{"id":58123,"date":"2012-09-18T12:57:40","date_gmt":"2012-09-18T12:57:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/18\/evocacao-da-inauguracao-do-concilio-vaticano-ii\/"},"modified":"2012-09-18T12:57:40","modified_gmt":"2012-09-18T12:57:40","slug":"evocacao-da-inauguracao-do-concilio-vaticano-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/evocacao-da-inauguracao-do-concilio-vaticano-ii\/","title":{"rendered":"Evoca\u00e7\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II"},"content":{"rendered":"<p>Padre Luciano Cristino, Diocese de Leiria-F\u00e1tima <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left; tab-stops: 21.3pt center 212.6pt;\" align=\"left\">No dia 29 de setembro de 1962, depois de uma noite tranquila, ap&oacute;s a viagem de comboio, de Portugal &agrave; Cidade Eterna, acordei, de manh&atilde;zinha, com o bimbalhar dos sinos da igreja de S. Celso, vizinha do Pontif&iacute;cio Col&eacute;gio Portugu&ecirc;s, onde fora batizado o menino Eug&eacute;nio Pacelli, que veio a ser Papa com o nome de Pio XII. Depois da missa de a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as, pela viagem, e do pequeno-almo&ccedil;o, dirigi os meus passos para a Pra&ccedil;a de S. Pedro. Foi uma fort&iacute;ssima emo&ccedil;&atilde;o, quando transpus a porta principal da Bas&iacute;lica, onde estava j&aacute; preparada a aula conciliar que, da&iacute; a dias, iria ser ocupada por cerca de 2.500 padres conciliares, vindos de todo o mundo para a grande assembleia ecum&eacute;nica.<\/p>\n<p>&Agrave;s 5.45 horas da madrugada de 11 de outubro de 1962, dia da Maternidade Divina de Maria, celebrei a missa pelas inten&ccedil;&otilde;es do conc&iacute;lio, nas chamadas &ldquo;catacumbas&rdquo;, do r&eacute;s do ch&atilde;o do Pontif&iacute;cio Col&eacute;gio Portugu&ecirc;s, para poder estar presente num dos momentos mais hist&oacute;ricos da Igreja Cat&oacute;lica: o XXI Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II. Entrado na bas&iacute;lica de S. Pedro, assisti &agrave; chegada do bom Papa Jo&atilde;o XXIII, na sua cadeira gestat&oacute;ria, sob os aplausos dos mais de 2.500 bispos e de uma multid&atilde;o incont&aacute;vel de fi&eacute;is. Mas a visibilidade do altar da confiss&atilde;o e da aula conciliar era muito ex&iacute;gua e, por isso, sa&iacute; da bas&iacute;lica para ver a espetacular transmiss&atilde;o televisiva no Col&eacute;gio. Recordo-me bem dessa noite, na Pra&ccedil;a de S. Pedro. Como no encerramento do Conc&iacute;lio de &Eacute;feso, em 431, os fi&eacute;is da cidade aclamaram com archotes acesos e aclama&ccedil;&otilde;es a Virgem Sant&iacute;ssima, a Teot&oacute;kos, e os padres conciliares que tinham definido esse dogma, assim a Pra&ccedil;a de S. Pedro se encheu de luz, naquela noite de 11 de outubro de 1962. O Papa Jo&atilde;o XXIII disse &agrave; multid&atilde;o duas coisas que n&atilde;o mais me esqueceram: &ldquo;dir-se-ia que at&eacute; a Lua se apressou esta noite. Observai-a no alto a olhar este espet&aacute;culo!&rdquo; e &ldquo;quando voltardes a casa, encontrareis os vossos filhos; fazei-lhes uma car&iacute;cia e dizei: esta &eacute; uma car&iacute;cia do Papa!