{"id":58575,"date":"2012-10-23T12:43:31","date_gmt":"2012-10-23T12:43:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/10\/23\/portugueses-tem-de-estar-empenhados-na-busca-de-solucoes\/"},"modified":"2012-10-23T12:43:31","modified_gmt":"2012-10-23T12:43:31","slug":"portugueses-tem-de-estar-empenhados-na-busca-de-solucoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugueses-tem-de-estar-empenhados-na-busca-de-solucoes\/","title":{"rendered":"Portugueses t\u00eam de estar empenhados na busca de solu\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O presidente da C\u00e1ritas critica, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o aumento de impostos previsto pelo Governo na proposta de Or\u00e7amento para 2013, lamentando excesso de poder do mundo financeiro e econ\u00f3mico no cen\u00e1rio atual <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Apresentado o Or&ccedil;amento de Estado (OE) para 2013 ficou surpreendido com as medidas anunciadas pelo ministro das Finan&ccedil;as?<\/em><\/p>\n<p><em>Eug&eacute;nio da Fonseca (EF) &ndash; <\/em>Fiquei surpreendido porque estava &agrave; espera, depois de tantas reuni&otilde;es de Conselho de Ministros com vista ao reajustamento do or&ccedil;amento e depois de se terem levantado vozes bastante cred&iacute;veis sobre este e as consequ&ecirc;ncias que ele poder&aacute; vir a ter na vida dos portugueses. Sem esquecer, os efeitos previs&iacute;veis que n&atilde;o s&atilde;o aqueles &ndash; segundo os peritos &ndash; que o governo anuncia.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Ent&atilde;o, esperava um recuo governamental&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Sim, nalgumas propostas que se apressou a anunciar ao pa&iacute;s. Efetivamente, isso n&atilde;o aconteceu. Estava &agrave; espera de um recuo significativo face aos clamores que se levantavam e se justificam. As pessoas n&atilde;o podem mais suportar impostos e este or&ccedil;amento fundamenta-se, sobretudo, em onerar a carga fiscal e n&atilde;o vai, como era desej&aacute;vel, &agrave;s despesas &#8211; &agrave;quelas que foram t&atilde;o propaladas &ndash; que s&atilde;o in&uacute;teis e est&atilde;o a alimentar uma m&aacute;quina do Estado ineficaz. S&oacute; nos resta aguardar, agora, ao que se ir&aacute; passar no parlamento.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Os pol&iacute;ticos ouvem a voz do povo?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> N&atilde;o ouvem. Em todo o mundo, os pol&iacute;ticos deixaram de comandar e deixaram de ser eles a governar. Quem governa o mundo &eacute; o poder econ&oacute;mico. A promiscuidade existente entre capital e pol&iacute;tica tem sido um dos grandes obst&aacute;culos para que haja uma maior implica&ccedil;&atilde;o dos pol&iacute;ticos na governan&ccedil;a. S&oacute; quando os pol&iacute;ticos voltarem a tomar a condu&ccedil;&atilde;o da vida p&uacute;blica dos respetivos governos e o capital passar ser instrumental, como muitas outras &aacute;reas importantes para o governo de qualquer pa&iacute;s, &eacute; que estes possam ouvir o povo. Eles, neste momento, est&atilde;o mais interessados &ndash; da&iacute; &eacute; que lhes v&ecirc;m os proventos &ndash; nos detentores do capital.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Sa&iacute;mos de uma ditadura pol&iacute;tica para uma ditadura financeira?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Sem d&uacute;vida. N&atilde;o h&aacute; regimes perfeitos, mas, at&eacute; aparecer outro que justifique pela pr&aacute;tica ser melhor que este, o regime democr&aacute;tico &eacute; aquele que melhor serve o bem comum. No entanto, hoje, o regime democr&aacute;tico n&atilde;o consegue ser uma democracia plena.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O regime democr&aacute;tico est&aacute; na rua?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> N&atilde;o est&aacute; e &eacute; bom que n&atilde;o esteja. Isso era uma pervers&atilde;o da democracia. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o das pessoas se manifestarem, acho que o devem fazer &ndash; alguns &eacute; o &uacute;nico instrumento que t&ecirc;m &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o para fazerem valer o seu sentir -, mas salvaguardando sempre os valores democr&aacute;ticos. H&aacute; &oacute;rg&atilde;os de soberania que t&ecirc;m de ser respeitados. Ningu&eacute;m se pode arrogar o direito de governar, seja o que for, a partir da rua. Esta poder&aacute; ser um lugar para, de forma civilizada, as pessoas se manifestaram. A ofensa e a cal&uacute;nia n&atilde;o s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o arrua&ccedil;as que comprometem aqueles que, de forma civilizada e s&eacute;ria, querem mostrar &ndash; &eacute; a &uacute;nica forma que t&ecirc;m de o fazer &ndash; aquilo que pensam relativamente &agrave; atua&ccedil;&atilde;o de quem nos governa.<\/p>\n<p>Por outro lado, as manifesta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se podem ficar apenas por locais de protesto e reivindica&ccedil;&atilde;o. Quem fomenta esse tipo de iniciativas &ndash; acho que ningu&eacute;m est&aacute; contra este direito &ndash; deve ter consci&ecirc;ncia dos objetivos muito precisos que pretende atingir e que esses objetivos sejam propositivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Ser&aacute; que as arrua&ccedil;as nas manifesta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o nascem do desespero ou do est&ocirc;mago vazio das pessoas?