{"id":58570,"date":"2012-10-23T11:59:19","date_gmt":"2012-10-23T11:59:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/10\/23\/o-silencioso-problema-do-crescimento-demografico\/"},"modified":"2012-10-23T11:59:19","modified_gmt":"2012-10-23T11:59:19","slug":"o-silencioso-problema-do-crescimento-demografico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-silencioso-problema-do-crescimento-demografico\/","title":{"rendered":"O silencioso problema do crescimento demogr\u00e1fico"},"content":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o, investigador universit\u00e1rio <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"left\">&ldquo;Crescei e multiplicai-vos&rdquo; (Gn 1, 22). Uma sociedade autossustentada a todos os n&iacute;veis depende da capacidade de se renovar, nomeadamente ao n&iacute;vel da sua popula&ccedil;&atilde;o residente. Como podemos assegurar um sistema de seguran&ccedil;a social para todos, se n&atilde;o houver no futuro quem o sustente? H&aacute; um tempo, com o aumento da idade da reforma assistimos a um fluxo anormal de reformas antecipadas e perguntei-me, quem as sustentar&aacute;? Bom, a resposta <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> relativamente simples: as novas gera&ccedil;&otilde;es. Mas existem?<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a divulga&ccedil;&atilde;o da proposta de Or&ccedil;amento de Estado para 2013, todas as aten&ccedil;&otilde;es est&atilde;o centradas sobre os seus aspetos fiscais e econ&oacute;micos, cujas implica&ccedil;&otilde;es para com o tecido social s&atilde;o enormes. Contudo, o aspeto que d&aacute; corpo <span lang=\"AR-YE\">&agrave;<\/span> sustentabilidade da nossa sociedade permanece silencioso nos debates. Refiro-me ao aspeto demogr&aacute;fico. Se n&atilde;o houver novas gera&ccedil;&otilde;es que segurem socialmente o nosso futuro, pouco pode valer o esfor&ccedil;o que hoje nos <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> exigido.<\/p>\n<p>Eis o panorama. No Anu&aacute;rio Estat&iacute;stico de Portugal, publicado pelo Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (edi&ccedil;&atilde;o de 2011), a primeira afirma&ccedil;&atilde;o <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span>: &ldquo;em 2010 verificou-se uma diminui&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o residente, o que n&atilde;o ocorria desde o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90.&rdquo; E mais <span lang=\"AR-YE\">&agrave;<\/span> frente se percebe que o pouco crescimento ocorrido se deveu em 80% aos contributos da taxa migrat&oacute;ria. &ldquo;O peso da popula&ccedil;&atilde;o idosa mant&eacute;m a tend&ecirc;ncia crescente, em consequ&ecirc;ncia das tend&ecirc;ncias de diminui&ccedil;&atilde;o da fecundidade e de aumento da longevidade.&rdquo; A propor&ccedil;&atilde;o de casamentos cat&oacute;licos tem vindo a diminuir desde a d&eacute;cada de 1990, os div&oacute;rcios aumentam e o n&uacute;mero de filhos nascidos fora do casamento aumenta a um ritmo n&atilde;o linear. Que retrato social demogr&aacute;fico obtemos a partir destes dados estat&iacute;sticos? Ser&aacute; esse retrato o indicado para enfrentar os grandes desafios que temos pela frente? Se a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se renova, e isso pode gerar consequ&ecirc;ncias dr&aacute;sticas no futuro, onde est&atilde;o os incentivos <span lang=\"AR-YE\">&agrave;<\/span> natalidade? Quantas preocupa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o surgem quando ao pensar em ter mais um filho, pensamos tamb&eacute;m em como o poderemos sustentar &#8230; Ser&aacute; que isso n&atilde;o levar&aacute; a que os casais comecem a ter medo de ter filhos? Apoia-se a liberdade de n&atilde;o ter filhos (aborto), mas n&atilde;o ser&aacute; mais importante a liberdade de os ter? Ser&aacute; que um olhar diferente sobre a quest&atilde;o demogr&aacute;fica pode servir de inspira&ccedil;&atilde;o <span lang=\"AR-YE\">&agrave;<\/span> resolu&ccedil;&atilde;o dos desafios atuais que vivemos?<\/p>\n<p>Estas s&atilde;o apenas algumas das quest&otilde;es que surgem, mas existem tantas outras &#8230; <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> por isso que sedentos de respostas procuramos fontes de sabedoria. Uma dessas fontes de sabedoria podemos encontrar na Doutrina Social da Igreja (DSI), que n&atilde;o se destina somente aos Cat&oacute;licos, mas que existe para inspirar toda a Humanidade.<\/p>\n<p>Em <span lang=\"AR-YE\">&uacute;ltima<\/span> an&aacute;lise, gerar um filho, e escolher o n&uacute;mero de filhos que se gera, compete somente aos esposos (DSI, 234). <span lang=\"AR-YE\">&Agrave;<\/span> sociedade e ao poder pol&iacute;tico &#8211; diria &#8211; compete assegurar as condi&ccedil;&otilde;es para que essa decis&atilde;o ocorra na liberdade, embora sujeita <span lang=\"AR-YE\">&agrave;s<\/span> condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade. Talvez o problema resida na forma como entendemos o que s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade. Possibilitar a um casal ter um filho <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> muito mais do que dar um certo montante de dinheiro por ano. <span lang=\"AR-YE\">&Eacute;<\/span> assegurar que esse filho <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> gerado na liberdade. Por outras palavras, <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> assegurar que um casal <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> livre na escolha de ter um filho. Isso implica emprego, casa, acesso a cuidados de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, mas algo mais. O que est&aacute; em causa ao assegurar a liberdade de ter um filho <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> a pr&oacute;pria dignidade da pessoa humana, ou seja, o valor da pessoa humana (DSI, 483).<\/p>\n<p>Uma pol&iacute;tica orientada para esse valor, implica estar orientada para aquilo que nos personaliza, isto <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span>, que faz de n&oacute;s &ldquo;pessoas&rdquo;. No <span lang=\"AR-YE\">&acirc;mbito<\/span> da Doutrina Social da Igreja, o que nos personaliza <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> a capacidade de relacionar e de gerar relacionamentos. Se pensarmos bem, todas as frentes desta crise que nos afeta devem-se a um d&eacute;fice relacional, ainda antes de um d&eacute;fice financeiro. <span lang=\"AR-YE\">&Eacute;<\/span> t&atilde;o austero para um &ldquo;servidor&rdquo; (significado efetivo de ministro) exigir austeridade, como austero quando austeridade nos <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> exigida. E creio que n&atilde;o <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> poss&iacute;vel resolver o d&eacute;fice financeiro, sem resolver primeiro (ou simultaneamente) o d&eacute;fice relacional. E porque n&atilde;o exigir relacionalidade como resposta <span lang=\"AR-YE\">&agrave;<\/span> austeridade? Para &ldquo;crescer e multiplicar&rdquo; <span lang=\"AR-YE\">&eacute;<\/span> preciso relacionar. Penso que n&atilde;o deixa de ser curioso como o silencioso problema do crescimento demogr&aacute;fico pode suscitar a exig&ecirc;ncia de uma pol&iacute;tica orientada para os relacionamentos, valorizando a pessoa humana. Os per&iacute;odos de dificuldade s&atilde;o sempre motores hist&oacute;ricos civilizacionais. Quem sabe as novidades que estes reservam&hellip;<\/p>\n<p><em>Miguel Oliveira Pan&atilde;o, Investigador Universit&aacute;rio<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o, investigador universit\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93,267],"class_list":["post-58570","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58570"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58570\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}