{"id":58195,"date":"2012-09-24T12:28:00","date_gmt":"2012-09-24T12:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/24\/mensagem-do-diretor-da-onpt-para-o-dia-mundial-do-turismo\/"},"modified":"2012-09-24T12:28:00","modified_gmt":"2012-09-24T12:28:00","slug":"mensagem-do-diretor-da-onpt-para-o-dia-mundial-do-turismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-diretor-da-onpt-para-o-dia-mundial-do-turismo\/","title":{"rendered":"Mensagem do diretor da ONPT para o Dia Mundial do Turismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Turismo e sustentabilidade energ&eacute;tica<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8216;Deus viu o que tinha feito: e era tudo muito bom&#8217; (Gn. 1, 31)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Conselho Pontif&iacute;cio para Pastoral dos Migrantes e Itinerantes prop&ocirc;s, para o Dia Mundial do Turismo, que se celebra no pr&oacute;ximo dia 27, do corrente m&ecirc;s, a mensagem <em>Turismo e sustentabilidade energ&eacute;tica: propulsores do desenvolvimento sustent&aacute;vel<\/em>. F&ecirc;-lo em sintonia com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Turismo, que definiu este ano como o <em>Ano Internacional da Energia Sustent&aacute;vel para todos<\/em>, devidamente promulgado pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas. &Eacute; muito oportuna esta reflex&atilde;o, com os objetivos que se visam alcan&ccedil;ar. E se &eacute; uma proposta de &acirc;mbito global, n&atilde;o deixar&aacute; de ser muito v&aacute;lida para o contexto portugu&ecirc;s. Detenhamo-nos, pois, sobre esta tem&aacute;tica, para partilharmos algumas reflex&otilde;es que entendemos dever considerar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Numa perspetiva pastoral, mas que ilumina toda a responsabilidade social, pol&iacute;tica e econ&oacute;mica, havemos de partir da consci&ecirc;ncia de que a cria&ccedil;&atilde;o &eacute; um dom &ndash; uma d&aacute;diva de Deus ao homem, &laquo;como seu ambiente de vida&raquo; (CV. 48), que este tem de cuidar, como seu administrador, n&atilde;o podendo us&aacute;-la segundo os seus interesses mais imediatos, pondo em causa o equil&iacute;brio e sustentabilidade dos bens que lhe s&atilde;o confiados. De resto, o dom&iacute;nio da cria&ccedil;&atilde;o, que Deus confia ao homem, para a dominar (cf. Gn. 1, 28), pressup&otilde;e um ato de verdadeira responsabilidade, no respeito pela pr&oacute;pria natureza, por si mesmo &ndash; corol&aacute;rio da pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o, a quem ela se destina -, e por todos os seus semelhantes. O respeito pela cria&ccedil;&atilde;o tem de pressupor a compreens&atilde;o do justo uso dos recursos naturais, da salvaguarda do servi&ccedil;o &agrave; pessoa e de uma verdadeira prossecu&ccedil;&atilde;o do bem comum. (1)<\/p>\n<p>Ora, um dos graves flagelos com que hoje nos confrontamos &ndash; talvez o maior e menos consciente &ndash; &eacute; precisamente o desrespeito pela natureza, pelas suas possibilidades e limites, pondo em causa o equil&iacute;brio da nossa casa comum, com os seus consequentes resultados para a justa satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades de cada pessoa e para a prossecu&ccedil;&atilde;o da justa distribui&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios recursos a favor de todos (cf. GS. 69). Que dizer das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas que se agudizam, ou das persistentes secas que, t&atilde;o profundamente, v&atilde;o afetando diversos povos, j&aacute; de si provados com a falta dos meios necess&aacute;rios &agrave; sua subsist&ecirc;ncia b&aacute;sica? E que dizer da injusta distribui&ccedil;&atilde;o de bens, com a explora&ccedil;&atilde;o de recursos usufru&iacute;dos por alguns, em detrimento da grande maioria dos nossos irm&atilde;os?