&rdquo;<\/p>\n<p>As emo&ccedil;&otilde;es que vivi, durante as quatro sess&otilde;es do Vonc&iacute;lio (1962-1965), foram imensas. Cheguei a ser convidado para oficial do Conc&iacute;lio como &ldquo;assignator locorum&rdquo; (distribuidor dos lugares aos bispos). Eu estava no primeiro trimestre do bi&eacute;nio do curso de Teologia Dogm&aacute;tica e, perante a minha hesita&ccedil;&atilde;o, consultei o meu Bispo, D. Jo&atilde;o Ven&acirc;ncio, Bispo de Leiria, que me disse: &ldquo;tu precisas de estudar, e esse cargo vai tirar-te muito tempo; declina o convite e n&atilde;o tenhas pena&rdquo;.<\/p>\n<p>De todo o Conc&iacute;lio, destaco momentos muito significativos para mim. O primeiro foi no dia 21 de novembro de 1964, em que o Papa Paulo VI, se rodeou de 24 bispos que tinham, nas suas dioceses, santu&aacute;rios marianos importantes, entre os quais D. Jo&atilde;o Ven&acirc;ncio, para concelebrar com ele e perante os 2.156 padres conciliares presentes, promulgou a Constitui&ccedil;&atilde;o &ldquo;Lumen Gentium&rdquo; sobre a Igreja e proclamou a Sant&iacute;ssima Virgem M&atilde;e da mesma Igreja. Na alocu&ccedil;&atilde;o solen&iacute;ssima que proferiu, lembrou e renovou a consagra&ccedil;&atilde;o que Pio XII fizera em 1942, no contexto de F&aacute;tima, e prometeu enviar a rosa de ouro ao Santu&aacute;rio portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p>No final do Conc&iacute;lio, em dezembro de 1965, o Cardeal Cerejeira, em nome do episcopado portugu&ecirc;s, convidou os bispos para o cinquenten&aacute;rio das apari&ccedil;&otilde;es. J&aacute; se pensava, nessa altura, em convidar o pr&oacute;prio Papa, para fazer uma visita ao Santu&aacute;rio, em 1967. Quando parti de Roma para Portugal, a 19 de mar&ccedil;o desse ano, estava-se a dois meses do cinquenten&aacute;rio da primeira apari&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora, na Cova da Iria, e da primeira peregrina&ccedil;&atilde;o de um Papa, no exerc&iacute;cio do seu minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Outro acontecimento significativo para mim, quando estava j&aacute; no segundo ano de Hist&oacute;ria Eclesi&aacute;stica: foi no dia 7 de dezembro de 1965, v&eacute;spera do encerramento da quarta e &uacute;ltima sess&atilde;o conciliar. O Papa Paulo VI e o representante do Patriarca de Constantinopla assinaram um documento solene em que se fazia a declara&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua de perd&atilde;o das excomunh&otilde;es que tinham sido proferidas em 1054, naquela cidade. Um gesto simb&oacute;lico daquele dia foi a deposi&ccedil;&atilde;o, pelo enviado de Constantinopla, de nove rosas vermelhas (tantos os s&eacute;culos que decorreram, desde o cisma do Oriente), no t&uacute;mulo do Papa Le&atilde;o IX, que tinha enviado a delega&ccedil;&atilde;o a Constantinopla e tinha ocasionado a m&uacute;tua excomunh&atilde;o por parte do Patriarca Miguel Cerul&aacute;rio e do chefe da delega&ccedil;&atilde;o pontif&iacute;cia, Cardeal Humberto.&nbsp;<\/p>\n<p>Cinquenta anos depois da abertura do Conc&iacute;lio e da minha ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal (15 de agosto de 1962), lembro os momentos felizes que vivi, em Roma e em Portugal, n&atilde;o esquecendo sobretudo as peregrina&ccedil;&otilde;es dos Papas Paulo VI, Jo&atilde;o Paulo II e Bento XVI ao Santu&aacute;rio de F&aacute;tima.<\/p>\n<p><em>Padre Luciano Cristino, Diocese de Leiria-F&aacute;tima<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Luciano Cristino, Diocese de Leiria-F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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