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Poder&aacute;, mas tamb&eacute;m &eacute; preciso saber identificar os que n&atilde;o t&ecirc;m est&ocirc;mago vazio e que, muitas vezes, gostam mais da l&oacute;gica de &laquo;quanto pior melhor&raquo; porque t&ecirc;m nos seus genes essa capacidade de serem mais parte do problema do que da solu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Estive em F&aacute;tima, na peregrina&ccedil;&atilde;o de 12 e 13 de outubro, e nunca me aconteceu ver tantos homens que vertiam l&aacute;grimas de forma silenciosa. Tentei interpretar aquelas l&aacute;grimas&hellip; Cada rosto era a dor e o drama de um emprego que se perdeu e de um futuro que est&aacute; muito sombrio. N&atilde;o foi preciso fazer muito barulho. &Eacute; preciso fazer uma leitura sobre o porqu&ecirc; de ter acorrido tanta gente a F&aacute;tima&hellip;<\/p>\n<p>Quando se manifesta o descontentamento de n&atilde;o ter o m&iacute;nimo de condi&ccedil;&otilde;es para viver em dignidade &eacute; preciso algum controlo. N&atilde;o adianta as ofensas e a viol&ecirc;ncia porque isso at&eacute; nos empobrece mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; As portas das C&aacute;ritas ser&atilde;o bastante solicitadas com o aumento de austeridade?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Na C&aacute;ritas Portuguesa, as pessoas n&atilde;o vir&atilde;o bater &agrave; porta porque n&atilde;o temos essa compet&ecirc;ncia direta. Essa compet&ecirc;ncia &eacute; mais das C&aacute;ritas diocesanas e, sobretudo, das c&aacute;ritas paroquiais e dos grupos organizados que est&atilde;o nas par&oacute;quias.<\/p>\n<p>Ao longo destes tr&ecirc;s anos, n&atilde;o deixou de aumentar o n&uacute;mero de pessoas a procurar a ajuda da Igreja atrav&eacute;s destes grupos e com a generosidade de todos os portugueses que t&ecirc;m confiado, nos servi&ccedil;os que a Igreja presta aos mais pobres, os seus donativos. Tem sido t&atilde;o dif&iacute;cil ajudar, cabalmente, todas as pessoas que nos procuram e todos os problemas que nos apresentam. Ser&aacute; mais dif&iacute;cil no futuro porque mais uma vez as medidas anunciadas v&atilde;o recair sobre uma classe que j&aacute; est&aacute; altamente sacrificada e perfeitamente amarrada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Que classe &eacute; essa?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> A classe m&eacute;dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Essa classe ainda existe em Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Ainda existe. Mesmo dentro da classe m&eacute;dia t&iacute;nhamos tr&ecirc;s faixas: m&eacute;dia-baixa, m&eacute;dia-m&eacute;dia e m&eacute;dia-alta. Alguns da classe m&eacute;dia-alta j&aacute; baixaram alguns n&iacute;veis nestes degraus, agora a classe m&eacute;dia-baixa est&aacute; completamente empobrecida e muita da classe m&eacute;dia-m&eacute;dia est&aacute; tamb&eacute;m a sofrer fortemente as consequ&ecirc;ncias desta crise.<\/p>\n<p>A classe m&eacute;dia-alta, em casos identificados, &#8211; estou a pensar em algumas profiss&otilde;es designadas como liberais &ndash; est&aacute; a ficar muito endividada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Para utilizar um termo muito comum, a classe m&eacute;dia portuguesa baixou no ranking.<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> J&aacute; que fala em ranking, havia um em que est&aacute;vamos bem no alto: A disparidade existente ou o fosso entre ricos e pobres. Antes da crise, Portugal marcava pontos significativos. Est&aacute;vamos em primeiro ou segundo na Uni&atilde;o Europeia (UE) onde a diferen&ccedil;a entre ricos e pobres era abissal. J&aacute; a&iacute; se notava a vulnerabilidade porque nunca tivemos uma classe m&eacute;dia bem definida. Cada vez que havia oscila&ccedil;&otilde;es na economia, esta classe fragilizava-se. Para que haja um desenvolvimento equilibrado, em primeiro lugar n&atilde;o podemos ter uma sociedade como t&iacute;nhamos [antes da entrada na crise] &ndash; com &iacute;ndices de pobreza t&atilde;o elevados, j&aacute; est&aacute;vamos dois pontos acima da m&eacute;dia da UE.<\/p>\n<p>Portugal n&atilde;o pode ter a riqueza concentrada na m&atilde;o de uns quantos, que s&atilde;o poucos, mas que a concentraram e, muitos deles, a adquiriram de forma ileg&iacute;tima. Aqui, tem muita culpa a nossa justi&ccedil;a que foi sempre muito &aacute;gil para com os fracos e sente dificuldade &ndash; deixou-se enredar nas pr&oacute;prias teias que a lei permitia &ndash; nos julgamentos dos fortes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mas o conceito de justi&ccedil;a &eacute; muito abstrato&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> N&atilde;o se pode culpar os ju&iacute;zes, mas sim as leis que colocam nas m&atilde;os dos ju&iacute;zes. H&aacute; aqui uma grande responsabilidade do poder legislativo. Este deve aferir as propostas t&eacute;cnicas com a realidade. Esse tem sido um drama do nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Portugal est&aacute; no &laquo;grupo dos ricos&raquo;, mas com laivos de pa&iacute;s do terceiro mundo?