{"id":57999,"date":"2012-09-10T13:53:10","date_gmt":"2012-09-10T13:53:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/10\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-solenidade-de-nossa-senhora-dos-remedios\/"},"modified":"2012-09-10T13:53:10","modified_gmt":"2012-09-10T13:53:10","slug":"homilia-do-bispo-de-lamego-na-solenidade-de-nossa-senhora-dos-remedios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-solenidade-de-nossa-senhora-dos-remedios\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Lamego na solenidade de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">1. O Evangelho deste Dia faz desfilar diante de n&oacute;s uma admir&aacute;vel litania de nomes. Esta longa, lenta e bela melodia ensina-nos que, para chegarmos junto de Jesus e de Maria &eacute; necess&aacute;rio primeiro atravessar, com sentida emo&ccedil;&atilde;o e repassada alegria, a li&ccedil;&atilde;o de todo o Antigo Testamento, sentir o pulsar do cora&ccedil;&atilde;o dos &laquo;justificados&raquo; que o habitam, e entrar, juntamente com eles, nessa imensa peregrina&ccedil;&atilde;o ou prociss&atilde;o de esperan&ccedil;a que nos leva at&eacute; &laquo;Jos&eacute;, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus&raquo; (Mateus 1,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&Eacute; uma teia de 44 nomes que nos leva a esse cume inundado de Luz, que nos encandeia e nos cega os olhos, e nos faz ver este mist&eacute;rio inef&aacute;vel e profundo, leg&iacute;vel s&oacute; &agrave; outra luz do cora&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p>2. Admir&aacute;vel litania de nomes e gera&ccedil;&otilde;es,\/ longa, lenta e bela melodia,\/ que nos ensina que para chegarmos junto de Jesus e de Maria, \/ &eacute; necess&aacute;rio subir a escadaria.<\/p>\n<p>3. Prosseguindo o Evangelho deste Dia, tamb&eacute;m se v&ecirc; bem que &laquo;o essencial &eacute; invis&iacute;vel para os olhos&raquo;, e que &laquo;s&oacute; se v&ecirc; bem com o cora&ccedil;&atilde;o&raquo;. &Eacute; assim que Jos&eacute;, o justo, pensa em sair de cena, silenciosamente, amorosamente, para n&atilde;o atrapalhar ningu&eacute;m, e deixar a cena toda livre para Deus.<\/p>\n<p>E &eacute; tamb&eacute;m assim que Deus desce na passividade de um sonho e entrega a Jos&eacute; o que &eacute;, na verdade, coisa pr&oacute;pria de Deus: a esponsalidade e a paternidade. Deus &eacute; o Esposo, o verdadeiro Esposo, tantas vezes dito nas p&aacute;ginas do Antigo e do Novo Testamento. Deus &eacute; o Pai, o verdadeiro Pai, tantas vezes dito nas p&aacute;ginas do Antigo e do Novo Testamento.<\/p>\n<p>&Eacute; s&oacute; por gra&ccedil;a que Jos&eacute; recebe Maria como esposa, e &eacute; s&oacute; por gra&ccedil;a que &eacute; o pai do Filho de Deus, nascido de Maria. Na verdade, diz bem Tiago, juntamente com o Ap&oacute;stolo Paulo, que &laquo;toda a paternidade, como todo o dom perfeito, v&ecirc;m do Alto, descem do Pai das Luzes&raquo; (Ef&eacute;sios 3,15; Tiago 1,17).<\/p>\n<p>4. Subamos, pois, mais alto. Des&ccedil;amos, pois, mais fundo. Car&iacute;ssimos pais e m&atilde;es, os filhos que gerais e que vos nascem, s&atilde;o, antes de mais, vossos ou s&atilde;o de Deus? Dir-me-eis: este filho &eacute; nosso, fomos n&oacute;s que o geramos, fui eu que o dei &agrave; luz, nasceu no dia tal. E eu pergunto ainda: sim, mas porqu&ecirc; esse, e n&atilde;o outro? &Eacute; aqui, amigos, que entra o para al&eacute;m da qu&iacute;mica e da biologia.