{"id":58208,"date":"2012-09-25T10:35:35","date_gmt":"2012-09-25T10:35:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/25\/viver-e-comunicar-a-fe\/"},"modified":"2012-09-25T10:35:35","modified_gmt":"2012-09-25T10:35:35","slug":"viver-e-comunicar-a-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/viver-e-comunicar-a-fe\/","title":{"rendered":"Viver e comunicar a F\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Georgino Rocha <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"left\">1. A converg&ecirc;ncia de anivers&aacute;rios de acontecimentos relevantes, a realiza&ccedil;&atilde;o do S&iacute;nodo sobre a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o e a verifica&ccedil;&atilde;o de graves defici&ecirc;ncias na forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, designadamente na compreens&atilde;o e na express&atilde;o da f&eacute;, constituem para Bento XVI a oportunidade providencial para convocar toda a Igreja cat&oacute;lica para a celebra&ccedil;&atilde;o do Ano da F&eacute;.<\/p>\n<p>O recurso &agrave; pedagogia de dedicar um ano especial a uma tem&aacute;tica espec&iacute;fica &ndash; que faz parte normal da miss&atilde;o cont&iacute;nua da Igreja &ndash; tem ra&iacute;zes b&iacute;blicas e foi usada por v&aacute;rias vezes, especialmente no p&oacute;s-conc&iacute;lio Vaticano II. As circunst&acirc;ncias ocorrentes suscitam e justificam este recurso. &Eacute; assim com Paulo VI e com Jo&atilde;o Paulo II. O atual Papa toma iniciativas semelhantes em outras ocasi&otilde;es. Sirva de refer&ecirc;ncia o Ano Sacerdotal e o Ano Paulino e, agora, o Ano da F&eacute;.<\/p>\n<p>2. &ldquo;Ser&aacute; uma ocasi&atilde;o prop&iacute;cia para introduzir a totalidade da estrutura eclesial num tempo de particular reflex&atilde;o e redescoberta da f&eacute;&rdquo; &ndash; afirma na Carta apost&oacute;lica &ldquo;Porta Fidei&rdquo;. &ldquo;&Eacute; convite para uma aut&ecirc;ntica e renovada convers&atilde;o ao Senhor, &uacute;nico Salvador do mundo&rdquo;. Por isso lan&ccedil;a o apelo aos Bispos de todo o mundo para que, unidos ao Sucessor de Pedro, aproveitem o tempo de gra&ccedil;a espiritual que o Senho oferece a fim de comemorar, de forma digna e fecunda, o dom precioso da f&eacute;. E acrescenta: &ldquo;Dever&aacute; intensificar-se a reflex&atilde;o sobre a f&eacute;, para ajudar todos os crentes em Cristo a tornarem mais consciente e revigorarem a sua ades&atilde;o ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda mudan&ccedil;a, como este que a humanidade est&aacute; a viver&rdquo;. Todos os crentes, nomeadamente presb&iacute;teros, di&aacute;conos, consagrados e leigos que s&atilde;o testemunhas privilegiadas do Senhor Jesus e seus mensageiros em todos os &acirc;mbitos da sociedade atual. A este convite\/apelo, respondem os bispos portugueses com a Nota Pastoral &ldquo;Celebrar e Viver o Conc&iacute;lio Vaticano II&rdquo;, de 19.04.2012.<\/p>\n<p>3. A estrutura eclesial, em todas as suas express&otilde;es, universais e locais, &eacute; convidada a redescobrir a f&eacute;, a colocar-se ao seu servi&ccedil;o e a dar-lhe prioridade na a&ccedil;&atilde;o pastoral. A Igreja surgir&aacute; como institui&ccedil;&atilde;o mensagem. De contr&aacute;rio, a estrutura eclesial projetar&aacute; a imagem de uma grande multinacional, organizada para funcionar apenas administrativamente.<\/p>\n<p><span style=\"letter-spacing: -.1pt;\">&ldquo;O cerne da crise da Igreja na Europa &ndash; confessa noutra ocasi&atilde;o &ndash; &eacute; a crise da f&eacute;. Se n&atilde;o encontrarmos uma resposta para esta crise, ou seja, se a f&eacute; n&atilde;o ganhar de novo vitalidade, tornando-se uma convic&ccedil;&atilde;o profunda e uma for&ccedil;a real gra&ccedil;as ao encontro com Jesus Cristo, permanecer&atilde;o ineficazes todas as outras reformas&rdquo;. Isto &eacute;, a reforma da Igreja passa pela vitalidade da f&eacute;. <\/span><\/p>\n<p>4. Redescobrir a f&eacute; &eacute; dom que a Igreja acolhe nos seus