{"id":58387,"date":"2012-10-09T10:58:46","date_gmt":"2012-10-09T10:58:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/10\/09\/a-forma-do-cristianismo-em-mudanca\/"},"modified":"2012-10-09T10:58:46","modified_gmt":"2012-10-09T10:58:46","slug":"a-forma-do-cristianismo-em-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-forma-do-cristianismo-em-mudanca\/","title":{"rendered":"A forma do cristianismo em mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Em tantas situa\u00e7\u00f5es, nesta di\u00e1spora cultural onde estamos semeados, a \u00fanica palavra veros\u00edmil \u00e9 a do testemunho de uma vida vivida com simplicidade e alegria no seguimento de Jesus. <!--more--> <\/p>\n<p>O te&oacute;logo Karl Rahner escreveu que &ldquo;A Igreja tem sido conduzida pelo Senhor da hist&oacute;ria para uma nova &eacute;poca&rdquo;. N&atilde;o se trata s&oacute; de baixas dr&aacute;sticas nos indicadores estat&iacute;sticos quando se compara a atualidade com aquele que j&aacute; foi o quadro da viv&ecirc;ncia da F&eacute;. A quest&atilde;o &eacute; bem mais complexa. Talvez o que o nosso tempo descobre, mesmo entre convuls&otilde;es e incertezas, seja um modo diferente de ser crente, traduzido de formas alternativas nas suas necessidades, buscas e perten&ccedil;as. N&atilde;o estamos perante o crep&uacute;sculo do cristianismo, como defendem aqueles que se apressam a chamar p&oacute;s-crist&atilde;s &agrave;s nossas sociedades. Quem n&atilde;o se apercebe que o radical lugar do cristianismo foi sempre a habita&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria mudan&ccedil;a n&atilde;o o colhe por dentro. Mas h&aacute; eixos que se v&atilde;o tornando suficientemente claros para que seja cada vez mais um dever os enunciarmos e contarmos com eles. Podem-se apontar tr&ecirc;s:<\/p>\n<p>Primeiro, os crist&atilde;os regressam &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;pequeno rebanho&rdquo;. Com a evapora&ccedil;&atilde;o de um cristianismo que se transmitia geracionalmente como heran&ccedil;a inquestionada, os crist&atilde;os voltam a s&ecirc;-lo por decis&atilde;o pessoal, uma decis&atilde;o muitas vezes em contra-corrente, maturada de modo solit&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o aos c&iacute;rculos mais imediatos de perten&ccedil;a. J&aacute; n&atilde;o &eacute; de modo previs&iacute;vel que nos tornamos crist&atilde;os. Isso acontece e acontecer&aacute; cada vez mais como uma op&ccedil;&atilde;o e uma surpresa.<\/p>\n<p>Depois, &agrave; medida que se assiste a um enfraquecimento da inscri&ccedil;&atilde;o institucional das Igrejas no horizonte da sociedade redescobrimos o valor e as possibilidades de uma presen&ccedil;a discreta no meio do mundo. Em tantas situa&ccedil;&otilde;es, nesta di&aacute;spora cultural onde estamos semeados, a &uacute;nica palavra veros&iacute;mil &eacute; a do testemunho de uma vida vivida com simplicidade e alegria no seguimento de Jesus.<\/p>\n<p>E, em terceiro lugar, esta grande mudan&ccedil;a epocal mostra-nos que precisamos recuperar aquilo que Karl Rahner chama o &ldquo;santo poder do cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Os crist&atilde;os s&atilde;o chamados a viver a amizade como um minist&eacute;rio. &ldquo;Isto &eacute; o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros como eu vos amei&rdquo; (Jo 15,17). H&aacute;, de facto, uma revela&ccedil;&atilde;o do cristianismo que s&oacute; a pr&aacute;tica da amizade &eacute; capaz de proporcionar. E nisto, o mundo, que pode at&eacute; perder-se em equ&iacute;vocos sobre os crist&atilde;os, n&atilde;o se engana. Mesmo se for um &uacute;nico instante de contacto o que tivermos, tal basta para deixar transparecer uma amizade.<\/p>\n<p><em>Jos&eacute; Tolentino Mendon&ccedil;a<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tantas situa\u00e7\u00f5es, nesta di\u00e1spora cultural onde estamos semeados, a \u00fanica palavra veros\u00edmil \u00e9 a do testemunho de uma vida vivida com simplicidade e alegria no seguimento de Jesus.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-58387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58387\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}