{"id":58207,"date":"2012-09-25T10:32:58","date_gmt":"2012-09-25T10:32:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/25\/o-ano-da-fe-entre-a-narrativa-e-a-poesia\/"},"modified":"2012-09-25T10:32:58","modified_gmt":"2012-09-25T10:32:58","slug":"o-ano-da-fe-entre-a-narrativa-e-a-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-ano-da-fe-entre-a-narrativa-e-a-poesia\/","title":{"rendered":"O Ano da F\u00e9. Entre a narrativa e a poesia"},"content":{"rendered":"<p>Tiago Freitas, www.patiodosgentios.com <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"left\">Era meio-dia quando Bento XVI, aparecendo na janela da cidade e do mundo, disse que gostaria de abrir uma porta. A &laquo;porta da f&eacute;&raquo;, como mais tarde lhe chamou, ao evocar Act 14, 27. Passavam poucos minutos da missa conclusiva de um encontro sobre a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o e, nesse esp&iacute;rito, delineou as coordenadas para o Ano da F&eacute;.<\/p>\n<p><span lang=\"AR-YE\">&laquo;Considero que, tendo transcorrido meio s&eacute;culo desde a abertura do Conc&iacute;lio, ligada &agrave; feliz mem&oacute;ria do beato Papa Jo&atilde;o XXIII, &eacute; oportuno <\/span><em>recordar a beleza e a centralidade da f&eacute;<\/em>, a exig&ecirc;ncia de a refor&ccedil;ar e aprofundar a n&iacute;vel <em>pessoal e comunit&aacute;rio<\/em>, e faz&ecirc;-lo em perspetiva <em>n&atilde;o tanto celebrativa, mas antes mission&aacute;ria<\/em>, precisamente na &oacute;tica da miss&atilde;o <em>ad gentes <\/em>e da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&raquo;.<\/p>\n<p><span lang=\"AR-YE\">&Eacute; in<\/span>teressante esta perspetiva. Uma f&eacute; que se recorda, refor&ccedil;a e aprofunda, n&atilde;o &agrave; luz do candeeiro do escrit&oacute;rio ou assinando um livro de honra, mas abrindo a porta da Igreja para ver quem est&aacute; do lado de fora. Podemos dizer de outro modo. Cristo &eacute; a &laquo;porta<span lang=\"AR-YE\">&raquo; (Jo 10, 7) a necessitar de ser mostrada &agrave; cultura contempor&acirc;nea. Para muitos, a Igreja deixou de ser pertinente. Deus &eacute; algo amb&iacute;guo. Mas a humanidade de Cristo ainda fascina. <\/span><\/p>\n<p>Quando Bento XVI diz que &eacute; necess&aacute;rio <em>aprofundar <\/em>a<em> <\/em>f&eacute;<em>, <\/em>n&atilde;o tem em mente a f&eacute; como um mero &laquo;objeto<span lang=\"AR-YE\">&raquo; a ser estudado. Nem sequer pode ser vista como um objetivo<\/span> pastoral a ser alcan&ccedil;ado. A f&eacute; &eacute; o dom que Deus nos concedeu para O reconhecermos e que nos permite participar da Sua vida divina. Um dia a f&eacute; n&atilde;o mais ser&aacute; necess&aacute;ria (Jo 6, 45: &laquo;ser&atilde;o todos ensinados por Deus&raquo;). Precisamente quando O virmos face a face.<\/p>\n<p><span lang=\"AR-YE\">&Eacute;, todavia, um mist&eacute;rio a raz&atilde;o pela qual &laquo;<\/span>muitos dos nossos contempor&acirc;neos n&atilde;o percecionam esta &iacute;ntima e vital liga&ccedil;&atilde;o a Deus, ou at&eacute; a rejeitam explicitamente&raquo; (GS 19). Estes contempor&acirc;neos t&ecirc;m v&aacute;rios nomes. S&atilde;o os ateus, os agn&oacute;sticos, os que procuram Deus. Mas tamb&eacute;m aqueles que vivem um cristianismo formal. Aqueles que recitam sem meditar, que consolam sem chorar. Por diversas vezes, o Santo Padre alertou para o facto de darmos a f&eacute; por garantida, quando na verdade isso pode n&atilde;o ser uma realidade.<\/p>\n<p>O que &eacute; ent&atilde;o central neste Ano da F&eacute;? Formulando assim a pergunta, podemos at&eacute; alinhavar algumas respostas. Mas ser&atilde;o incompletas. A pergunta &eacute;: quem &eacute; central neste Ano da F&eacute;? E a resposta &eacute; Jesus Cristo. Diz Bento XVI que &laquo;ao in&iacute;cio do ser crist&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; uma decis&atilde;o &eacute;tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que d&aacute; &agrave; vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo&raquo; (DCE 1).<\/p>\n<p>Uma nova pergunta. E que modalidade ou gram&aacute;tica escolher para encontrar Cristo ou ent&atilde;o introduzir um outro no Seu mist&eacute;rio? Atendendo &agrave; sensibilidade do mundo atual, diria que &eacute; algo entre a narrativa e a poesia.