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Somos um pa&iacute;s com trejeitos de ricos. Aparentamos riqueza. As pol&iacute;ticas que nos trouxeram tinham essa l&oacute;gica: De querer parecermos ricos e colocarmo-nos ao n&iacute;vel de outros pa&iacute;ses &ndash; nomeadamente da UE &ndash; na cria&ccedil;&atilde;o de estruturas. E posso citar a cria&ccedil;&atilde;o das estruturas sociais e nas exig&ecirc;ncias que se colocavam na constru&ccedil;&atilde;o de muitos equipamentos sociais. Eram, realmente, trejeitos de quem gostava de ser rico, mas n&atilde;o tinha condi&ccedil;&otilde;es objetivas para o ser e n&atilde;o o queria assumir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A civiliza&ccedil;&atilde;o coloca tamb&eacute;m os focos direcionados para certos paradigmas de felicidade&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> S&atilde;o os pseudoparadigmas do dinheiro e do parecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Vivia-se numa sociedade fict&iacute;cia?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Sem d&uacute;vida. N&atilde;o &eacute; s&oacute; em Portugal porque esta crise &eacute; mundial. Esta surge porque, durante muitos anos, a economia mundial assentou em mentiras. Uma falta de &eacute;tica profunda. Por causa dos mercados e das cota&ccedil;&otilde;es da bolsa criaram-se valores para essa mesma economia que n&atilde;o eram nada reais. Um dos exemplos da mentira da economia, que ningu&eacute;m consegue por cobro, mas era urgente que este adamastor fosse vencido, chama-se &laquo;offshore&raquo;. A&iacute;, as pessoas colocam muito dinheiro, escondendo, mascarando, para fugirem a determinadas responsabilidades sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Existem raz&otilde;es fulcrais para a exist&ecirc;ncia destes &laquo;para&iacute;sos fiscais&raquo;?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Nenhuma. Existem porque h&aacute; interesses de uns quantos &ndash; os tais poderosos &ndash; para poderem lavar o dinheiro que n&atilde;o querem colocar ao servi&ccedil;o do bem comum. A exist&ecirc;ncia de &laquo;offshores&raquo; &eacute; uma evid&ecirc;ncia, por parte de quem os sustenta, da desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o do bem que devia ser para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Uma das formas de combate ao crime fiscal passa pela elimina&ccedil;&atilde;o das &laquo;offshores&raquo;?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Nunca se conseguir&aacute; ter uma justi&ccedil;a fiscal aut&ecirc;ntica sem se destruir esse adamastor. Criticam-se tamb&eacute;m alguns grupos econ&oacute;micos porque fugiram com os seus capitais para outros pa&iacute;ses, mas &eacute; fundamental existir uma moldura fiscal europeia em que todos os benef&iacute;cios e todos os encargos sejam iguais no espa&ccedil;o europeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A escritora Agustina Bessa-Luis afirmou: &laquo;O pa&iacute;s n&atilde;o precisa de quem diga o que est&aacute; errado; precisa de quem saiba o que est&aacute; certo&raquo;. Onde est&atilde;o as solu&ccedil;&otilde;es? Onde est&aacute; a luz que possa iluminar a vida sombria das pessoas?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Essa &eacute; que &eacute; a afli&ccedil;&atilde;o&hellip; Muitos de n&oacute;s identificamos os problemas &#8211; e n&atilde;o os podemos calar -, mas temos de fazer um esfor&ccedil;o para encontrar as solu&ccedil;&otilde;es. O drama que sinto &eacute; que ningu&eacute;m tenha, at&eacute; agora, aparecido com propostas exequ&iacute;veis. N&atilde;o basta dizer que &eacute; preciso isto ou aquilo&hellip; &Eacute; preciso saber em que condi&ccedil;&otilde;es, vamos conseguir adquirir esses direitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; &Eacute; uma das vozes que defende o prolongamento do prazo das metas impostas pela troika. Uma forma de &laquo;apertar o cinto&raquo; lentamente&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Essa &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o que me parecia ser urgente tomar. N&atilde;o percebo bem o porqu&ecirc; de isso n&atilde;o se fazer. Como as metas s&atilde;o muito altas para um pa&iacute;s com tantas debilidades econ&oacute;micas era fundamental prolongar o prazo. Assim, estend&iacute;amos as exig&ecirc;ncias e estas seriam mais suaves. Se n&atilde;o entr&aacute;ssemos t&atilde;o tardiamente no pedido de ajuda talvez as coisas tivessem sido tamb&eacute;m mais suaves.<\/p>\n<p>Quando h&aacute; tanta gente, de grande autoridade, a dizer que a solu&ccedil;&atilde;o poderia passar pelo alargamento do prazo, n&atilde;o percebo porque n&atilde;o se envereda por esse caminho. Ou&ccedil;o dizer, com alguma frequ&ecirc;ncia, que Portugal est&aacute; doente e tem de ser curado porque n&atilde;o &eacute; uma doen&ccedil;a mortal. &Eacute; bom que tratemos o doente para que ele n&atilde;o fique com uma doen&ccedil;a cr&oacute;nica. Isto &eacute; o somat&oacute;rio de muitos e muitos anos, de governos que olharam mais para o seu umbigo do que para o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A doen&ccedil;a est&aacute; diagnosticada, agora falta encontrar o antibi&oacute;tico para o v&iacute;rus do d&eacute;fice?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Mas se os antibi&oacute;ticos n&atilde;o s&atilde;o tomados com a regularidade prescrita ou n&atilde;o produzem efeito, &#8211; parece que &eacute; isso que est&aacute; a acontecer, o &uacute;ltimo ano deu provas disso -, ou ent&atilde;o se &eacute; tomado em dose excessiva mata o doente. O meu receio &eacute; que, depois de paga a d&iacute;vida, tenhamos uma grande franja da sociedade portuguesa totalmente desmobilizada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Arist&oacute;teles j&aacute; dizia &laquo;A comunidade politicamente mais perfeita &eacute; aquela em que a classe m&eacute;dia est&aacute; no poder e ultrapassa em n&uacute;mero as duas outras&raquo;.