{"id":58102,"date":"2012-09-17T15:43:00","date_gmt":"2012-09-17T15:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/17\/missao-da-igreja-num-pais-em-crise\/"},"modified":"2012-09-17T15:43:00","modified_gmt":"2012-09-17T15:43:00","slug":"missao-da-igreja-num-pais-em-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/missao-da-igreja-num-pais-em-crise\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o da Igreja num pa\u00eds em crise"},"content":{"rendered":"<p>Nota do Conselho Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\">1. O momento socioecon&oacute;mico que Portugal atravessa est&aacute; a ser dif&iacute;cil para muitos portugueses. A Igreja &eacute; sens&iacute;vel ao sofrimento de todos, particularmente dos mais pobres e dos desempregados, independentemente da f&eacute; que professam. A Igreja faz parte da sociedade e, com a vis&atilde;o do homem e da vida que lhe &eacute; pr&oacute;pria, &eacute; chamada a contribuir para o bem das pessoas e da comunidade nacional como um todo. A principal resposta da Igreja para o momento atual tem sido dada pelas suas institui&ccedil;&otilde;es de solidariedade social, como pr&aacute;tica ativa da caridade.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>A Igreja e a comunidade pol&iacute;tica<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">2. Quando celebramos 50 anos do in&iacute;cio do Conc&iacute;lio Vaticano II, &eacute; oportuno recordar o seu ensinamento, tantas vezes confirmado pelo Magist&eacute;rio posterior, sobretudo dos Papas. A Igreja &eacute; um Povo, uma comunidade estruturada e organizada, que assume como dever a procura do bem-comum de toda a sociedade. Esse &eacute; tamb&eacute;m o fim da comunidade pol&iacute;tica. &ldquo;No campo que lhe &eacute; pr&oacute;prio, a comunidade pol&iacute;tica e a Igreja s&atilde;o independentes e aut&oacute;nomas uma da outra. Mas ambas, embora a t&iacute;tulos diferentes, est&atilde;o ao servi&ccedil;o da voca&ccedil;&atilde;o pessoal e social dos mesmos homens&rdquo; (<em>Gaudium et Spes<\/em>, n&ordm; 76).<\/p>\n<p align=\"left\">Segundo a doutrina do Magist&eacute;rio, a Igreja como comunidade interv&eacute;m na sociedade a tr&ecirc;s n&iacute;veis: os crist&atilde;os leigos, guiados pela sua consci&ecirc;ncia crist&atilde;, t&ecirc;m toda a liberdade de participa&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica; as associa&ccedil;&otilde;es da Igreja, com particular rela&ccedil;&atilde;o &agrave; hierarquia, devem intervir tendo em conta o di&aacute;logo com os seus pastores; os sacerdotes e bispos t&ecirc;m como minist&eacute;rio anunciar o Evangelho e a doutrina da Igreja para todos, de modo que ela possa ser acolhida, nomeadamente no que diz respeito &agrave; sua doutrina social.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>A Igreja e o atual momento da sociedade portuguesa<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">3. A doutrina social da Igreja, que temos sempre o dever de anunciar, ilumina a realidade, interpela a consci&ecirc;ncia dos intervenientes na coisa p&uacute;blica e sugere atitudes que exprimam valores.<\/p>\n<p align=\"left\">&#8211; <strong>Prioridade na busca do bem-comum<\/strong>. Esta primazia da busca do bem-comum de toda a sociedade atinge todas as pessoas e todos os corpos sociais. &Eacute; o caminho para construir uma unidade de objetivos, no respeito das diferen&ccedil;as: governo e oposi&ccedil;&atilde;o, partidos pol&iacute;ticos, associa&ccedil;&otilde;es de trabalhadores e de empres&aacute;rios, etc. As diferen&ccedil;as s&atilde;o leg&iacute;timas, mas a unidade na procura do bem-comum &eacute; sempre necess&aacute;ria e indispens&aacute;vel. A supera&ccedil;&atilde;o das leg&iacute;timas diverg&ecirc;ncias, num alargado consenso nacional, sup&otilde;e sabedoria e generosidade l&uacute;cida.<\/p>\n<p align=\"left\">&#8211; <strong>Direito ao trabalho<\/strong>. Este n&atilde;o deve ser concebido apenas como forma de manuten&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, mas como meio de realiza&ccedil;&atilde;o humana. O desemprego &eacute;, certamente, um dos aspetos mais graves desta crise, o que sup&otilde;e, para a sua supera&ccedil;&atilde;o,&nbsp;um equil&iacute;brio convergente de v&aacute;rios elementos: criatividade nas empresas, caminhos ousados no financiamento, di&aacute;logo social em que pessoas e grupos decidam dar as m&atilde;os, apesar das suas diferen&ccedil;as.