{"id":58471,"date":"2012-10-16T11:02:57","date_gmt":"2012-10-16T11:02:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/10\/16\/ciclo-vicioso\/"},"modified":"2012-10-16T11:02:57","modified_gmt":"2012-10-16T11:02:57","slug":"ciclo-vicioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ciclo-vicioso\/","title":{"rendered":"Ciclo vicioso"},"content":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista <!--more--> <\/p>\n<p>O pr&oacute;ximo ano ser&aacute; o de maior austeridade desde que a chamada crise da d&iacute;vida soberana (d&iacute;vida do Estado) atingiu Portugal. Para este agravamento do apertar do cinto o Governo tem dado v&aacute;rias explica&ccedil;&otilde;es. Mas o factor mais importante &eacute; a circunst&acirc;ncia de no corrente ano, 2012, n&atilde;o conseguirmos cumprir a meta acordada com a troika de 4,5% do PIB.<\/p>\n<p>Meta que j&aacute; foi revista para 5% &#8211; e tamb&eacute;m nos deram mais um ano para reduzir o d&eacute;fice or&ccedil;amental. Mesmo assim, v&atilde;o ser precisas medidas extraordin&aacute;rias para ser atingida a meta revista para 2012. O d&eacute;fice sem medidas extraordin&aacute;rias dever&aacute; ser de 6%, o que obriga a fazer em 2013 um esfor&ccedil;o muito maior do que o inicialmente previsto.<\/p>\n<p>O que explica a derrapagem do d&eacute;fice em 2012? Tamb&eacute;m aqui se invocam v&aacute;rias circunst&acirc;ncias, mas a causa principal foi esta: aumentaram-se os impostos, mas a receita fiscal ficou muito abaixo dos n&uacute;meros que o Governo previa. A austeridade tamb&eacute;m provocou uma forte subida do desemprego (que o Governo e a troika n&atilde;o esperavam que fosse t&atilde;o grande), levando o Estado a gastar mais em subs&iacute;dios de desemprego.<\/p>\n<p>Ou seja, a partir de certo ponto (que &eacute;, decerto, muito dif&iacute;cil de calcular &agrave; partida), a austeridade revela-se contraproducente. Entra-se num ciclo vicioso: como o d&eacute;fice or&ccedil;amental n&atilde;o desce o pretendido, carrega-se mais na austeridade; o que, por sua vez, agrava a recess&atilde;o e limita as receitas dos impostos, impedindo o cumprimento das metas or&ccedil;amentais; e assim sucessivamente. &Eacute;, de resto, o que est&aacute; a acontecer na Gr&eacute;cia, que vai entrar no sexto ano de recess&atilde;o.<\/p>\n<p>Como se sabe, a troika &eacute; constitu&iacute;da por tr&ecirc;s institui&ccedil;&otilde;es: a Comiss&atilde;o Europeia (cujas decis&otilde;es t&ecirc;m de ser ratificadas pelos ministros das Finan&ccedil;as da zona euro, o chamado &ldquo;Euro-grupo&rdquo;), o Banco Central Europeu e o Fundo Monet&aacute;rio Internacional. O FMI j&aacute; percebeu o perigo do ciclo vicioso da austeridade.<\/p>\n<p>O economista-chefe do FMI, o prestigiado Olivier Blanchard, orientou uma an&aacute;lise da sua equipa aos efeitos dos programas de austeridade na quebra do crescimento econ&oacute;mico em 28 pa&iacute;ses. A conclus&atilde;o &eacute; que esses efeitos s&atilde;o tr&ecirc;s vezes mais negativos do que aqueles que, at&eacute; aqui, o FMI estimava. Nos &uacute;ltimos dias a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, tem-se multiplicado em apelos aos pa&iacute;ses europeus para que moderem a austeridade.<\/p>\n<p>A primeira reac&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Europeia e do ministro alem&atilde;o das Finan&ccedil;as n&atilde;o foi nada positiva.<\/p>\n<p>A ideia, muito defendida na Alemanha, &eacute; que qualquer baixa na press&atilde;o sobre os pa&iacute;ses do euro em dificuldade, como Portugal, levaria os governos desses pa&iacute;ses a atrasarem reformas e medidas impopulares necess&aacute;rias. Aliviar a austeridade seria, nesta perspectiva, dar um sinal errado aos mercados, que perderiam confian&ccedil;a na capacidade dos governos para corrigirem os seus d&eacute;fices.<\/p>\n<p>O debate vai prosseguir na Europa. Talvez se consiga uma correc&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica at&eacute; aqui seguida pela troika, mas n&atilde;o ser&aacute; t&atilde;o cedo. Valha-nos o facto de a determina&ccedil;&atilde;o do Governo portugu&ecirc;s j&aacute; ter dado frutos na apreci&aacute;vel recupera&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a dos mercados na d&iacute;vida soberana nacional. Os juros portugueses, pagos nas emiss&otilde;es e impl&iacute;citos no mercado secund&aacute;rio (d&iacute;vida j&aacute; emitida), ainda est&atilde;o acima do razo&aacute;vel; mas t&ecirc;m vindo a descer gradualmente. Se a tend&ecirc;ncia se mantiver, n&atilde;o ser&aacute; uma fantasia que Portugal regresse aos mercados em Setembro do pr&oacute;ximo ano.<\/p>\n<p>Um outro dado positivo, que passou largamente despercebido entre n&oacute;s, foi uma recente declara&ccedil;&atilde;o da chanceler Angela Merkel. Disse ela que a Alemanha, que tem um grande excedente nas suas contas externas, vai estimular o consumo interno para ajudar as exporta&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses do euro em dificuldades. &ldquo;&Eacute; nosso dever fazer alguma coisa pelo relan&ccedil;amento da economia na Europa&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; a primeira vez que Merkel fala assim. Ora um &ldquo;governo econ&oacute;mico europeu&rdquo;, de que tanto se fala, dever&aacute; come&ccedil;ar exactamente por coordenar as pol&iacute;ticas econ&oacute;micas dos Estados membros (pelo menos os da Zona Euro), de maneira a que os pa&iacute;ses que est&atilde;o bem ajudem os que se debatem com problemas.<\/p>\n<p><em>Francisco Sarsfield Cabral<br \/>Jornalista<\/em><\/p>\n<p><em>(Texto escrito segundo a anterior ortografia, por op&ccedil;&atilde;o do autor)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[191,203],"class_list":["post-58471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-economia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58471\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}