<\/p>\n<p>Se estas quest&otilde;es se colocam ao n&iacute;vel do usufruto dos bens, na sua globalidade, colocam-se igualmente ao n&iacute;vel dos recursos energ&eacute;ticos, propulsores incontorn&aacute;veis do desenvolvimento econ&oacute;mico e social de cada regi&atilde;o e de cada pa&iacute;s. Mas estes recursos s&atilde;o igualmente limitados, exigindo uma s&eacute;ria responsabilidade no seu uso e preserva&ccedil;&atilde;o, necessitando, igualmente, do fomento de novas formas de produ&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica, garantindo a viabilidade econ&oacute;mica de todos, com a consequente equidade na sua justa distribui&ccedil;&atilde;o e no respeito pelo equil&iacute;brio natural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. O turismo, pela sua pr&oacute;pria natureza, beneficia dos recursos ambientais e energ&eacute;ticos e &eacute; respons&aacute;vel pela sua preserva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Se, por um lado, o turismo s&oacute; &eacute; vi&aacute;vel, a m&eacute;dio e a longo prazo, com recurso a solu&ccedil;&otilde;es ambientais e energ&eacute;ticas sustent&aacute;veis, beneficiando delas; por outro, pode ser tamb&eacute;m respons&aacute;vel pela deteriora&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade do nosso planeta e da pr&oacute;pria viabilidade da a&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica, concretamente &laquo;com o consumo desmesurado dos recursos energ&eacute;ticos, o aumento de agentes poluentes e a produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos&raquo; (2). E estes fatores agudizam-se tanto mais quanto o fen&oacute;meno tur&iacute;stico &eacute; uma realidade em profunda expans&atilde;o, em todo o mundo.<\/p>\n<p>Assim sendo, e atendendo &agrave; express&atilde;o do Pontif&iacute;cio Conselho referido, tamb&eacute;m neste &acirc;mbito &laquo;&eacute; necess&aacute;ria a &eacute;tica da responsabilidade e da prud&ecirc;ncia&raquo; (3), para que o turismo seja uma atividade vi&aacute;vel, no mais estrito respeito pela natureza, contribuindo para solu&ccedil;&otilde;es ambientais e energ&eacute;ticas sustent&aacute;veis, &laquo;favorecendo comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as pr&oacute;prias necessidades de energia e melhorando as suas condi&ccedil;&otilde;es de utiliza&ccedil;&atilde;o&raquo; (4). Mais ainda: o turismo pode, e deve, estar ao servi&ccedil;o de iniciativas energeticamente sustent&aacute;veis e de menor impacto ambiental. Tamb&eacute;m delas depende o seu pr&oacute;prio desenvolvimento sustentado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Em Portugal, destino tur&iacute;stico por excel&ecirc;ncia, estes cuidados devem ser redobrados, preservando o ambiente natural e tirando partido das imensas possibilidades das nossas condi&ccedil;&otilde;es naturais para a implementa&ccedil;&atilde;o de fontes energ&eacute;ticas renov&aacute;veis.<\/p>\n<p>Apraz-nos registar, como francamente positivo, o cuidado na implementa&ccedil;&atilde;o de medidas que promovem o aproveitamento energ&eacute;tico dessas mesmas condi&ccedil;&otilde;es naturais &ndash; o investimento na energia e&oacute;lica, na energia solar e mesmo &ndash; apesar de mais modesta &ndash; a nossa consci&ecirc;ncia das possibilidades naturais oferecidas pelo mar, na imensa costa atl&acirc;ntica, que banha o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Este investimento em energias renov&aacute;veis, que urge continuar a desenvolver, dever&atilde;o colocar-se tamb&eacute;m ao servi&ccedil;o do fen&oacute;meno tur&iacute;stico em Portugal, incentivando os agentes tur&iacute;sticos a us&aacute;-las numa maior escala, promovendo-se um turismo equilibrado, em que se fundem desenvolvimento econ&oacute;mico e sustentabilidade energ&eacute;tica.<\/p>\n<p>&nbsp;Um esfor&ccedil;o redobrado &eacute; ainda exigido a todos no sentido de se evitar o excesso de polui&ccedil;&atilde;o e de produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos. Neste &acirc;mbito, &eacute; ainda urgente, entre n&oacute;s, a forma&ccedil;&atilde;o de todos, com destaque para as v&aacute;rias inst&acirc;ncias de forma&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica, no sentido de se fazer o necess&aacute;rio tratamento de res&iacute;duos, seja pelo recurso &agrave; reciclagem, seja no respeito pelos espa&ccedil;os p&uacute;blicos. O correto uso das est&acirc;ncias tur&iacute;sticas &ndash; que dever&atilde;o estar dotadas dos meios necess&aacute;rios a esta a&ccedil;&atilde;o &ndash; poder&aacute; contribuir para a economia de recursos materiais e, consequentemente, de recursos energ&eacute;ticos.