{"id":58119,"date":"2012-09-18T12:38:53","date_gmt":"2012-09-18T12:38:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/18\/concilio-vaticano-ii-um-estimulo-forte\/"},"modified":"2012-09-18T12:38:53","modified_gmt":"2012-09-18T12:38:53","slug":"concilio-vaticano-ii-um-estimulo-forte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/concilio-vaticano-ii-um-estimulo-forte\/","title":{"rendered":"Conc\u00edlio Vaticano II, um est\u00edmulo forte"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Marcelino, bispo em\u00e9rito de Aveiro <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\">Regressei de Roma em julho de 1958. Dois meses depois morreu Pio XII. Logo a seguir, um novo Papa. Ouvi a not&iacute;cia com desconforto. N&atilde;o era o que esperava. Trazia de Roma o cora&ccedil;&atilde;o cheio de inquieta&ccedil;&otilde;es. O que vi e vivi, ao longo de tr&ecirc;s anos, dizia-me que as coisas na Igreja&nbsp; tinham de mudar e voltar ao Evangelho. As primeiras palavras de Jo&atilde;o XXIII foram press&aacute;gio de tempos novos. O an&uacute;ncio inesperado de um Concilio, uma lufada de esperan&ccedil;a. Bebi, avidamente, tudo quanto se foi anunciando. Acompanhei o que nos chegava sobre a prepara&ccedil;&atilde;o. O meu bispo alimentava em n&oacute;s esta tens&atilde;o positiva. Sentiu que era preciso envolver padres, seminaristas, leigos e consagrados no novo clima que se vivia na Igreja. Criou a &ldquo;Comiss&atilde;o Diocesana Pro-Concilio&rdquo; para p&ocirc;r a Diocese em clima conciliar.<\/p>\n<p>O Concilio come&ccedil;ou. O entusiasmo aumentou, dia ap&oacute;s dia. O meu bispo, com uma carta regular de Roma, mantinha a diocese desperta. Iam sendo votados os documentos e logo procur&aacute;vamos d&aacute;-los a conhecer. Todas as ocasi&otilde;es&nbsp; eram aproveitadas: ultreyas, encontros da A&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica, reuni&otilde;es de padres, encontros de religiosas, encontros de catequistas&hellip; Tudo constitu&iacute;a audit&oacute;rio a interessar pelos trabalhos conciliares. Tomaram-se iniciativas, ao tempo inovadoras, de reunir, em cada um das cidades da diocese, as comunidades religiosas da zona para encontros comuns. N&atilde;o foi f&aacute;cil. Algumas tinham j&aacute; os seus mestres e uma iniciativa com padres diocesanos n&atilde;o convencia. Mas a abertura foi progressiva. Quem no in&iacute;cio fechou portas, depois as escancarou. J&aacute; era o Conc&iacute;lio.<\/p>\n<p>Quando o Vat.II terminou, a Diocese multiplicou as iniciativas. Vieram a Portalegre orientar cursos, abertos aos padres de outras dioceses, especialistas de fora. Fez-se, na catedral, a primeira concelebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica no pa&iacute;s, ap&oacute;s um curso orientado pelo P&egrave;re Roguet.&nbsp; D. Agostinho era, tamb&eacute;m, presidente da Comiss&atilde;o Episcopal de Pastoral e empenhou-se, fortemente, na abertura do clero do pa&iacute;s ao Concilio. Constituiu-se uma equipa nacional com o C&oacute;nego Manuel Falc&atilde;o, os padres Jo&atilde;o Alves, Armindo Duarte, Manuel Vieira Pinto e eu mesmo, e iniciaram-se as Semanas Nacionais de Pastoral, na Buraca. Depois foram levadas &agrave;s dioceses que o desejaram. Mestres do Instituto de Pastoral de Madrid, como Floristan, Useros, Elias Yanes, Echarren orientaram as Semanas. &Agrave;s dioceses j&aacute; fomos n&oacute;s, equipa nacional, com os padres Vitor Pinto e Georgino Rocha.&nbsp; Porque o meu bispo estava muito interessado neste programa, tive de ser eu quem mais se disponibilizou para os cursos diocesanos. Fui a todas as dioceses do continente e das ilhas. De 1968 a 1973 fui a Angola, Mo&ccedil;ambique e Guin&eacute;. Tamb&eacute;m, em Mo&ccedil;ambique, com uma inova&ccedil;&atilde;o para quebrar o individualismo das congrega&ccedil;&otilde;es, fizeram-se os primeiros retiros inter congregacionais. Voltei a Angola e a Mo&ccedil;ambique, em momentos muito dif&iacute;ceis, para cursos inter diocesanos sobre a LG e GS, da iniciativa das confer&ecirc;ncias episcopais. Pude verificar a urg&ecirc;ncia do espirito conciliar, dado que as divis&otilde;es&nbsp; no seio da Igreja, eram muitas e dolorosas.<\/p>\n<p>Vi como nas dioceses o espirito conciliar demorava a conquistar os pr&oacute;prios bispos. Um pediu-me que n&atilde;o pregasse mais na sua diocese alguns pontos da Lumen Gentium, porque ele tinha votado contra; outro, da tribuna onde assistia &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o, interrompeu -me para dizer que orienta&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas do Concilio, tratava-se de dar o sinal da paz, na sua diocese n&atilde;o se admitiam;. ainda outro recomendava-me cuidado com o que ia dizer porque estavam l&aacute; todos os inimigos. Eram s&oacute; padres, e o bispo falava de &ldquo;eles e n&oacute;s&rdquo;&hellip;<\/p>\n<p>Passados 50 anos, o Vaticano II, em muitos aspetos da nossa Igreja ainda n&atilde;o foi aceite. N&atilde;o obstante a preocupa&ccedil;&atilde;o dos bispos, muitos padres e leigos n&atilde;o o conhecem, em aspetos importantes. 50 anos passados podem ser momento de acordar. N&atilde;o vejo sa&iacute;da para muitos problemas pastorais, sem passar pelos caminhos do Vaticano II. O Povo de Deus, a hierarquia como servi&ccedil;o e n&atilde;o poder, o reconhecimento do lugar dos leigos, a vis&atilde;o positiva e o di&aacute;logo mundo, s&atilde;o exemplos a anotar.<\/p>\n<p><em>Ant&oacute;nio Marcelino, bispo em&eacute;rito de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Marcelino, bispo em\u00e9rito de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[106,144,170],"class_list":["post-58119","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-angola","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-de-aveiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58119\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}