<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Verdade. Temos de ter uma classe m&eacute;dia bem forte, porque &eacute; a&iacute; que se sustenta o desenvolvimento integral do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Com palavras governa-se bem&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Treinadores de bancada h&aacute; muitos. As pessoas devem ter a predisposi&ccedil;&atilde;o para ser parte da solu&ccedil;&atilde;o. Na sociedade portuguesa, existem pessoas que est&atilde;o, constantemente, do lado dos problemas e nunca do lado da solu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Com o agudizar dos problemas, as receitas da C&aacute;ritas tamb&eacute;m ser&atilde;o afetadas? Os Portugueses deixam de ser t&atilde;o solid&aacute;rios. <\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> &Agrave;s vezes, somos surpreendidos. Estamos numa fase em que o povo est&aacute; a ficar cansado de ser t&atilde;o solicitado e est&aacute; tamb&eacute;m a sofrer as consequ&ecirc;ncias da crise. Est&aacute; a ficar sem recursos para apoiar, como apoiava at&eacute; aqui. O indicador que temos, foi a campanha de ajuda &agrave;s v&iacute;timas dos inc&ecirc;ndios, que ficou muito aqu&eacute;m daquilo que esper&aacute;vamos. Mas tamb&eacute;m &eacute; verdade que, a&iacute;, n&atilde;o houve uma envolv&ecirc;ncia t&atilde;o grande da comunica&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>Aguardemos pela pr&oacute;xima iniciativa a realizar, a campanha dos &laquo;Dez Milh&otilde;es de Estrelas&raquo;, na altura do Natal. S&atilde;o esses os term&oacute;metros.<\/p>\n<p>Por outro lado, para mantermos viva esta consci&ecirc;ncia que as pessoas devem &ndash; dentro das suas possibilidades &ndash; estarem solid&aacute;rias com os outros &ndash; a quest&atilde;o da solidariedade &eacute; um modo de estar &ndash; fizemos a campanha para chamar a aten&ccedil;&atilde;o da solid&atilde;o dos idosos. Foi muito bem acolhida na sociedade portuguesa. Algumas pessoas disseram que agitou as suas consci&ecirc;ncias e passaram a estar mais atentos &agrave; realidade dos pais.<\/p>\n<p>No dia 17 de outubro, inici&aacute;mos, tamb&eacute;m, a campanha &laquo;Fome de partilha, solidariedade e justi&ccedil;a&raquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Nessa campanha lan&ccedil;aram os 10 mandamentos para um futuro sem fome?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Sim. Mandamentos para uma regra de vida, mas n&atilde;o &eacute;, de forma nenhuma, para compararmos com o dec&aacute;logo que Deus deu a Mois&eacute;s. Esperemos que esta campanha possa produzir efeitos em termos de consci&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Por muita generosidade que o povo portugu&ecirc;s possa ter, ficar&aacute; sempre aqu&eacute;m das reais necessidades que muita gente sente e nos procura para as resolver. O Governo n&atilde;o pode ficar, como tem estado, t&atilde;o distante da ajuda que as pessoas precisam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O Governo est&aacute; ausente das quest&otilde;es sociais?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> N&atilde;o digo tanto. No &uacute;ltimo ano, foi desenvolvido o programa de emerg&ecirc;ncia social que ajudou em algumas &aacute;reas, nomeadamente, no apoio &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es de solidariedade social para que dessem maior sustentabilidade a determinadas respostas sociais.<\/p>\n<p>Est&aacute; anunciado um refor&ccedil;o ao Minist&eacute;rio da Solidariedade e Seguran&ccedil;a Social no pr&oacute;ximo or&ccedil;amento de Estado que sa&uacute;do. No entanto, &eacute; fundamental rever esse programa porque, hoje, existem situa&ccedil;&otilde;es novas que precisam de serem inclu&iacute;das no programa de emerg&ecirc;ncia social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A C&aacute;ritas &eacute; consultada pelos partidos pol&iacute;ticos sobre o pulsar da realidade social em Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Sim, alguns grupos parlamentares pedem-nos sugest&otilde;es para medidas que pensam tomar. Ao n&iacute;vel do governo temos tido um di&aacute;logo muito pr&oacute;ximo com o ministro da Solidariedade e Seguran&ccedil;a Social. Uma pessoa muito dispon&iacute;vel para o di&aacute;logo. Agora, os resultados do di&aacute;logo &eacute; que n&atilde;o s&atilde;o muitas vezes aqueles que desejar&iacute;amos.<\/p>\n<p>Com o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de temos tido tamb&eacute;m algum di&aacute;logo. Tivemos uma colabora&ccedil;&atilde;o bastante prof&iacute;cua que fez com que mais pessoas pudessem aceder &agrave; isen&ccedil;&atilde;o das taxas moderadoras por insufici&ecirc;ncia econ&oacute;mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O desenvolvimento local &eacute; uma das formas de ultrapassar a crise. As c&aacute;ritas paroquiais est&atilde;o sensibilizadas para esta realidade?