{"id":57973,"date":"2012-09-06T16:45:00","date_gmt":"2012-09-06T16:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/06\/saudacao-do-presidente-conferencia-episcopal-timorense-no-encontro-de-bispos-catolicos-da-cplp\/"},"modified":"2012-09-06T16:45:00","modified_gmt":"2012-09-06T16:45:00","slug":"saudacao-do-presidente-conferencia-episcopal-timorense-no-encontro-de-bispos-catolicos-da-cplp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saudacao-do-presidente-conferencia-episcopal-timorense-no-encontro-de-bispos-catolicos-da-cplp\/","title":{"rendered":"Sauda\u00e7\u00e3o do presidente Confer\u00eancia Episcopal Timorense no encontro de bispos cat\u00f3licos da CPLP"},"content":{"rendered":"<p>Excel&ecirc;ncias Reverend&iacute;ssimas e Irm&atilde;os<\/p>\n<p>Dizer-vos que vos acolhemos com alegria, emo&ccedil;&atilde;o, satisfa&ccedil;&atilde;o e outros sentimentos mais, &eacute; dizer pouco porque &eacute; limitativo. Por isso prefiro dizer que &eacute; com <strong>indescrit&iacute;vel <\/strong>estado de esp&iacute;rito que eu, em nome dos meus colegas bispos timorenses, em nome de toda a Igreja Timorense e em meu nome pessoal vos dou as boas vindas a este nosso X encontro dos Bispos da CPLP, aqui neste pequeno pa&iacute;s, metade de uma ilha.<\/p>\n<p><strong>Indescrit&iacute;vel <\/strong>porque este nosso encontro ultrapassa o &acirc;mbito meramente eclesial. Com este encontro revemos, neste ano de 2012, os 500 anos da presen&ccedil;a portuguesa em Timor, interrompida politicamente mas n&atilde;o afetivamente durante 24 anos pela ocupa&ccedil;&atilde;o indon&eacute;sia, revemos os quase 450 anos de missiona&ccedil;&atilde;o da Igreja em Timor, revemos os 100 anos dos primeiros sinais de manifesta&ccedil;&atilde;o de emancipa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, conhecida na nossa Hist&oacute;ria como a Revolta de Manufahi, liderada pelo r&eacute;gulo de Same, D. Boaventura; com este encontro testemunhamos tamb&eacute;m os primeiros 10 anos da nossa hist&oacute;ria como pa&iacute;s independente.<\/p>\n<p>Como em tudo na exist&ecirc;ncia humana, s&oacute; reconhecemos os passos importantes da nossa vida quando olhamos para tr&aacute;s e conseguirmos alinhar os acontecimentos mais importantes que tiveram lugar na nossa exist&ecirc;ncia e por isso nos orgulhamos dela. &Eacute; assim tamb&eacute;m que conseguimos reconhecer a presen&ccedil;a de Deus nas nossas vidas e agradecer a todos aqueles que contribu&iacute;ram para que a nossa exist&ecirc;ncia tivesse mais significado e elevado valor. Este encontro &eacute; pois um momento e uma oportunidade para que n&oacute;s, Igreja Timorense, saibamos reconhecer a presen&ccedil;a de Deus na nossa Hist&oacute;ria particular, viv&ecirc;-la e demonstr&aacute;-la e partilh&aacute;-la com irm&atilde;os de outros continentes, que partilham a mesma f&eacute; em Jesus Cristo e a mesma hist&oacute;ria de F&eacute; e Cultura.<\/p>\n<p>Este encontro &eacute; tamb&eacute;m uma oportunidade, para que n&oacute;s timorenses, em particular a Igreja em Timor, manifestemos uma profunda gratid&atilde;o a Portugal e sobretudo aos Mission&aacute;rios Portugueses, que trouxeram o gr&atilde;o de mostarda do Evangelho h&aacute; quase quinhentos anos atr&aacute;s e hoje, pode dizer-se, se transformou em &aacute;rvore frondosa. Aos portugueses devemos 3 coisas: O conhecimento e a f&eacute; em Jesus Cristo pela proclama&ccedil;&atilde;o do Evangelho, O Humanismo que &eacute; uma consequ&ecirc;ncia da Evangeliza&ccedil;&atilde;o e o Esp&iacute;rito de desenrasque, que n&atilde;o sei se &eacute; uma virtude evang&eacute;lica mas que tem funcionado primorosamente em muitas situa&ccedil;&otilde;es da nossa Hist&oacute;ria, se n&atilde;o em todas, mesmo ou sobretudo na guerra. Na pessoa do sr. D. Manuel Clemente, Vice-Presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, vai um profundo agradecimento &agrave; Igreja em Portugal, que nos gerou para a f&eacute; e imprimiu um rumo ou rumos diferentes &agrave; nossa hist&oacute;ria neste contexto asi&aacute;tico.