{"id":58571,"date":"2012-10-23T12:04:09","date_gmt":"2012-10-23T12:04:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/10\/23\/da-complexidade-a-dificuldade-do-nosso-futuro\/"},"modified":"2012-10-23T12:04:09","modified_gmt":"2012-10-23T12:04:09","slug":"da-complexidade-a-dificuldade-do-nosso-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/da-complexidade-a-dificuldade-do-nosso-futuro\/","title":{"rendered":"Da complexidade \u00e0 dificuldade do nosso futuro"},"content":{"rendered":"<p>Joaquim Cadete, Economista <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\">O problema que atualmente a Europa vive decorre, essencialmente, de um processo de perda de competitividade em rela&ccedil;&atilde;o ao resto do mundo. A ascens&atilde;o de novas pot&ecirc;ncias mundiais, das quais se destacam naturalmente a China e o Brasil, conduziu a um novo paradigma nas rela&ccedil;&otilde;es entre os principais blocos comerciais. Os pa&iacute;ses referenciados como emergentes, em especial de &Aacute;frica e da Am&eacute;rica do Sul, come&ccedil;aram a desempenhar o papel de fornecedores de produtos energ&eacute;ticos e de mat&eacute;rias-primas; a &Aacute;sia tornou-se o l&iacute;der mundial na produ&ccedil;&atilde;o de bens de baixo e m&eacute;dio valor acrescentado; e o Ocidente a principal f&aacute;brica de investimentos financeiros para o mundo, nomeadamente de d&iacute;vida soberana. Em suma, o excedente comercial obtido pelos pa&iacute;ses exportadores para o Ocidente, de forma direta ou indireta, era devolvido ao mesmo atrav&eacute;s de empr&eacute;stimos. Esta din&acirc;mica possibilitou, ao longo de v&aacute;rias d&eacute;cadas, o adiamento de reformas, frequentemente referenciadas como estruturais, no intuito de reequilibrar os fluxos comerciais entre os v&aacute;rios blocos. Face a este contexto, assistiu-se &agrave; desindustrializa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios pa&iacute;ses ocidentais e &agrave; estrat&eacute;gia de especializa&ccedil;&atilde;o em setores de atividade que n&atilde;o concorressem com o exterior (as atividades da constru&ccedil;&atilde;o e do turismo constituem um bom exemplo). A atual crise econ&oacute;mica e financeira veio relevar todas as debilidades inerentes ao sistema ocidental &ndash; um modelo econ&oacute;mico desajustado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; procura internacional por bens e um problema financeiro decorrente do excessivo endividamento. Na Europa, a incapacidade sistem&aacute;tica dos decisores pol&iacute;ticos de implementarem medidas, no momento certo, de forma a minimizar os problemas futuros trouxe-nos at&eacute; aqui. A necessidade de manter o poder pol&iacute;tico a qualquer custo, no sentido maquiav&eacute;lico da express&atilde;o, justificou esta caminhada para o decl&iacute;nio.<\/p>\n<p>Face ao contexto descrito, penso que fica claro que qualquer solu&ccedil;&atilde;o para o problema nacional passar&aacute; necessariamente pela Europa e que esta ter&aacute; de atuar de forma consertada, sob pena de politicamente desaparecer face aos restantes blocos regionais em presen&ccedil;a. Portugal hoje n&atilde;o controla o acesso ao recurso energ&eacute;ticos tal como no passado, por via do imp&eacute;rio colonial, e a sua posi&ccedil;&atilde;o externa apresenta-se devedora em larga escala. O caso portugu&ecirc;s padece ainda de outras vicissitudes. A popula&ccedil;&atilde;o nacional &eacute; uma das mais envelhecidas em termos mundiais, o que potencia o problema da sustentabilidade do estado social. Por &uacute;ltimo, e n&atilde;o de menor import&acirc;ncia, todas as diferentes classes de agentes econ&oacute;micos apresentam um excessivo n&iacute;vel de endividamento &ndash; Estado, fam&iacute;lias e empresas. Por todos estes factos, importa dizer a verdade aos cidad&atilde;os de forma a n&atilde;o criar expectativas enganadoras em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro imediato. Os desequil&iacute;brios criados ao longo de v&aacute;rias d&eacute;cadas nunca poder&atilde;o ser resolvidos sozinhos e num per&iacute;odo de uma s&oacute; legislatura pol&iacute;tica. N&atilde;o existindo recursos ilimitados, a austeridade significa o ajustamento da nossa realidade econ&oacute;mica e financeira apenas ao que produzimos e poupamos. Alternativas populistas a este caminho conduzir-nos-&atilde;o a um desfecho final mais penoso sob todos os pontos de vista. Doravante, o nosso pensamento dever&aacute; estar orientado na forma como poderemos criar riqueza a partir do que somos e n&atilde;o assente na reivindica&ccedil;&atilde;o do que algu&eacute;m nos poder&aacute; dar, dado que ser&aacute; sempre muito limitado. Neste sentido, a melhoria do n&iacute;vel de forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica das &uacute;ltimas d&eacute;cadas dever&aacute; ser um fator importante de atenua&ccedil;&atilde;o dos poss&iacute;veis desafios.<\/p>\n<p>Por fim, importa referir os princ&iacute;pios centrais que dever&atilde;o orientar a atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica durante este caminho dif&iacute;cil &ndash; seriedade, responsabilidade e solidariedade. A aus&ecirc;ncia de coes&atilde;o social apenas nos conduzir&aacute; a uma situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o &eacute; do interesse da maioria da popula&ccedil;&atilde;o, nomeadamente dos mais desfavorecidos. Este facto exige a coragem de anunciar decis&otilde;es dif&iacute;ceis bem como de romper com interesses instalados e v&iacute;cios passados, de forma a garantir os valores da liberdade e da justi&ccedil;a social para todos. Fugir a este desafio n&atilde;o pode ser uma op&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p><em>Joaquim Cadete, Economista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joaquim Cadete, Economista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[122,203,314,320],"class_list":["post-58571","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-brasil","tag-europa","tag-solidariedade","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58571","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58571"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58571\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}