{"id":58108,"date":"2012-09-18T11:04:25","date_gmt":"2012-09-18T11:04:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/18\/crise-gravissima-cooperacao-reforcada\/"},"modified":"2012-09-18T11:04:25","modified_gmt":"2012-09-18T11:04:25","slug":"crise-gravissima-cooperacao-reforcada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/crise-gravissima-cooperacao-reforcada\/","title":{"rendered":"Crise grav\u00edssima, coopera\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<p>Eug\u00e9nio Fonseca, presidente da C\u00e1ritas Portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\">Tornou-se evidente, h&aacute; muito, que &eacute; grav&iacute;ssima a crise em que vivemos; e n&atilde;o existem motivos para admitirmos que ela vai abrandar no curto prazo. Contrariamente ao se afirma com frequ&ecirc;ncia, este agravamento n&atilde;o constitui surpresa, tal como n&atilde;o nos surpreendem as posi&ccedil;&otilde;es que ele suscita. H&aacute; muitos anos, algumas figuras dignas do maior cr&eacute;dito v&ecirc;m alertando, fortemente, para o descalabro econ&oacute;mico-social e para as nossas debilidades perante ele; debilidades pol&iacute;ticas, sociais, econ&oacute;micas e at&eacute; culturais. Nos meios cat&oacute;licos, real&ccedil;a-se o saudoso Prof. Ern&acirc;ni Lopes, que &laquo;previu&raquo;, h&aacute; mais de quinze anos, o aumento incontrol&aacute;vel do desemprego, a diminui&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios, a quebra do crescimento econ&oacute;mico, o aumento dos d&eacute;fices econ&oacute;micos e financeiros e da depend&ecirc;ncia do exterior&#8230; Desgra&ccedil;adamente, essas previs&otilde;es est&atilde;o a confirmar-se, em cada dia que passa; e at&eacute; parece que alguns est&atilde;o altamente empenhados em que se verifiquem os cen&aacute;rios mais negativos, admitidos por aquele ilustre Autor no caso de n&atilde;o serem tomadas medidas adequadas.<\/p>\n<p>A conjuntura mundial, a globaliza&ccedil;&atilde;o avassaladora, o capitalismo desregulado, a par das limita&ccedil;&otilde;es das inst&acirc;ncias comunit&aacute;rias (UE) e internacionais envolveram-nos num cerco asfixiante. Mas v&aacute;rios fatores internos v&ecirc;m refor&ccedil;ando o cerco, fazendo-nos correr o risco de fazer o jogo das for&ccedil;as opressoras que nos destroem. Os partidos pol&iacute;ticos digladiam-se na luta pelo poder, como se viv&ecirc;ssemos em condi&ccedil;&otilde;es perfeitamente normais, em vez, de procurarem juntos as solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis. Pelo contr&aacute;rio, v&atilde;o-nos habituando a, quando est&atilde;o na oposi&ccedil;&atilde;o, contestarem as medidas que tomariam se fossem governo; e adotarem, no governo, as que contestariam se fossem oposi&ccedil;&atilde;o. A hist&oacute;ria dos &uacute;ltimos governos e respetivas oposi&ccedil;&otilde;es &eacute; muito elucidativa a este respeito.&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta hora t&atilde;o dif&iacute;cil para o pa&iacute;s precisamos de sinais de esperan&ccedil;a. Felizmente, existe um universo de esperan&ccedil;a vital, n&atilde;o muito valorizado porque ofuscado pelos clamores: trata-se dos trabalhadores e empres&aacute;rios que lutam afincadamente pela viabiliza&ccedil;&atilde;o de suas empresas e outras organiza&ccedil;&otilde;es; trata-se de in&uacute;meras fam&iacute;lias, institui&ccedil;&otilde;es, grupos de voluntariado e tamb&eacute;m servi&ccedil;os p&uacute;blicos votados &agrave; sobreviv&ecirc;ncia pessoal e coletiva; e trata-se, em suma, do conjunto &#8211; imenso &#8211; de cidad&atilde;os\/&atilde;s que enfrentam dignamente as maiores dificuldades. No entanto, apesar de tamanha dedica&ccedil;&atilde;o &#8211; marcada, n&atilde;o raro, por