<\/p>\n<p>&Eacute; aqui, amigos, que entramos no limiar do mist&eacute;rio, na beleza incandescente do santu&aacute;rio, onde o fogo arde por dentro e n&atilde;o por fora. &Eacute; aqui que ca&iacute;mos nos bra&ccedil;os da ternura de um amor novo, maternal, patente neste colo virginal de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios, que nenhuma pesquisa biol&oacute;gica ou qu&iacute;mica explicar&aacute; jamais. Todo o nascimento traz consigo um imenso mist&eacute;rio. Sim, porqu&ecirc; este filho, e n&atilde;o outro? Porqu&ecirc; este, com esta maneira de ser, este boletim de sa&uacute;de, este grau de intelig&ecirc;ncia, esta sensibilidade pr&oacute;pria?<\/p>\n<p>Sim, outra vez, porqu&ecirc; este filho, e n&atilde;o outro, com outra maneira de ser, outro boletim de sa&uacute;de, outro grau de intelig&ecirc;ncia, outras aptid&otilde;es? Fica patente e latente que, para nascer um beb&eacute;, n&atilde;o basta ger&aacute;-lo e d&aacute;-lo &agrave; luz. Quando nasce um filho, &eacute; tamb&eacute;m Deus que bate &agrave; nossa porta, &eacute; tamb&eacute;m Deus que entra em nossa casa.<\/p>\n<p>5. A B&iacute;blia &eacute; um livro cheio de nascimentos. Hoje &eacute; o dia de anos de Maria, o anivers&aacute;rio de Maria, que aqui, nesta sua Casa, saudamos de perto sob a invoca&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios. O humilde profeta Miqueias, saudou-a de longe, &agrave; dist&acirc;ncia de oito s&eacute;culos no tempo, e de trinta quil&oacute;metros no espa&ccedil;o, l&aacute; do meio dos seus campos de <em>Moreshet-Gat<\/em>, a sua aldeia natal.<\/p>\n<p>Da&iacute;, levantou os seus olhos claros e carregados de verdade como &aacute;rvores carregadas de frutos, e viu a cidade capital, Jerusal&eacute;m, cheia de v&iacute;cios, de vazio religioso, explora&ccedil;&atilde;o dos pobres pelo rei e pelos poderosos. Miqueias denuncia esta situa&ccedil;&atilde;o escandalosa com uma linguagem dur&iacute;ssima. Escreve ele: Por acaso, n&atilde;o cabe a v&oacute;s, chefes de Jacob, dirigentes de Israel, conhecer o direito, v&oacute;s que odiais o bem e amais o mal, que arrancais a pele do meu Povo, lhe comeis a carne, cortando-a em peda&ccedil;os e cozendo-a na panela, e lhe roeis os ossos?&raquo; (Miqueias 3,1-3).&nbsp;<\/p>\n<p>6. Visto isto, Miqueias levanta ainda mais os seus olhos muito puros, lancinantes, como estremes facas de dois gumes, e eis que v&ecirc; nascer, ainda que &agrave; dist&acirc;ncia e em claro contraponto, um futuro novo, um mundo novo, que se condensa, n&atilde;o na figura de um rei, rico, viciado, explorador, mas no puro recorte de uma m&atilde;e que h&aacute;-de dar &agrave; luz e amamenta um menino (Miqueias 5,2).<\/p>\n<p>Uma m&atilde;e que amamenta um menino. Este quadro, v&ecirc;-o Miqueias, n&atilde;o a surgir da viciada Jerusal&eacute;m, mas dos campos da humilde terra de Bel&eacute;m (Miqueias 5,1). Por isso tamb&eacute;m, n&atilde;o se atreve Miqueias a dar o t&iacute;tulo de rei (<em>melek<\/em>) ao senhor desse mundo novo, a raiar; em vez de rei, ser&aacute; um guia (<em>m&ocirc;shel<\/em>), que sabiamente ir&aacute; &agrave; frente do seu Povo (Miqueias 5,1).