membros e comunidades, dom a que quer dar resposta generosa e coerente. Exige normalmente que se ven&ccedil;a a indiferen&ccedil;a e se abra caminho &agrave; confian&ccedil;a benevolente, &agrave; proximidade amiga, &agrave; simpatia atraente, &agrave; rela&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria. E que se inicie o itiner&aacute;rio de progressiva ades&atilde;o a Jesus Cristo e &agrave; sua Igreja configurada em comunidades acess&iacute;veis e familiares, onde todos tenham voz e vez, onde cada um possa sentir-se reconhecido e respons&aacute;vel e colocar &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos outros os dons e carismas que o Esp&iacute;rito lhe concede para o bem eclesial. Redescobrir a f&eacute; leva-nos ao encontro de Jesus Cristo e &agrave; comunh&atilde;o com o seu estilo de vida, &agrave; op&ccedil;&atilde;o pelas suas prefer&ecirc;ncias nucleares, &agrave; experi&ecirc;ncia gratificante de fazer a vontade do Pai no servi&ccedil;o concreto aos irm&atilde;os na humanidade e na f&eacute;, &agrave; paix&atilde;o corajosa de permanecer confiante na cruz ignominiosa que floresce na manh&atilde; pascal.<\/p>\n<p>A reflex&atilde;o sobre a f&eacute; encontra um subs&iacute;dio precioso e indispens&aacute;vel, um bom alicerce e magn&iacute;fico guia no Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica. E Bento XVI recorda a afirma&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II, seu venerado predecessor: &ldquo;Este catecismo dar&aacute; um contributo muito importante &agrave; obra de renova&ccedil;&atilde;o de toda a vida eclesial (&hellip;). Declaro-o norma segura para o ensino da f&eacute; e, por isso, instrumento v&aacute;lido e leg&iacute;timo ao servi&ccedil;o da comunh&atilde;o eclesial&rdquo;.<\/p>\n<p>5. Renovar toda a vida da Igreja a partir da f&eacute; constitui um objetivo englobante e &ldquo;provocador&rdquo; sempre atual, que reveste em cada &eacute;poca, facetas especiais. E hoje com maior impacto. Apesar de tantos esfor&ccedil;os, o desencontro de comunica&ccedil;&atilde;o a agravar-se, a tenta&ccedil;&atilde;o de remeter a f&eacute; e a a&ccedil;&atilde;o da Igreja para o dom&iacute;nio privado, a crise de valores que atravessa a sociedade e se repercute nos comportamentos pessoais e coletivos, a mentalidade que reduz o &acirc;mbito das certezas racionais ao das conquistas cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas, o esvaziamento de muitos s&iacute;mbolos religiosos e a desadequa<span lang=\"AR-YE\">&ccedil;&atilde;o de linguagens, a fadiga e o desencanto de tantas &ldquo;pessoas de boa vontade&rdquo; s&atilde;o caracter&iacute;sticas marcantes, entre tantas outras, da &eacute;poca que vivemos e que nos interpelam profundamente. <\/span><\/p>\n<p>Constituem, ao mesmo tempo, caminhos a percorrer na renova&ccedil;&atilde;o pastoral da Igreja que faz suas, em cada tempo, as alegrias e as tristezas das pessoas e da sociedade. E assume positivamente esta solidariedade que deseja rec&iacute;proca, oferecendo o que tem de melhor, Jesus Cristo. Esta atitude conciliar, com que o Vaticano II abre uma das suas mais not&aacute;veis constitui&ccedil;&otilde;es, configura o ponto de partida para a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o: a partir do humano, falar de Deus, anunciar Jesus Cristo, dar a conhecer o Esp&iacute;rito Santo, construir comunidades eclesiais que sejam &ldquo;rosto&rdquo; da Trindade divina e tenham &ldquo;medida&rdquo; humana.