<\/p>\n<p align=\"left\">&#8211; <strong>Estabilidade pol&iacute;tica<\/strong>. &Eacute; exigida pela pr&oacute;pria natureza da democracia e da responsabilidade dos seus atores, requerendo a busca permanente do maior consenso social e pol&iacute;tico. Numa democracia adulta, as &ldquo;crises pol&iacute;ticas&rdquo; dever&atilde;o ser sempre exce&ccedil;&atilde;o. Em momentos cr&iacute;ticos, podem comprometer solu&ccedil;&otilde;es e atrasar dinamismos na sua busca. Todos sabemos que, para superar as presentes dificuldades, n&atilde;o existem muitos caminhos de solu&ccedil;&atilde;o. Compete aos pol&iacute;ticos escolh&ecirc;-los, estud&aacute;-los e apresent&aacute;-los com sabedoria.<\/p>\n<p align=\"left\">&#8211; <strong>Respeito pela verdade<\/strong>. O discurso p&uacute;blico tem de respeitar a verdade do dinamismo das situa&ccedil;&otilde;es e da procura de solu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p align=\"left\">&#8211; <strong>Generosidade na honestidade<\/strong>. O bem da comunidade nacional exige de todos generosidade para n&atilde;o dar prioridade &agrave; busca de interesses particulares e a honestidade para renunciar a caminhos pouco dignos de procura desses interesses. S&oacute; com generosidade se pode alcan&ccedil;ar um bem maior.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Renova&ccedil;&atilde;o cultural<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">4. Esperamos que a presente situa&ccedil;&atilde;o fa&ccedil;a avan&ccedil;ar a verdadeira compreens&atilde;o sobre alguns elementos decisivos do mundo econ&oacute;mico-financeiro em que estamos inseridos:<\/p>\n<p align=\"left\">&#8211; <strong>Os sistemas econ&oacute;mico-financeiros<\/strong>. Portugal, membro da Uni&atilde;o Europeia e da Zona Euro, est&aacute; inserido no quadro das economias liberais, vulgarmente designadas de capitalismo. A Igreja sempre defendeu, entre as express&otilde;es da liberdade, a liberdade econ&oacute;mica, desde que as suas concretiza&ccedil;&otilde;es se submetam aos objetivos do bem-comum. Os pr&oacute;prios lucros das pessoas, das empresas e dos grupos devem orientar-se para o bem-comum de toda a sociedade.<\/p>\n<p align=\"left\">&#8211; <strong>O equil&iacute;brio entre finan&ccedil;as e economia<\/strong>. O Papa Bento XVI concretizou o pensamento da Igreja, salientando que as finan&ccedil;as devem ser um instrumento que tenha em vista a melhor produ&ccedil;&atilde;o de riqueza e o desenvolvimento. Importa que a economia e as finan&ccedil;as se pratiquem de modo &eacute;tico a fim de criar as condi&ccedil;&otilde;es adequadas para o desenvolvimento da pessoa e dos povos.<\/p>\n<p align=\"left\">&#8211; <strong>Os mercados<\/strong>. Sujeitos a uma dimens&atilde;o &eacute;tica de servi&ccedil;o &agrave; humanidade, os mercados n&atilde;o podem separar-se do dinamismo econ&oacute;mico, transformando-se em fontes aut&oacute;nomas de lucro que n&atilde;o reverte, necessariamente, para o bem-comum da sociedade.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">A supera&ccedil;&atilde;o da crise sup&otilde;e uma renova&ccedil;&atilde;o cultural. A Igreja quer contribuir para esta renova&ccedil;&atilde;o com os valores que lhe s&atilde;o pr&oacute;prios: a dignidade da pessoa humana, a solidariedade como vit&oacute;ria sobre os diversos ego&iacute;smos, a equidade nas solu&ccedil;&otilde;es e na distribui&ccedil;&atilde;o dos sacrif&iacute;cios, atendendo aos mais desfavorecidos, a verdade nas afirma&ccedil;&otilde;es e an&aacute;lises, a coragem para aceitar que momentos dif&iacute;ceis podem ser a semente de novas etapas de conviv&ecirc;ncia e de sentido coletivo da vida. N&oacute;s, os crentes, contamos para isso com a for&ccedil;a de Deus e a prote&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">F&aacute;tima, 17 de setembro de 2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota do Conselho Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,147,191,314],"class_list":["post-58102","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-economia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58102\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}