{"id":58568,"date":"2012-10-23T11:50:54","date_gmt":"2012-10-23T11:50:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/10\/23\/orcamento-e-emprego-incompativeis\/"},"modified":"2012-10-23T11:50:54","modified_gmt":"2012-10-23T11:50:54","slug":"orcamento-e-emprego-incompativeis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/orcamento-e-emprego-incompativeis\/","title":{"rendered":"Or\u00e7amento e emprego\u2026 incompat\u00edveis?"},"content":{"rendered":"<p>Ac\u00e1cio F. Catarino, vogal da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\">Parece existir uma consci&ecirc;ncia bastante generalizada de que o projeto de Or&ccedil;amento do Estado (OE), para 2013, n&atilde;o contribuir&aacute; para a atenua&ccedil;&atilde;o do desemprego; at&eacute; se configura altamente prov&aacute;vel que o venha a agravar. Isso talvez seja devido, fundamentalmente, a duas causas: a vincula&ccedil;&atilde;o do Governo aos imperativos da &laquo;Troika&raquo;, decorrentes da situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mico-financeira em que nos encontramos; e a contesta&ccedil;&atilde;o generalizada contra o Governo e a &laquo;Troika&raquo;. O Governo n&atilde;o tem encontrado forma de atenuar os rigores da austeridade; mesmo que, porventura, fa&ccedil;a dilig&ecirc;ncias para a altera&ccedil;&atilde;o do acordo com a &laquo;Troika&raquo;, n&atilde;o o poder&aacute; afirmar publicamente, sob pena de ver diminu&iacute;da a sua credibilidade internacional. A contesta&ccedil;&atilde;o generalizada contra o Governo e contra a &laquo;Troika&raquo; &eacute; formada pela quase totalidade das for&ccedil;as pol&iacute;tico-sociais; os contestat&aacute;rios sentem-se no direito de suporem que o Governo e a &laquo;Troika&raquo; n&atilde;o adotam pol&iacute;ticas diferentes porque n&atilde;o querem; e, al&eacute;m disso, consideram-se no direito de n&atilde;o formular propostas de solu&ccedil;&atilde;o vi&aacute;veis, no curto e m&eacute;dio prazos, sem sujeitarem a povo a mais incertezas e sofrimentos.<\/p>\n<p>As medidas previstas no OE, sob o t&iacute;tulo <strong>&laquo;emprego e mercado de trabalho&raquo;<\/strong> s&atilde;o v&aacute;rias, e obedecem ao seguinte objetivo: &laquo;desenvolver uma pol&iacute;tica de promo&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o de emprego e de combate ao desemprego atrav&eacute;s da aposta na forma&ccedil;&atilde;o profissional, da dinamiza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas ativas de emprego inovadoras e do desenvolvimento de iniciativas de aumento da produtividade e competitividade, nomeadamente no &acirc;mbito da legisla&ccedil;&atilde;o laboral&raquo;. As medidas previstas d&atilde;o sequ&ecirc;ncia, em geral, &agrave;s que se encontram j&aacute; em vigor, como por exemplo: forma&ccedil;&atilde;o profissional, &laquo;impulso jovem&raquo;, est&aacute;gios, promo&ccedil;&atilde;o do empreendedorismo, &laquo;redu&ccedil;&atilde;o dos custos associados &agrave; contrata&ccedil;&atilde;o de desempregados&raquo;, incentivos &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o de ofertas de emprego&#8230; A cria&ccedil;&atilde;o de Centros para a Qualifica&ccedil;&atilde;o e Ensino Profissional e o Relan&ccedil;amento do Servi&ccedil;o P&uacute;blico de Emprego (atual Instituto do Emprego e Forma&ccedil;&atilde;o Profissional) s&atilde;o outras medidas previstas. V&aacute;rias iniciativas previstas noutros cap&iacute;tulos &#8211; com realce para a economia em geral e, em especial, para o desenvolvimento regional &#8211; podem favorecer o emprego, embora modestamente.