{"id":58122,"date":"2012-09-18T12:54:56","date_gmt":"2012-09-18T12:54:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/18\/a-revolucao-serena-do-espirito\/"},"modified":"2012-09-18T12:54:56","modified_gmt":"2012-09-18T12:54:56","slug":"a-revolucao-serena-do-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-revolucao-serena-do-espirito\/","title":{"rendered":"A revolu\u00e7\u00e3o serena do Esp\u00edrito"},"content":{"rendered":"<p>Padre Ant\u00f3nio Rego, jornalista <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"left\">Parecia o ovo de Colombo. Muito do que nos ia chegando de Roma&nbsp; parecia j&aacute; escondido, com timidez, dentro de&nbsp; n&oacute;s, jovens inconformados&nbsp; com tantas &aacute;reas da Igreja que pareciam desfasadas n&atilde;o da realidade apenas, segundo nos parecia, mas da grande tradi&ccedil;&atilde;o da Comunidade inicial, distorcida depois pela hist&oacute;ria, manipulada pelos tempos, imp&eacute;rios, sabatinas e decretos. O Conc&iacute;lio surgiu-nos com tanta naturalidade como se fora um pedido profundo h&aacute; muito por n&oacute;s formulado. A mod&eacute;stia n&atilde;o era muita. Era o melhor da nossa juventude como estudantes de Teologia e depois como pastores. Aos poucos fomos alinhando os nossos s&aacute;bios pareceres com uma s&eacute;rie de movimentos germinativos que nos precederam, sobre Deus, a b&iacute;blia, a Igreja, o mundo, o ecumenismo, os leigos, a liturgia, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, a atividade mission&aacute;ria, a liberdade religiosa. Come&ccedil;amos a perceber que o Conc&iacute;lio n&atilde;o trazia novidades no sentido de criar do nada o que quer que fosse, mas recriava, com a luz do Esp&iacute;rito, toda a din&acirc;mica&nbsp; da Igreja que nela j&aacute; se inscrevia, n&atilde;o para a conformar com o mundo mas, para nele descobrir sinais de Deus muito para al&eacute;m da vis&atilde;o estreita de o mundo ser apenas o terreno e o s&iacute;mbolo do mal.<\/p>\n<p>Tem-me acompanhado toda a vida sacerdotal a edi&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Gr&aacute;fica de 1966 dos &ldquo;Documentos Conciliares do Vaticano II&rdquo;, com 4 Constitui&ccedil;&otilde;es, 9 Decretos&nbsp; e 3 Declara&ccedil;&otilde;es. Toco esse livro com carinho. Sinto que todas as suas p&aacute;ginas foram percorridas e estudadas, enriquecidas com coment&aacute;rios de grandes mestres de teologia e pastoral. Muitos trabalhos, nomeadamente nos media foram um esfor&ccedil;o sincero de o traduzir para o homem da rua tentando nunca analisar antes de ler, dispondo-me a uma aprendizagem constante.<\/p>\n<p>Como muitos companheiros de miss&atilde;o da minha gera&ccedil;&atilde;o, sentia a urg&ecirc;ncia,&nbsp; nalguns casos exagerada, de trazer o Conc&iacute;lio para a vida, pois j&aacute; se tinha perdido tempo demais em considerandos a que faltava apenas uma coisa: fazer. E assim veio o sofrimento das reformas a que muitos faziam resist&ecirc;ncia&nbsp; e outros, mais not&oacute;rios, faziam precipitar sobre uma multid&atilde;o que havia aprendido a vida crist&atilde; como um dogma definitivo no conte&uacute;do e na forma, no conceito de autoridade, no rigorismo com que se formaram as consci&ecirc;ncias, na trai&ccedil;&atilde;o que parecia acompanhar qualquer mudan&ccedil;a. A vis&atilde;o eterna da Igreja confundia-se facilmente com a imutabilidade das formas, misturando o essencial e o perif&eacute;rico. O tempo da chamada contrarreforma fora longo e duro na defesa intransigente&nbsp; e justa da f&eacute; cat&oacute;lica. Esse estilo ter&aacute;, direta ou indiretamente, gerado resist&ecirc;ncias indiscriminadas &agrave; mudan&ccedil;a. N&atilde;o estou a falar s&oacute; do p&oacute;s-conc&iacute;lio. Lembro o&nbsp; tempo em que ele ocorreu e dos dinamismos de resist&ecirc;ncia e mudan&ccedil;a com que se debatia. Passados estes 50 anos tenho por vezes a sensa&ccedil;&atilde;o de estar numa esp&eacute;cie de segunda volta onde vejo com respeito e espanto alguns que choram e lutam pelo regresso do passado no mesmo estilo de resist&ecirc;ncia que encontrei perante a boa nova do Conc&iacute;lio. De uns e outros sorrir&aacute; o Senhor do tempo, e o Esp&iacute;rito, que vivifica para al&eacute;m dos tempos e dos modos.<\/p>\n<p>A liturgia foi o terreno que deu maior visibilidade ao todo do Conc&iacute;lio. A Palavra, o vern&aacute;culo, o novo conceito de participa&ccedil;&atilde;o, o altar <em>versus populi<\/em>, a assembleia &ldquo;concelebrante&rdquo;, a simplifica&ccedil;&atilde;o do ritos, gestos, paramentos, o conceito de Ceia e Sacrif&iacute;cio, tudo isso descia &agrave;s comunidades com alguns estremecimentos, mas com grande alegria para os que descobriam o seu novo dinamismo. Nada acontecia num dia apenas. Implicava tempo, paci&ecirc;ncia, forma&ccedil;&atilde;o, participa&ccedil;&atilde;o, discernimento dos pastores e leigos. E exigia meios, desde livros, folhetos, tradu&ccedil;&otilde;es, encontros pacientes. N&atilde;o se tratava de mudan&ccedil;a can&oacute;nica de regras, mas dum novo esp&iacute;rito perante o todo de que as mudan&ccedil;as eram a express&atilde;o. Momentos houve muitos complexos que exigiam um profundo respeito por quem n&atilde;o entendia o que se passava mas que nem por isso era exclu&iacute;do da comunidade. Mas o tempo era prop&iacute;cio &agrave; mudan&ccedil;a. E a Igreja, nessa mat&eacute;ria em paralelo com o que se passava no Ocidente &ndash; a&nbsp; grande revolu&ccedil;&atilde;o dos anos 60 &#8211; procurou dar sentido a essa express&atilde;o que s&oacute; os ditadores&nbsp; n&atilde;o entendiam de todo. A palavra liberdade que se cantava em todos os tons e em todas as pra&ccedil;as tamb&eacute;m foi ouvida e proclamada pela Igreja numa Declara&ccedil;&atilde;o Conciliar sobre a liberdade religiosa. O tempo era para alguns de utopia. Para a Igreja era de esperan&ccedil;a. At&eacute; porque os sinais exteriores n&atilde;o traziam tantas promessas como alguns pensavam. &Eacute; por a&iacute; que come&ccedil;am a diminuir as voca&ccedil;&otilde;es consagradas, a falecer alguns movimentos vitais da Igreja, a surgir novas vis&otilde;es de miss&atilde;o ad gentes, a desaparecer formatos pastorais que pareciam s&oacute;lidos. Mas o Conc&iacute;lio n&atilde;o foi o gerador da crise. S&oacute; Deus sabe o que seriam os novos tempo sem o seu impulso de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p><em>Padre Ant&oacute;nio Rego, jornalista<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Ant\u00f3nio Rego, jornalista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[192,246],"class_list":["post-58122","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-ecumenismo","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58122"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58122\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}