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> A C&aacute;ritas Portuguesa, em sintonia com a Comiss&atilde;o Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana, est&aacute; num programa que visa uma maior anima&ccedil;&atilde;o da pastoral social ao n&iacute;vel das par&oacute;quias: Programa &laquo;+Pr&oacute;ximo&raquo;. Reconhecemos que muito est&aacute; a ser feito pelas par&oacute;quias deste pa&iacute;s&hellip; Mas este tipo de a&ccedil;&atilde;o pastoral precisa de recrutar mais gente, pessoas mais novas e com capacidades para responder aos desafios que Bento XVI tem feito: &ldquo;Capacita&ccedil;&atilde;o dos agentes da a&ccedil;&atilde;o pastoral nesta &aacute;rea para o exerc&iacute;cio da sua miss&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Temos feito um esfor&ccedil;o para que a a&ccedil;&atilde;o da c&aacute;ritas n&atilde;o se confinasse apenas &agrave; dimens&atilde;o assistencial. A dimens&atilde;o da promo&ccedil;&atilde;o humana avan&ccedil;ou muito, mas o desenvolvimento s&oacute;cio local tem sido mais dif&iacute;cil porque exige uma disponibilidade maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A pastoral social &eacute; o parente pobre da pastoral da Igreja?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Considero que a pastoral social tem de merecer por parte das comunidades crist&atilde;s uma prioriza&ccedil;&atilde;o maior do que aquela que lhe tem sido dada. Deve-se dotar esta pastoral com agentes que possam corresponder com maior efic&aacute;cia aos desafios que se colocam a esta a&ccedil;&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; As jornadas mundiais da juventude re&uacute;nem sempre &agrave; volta do Papa muitos milhares de jovens. Onde est&atilde;o esses jovens depois destes grandes acontecimentos eclesiais?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Tamb&eacute;m fa&ccedil;o essa pergunta muitas vezes. Em termos da pastoral juvenil &ndash; n&atilde;o incluo todos os movimentos juvenis da Igreja &ndash; estamos muito tempo com eles em reflex&atilde;o. Ainda n&atilde;o se conseguiu dar o salto da reflex&atilde;o para a a&ccedil;&atilde;o. Do pensamento para a pr&aacute;tica. Temos jovens implicados na solidariedade, mas em a&ccedil;&otilde;es muito pontuais.<\/p>\n<p>Atualmente, est&atilde;o a ressurgir muitos crismas, h&aacute; cada vez mais candidatos a este sacramento que &eacute; de compromisso. Gostava de ver, na forma&ccedil;&atilde;o dos crismados, que houvesse esta componente de forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da caridade. Gostava tamb&eacute;m que existisse um tempo de est&aacute;gio dos candidatos ao crisma onde, durante dois ou tr&ecirc;s meses, fizessem a&ccedil;&atilde;o concreta, em favor do pr&oacute;ximo, nas estruturas da Igreja que se dedicam a esse trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A caridade &eacute; a f&eacute; em a&ccedil;&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Neste ano, em que se celebra o &laquo;Ano da F&eacute;&raquo;, era bom que n&atilde;o se desligasse a f&eacute; da caridade. J&aacute; que estamos tamb&eacute;m a celebrar os 50 anos de abertura do II Conc&iacute;lio do Vaticano h&aacute; uma recomenda&ccedil;&atilde;o conciliar que nunca se pode perder de vista: &ldquo;&Eacute; preciso saber ler os sinais dos tempos&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Est&aacute; na hora de revisitar os documentos conciliares, as solu&ccedil;&otilde;es para os problemas vigentes est&atilde;o l&aacute;&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Essa sugest&atilde;o &eacute; importante. N&atilde;o vale a pena estarmos a reclamar um novo conc&iacute;lio porque este est&aacute; ainda por cumprir. Esta &eacute; a hora, talvez tardia, de colocarmos, nas m&atilde;os dos nossos crist&atilde;os o pensamento social da Igreja que tem nos documentos conciliares o seu v&eacute;rtice estruturante. O d&eacute;fice de conhecimento da Doutrina Social da Igreja (DSI) &eacute; muito importante. Quando se diz que n&atilde;o compete aos crist&atilde;os fazer pol&iacute;tica &#8211; no sentido mais espec&iacute;fico do termo &ndash; porque lhes basta fazer a sua interven&ccedil;&atilde;o onde est&atilde;o &#8211; sociedade, empresa&hellip; &#8211; para a transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade e basta-lhes para isso a DSI, eu concordo absolutamente. Mas &eacute; preciso que os crist&atilde;os conhe&ccedil;am a DSI.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A forma&ccedil;&atilde;o em DSI &eacute; um problema de base?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Basta olhar para os catecismos e n&atilde;o est&aacute; l&aacute;. Basta olhar para os comp&ecirc;ndios de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa Cat&oacute;lica e n&atilde;o est&aacute; l&aacute;. At&eacute; mesmo noutro tipo de ensino. Falta desafiar os crist&atilde;os a conhec&ecirc;-la. A partir do momento em que &eacute; conhecida, torna-se galvanizadora da vontade de maior interven&ccedil;&atilde;o social dos crist&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A DSI &eacute; uma vacina ou ant&iacute;doto para o capitalismo selvagem?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> O pensamento social da Igreja n&atilde;o sacraliza nenhum sistema, mas aponta caminhos para aquilo que devia ser o sistema mais respeitador da pessoa e da sua dignidade. Mas n&atilde;o tenhamos ilus&otilde;es, devemos ter um regime que olhe para o capital como algo de necess&aacute;rio &ndash; ele n&atilde;o &eacute; o dem&oacute;nio -, mas que esteja ao servi&ccedil;o da pessoa. O capital tem de ser um meio e n&atilde;o um fim absoluto, como tem sido at&eacute; agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Recentemente, a Uni&atilde;o Europeia foi contemplada com o Pr&eacute;mio Nobel da Paz. Esta atribui&ccedil;&atilde;o acontece quando muitos europeus est&atilde;o na rua a protestar. &Eacute; um galard&atilde;o question&aacute;vel?