express&otilde;es an&oacute;nimas de hero&iacute;smo extremo &#8211; persistem e agravam-se os casos de car&ecirc;ncia grave, de exclus&atilde;o social e de marginalidade. A par dos pobres tradicionais, aumenta constantemente o empobrecimento de fam&iacute;lias que, outrora, nunca puseram tal hip&oacute;tese. E, enquanto isso, uma elevad&iacute;ssima e crescente percentagem de jovens encontra-se bloqueada no acesso ao trabalho e &agrave; vida normal, em termos de autonomia e desenvolvimento pessoal. N&atilde;o admira por isso que persista o submundo incontrol&aacute;vel dos comportamentos marginais, incluindo o crime, organizado ou n&atilde;o; a conflituosidade familiar, social e pol&iacute;tica atingiram n&iacute;veis t&atilde;o preocupantes quanto desconhecidos; e o n&uacute;mero de suic&iacute;dios constitui, para todos n&oacute;s, um alerta permanente que n&atilde;o podemos descurar.<\/p>\n<p>Como agir perante esta grav&iacute;ssima situa&ccedil;&atilde;o? &#8211; No &acirc;mbito da C&aacute;ritas e de outras institui&ccedil;&otilde;es, como a Sociedade de S. Vicente de Paulo, v&ecirc;m sendo levadas a efeito reflex&otilde;es e experi&ecirc;ncias v&aacute;rias. Deixo aqui assinaladas apenas tr&ecirc;s linhas de rumo de car&aacute;ter operacional, que parecem fundamentais: a a&ccedil;&atilde;o organizada a n&iacute;vel local &#8211; freguesia ou par&oacute;quia &#8211; na consci&ecirc;ncia dos problemas sociais e na procura das respetivas solu&ccedil;&otilde;es; a estreita articula&ccedil;&atilde;o entre a a&ccedil;&atilde;o local, a concelhia e, na perspetiva eclesial, a diocesana; e a articula&ccedil;&atilde;o entre os &acirc;mbitos concelhio ou diocesano e o nacional. Estas linhas de rumo baseiam-se na aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da subsidiariedade, que &eacute; fundamental na doutrina social da Igreja. &Agrave; luz dele, n&atilde;o se transferem, para o munic&iacute;pio nem para a diocese, os problemas que podem ser resolvidos a n&iacute;vel de freguesia ou par&oacute;quia; e n&atilde;o se transferem, para o n&iacute;vel nacional, os que podem ser resolvidos a n&iacute;vel municipal ou diocesano. Imp&otilde;e-se, entretanto, nunca perdermos de vista que as decis&otilde;es pol&iacute;ticas fazem parte integrante da solu&ccedil;&atilde;o dos problemas sociais. Por isso, &eacute; indispens&aacute;vel que a pr&oacute;pria a&ccedil;&atilde;o social da Igreja, nos n&iacute;veis paroquial, diocesano e nacional, inclua tamb&eacute;m a interven&ccedil;&atilde;o junto dos &oacute;rg&atilde;os de decis&atilde;o pol&iacute;tica; tal interven&ccedil;&atilde;o pode revestir a forma de propostas, de di&aacute;logo, de insist&ecirc;ncia persistente, ou qualquer outra, at&eacute; se conseguirem resultados t&atilde;o justos quanto poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>A ideia-chave, na crise atual, &eacute; porventura a coopera&ccedil;&atilde;o incondicional em todos os dom&iacute;nios de a&ccedil;&atilde;o e em todos os n&iacute;veis de decis&atilde;o. Por sua natureza, a coopera&ccedil;&atilde;o &eacute; insepar&aacute;vel do pluralismo e da diverg&ecirc;ncia; ela carateriza-se, exatamente, pela procura das converg&ecirc;ncias poss&iacute;veis, quaisquer que sejam as diferen&ccedil;as e diverg&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><em>Eug&eacute;nio Fonseca, presidente da C&aacute;ritas Portuguesa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eug\u00e9nio Fonseca, presidente da C\u00e1ritas Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[125,329],"class_list":["post-58108","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-caritas","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58108\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}