<\/p>\n<p>Num pa&iacute;s verde, como Portugal, infelizmente t&atilde;o flagelado pelos inc&ecirc;ndios florestais, &eacute; urgente uma nova pol&iacute;tica para a floresta e para a refloresta&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o temos d&uacute;vida de que, a par da nossa costa atl&acirc;ntica, a floresta &eacute; um dos elementos mais atrativos para o desenvolvimento do turismo em Portugal. Um redobrado cuidado na refloresta&ccedil;&atilde;o e na preserva&ccedil;&atilde;o das nossas florestas contribui para um desenvolvimento da nossa economia global, mas igualmente para o seu desenvolvimento por via do turismo. Com a possibilidade, inclusive, de se aproveitarem recursos energ&eacute;ticos facultados por estas condi&ccedil;&otilde;es naturais.<\/p>\n<p>Indicados tr&ecirc;s aspetos a cuidar, estamos conscientes de que muitos outros poder&atilde;o e dever&atilde;o ser colocados ao servi&ccedil;o da sustentabilidade tur&iacute;stica em Portugal, aliada a uma sustentabilidade ambiental e energ&eacute;tica, nesta alian&ccedil;a preciosa entre desenvolvimento econ&oacute;mico, cultural e social e promo&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de viabilidade da sua realiza&ccedil;&atilde;o, de que a sustentabilidade energ&eacute;tica &eacute; um fator imprescind&iacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A concluir, dir&iacute;amos que necessitamos de aprofundar urgentemente a nossa responsabilidade pessoal e social, no respeito pela natureza e no incremento de novas possibilidades de conv&iacute;vio do homem com a cria&ccedil;&atilde;o. A sustentabilidade energ&eacute;tica &eacute; apenas uma dimens&atilde;o deste equil&iacute;brio. Mas fundamental, pois as fontes energ&eacute;ticas a que recorremos mais frequentemente n&atilde;o s&atilde;o inesgot&aacute;veis, bem como ami&uacute;de em conflito com o equil&iacute;brio ambiental. No momento presente, urge aliar as possibilidades de que dispomos a uma cont&iacute;nua criatividade neste di&aacute;logo entre o homem e a cria&ccedil;&atilde;o. Conscientes de que o aprofundamento de tal di&aacute;logo beneficia o pr&oacute;prio homem &ndash; pessoal e coletivamente &ndash;, permitindo-lhe legar &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es vindouras um patrim&oacute;nio singular, que lhe foi confiado para que dele cuidasse. De resto, como afirma o Papa Bento XVI, &laquo;a natureza &eacute; express&atilde;o de um des&iacute;gnio de amor e verdade&raquo;, que o homem est&aacute; chamado a &laquo;guardar e a cultivar&raquo; (CV. 48). Sendo um dom, a cria&ccedil;&atilde;o &eacute;, para n&oacute;s, uma tarefa. Em cujo esplendor podemos reconhecer o rosto do Criador.<\/p>\n<p>As novas formas de sustentabilidade energ&eacute;tica inscrevem-se exatamente aqui: ao cuidarmos deste imperativo econ&oacute;mico e social podemos aliar-nos &agrave; cria&ccedil;&atilde;o que nos foi dada amorosamente e repetirmos com o pr&oacute;prio Criador &#8211; &laquo;Deus viu o que tinha feito: e era tudo muito bom&raquo; (Gn. 1, 31).<\/p>\n<p><em>Padre Carlos Alberto da Gra&ccedil;a Godinho, diretor da ONPT-Obra Nacional da Pastoral do Turismo<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>NOTAS:<\/em><\/p>\n<p><em>1 &ndash; <\/em>Cf. Conselho Pontif&iacute;cio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes &ndash; Mensagem por ocasi&atilde;o da Jornada Mundial do Turismo 2012: <em>Turismo e sustentabilidade energ&eacute;tica: propulsores do desenvolvimento sustent&aacute;vel<\/em>. Cidade do Vaticano, 16 de julho de 2012.<\/p>\n<p>2 &#8211; Conselho Pontif&iacute;cio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes &ndash; Mensagem por ocasi&atilde;o da Jornada Mundial da do Turismo 2012 &#8211; <em>Turismo e sustentabilidade energ&eacute;tica<\/em>.<\/p>\n<p>3 &ndash; Ibidem<\/p>\n<p>4 &#8211; Ibidem<em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Turismo e sustentabilidade energ&eacute;tica &#8216;Deus viu o que tinha feito: e era tudo muito bom&#8217; (Gn. 1, 31) &nbsp; O Conselho Pontif&iacute;cio para Pastoral dos Migrantes e Itinerantes prop&ocirc;s, para o Dia Mundial do Turismo, que se celebra no pr&oacute;ximo dia 27, do corrente m&ecirc;s, a mensagem Turismo e sustentabilidade energ&eacute;tica: propulsores do desenvolvimento sustent&aacute;vel. 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