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Fiquei perplexo com a decis&atilde;o de atribuir o pr&eacute;mio &agrave; Uni&atilde;o Europeia (UE). N&atilde;o sei se a UE tem sido fator de paz, da verdadeira paz, para a UE ou se tem apenas limitado a gerir conflitos latentes existentes no seu seio. Quando temos no espa&ccedil;o europeu pa&iacute;ses de primeira e pa&iacute;ses de segunda e que prevalece o dom&iacute;nio desses pa&iacute;ses sobre os outros, n&atilde;o sei como pode haver tranquilidade e harmonia&hellip;<\/p>\n<p>Neste momento em que se trouxe &agrave; evid&ecirc;ncia as fragilidades da UE, que se tornou excessivamente econ&oacute;mica e deixou de ser t&atilde;o uni&atilde;o, para salvaguardar os interesses econ&oacute;micos em alguns pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; &Eacute; um pr&eacute;mio politizado?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Considero que sim. Se foi um pr&eacute;mio de potenciar a autoestima dos europeus&hellip; N&atilde;o estou a imaginar Portugal fora do espa&ccedil;o europeu, como n&atilde;o imagino a desintegra&ccedil;&atilde;o da UE. No entanto, &eacute; urgente que se volte a refontalizar a UE.<\/p>\n<p>Em conflitos em que intervieram os Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA), a Uni&atilde;o Europeia tomou o partido desajustado pelos EUA. Tudo isto apenas pelo fator do petr&oacute;leo, mais uma vez por raz&otilde;es econ&oacute;micas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Num determinado contexto, Evita Per&oacute;n referiu que &laquo;A viol&ecirc;ncia nas m&atilde;os do povo n&atilde;o &eacute; viol&ecirc;ncia mas sim justi&ccedil;a&raquo;. Considera que a Europa &eacute; um barril de p&oacute;lvora? <\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> N&atilde;o concordo com a afirma&ccedil;&atilde;o, mas considero que a Europa est&aacute; sob um barril de p&oacute;lvora. Nunca a viol&ecirc;ncia &eacute; justa, seja nas m&atilde;os de quem for. A viol&ecirc;ncia gera viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Se a Europa n&atilde;o arrepiar caminho e n&atilde;o for capaz de rever os crit&eacute;rios pelos quais se tem orientado estamos em lume brando de uma conflitualidade que pode ser muito maior do que as pequenas quez&iacute;lias que t&ecirc;m acontecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Pequenas quez&iacute;lias, mas envolvem milh&otilde;es de pessoas&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Pequenas, quando se fala de viol&ecirc;ncia, mas que afetam milh&otilde;es e s&atilde;o desastrosas no plano econ&oacute;mico. A pol&iacute;tica da UE de defender os interesses de determinados Estados membros tem sido desastrosa e a prova do desastre &eacute; esta: A crise econ&oacute;mico-financeira que rebentou nos Estados Unidos acaba por ter na Europa resultados mais desastrosos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A forma de atua&ccedil;&atilde;o da UE &eacute; como um martelo pneum&aacute;tico que esburaca o tecido familiar?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> &Eacute; uma boa imagem. Neste momento, nota-se &ndash; olhando do lado de Portugal &ndash; que a palavra solidariedade est&aacute; cada vez mais fugidia dos dicion&aacute;rios europeus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Desaparece o conceito de solidariedade e, em simult&acirc;neo, nasce o termo austeridade?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Sem d&uacute;vida e que contraria o princ&iacute;pio da solidariedade e que, por falta de equidade, gera a injusti&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Com o aumento da carga fiscal, o sentimento de injusti&ccedil;a nas fam&iacute;lias ganha novos contornos e, muitas delas, s&atilde;o obrigadas a entregar as pr&oacute;prias casas &agrave;s entidades a quem pediram o cr&eacute;dito.<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Muitas delas t&ecirc;m de regressar a casa dos pais. Vou entrar em contradi&ccedil;&atilde;o com o que disse anteriormente e, neste caso, dou gra&ccedil;as a Deus pela inoper&acirc;ncia da justi&ccedil;a. Se a justi&ccedil;a fosse mais c&eacute;lere, o drama era maior. Muitos dos processos que colocariam as pessoas na rua, emperram nos tribunais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; As nuvens negras pairam sobre a sociedade portuguesa.<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Muito. N&atilde;o gostaria de dizer isto porque me compete dar esperan&ccedil;a &agrave;s pessoas. Recentemente, as pessoas chegavam aos atendimentos das C&aacute;ritas e diziam: &ldquo;Ajude-nos que eu vou ultrapassar isto&rdquo;. Agora dizem: &ldquo;Ajude-nos&hellip; e como vai ser daqui para a frente?&rdquo;. Este &eacute; que &eacute; o grande drama. As pessoas sofrem e n&atilde;o sabem porque fazem esta austeridade. Espero e desejo muito que as pessoas n&atilde;o enveredem por caminhos duma radicalidade extrema, como &eacute; o desistir de viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Desistir de viver?