<\/p>\n<p>Analisando com aten&ccedil;&atilde;o o discurso dos crist&atilde;os, incluindo sacerdotes, daremos conta que uma parte significativa tende &agrave; exorta&ccedil;&atilde;o moralista ou &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o pela negativa. &laquo;Temos de&#8230; N&atilde;o devemos&#8230;&raquo;. &laquo;N&oacute;s n&atilde;o somos&#8230;&raquo;. Mas, aquilo que um crist&atilde;o possui de mais precioso &eacute; o facto de ter sido gerado para a narrativa do dom. O nosso ser &eacute; por natureza testemunhal (Antonio Rosmini). O rosto testemunha o estado de esp&iacute;rito, as a&ccedil;&otilde;es testemunham as op&ccedil;&otilde;es fundamentais e o &laquo;eu<span lang=\"AR-YE\">&raquo; testemunha a hist&oacute;ria e aqueles que o precederam. &Eacute; uma linguagem com<\/span>pletamente diferente.<\/p>\n<p>Existem duas coisas irresist&iacute;veis. A for&ccedil;a da palavra e a ternura do olhar. &Eacute; todo um corpo que narra uma hist&oacute;ria ou experi&ecirc;ncia singular. Este corpo pode ser o meu, o teu. Pode at&eacute; ser o corpo eclesial. Talvez seja at&eacute; o corpo de Paulo &laquo;que leva as marcas de Jesus&raquo; (Gl 6, 17), que s&atilde;o cicatriz do zelo apost&oacute;lico e sinal de propriedade. H&aacute; uma diferen&ccedil;a entre dizer &laquo;temos de amar a Deus porque Ele nos amou primeiro&raquo; e dizer &laquo;foi o Pai que me ensinou a amar&raquo;.<\/p>\n<p>Para os curiosos de Deus, a narrativa expressa-se no acolhimento, no espa&ccedil;o que se gera entre o &laquo;eu&raquo; e o &laquo;tu&raquo; para que possa existir um &laquo;n&oacute;s&raquo;. A narrativa colhe a arte de transportar o ouvinte e o narrador para o &laquo;narrado&raquo;. Na narrativa desaparece o narrador. Fica o narrado. Cristo.<\/p>\n<p>Para as comunidades crist&atilde;s, a narrativa manifesta-se na disponibilidade de estar na estrada, de ser significativo para a vida de algu&eacute;m nos ambientes que lhe s&atilde;o pr&oacute;prios (EN 17-19). Manifesta-se na sensibilidade e respeito &agrave; palavra escutada e credo professado. Manifesta-se na mem&oacute;ria, na celebra&ccedil;&atilde;o e no mist&eacute;rio daquilo que n&atilde;o &eacute; contado.<\/p>\n<p>A gram&aacute;tica para encontrar Cristo &eacute; tamb&eacute;m a poesia. A poesia &eacute; a imagem do esfor&ccedil;o humano necess&aacute;rio para encontrar Cristo e do trabalho que &eacute; exigido &agrave;s comunidades crist&atilde;s para promoverem ambientes e tempos onde nas&ccedil;a a disponibilidade para o imprevis&iacute;vel. A poesia &eacute; a coragem de inventar palavras para narrar o inesperado.<\/p>\n<p><span lang=\"AR-YE\">&Eacute; curioso o quanto a cultura contempor&acirc;nea est&aacute; desperta para a imagem. Hoje, um bloco de text<\/span>o pode at&eacute; mesmo ser insuport&aacute;vel se n&atilde;o for cruzado com algumas imagens. Basta comprar uma qualquer revista para o comprovar. Naturalmente existe o perigo da idolatria da imagem. Mas da&iacute; o contributo da poesia. Por um lado, &eacute; uma das linguagens mais eficazes para ver &laquo;para l&aacute; de&raquo;, e, por outro lado, combate a idolatria. Ela fala daquilo que os olhos n&atilde;o veem, preserva o mist&eacute;rio, mas sabe que se trata de algo real.<\/p>\n<p>O Ano da F&eacute; tem, portanto, o potencial necess&aacute;rio de proporcionar a todos os crist&atilde;os e pessoas de boa vontade um belo e significativo encontro com Cristo. Entre a narrativa e a poesia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.patiodosgentios.com\" target=\"_blank\"> <\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><a href=\"http:\/\/www.patiodosgentios.com\" target=\"_blank\"><br \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.patiodosgentios.com\" target=\"_blank\"> <\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiago Freitas, www.patiodosgentios.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[109,120],"class_list":["post-58207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-ano-da-fe","tag-bento-xvi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58207\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}