{"id":58288,"date":"2012-10-02T09:55:00","date_gmt":"2012-10-02T09:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/10\/02\/condicoes-de-comunicacao-do-evangelho-mudaram\/"},"modified":"2012-10-02T09:55:00","modified_gmt":"2012-10-02T09:55:00","slug":"condicoes-de-comunicacao-do-evangelho-mudaram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/condicoes-de-comunicacao-do-evangelho-mudaram\/","title":{"rendered":"Condi\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o do Evangelho mudaram"},"content":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo Alfredo Teixeira, do Centro de Estudos de Religi\u00f5es e Culturas da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a Sociologia e o esfor\u00e7o mission\u00e1rio levado a cabo pela Igreja, perspetivando o pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos, que de 7 a 28 de outubro vai debater no Vaticano a nova evangeliza\u00e7\u00e3o para a transmiss\u00e3o da f\u00e9. <!--more--> <\/p>\n<p>O soci&oacute;logo Alfredo Teixeira, do Centro de Estudos de Religi&otilde;es e Culturas da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, fala &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre a Sociologia e o esfor&ccedil;o mission&aacute;rio levado a cabo pela Igreja, perspetivando o pr&oacute;ximo S&iacute;nodo dos Bispos, que de 7 a 28 de outubro vai debater no Vaticano a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o para a transmiss&atilde;o da f&eacute;.<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia (AE) &ndash; Que relevo ser&aacute; necess&aacute;rio oferecer &agrave;s Ci&ecirc;ncias da Sociologia para definir projetos de nova evangeliza&ccedil;&atilde;o? <br \/>Alfredo Teixeira (AT) &ndash;<\/em> Falar de nova evangeliza&ccedil;&atilde;o implica sempre reconhecer que as condi&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o do Evangelho se alteraram, n&atilde;o s&oacute; pela forma como a pr&oacute;pria Igreja se est&aacute; a reconstituir, recompor e reformar permanentemente, mas tamb&eacute;m porque os interlocutores da sua mensagem vivem em situa&ccedil;&otilde;es sociais diferentes.<br \/>Pensar uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o implica uma autocompreens&atilde;o &ndash; o que &eacute; a Igreja, como viver o Evangelho e como viv&ecirc;-lo em comunidade eclesial &ndash; a par de uma aten&ccedil;&atilde;o &agrave;quilo que &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o social das pessoas e &agrave; forma como a sua experi&ecirc;ncia se organiza nos tempos que vivemos.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O te&oacute;logo Herv&eacute; Legrand desafiou a Igreja a olhar para o Conc&iacute;lio n&atilde;o apenas do ponto de vista teol&oacute;gico e hist&oacute;rico mas tamb&eacute;m sociol&oacute;gico. Pensa que esta perspetiva &eacute; imprescind&iacute;vel para a redescoberta do Vaticano II, 50 anos depois do seu in&iacute;cio?<br \/>AT &ndash;<\/em> Sim porque a nossa an&aacute;lise sobre essa assembleia baseou-se, em muitos casos, num olhar sobre um corpo de documentos, sem percebermos, porventura, que a Igreja tamb&eacute;m se diz na forma como se constituiu em conc&iacute;lio. A Igreja no Vaticano II afirma-se com determinado estilo, optando por uma forma de estar na sociedade e dialogar com ela. Neste momento o mais urgente &eacute;, talvez, pensar sobre esse lugar que &eacute; o Conc&iacute;lio, para al&eacute;m, evidentemente, de todos os seus aspetos doutrinais e das considera&ccedil;&otilde;es que se fizeram a esse respeito. Passar da mensagem para o lugar de onde se emite parece-me ser uma dimens&atilde;o de reflex&atilde;o importante sobre o conc&iacute;lio.<br \/>H&aacute; uma tarefa cont&iacute;nua que ficou aberta no conc&iacute;lio: a de saber como construir o modo de ser Igreja a partir desse encontro. Esta tarefa n&atilde;o p&ocirc;de ser conclu&iacute;da durante o Vaticano II nem os seus participantes, provavelmente, teriam essa ambi&ccedil;&atilde;o. Mas quando hoje refletimos sobre o que pode ser uma Igreja em estado de conc&iacute;lio, que procura construir consensos e que tenta enfrentar as realidades pastorais mais desafiantes, olhamos para um estilo de ser Igreja &agrave; maneira do Vaticano II. Penso que este &eacute; um tra&ccedil;o importante que a reflex&atilde;o sobre o conc&iacute;lio deve ter atualmente.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Qual ser&aacute; a nova metodologia que &eacute; preciso reinventar para que a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o chegue aos destinat&aacute;rios?