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Sim. Isso n&atilde;o resolve nada e, quando isso se faz, deixam-se os encargos para outros. Pe&ccedil;o a essas pessoas que procurem logo ajuda porque essa n&atilde;o &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o. Por imperativo da nossa miss&atilde;o, a c&aacute;ritas estar&aacute; com as pessoas at&eacute; ao fim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; As pessoas n&atilde;o mereciam uma explica&ccedil;&atilde;o sobre a d&iacute;vida? Ouve-se com frequ&ecirc;ncia: &laquo;Os pol&iacute;ticos &eacute; que fizeram a d&iacute;vida, ent&atilde;o eles que a paguem&raquo;.<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Quando se fala de corresponsabilidade n&atilde;o se pode colocar tudo no mesmo n&iacute;vel. H&aacute;, objetivamente, responsabilidades diferentes. &Eacute; lament&aacute;vel &#8211; isso &eacute; que leva o povo a ter essa postura e essa forma de pensar &ndash; que se tivesse identificado tantas situa&ccedil;&otilde;es dolosas grav&iacute;ssimas, de roubos declarados ao er&aacute;rio p&uacute;blico em que o Estado, os governos, resolveram o assunto ejetando mais dinheiro para dentro dessas institui&ccedil;&otilde;es. Nunca exigiram responsabilidades a essas pessoas. Ningu&eacute;m perguntou a quem enriqueceu, a olhos vistos, de onde apareceu aquela riqueza. At&eacute; em nome do tal sigilo banc&aacute;rio&hellip; Depois os processos prescrevem. Isso &eacute; muito injusto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mas pedem-se responsabilidades a quem roubou uma lata de atum no supermercado.<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Isso &eacute; de uma tremenda injusti&ccedil;a. Isso n&atilde;o invalida reconhecer que, alguns portugueses, porque n&atilde;o estavam bem preparados para algumas situa&ccedil;&otilde;es se deixaram seduzir por publicidades enganosas. Deixaram-se seduzir por acesso a estatutos que prometiam bem-estar onde ele n&atilde;o estava. Durante anos, mesmo antes de haver crise, cheguei a falar desses malfadados cart&otilde;es de cr&eacute;dito. Algumas pessoas gastavam o vencimento que ainda n&atilde;o tinham.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Perante este cen&aacute;rio, &eacute; urgente uma mudan&ccedil;a de estilo de vida?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Sou apologista dessa mudan&ccedil;a e ela vai acontecer. N&atilde;o fomos pela raz&atilde;o, agora vamos pelos factos. N&atilde;o podemos continuar a ter o mesmo sistema e estilo de vida. Agora, n&atilde;o vamos pedir aos pobres que abdiquem daquilo que &eacute; elementar para que os ricos andem a gastar escandalosamente. N&atilde;o me venham dizer que os ricos devem gastar porque o dinheiro &eacute; deles. O presidente da Rep&uacute;blica disse numa interven&ccedil;&atilde;o: &ldquo;A riqueza s&oacute; era leg&iacute;tima se fosse posta ao servi&ccedil;o do bem comum&rdquo;. &Eacute; neste sentido que ela &eacute; leg&iacute;tima.<\/p>\n<p>O que se passa nesses mundos do futebol&hellip; &Agrave;s vezes tenho pena que o povo n&atilde;o reaja a essas situa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O futebol serve de analg&eacute;sico para os sofrimentos do quotidiano?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> O ir ao futebol &eacute; um analg&eacute;sico. Mas &eacute; naquele momento. Depois tenho de vir para a realidade. Agora, se passo a vida toda a discutir aquilo &eacute; uma aliena&ccedil;&atilde;o. Temos de mudar de vida e que esteja de acordo com as nossas reais possibilidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Podia aplicar-se uma maior taxa&ccedil;&atilde;o &agrave;s fortunas?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Sem d&uacute;vida. O aumento da carga fiscal &eacute; preocupante, mas o que me vai preocupar tamb&eacute;m &eacute; o n&uacute;mero de pessoas que v&atilde;o fugir aos impostos. Quem foge s&atilde;o aqueles que podiam pag&aacute;-los. Neste pa&iacute;s, ainda n&atilde;o se conseguiu uma reforma mais equitativa da arquitetura fiscal. Continuamos sempre os mesmos a pagar&hellip; O povo foge porque n&atilde;o v&ecirc; os seus impostos bem aplicados. Este n&atilde;o devia ser o princ&iacute;pio de fundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A taxa elevada de absten&ccedil;&atilde;o eleitoral &ndash; basta ver o que aconteceu nas elei&ccedil;&otilde;es dos A&ccedil;ores &#8211; leva-nos a concluir que as pessoas deixaram de acreditar nos &oacute;rg&atilde;os de soberania?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Nota-se uma grande falta de participa&ccedil;&atilde;o do povo. A rua pode ser um meio de press&atilde;o, mas &eacute; nas urnas&hellip; Tenho receio que se houvesse elei&ccedil;&otilde;es &ndash; espero que n&atilde;o porque seria mau para o pa&iacute;s &ndash; ia acontecer o mesmo. A absten&ccedil;&atilde;o seria outra vez um desastre. Porque &eacute; que as pessoas se demitem destas coisas?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O Governo fala com alguma frequ&ecirc;ncia no aumento das receitas e na diminui&ccedil;&atilde;o das despesas. Mas os resultados n&atilde;o coincidem com as previs&otilde;es.