{"id":58015,"date":"2012-09-11T11:14:29","date_gmt":"2012-09-11T11:14:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/11\/o-servico-publico-sao-conteudos-concretos\/"},"modified":"2012-09-11T11:14:29","modified_gmt":"2012-09-11T11:14:29","slug":"o-servico-publico-sao-conteudos-concretos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-servico-publico-sao-conteudos-concretos\/","title":{"rendered":"O servi\u00e7o p\u00fablico s\u00e3o conte\u00fados concretos"},"content":{"rendered":"<p>An\u00e1lise de Eduardo Cintra Torres <!--more--> <\/p>\n<p>Uma vez mais, o pa&iacute;s vive uma como&ccedil;&atilde;o em torno do servi&ccedil;o p&uacute;blico de TV e r&aacute;dio. Infelizmente, n&atilde;o &eacute; em torno do essencial: a como&ccedil;&atilde;o tende a concentrar-se na discuss&atilde;o sobre o operador e n&atilde;o sobre o pr&oacute;prio servi&ccedil;o p&uacute;blico; quase todos dizem que ningu&eacute;m sabe o que &eacute; ou que toda a gente sabe o que &eacute; &mdash; sem verdadeiramente se indicar qual o servi&ccedil;o p&uacute;blico que o pa&iacute;s precisa e pode ter.<\/p>\n<p>Aqui deixo um breve contributo. Servi&ccedil;o p&uacute;blico de TV e r&aacute;dio &eacute; aquele que possa ser propiciado pelo Estado sem alternativa no resto da sociedade organizada. Deste modo, exclui-se todo os conte&uacute;dos apresentados por um operador de servi&ccedil;o p&uacute;blico que sejam id&ecirc;nticos ou at&eacute; concorrenciais com os que o mercado j&aacute; ofere&ccedil;a.<\/p>\n<p>Este princ&iacute;pio t&atilde;o simples permite, a partir dele, pensar o servi&ccedil;o p&uacute;blico, at&eacute; em termos institucionais. O operador deve ser uma institui&ccedil;&atilde;o motivada pela convic&ccedil;&atilde;o de que oferecer&aacute; algo que &eacute; necess&aacute;rio &agrave; sociedade e mais ningu&eacute;m tem condi&ccedil;&otilde;es ou interesse para produzir e apresentar; e motivada pela humildade de que os conte&uacute;dos n&atilde;o t&ecirc;m de conquistar todos ao mesmo tempo, mas influenciar todos pela sua exist&ecirc;ncia, mesmo que n&atilde;o os vejam ou ou&ccedil;am, pelo seu poder intr&iacute;nseco.<\/p>\n<p>Em termos pr&aacute;ticos, e tendo em conta as circunst&acirc;ncias institucionais, constitucionais, sociais e pol&iacute;ticas em que nos encontramos, julgo que o modelo adequado ao servi&ccedil;o p&uacute;blico de r&aacute;dio e TV passaria pelos seguintes pontos:<\/p>\n<p>&#8211; Transforma&ccedil;&atilde;o da RTP numa empresa &aacute;gil, eficaz, despartidarizada, sem influ&ecirc;ncia dos &oacute;rg&atilde;os pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>&#8211; Concentra&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o p&uacute;blico num &uacute;nico e obsessivo princ&iacute;pio: a cria&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos de interesse p&uacute;blico (o servi&ccedil;o p&uacute;blico s&atilde;o conte&uacute;dos, n&atilde;o &eacute; uma empresa).<\/p>\n<p>&#8211; Fim da publicidade, por contaminar os conte&uacute;dos e por fazer concorr&ecirc;ncia desleal com os privados (pagamos a RTP com os nossos impostos e ainda &eacute; preciso publicidade para estragar programas e acabar por piorar os programas dos privados?)<\/p>\n<p>&#8211; Concentra&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos num &uacute;nico canal de TV, colocando o outro em pousio.<\/p>\n<p>&#8211; Concentra&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos de r&aacute;dio numa ou duas esta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&#8211; Diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de canais da RTP em operadoras de TV paga (n&atilde;o temos de pagar duas vezes pelo servi&ccedil;o p&uacute;blico; a TV paga n&atilde;o chega a todos os cidad&atilde;os).<\/p>\n<p>&#8211; Concentra&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os internacionais num &uacute;nico canal que mostre o verdadeiro Portugal contempor&acirc;neo e que dignifique a l&iacute;ngua, os conte&uacute;dos e o empreendedorismo portugu&ecirc;s junto de todos os falantes de l&iacute;ngua portuguesa.<\/p>\n<p>&#8211; Limitar os recursos da RTP &agrave;s receitas da taxa, dignificando este esfor&ccedil;o dos cidad&atilde;os como &uacute;nicos pagadores directos do servi&ccedil;o. Fim, portanto, das &ldquo;Indemniza&ccedil;&otilde;es compensat&oacute;rias&rdquo; e outras dota&ccedil;&otilde;es estatais.<\/p>\n<p>&#8211; Reestruturar a RTP, acabando com in&uacute;meras direc&ccedil;&otilde;es-gerais in&uacute;teis (resultado da partidariza&ccedil;&atilde;o), moralizando vencimentos exagerados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quanto aos conte&uacute;dos, &eacute; dif&iacute;cil expor um programa concreto sem cair num paternalismo em que n&atilde;o me reconhe&ccedil;o. Mas os seus princ&iacute;pios orientadores seriam:<\/p>\n<p>&#8211; Cria&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento e acompanhamento da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos alternativos aos que o mercado privado j&aacute; oferece.<\/p>\n<p>&#8211; Refor&ccedil;o da programa&ccedil;&atilde;o infantil e juvenil.<\/p>\n<p>&#8211; Regresso &agrave; abertura da antena &agrave; sociedade civil.<\/p>\n<p>&#8211; Produ&ccedil;&atilde;o de fic&ccedil;&atilde;o que marque, com valores est&eacute;ticos e narrativos, e se possa ver no futuro e n&atilde;o, como agora, esquecer ao fim de cinco segundos.<\/p>\n<p>&#8211; Considera&ccedil;&atilde;o do conjunto de conte&uacute;dos n&atilde;o apenas como uma sequ&ecirc;ncia de programas, mas como unidades individuais que os espectadores podem recuperar, atrav&eacute;s das boxes digitais ou atrav&eacute;s da internet.<\/p>\n<p>&#8211; Concentra&ccedil;&atilde;o em conte&uacute;dos, factuais ou ficcionais, que, sem paternalismo ou dirigismo, fomentem a reflex&atilde;o sobre temas actuais ou hist&oacute;ricos, que contextualizem, que permitam aos espectadores formar as suas pr&oacute;prias ideias e aumentar os seus conhecimentos sobre as mat&eacute;rias.<\/p>\n<p>&#8211; Desconsiderar conceitos como &ldquo;programas elitistas&rdquo; ou &ldquo;programas populares&rdquo;, dado que eles contaminam a qualidade final dos conte&uacute;dos. Elitistas ou populares, s&eacute;rios ou de entretenimento, para dez mil ou para um milh&atilde;o, todos os programas devem ser concretizados como ideais para serem vistos ou ouvidos por todos os cidad&atilde;os e devem basear-se em princ&iacute;pios &eacute;ticos que nos permitam, enquanto cidad&atilde;os livres e interessados, melhorar a nossa condi&ccedil;&atilde;o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Eduardo Cintra Torres<br \/><\/em><em>Professor Universit&aacute;rio<br \/><\/em><em>(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lise de Eduardo Cintra Torres<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-58015","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58015","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58015"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58015\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}