<\/p>\n<p>Numa <strong>aprecia&ccedil;&atilde;o bastante simplificada,<\/strong> pode afirmar-se que as medidas de pol&iacute;tica de emprego mant&ecirc;m as caracter&iacute;sticas do passado: centragem na forma&ccedil;&atilde;o e na empregabilidade, em preju&iacute;zo do trabalho-emprego; forte incid&ecirc;ncia na despesa p&uacute;blica; baixa percentagem de desempregados e candidatos ao primeiro emprego abrangidos; risco de os efeitos das medidas serem mais de car&aacute;ter assistencial do que promocional&#8230; <strong>Poderia infletir-se a tend&ecirc;ncia fortemente negativa do OE?<\/strong> &#8211; &Eacute; dif&iacute;cil responder pela afirmativa, dado que n&atilde;o tem sido realizado o &laquo;trabalho de casa&raquo; na conce&ccedil;&atilde;o de outras medidas; tanto o Governo como as oposi&ccedil;&otilde;es continuam a apostar sobretudo em medidas que envolvem milh&otilde;es de Euros; v&iacute;timas da obsess&atilde;o financeira, descuram o que se pode fazer com menos dinheiro, e menosprezam quem atua fora do reino dos milh&otilde;es.<\/p>\n<p>De entre as entidades sem milh&otilde;es de Euros, a C&aacute;ritas, outras institui&ccedil;&otilde;es e grupos de a&ccedil;&atilde;o social t&ecirc;m refletido sobre o assunto e esbo&ccedil;ado <strong>algumas propostas<\/strong> que podem ser executadas com recursos limitados e mediante a coopera&ccedil;&atilde;o do trabalho volunt&aacute;rio. Sumariamente, tais medidas repartem-se por <strong>quatro grupos: <\/strong>oferta de emprego; procura de emprego; oferta e procura em simult&acirc;neo; e media&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. <strong>Do lado da oferta de emprego<\/strong>, sugerem: a difus&atilde;o de ideias de neg&oacute;cio ou investimento; a cria&ccedil;&atilde;o de cadeias de comercializa&ccedil;&atilde;o, para o escoamento de produtos; o fomento do microcr&eacute;dito e de outras modalidades de cr&eacute;dito solid&aacute;rio&#8230; <strong>Do lado da procura de emprego,<\/strong> sugerem: a coopera&ccedil;&atilde;o entre o IEFP e as empresas de recursos humanos, incluindo as empresas de trabalho tempor&aacute;rio cumpridoras da lei; o apoio &agrave; cria&ccedil;&atilde;o e funcionamento de grupos de desempregados para atua&ccedil;&otilde;es em comum e com a a&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria local&#8230; As mesmas entidades sugerem a <strong>interven&ccedil;&atilde;o integrada na oferta e na procura<\/strong> de emprego, sob a forma de: iniciativas de desenvolvimento local; di&aacute;logo social local, e mais alargado, entre representantes de empres&aacute;rios e de trabalhadores; fomento do cooperativismo; iniciativas complementares de a&ccedil;&atilde;o social e de atividade econ&oacute;mica&#8230; E, por fim, recomendam a <strong>media&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica<\/strong> atrav&eacute;s de propostas e de influ&ecirc;ncia junto dos centros de decis&atilde;o pol&iacute;tica e outros.<\/p>\n<p><strong>Mesmo que o Estado e as for&ccedil;as pol&iacute;tico-sociais continuem pouco interessadas<\/strong> nestas linhas de a&ccedil;&atilde;o, nada obsta a que sejam prosseguidas s&oacute; por entidades privadas, com e sem fins lucrativos. Para tanto, basta que se motivem, se congreguem e promovam a&ccedil;&otilde;es comuns e complementares. <strong>Algumas institui&ccedil;&otilde;es da Igreja<\/strong> acham-se especialmente bem posicionadas para atuarem nesta dire&ccedil;&atilde;o. Caso avancem efetivamente, podem estar a desbravar caminhos de esperan&ccedil;a e a abrir novos horizontes de a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><em>Ac&aacute;cio F. Catarino<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ac\u00e1cio F. 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