&nbsp;<\/p>\n<p>7. Uma M&atilde;e que amamenta um menino. Se vejo bem, estou mesmo a ver o quadro luminoso de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios. E compreendo melhor a raz&atilde;o porque a amamos tanto. Est&aacute; ali, bem &agrave; vista, a M&atilde;e e o Menino, mas tamb&eacute;m o cora&ccedil;&atilde;o,\/ a respira&ccedil;&atilde;o,\/ a pulsa&ccedil;&atilde;o,\/ a lala&ccedil;&atilde;o,\/ a aleita&ccedil;&atilde;o.\/ Vida recebida,\/ amada,\/ mimada,\/ acariciada.\/ Nunca enlatada.&nbsp;<\/p>\n<p>8. N&atilde;o h&aacute; no mundo bra&ccedil;os t&atilde;o fortes como os de uma M&atilde;e. Da nossa M&atilde;e. Por isso vimos aqui de dia e de noite. Respira-se aqui outra cultura, outro amor, outra alegria. Por isso vimos aqui, de noite e de dia, entregar a Maria as nossas dores e as nossas flores. Aqui encontramos a cura do amor verdadeiro e sem ruga. Daqui sa&iacute;mos sempre renovados, porque aqui sentimo-nos amados e embalados nos teus bra&ccedil;os maternais, M&atilde;e. Aqui, aqui, aqui come&ccedil;a o mundo, M&atilde;e.&nbsp;<\/p>\n<p>9. Encarecidamente imploro ao Senhor Reitor deste Santu&aacute;rio de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios e &agrave; Real Irmandade de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios, que tudo fa&ccedil;am para que este lugar nunca seja um des-lugar, mas seja cada vez mais, n&atilde;o apenas o <em>ex-libris<\/em> de Lamego, mas o mais belo lugar de Lamego, o mais terno lugar de Lamego, o mais aconchegado lugar de Lamego, o patrim&oacute;nio mais comovido de Lamego. Os pobres, os nossos irm&atilde;os que doem, t&ecirc;m de encontrar aqui a sua Casa.<\/p>\n<p>E as esmolas e as ofertas aqui depositadas pelos nossos irm&atilde;os que doem e que d&atilde;o t&ecirc;m de nos merecer um infinito respeito, e n&atilde;o podem ser gastas em qualquer coisa, de qualquer maneira, sem estremecimento nosso. T&ecirc;m de ser obrigatoriamente gastas, exclusivamente gastas, escrupulosamente gastas em abra&ccedil;os maternais, sem outras contabilidades, calculismos ou exerc&iacute;cios financeiros.<\/p>\n<p>A Real Irmandade de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios tem aqui a sua voca&ccedil;&atilde;o e a sua miss&atilde;o mais nobre, mais pura, mais sublime, mais humana, mais divina. E n&oacute;s, todos n&oacute;s, que mais de perto sentimos o ch&atilde;o e o C&eacute;u deste Santu&aacute;rio temos todos a estrita obriga&ccedil;&atilde;o de nos gastarmos tamb&eacute;m em abra&ccedil;os maternais.&nbsp;<\/p>\n<p>10. Encarecidamente imploro &agrave;s queridas Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o quem mais tempo passa neste Santu&aacute;rio e a ele mais se dedica, a gra&ccedil;a de continuarem a dar-se de corpo inteiro, cora&ccedil;&atilde;o inteiro e tempo inteiro, a encher de amor este bocadinho de ch&atilde;o e de C&eacute;u. Eu sei que v&oacute;s sabeis, melhor do que ningu&eacute;m, como fazer deste espa&ccedil;o um rega&ccedil;o e um abra&ccedil;o.&nbsp;<\/p>\n<p>11. Senhora dos Rem&eacute;dios, Senhora da Embala&ccedil;&atilde;o e da Aleita&ccedil;&atilde;o, pega em n&oacute;s ao colo, vela por n&oacute;s, fica &agrave; nossa beira. &Eacute; bom ter uma M&atilde;e como companheira, m&eacute;dica e enfermeira.<\/p>\n<p>Lamego, 08 de Setembro de 2012, Solenidade de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios<\/p>\n<p>+ Ant&oacute;nio Couto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. O Evangelho deste Dia faz desfilar diante de n&oacute;s uma admir&aacute;vel litania de nomes. 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