<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Ao n&iacute;vel das despesas fazem-se coisas muito paliativas e procura-se receitas de uma forma r&aacute;pida (via da tributa&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas) quando se devia ir busc&aacute;-las atrav&eacute;s da via da produ&ccedil;&atilde;o. Os governantes apostam naquilo que &eacute; mais f&aacute;cil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A coes&atilde;o social est&aacute; em perigo?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Nunca tivemos coes&atilde;o social em Portugal. Com 18% de pobres &ndash; quase dois milh&otilde;es de pessoas &ndash; antes de haver crise, n&atilde;o podia haver coes&atilde;o social. Agora, esta coes&atilde;o social ainda est&aacute; muito mais rota. Para existir coes&atilde;o social tem de haver harmonia entre as pessoas, das perspetivas de futuro das pessoas e do seu sentido c&iacute;vico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A partilha de emprego poderia ajudar o pa&iacute;s a sair deste drama?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &#8211;<\/em> H&aacute; que repensar novas formas de trabalho. Primeiro, antes de redistribuir o trabalho, existe tanta &aacute;rea por explorar. Tanta &aacute;rea produtiva por explorar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Aproveitar os recursos da terra e do mar de forma sustent&aacute;vel?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> Sim. T&iacute;nhamos de ter a coragem de voltar ao mar e voltar &agrave; terra. Foi um descalabro dos governantes, muito anterior a estes, que hipotecaram o mar e a terra por press&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia. Para voltar &agrave; terra e ao mar &ndash; este n&atilde;o tanto porque tudo se construiu na orla mar&iacute;tima &ndash; &eacute; preciso aproximar determinados servi&ccedil;os, de primeira linha, das pessoas. S&oacute; assim as pessoas podem voltar para a terra porque voltar para esta &eacute; voltar ao interior do pa&iacute;s. N&atilde;o &eacute; desertificando o interior do pa&iacute;s de bens e servi&ccedil;os essenciais que se consegue motivar as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A rede de autoestradas que o pa&iacute;s possui n&atilde;o contemplou o futuro.<\/em><\/p>\n<p><em>EF &#8211;<\/em> Muitas delas foram boas, mas outras foram um aut&ecirc;ntico desperd&iacute;cio. Elas n&atilde;o ligaram determinados pontos vitais. Esses pontos est&atilde;o isolados e, hoje, seriam muito importantes para a produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mas tamb&eacute;m existem outras &aacute;reas onde se devia apostar, tal como o turismo. O que aproveitamos deste sol e as condi&ccedil;&otilde;es do Atl&acirc;ntico que nos banha. Reduzimos quase tudo ao Algarve. Muito pouco se tem feito nesta &aacute;rea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Voltando &agrave; redistribui&ccedil;&atilde;o do trabalho&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>EF &#8211;<\/em> T&iacute;nhamos que equacionar e taxar os segundos empregos, sobretudo aqueles que n&atilde;o se justificam. Porque h&aacute; empregos que s&atilde;o complemento salarial, visto que h&aacute; muita gente que tem ordenados muito baixos. Temos muitas pessoas sem necessidade &ndash; alguns j&aacute; usufruem reformas principescas &ndash; que n&atilde;o deviam ter outra ocupa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o advogo que as pessoas aos 65 anos tenham de passar para a reserva e n&atilde;o fazer nada. As pessoas devem trabalhar at&eacute; acharem que t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es. Mas deixem tamb&eacute;m aqueles que querem fazer algo pelos outros, sem serem remunerados, fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Para aqueles que procuram o primeiro emprego, a emigra&ccedil;&atilde;o &eacute; solu&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>EF &ndash;<\/em> N&atilde;o. E lamento &ndash; agora j&aacute; amainou &ndash; que em determinada altura se fizesse a apologia disso. Estamos a deixar partir quadros muito importantes para o desenvolvimento do pa&iacute;s. A emigra&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre um recurso de desespero. N&atilde;o estou a falar daqueles que partem por op&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, por quest&otilde;es pessoais, para obter outro tipo de qualifica&ccedil;&otilde;es. Falo daqueles que at&eacute; ficariam no pa&iacute;s, mas porque n&atilde;o t&ecirc;m trabalho ou porque n&atilde;o lhe foi concedida a bolsa para puderem estudar c&aacute;, se viram obrigados a deixar os seus familiares e demandarem a outras paragens. Isso &eacute; uma injusti&ccedil;a muito grande e n&atilde;o me digam que eles v&atilde;o voltar.<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente da C\u00e1ritas critica, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o aumento de impostos previsto pelo Governo na proposta de Or\u00e7amento para 2013, lamentando excesso de poder do mundo financeiro e econ\u00f3mico no cen\u00e1rio atual<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,125,168,185,191,203,240,267,280,282,314,320],"class_list":["post-58575","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-caritas","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-algarve","tag-economia","tag-europa","tag-jornadas-mundiais-da-juventude","tag-natal","tag-pastoral-juvenil","tag-pastoral-social","tag-solidariedade","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58575"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58575\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}