<\/p>\n<p>6. O humano corre o risco de se fragmentar e deteriorar nas suas enormes capacidades. Jesus Cristo, por meio da Igreja animada pelo Esp&iacute;rito, faz-lhe uma proposta de coes&atilde;o pessoal e de novidade relacional. Corresponder aos anelos de mais humanidade constitui um dos servi&ccedil;os mais urgentes da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A Igreja conciliar &ndash; a abertura do Vaticano II faz 50 anos no pr&oacute;ximo dia 11 &#8211; est&aacute; consciente de que o g&eacute;nero humano &ldquo;se encontra hoje num per&iacute;odo novo da hist&oacute;ria&rdquo;; por isso recomenda uma aten&ccedil;&atilde;o especial e interpretativa dos sinais dos tempos para, a partir da f&eacute;, dar resposta acertada &agrave;s interroga&ccedil;&otilde;es perenes da humanidade. Se os padr&otilde;es culturais mudaram, imp&otilde;e-se uma nova vers&atilde;o da f&eacute; crist&atilde;, designadamente na compreens&atilde;o e transmiss&atilde;o da mensagem. Por isso, surge a din&acirc;mica da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o expressa na trilogia: novo ardor, novas linguagens, novos m&eacute;todos. Em todos os campos, mas sobretudo no tentar captar o mist&eacute;rio de Deus, &ldquo;dando-lhe&rdquo; rosto humano e anunciando o amor de salva&ccedil;&atilde;o que, em Jesus Cristo, se manifesta e realiza plenamente.<\/p>\n<p>7. Que este Ano da F&eacute; &ldquo;suscite, em cada crente, o anseio de confessar a f&eacute; plenamente e com renovada convic&ccedil;&atilde;o, com confian&ccedil;a e esperan&ccedil;a&rdquo;, seja uma ocasi&atilde;o prop&iacute;cia para intensificar a f&eacute; nas celebra&ccedil;&otilde;es, sobretudo na da eucaristia, e ajude a crescer o testemunho de vida dos crentes na sua credibilidade. Este desejo de Bento XVI fica bem expresso na Carta apost&oacute;lica que dirige a toda a Igreja. E para lhe dar operacionalidade, encarrega a Congrega&ccedil;&atilde;o para a Doutrina da F&eacute; de redigir uma Nota com algumas indica&ccedil;&otilde;es a oferecer &agrave; Igreja e aos crentes para que vivam nos moldes mais eficazes e apropriados &ldquo;este Ano ao servi&ccedil;o do crer e do evangelizar&rdquo;.<\/p>\n<p>As Igrejas particulares (dioceses) contam assim com mais uma s&eacute;rie de recursos para o ano pastoral em curso, normalmente programado com anteced&ecirc;ncia. &Eacute;-lhes pedido um esfor&ccedil;o acrescido para se articularem na harmonia da comunh&atilde;o efetiva e testemunharem pela a&ccedil;&atilde;o a sinfonia eclesial.<\/p>\n<p>8. A f&eacute; &ldquo;&eacute; companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por n&oacute;s. Sol&iacute;cita a identificar os sinais dos tempos no hoje da hist&oacute;ria, a f&eacute; obriga cada um de n&oacute;s a tornar-se sinal vivo da presen&ccedil;a do Ressuscitado no mundo&rdquo; &ndash; afirma o Papa ap&oacute;s referir o exemplo de S&atilde;o Paulo na exorta&ccedil;&atilde;o a Tim&oacute;teo.<\/p>\n<p>A estas testemunhas da f&eacute; junta outras, designadamente Maria, a M&atilde;e de Jesus, e Jos&eacute; seu Esposo, os ap&oacute;stolos, os disc&iacute;pulos e suas comunidades, os m&aacute;rtires, os consagrados, os crist&atilde;os promotores da justi&ccedil;a e os que s&atilde;o chamados a dar testemunho na fam&iacute;lia, na profiss&atilde;o, na vida p&uacute;blica, no exerc&iacute;cio dos carismas e minist&eacute;rios. Agora &eacute; a nossa vez. Por isso, Bento XVI faz convergir a lista das testemunhas para cada um de n&oacute;s. &ldquo;Pela f&eacute;, vivemos tamb&eacute;m n&oacute;s, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na hist&oacute;ria&rdquo;. Excelente proposta que deve merecer toda a nossa gratid&atilde;o, acolhimento e realiza&ccedil;&atilde;o. Para redescobrirmos a alegria no crer e reencontrarmos o entusiasmo de comunicar a f&eacute;.<\/p>\n<p><em>Georgino Rocha, pr&oacute;-vig&aacute;rio geral da Diocese de Aveiro para o di&aacute;logo &lsquo;Igreja-Mundo&rsquo;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Georgino Rocha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[113,114,120,170,203,314],"class_list":["post-58208","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-ano-paulino","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-aveiro","tag-europa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58208","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58208"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58208\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}