<br \/>AT &ndash;<\/em> Penso que sob esse ponto de vista a Igreja perdeu grande parte da sua capacidade estrat&eacute;gica. Os recursos que ela tinha h&aacute; algumas d&eacute;cadas, com toda a sua estrutura material, permitiam-lhe pensar a a&ccedil;&atilde;o de forma concertada, ou seja, sabendo de antem&atilde;o os efeitos resultantes de uma determinada op&ccedil;&atilde;o. A realidade atual &eacute; contudo bastante mais incerta e dif&iacute;cil, e a Igreja est&aacute; nela numa situa&ccedil;&atilde;o de maior fragilidade. Mas talvez desta maneira a Igreja possa descobrir na fragilidade um modo de estar, pelo testemunho, muito diferente e talvez muito mais eficaz do que noutros tempos.<br \/>Para que isso aconte&ccedil;a era necess&aacute;rio que a Igreja encontrasse modos de ler o que j&aacute; est&aacute; a acontecer. Uma das coisas que me preocupa quando fa&ccedil;o uma aproxima&ccedil;&atilde;o do ponto de vista social e antropol&oacute;gico a esta realidade &eacute; parecer-me que, por vezes, as diversas inst&acirc;ncias eclesiais est&atilde;o pouco atentas ou talvez n&atilde;o tenham encontrado forma de enquadrar e rentabilizar experi&ecirc;ncias que revelam sinais claros de um modo de estar diferente da Igreja. <br \/>Estes sinais podem ser muito simples: por exemplo quando uma comunidade encontra um modo pr&oacute;prio de estar junto de uma realidade ou quando uma congrega&ccedil;&atilde;o religiosa, que at&eacute; est&aacute; em decl&iacute;nio nas suas entradas vocacionais, descobre outra forma de traduzir e dar testemunho do seu carisma.<br \/>Esta atitude de alguma humildade e fragilidade, que leva as comunidades e as suas lideran&ccedil;as a uma aten&ccedil;&atilde;o muito grande ao que j&aacute; est&aacute; a acontecer, tornando essas ocasi&otilde;es uma oportunidade, pode ser um desafio muito grande para pensar os problemas da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Rejeitando formatos de outras d&eacute;cadas em que a Igreja se pode fixar&#8230;<br \/>AT &ndash; <\/em>Alguns dos olhares sobre a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o enfermam desse problema: pensam que uma simples remodela&ccedil;&atilde;o, quase cosm&eacute;tica, de algumas coisas que a Igreja fez no passado poder&aacute; dar resultado hoje. Mas a experi&ecirc;ncia que vivemos &eacute; de uma transforma&ccedil;&atilde;o muito radical, ampla e acelerada. A possibilidade de reagir a estas mudan&ccedil;as implica que a Igreja tenha a capacidade de reconhecer a sua energia pr&oacute;pria. Tamb&eacute;m &eacute; preciso que possua formas de ler aquilo que &eacute; j&aacute; a sua maneira de estar e tenha estruturas que possam recolher essas experi&ecirc;ncias. <br \/>Boa parte do meu trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o tem estado muito pr&oacute;ximo do terreno eclesial de base, onde tenho observado que muita da sua riqueza parece ter dificuldade em refluir para as inst&acirc;ncias de decis&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o. Creio que neste aspeto haveria alguma coisa a fazer para a Igreja Cat&oacute;lica poder pensar melhor o seu modo de estar na realidade atual.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Estes problemas s&atilde;o pass&iacute;veis de serem resolvidos num S&iacute;nodo?<br \/>AT &ndash;<\/em> S&atilde;o sobretudo pass&iacute;veis de poderem sofrer algum encaminhamento interessante numa Igreja em estado sinodal, ou seja, numa Igreja que para al&eacute;m deste S&iacute;nodo dos Bispos consegue desenvolver-se, afirmar-se e organizar-se de modo sinodal. Por outras palavras, uma Igreja que projete modelos de decis&atilde;o em que as pessoas participem diferenciadamente. Esses processos, na medida em que podem ser alicer&ccedil;ados na realidade, estar&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es de enfrent&aacute;-la melhor e construir um modo de testemunhar o Evangelho de Jesus mais provocante para o mundo de hoje.<\/p>\n<p><em>PTE\/RJM<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo Alfredo Teixeira, do Centro de Estudos de Religi\u00f5es e Culturas da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a Sociologia e o esfor\u00e7o mission\u00e1rio levado a cabo pela Igreja, perspetivando o pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos, que de 7 a 28 de outubro vai debater no Vaticano a nova evangeliza\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[268,311],"class_list":["post-58288","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-nova-evangelizacao","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58288\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}