cruz<\/strong><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>1. Ano da F&eacute;! Convite do Santo Padre a aprofundar a realidade da nossa vida. A f&eacute; &eacute; uma atitude exigente, que n&atilde;o nos oferece a experi&ecirc;ncia sens&iacute;vel das outras realidades, mas introduz na nossa vida uma realidade decisiva: a pessoa de Jesus Cristo, Filho de Deus feito Homem, que morreu por n&oacute;s e venceu definitivamente a morte, fazendo-nos participantes dessa vit&oacute;ria.<\/p>\n<p>Ouvimos a Carta aos Hebreus: &ldquo;A f&eacute; &eacute; um modo de possuir j&aacute; aquilo que se espera, &eacute; um meio de conhecer realidades que n&atilde;o se veem&rdquo; (He. 11,1). E dessas realidades a primeira e decisiva &eacute; Jesus Cristo, Filho de Deus e Homem real, que nos convida a unirmo-nos a Ele para fazermos juntos a caminhada da vida.<\/p>\n<p>Uma das fragilidades da f&eacute; &eacute; n&atilde;o vivermos esse realismo da pessoa de Jesus na nossa vida, Ele que uniu a nossa humanidade &agrave; Sua para caminharmos juntos em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; vida plena e definitiva. No encontro com Jesus Cristo, na f&eacute;, est&aacute; sempre presente a esperan&ccedil;a dessa etapa definitiva.<\/p>\n<p>Voltemos a meditar a Carta aos Hebreus que h&aacute; pouco escut&aacute;mos: &ldquo;Necessitais apenas de perseveran&ccedil;a, a fim de cumprirdes a vontade de Deus, e assim alcan&ccedil;ardes o que Ele prometeu. Porque falta apenas um pouco e Aquele que deve vir vai chegar e n&atilde;o tardar&aacute;&rdquo; (He. 10,37-37).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. A dificuldade deste realismo no reconhecer Jesus Cristo na totalidade de sentido da Sua exist&ecirc;ncia sentiram-na os Ap&oacute;stolos quando o Senhor ressuscitado lhes aparece. Para eles a humanidade do Homem Jesus tinha acabado no Sepulcro. Aquela figura que lhes aparece pode ser um esp&iacute;rito qualquer, mas n&atilde;o &eacute; o Senhor. E quais s&atilde;o os sinais que Ele, agora glorioso, usa para os levar a aceitar o realismo da Sua Pessoa e daquela apari&ccedil;&atilde;o? Os sinais da Sua paix&atilde;o. Diz a Tom&eacute;, o mais renitente em acreditar: &ldquo;Chega aqui o teu dedo e v&ecirc; as minhas m&atilde;os. Estende a tua m&atilde;o e mete-a no meu lado. N&atilde;o sejas incr&eacute;dulo, mas crente&rdquo; (Jo. 20,27). O Corpo glorioso do Senhor n&atilde;o podia ter as marcas do supl&iacute;cio da Cruz. Se Cristo as mostra &eacute; porque sabe, misteriosamente, que a identifica&ccedil;&atilde;o do ressuscitado passa pela identifica&ccedil;&atilde;o do crucificado.<\/p>\n<p>&Eacute; na Eucaristia, principal sacramento da nossa f&eacute; que este realismo da Cruz nos leva a encontrar o ressuscitado. &ldquo;Tomai e comei, isto &eacute; o Meu Corpo entregue por v&oacute;s&rdquo;. &ldquo;Tomai e bebei, este &eacute; o c&aacute;lice do Meu sangue&hellip; derramado por v&oacute;s&rdquo;. Na Eucaristia, no mesmo ato em que, como povo sacerdotal, nos unimos a Cristo glorioso para oferecer a Deus Pai o sacrif&iacute;cio redentor, confrontamo-nos sempre com o realismo da Cruz. A Eucaristia celebra a atualidade do sacrif&iacute;cio redentor de Cristo e esse acontece na Cruz e encontra a sua plenitude na ressurrei&ccedil;&atilde;o. O Cristo que vem ao nosso encontro, na f&eacute;, que quer caminhar connosco at&eacute; ao triunfo da vida, continua a ser o crucificado ressuscitado. &Eacute; por isso que, na Liturgia, &eacute; obrigat&oacute;rio quer a Cruz presida ao altar da Eucaristia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Como o Senhor mostrou aos Ap&oacute;stolos ao aparecer-lhes depois da ressurrei&ccedil;&atilde;o, os sinais que nos d&aacute; para a sua identifica&ccedil;&atilde;o realista s&atilde;o os da Sua paix&atilde;o: toca aqui nas minhas chagas e n&atilde;o sejas incr&eacute;dulo. A n&oacute;s diz-nos: se me queres encontrar glorioso na celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, na adora&ccedil;&atilde;o da Minha presen&ccedil;a real no meio de v&oacute;s, contempla a minha Cruz. Isto leva-nos a meditar sobre o papel da Cruz, da adora&ccedil;&atilde;o da Cruz do Senhor na nossa caminhada de f&eacute;. Esta presen&ccedil;a do crucificado na adora&ccedil;&atilde;o do Cristo glorioso &eacute; pr&oacute;pria da f&eacute;, isto &eacute;, de uma fase da nossa vida em que precisamos, para identificar o Senhor, do realismo de sinais sens&iacute;veis. E para o autor da Carta aos Hebreus, o justo vive da f&eacute; (cf. He. 10,38).<\/p>\n<p>Viver da f&eacute;, encontrarmo-nos com Cristo, na f&eacute;, identificando a nossa vida com a d&rsquo;Ele, leva-nos a ansiar pela plenitude da vida, mas tamb&eacute;m a viver a nossa cruz, a realidade do sofrimento da nossa vida, participando do amor, da coragem e da esperan&ccedil;a com que Ele abra&ccedil;ou a sua Cruz. N&atilde;o &eacute; por acaso que &eacute; nessa coragem de abra&ccedil;ar a pr&oacute;pria cruz, que encontramos mais realisticamente o Cristo glorioso. &Eacute; nessa experi&ecirc;ncia de dom e de oferta da nossa pr&oacute;pria vida que cresce em n&oacute;s, em alegria libertadora, a esperan&ccedil;a da vida eterna, que outra coisa n&atilde;o &eacute; do que a vontade de, em toda a nossa vida, seguir o Senhor, agora e at&eacute; ao fim.<\/p>\n<p>Dessa identifica&ccedil;&atilde;o com o crucificado, brota a sabedoria, isto &eacute;, a compreens&atilde;o da vida, da sua beleza e do seu segredo. Como dizia a primeira leitura, n&atilde;o a podemos encontrar nas coisas preciosas deste mundo; ela est&aacute; ligada &agrave; plenitude de Jesus Cristo. &ldquo;Amei-a mais do que a sa&uacute;de e a beleza e decidi t&ecirc;-la como luz, porque o seu brilho jamais se extingue&rdquo; (Sab. 7,10-11).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Neste Ano da F&eacute;, contemplemos a Cruz de Cristo, na &acirc;nsia de participar na sua gl&oacute;ria, e procuremos a&iacute; a luz, a for&ccedil;a e o sentido da nossa caminhada na vida.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 25 de outubro de 2012<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo,<\/em><em> cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reconhecer o Senhor na Sua Cruz &nbsp; 1. Ano da F&eacute;! Convite do Santo Padre a aprofundar a realidade da nossa vida. 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