<\/p>\n<p>O nosso sentimento &eacute; tamb&eacute;m <strong>indescrit&iacute;vel <\/strong>pela vossa pr&oacute;pria presen&ccedil;a entre n&oacute;s, neste lugar. Oriundos de diversas latitudes, de diversas ra&ccedil;as e culturas, reunimo-nos aqui, em Timor-Leste, um ponto de fronteira e de passagem entre o &Iacute;ndico e o Pacifico, entre a &Aacute;sia e a Oce&acirc;nia, um pequeno pa&iacute;s cat&oacute;lico no meio das grandes religi&otilde;es asi&aacute;ticas, a mais pr&oacute;xima porque &eacute; vizinha, o Islamismo (diz-se que proporcionalmente Timor Leste &eacute; o segundo maior pa&iacute;s cat&oacute;lico do mundo- N&atilde;o sei se o &eacute; mas n&atilde;o rejeitamos a fama). Os geopol&iacute;ticos dizem que Timor Leste est&aacute; na fronteira entre o mundo de cultura ocidental e oriental, olhando do sul para o norte; com tudo isto, aqui nos reunimos para celebrarmos a mesma f&eacute; em Jesus Cristo e partilharmos as nossas preocupa&ccedil;&otilde;es na mesma l&iacute;ngua, que n&atilde;o o ingl&ecirc;s, hoje em dia a &ldquo;koin&eacute;&rdquo; do mundo e particularmente c&aacute; do s&iacute;tio. Desde j&aacute;&nbsp; vos digo que este nosso encontro est&aacute; a merecer muita aten&ccedil;&atilde;o da parte das embaixadas deste lado do mundo, bem como de v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es internacionais n&atilde;o governamentais sobretudo da parte do mundo anglo-sax&oacute;nico que n&atilde;o compreendem esta afetividade quase m&oacute;rbida entre o colonizador e os colonizados, hoje na&ccedil;&otilde;es independentes. Os irm&atilde;os de outras religi&otilde;es, sobretudo as crist&atilde;s e de esp&iacute;rito ecum&eacute;nico, embora todas elas muito minorit&aacute;rias seguem com olhos e ouvidos muito atentos este nosso encontro. Para Timor, a medida da dimens&atilde;o do mundo &eacute; a dimens&atilde;o da sua ilha. Por isso tudo se sabe rapidamente. Mas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja Cat&oacute;lica, as expectativas e as esperan&ccedil;as timorenses ultrapassam a dimens&atilde;o da ilha.<\/p>\n<p>Portanto este nosso encontro ultrapassa em certo sentido o mero &acirc;mbito da Igreja. At&eacute; da parte de alguns membros do nosso governo, at&eacute; aqui bastante insens&iacute;veis a tudo aquilo que &eacute; presen&ccedil;a portuguesa e Igreja Cat&oacute;lica em Timor, t&ecirc;m olhado com muita expectativa para este nosso encontro, porque a n&iacute;vel de Bispos da CPLP, este &eacute; o primeiro encontro em Timor-Leste. Como bem sabeis, em Timor a Igreja ainda tem muito peso. J&aacute; houve v&aacute;rios encontros a outros n&iacute;veis mas n&atilde;o tiveram o mesmo impacto junto da popula&ccedil;&atilde;o. Da parte da popula&ccedil;&atilde;o, at&eacute; da gente simples, h&aacute; uma grande expectativa e um certo orgulho em ter, reunidos pela primeira vez, em Timor Leste, v&aacute;rios bispos e todos de l&iacute;ngua portuguesa. Pens&aacute;mos, ao longo do nosso encontro proporcionar alguns momentos de aproxima&ccedil;&atilde;o entre Vossas Excel&ecirc;ncias Reverend&iacute;ssimas e algumas comunidades crist&atilde;s dos arredores de D&iacute;li para que a nossa gente sinta mais de perto esta comunh&atilde;o da Igreja. Ra&ccedil;as diferentes mas celebramos o mesmo Cristo. Permitam-me dizer que s&oacute; a vossa presen&ccedil;a j&aacute; &eacute; uma li&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica de catequese sobre o que &eacute; a Igreja.<\/p>\n<p>Esta rea&ccedil;&atilde;o do povo testemunha um bocado da afetividade que este povo tem pela Igreja Cat&oacute;lica em Timor Leste. O que tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; bem visto por aqueles que decidem sobre os destinos do mundo. Numa parte do mundo onde as grandes religi&otilde;es asi&aacute;ticas exercem a sua grande influ&ecirc;ncia, como ousa este pequeno pa&iacute;s querer ser diferente? Por isso queremos tamb&eacute;m ouvir os testemunhos das irm&atilde;s mais velhas que sentem na pele estas experi&ecirc;ncias de minagem da f&eacute; e de perten&ccedil;a &agrave; Igreja Cat&oacute;lica no vosso contexto socioeclesial. A vossa simples presen&ccedil;a conforta-nos, enche-nos de coragem e d&aacute;-nos a certeza de que n&atilde;o estamos sozinhos em todos os aspetos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O nosso sentimento &eacute; tamb&eacute;m <strong>indescrit&iacute;vel <\/strong>pelo facto de termos a ousadia em querer receber-vos. Como pa&iacute;s, temos 10 anos de independ&ecirc;ncia e como Confer&ecirc;ncia Episcopal temos 5 meses de exist&ecirc;ncia. Sobram-nos em alegria e &acirc;nimo aquilo que nos falta em capacidades e recursos .Por isso a qualidade do nosso acolhimento ser&aacute; for&ccedil;osamente limitada. Aqui funcionou uma vez mais a heran&ccedil;a cultural do esp&iacute;rito de desenrasque que &eacute; tamb&eacute;m uma das marcas da nossa identidade. <strong>A marca habitual timorense &eacute;: Amanh&atilde; tamb&eacute;m &eacute; dia.<\/strong> Mas quando &eacute; necess&aacute;rio salvar a face, (caracter&iacute;stica asi&aacute;tica), a&iacute; entra o esp&iacute;rito do desenrasque. E as coisas funcionam. Umas vezes bem, a maior parte das vezes mal. Mesmo assim, s&oacute; a vossa presen&ccedil;a &eacute; um consolo porque nos ajudais e nos ajudamos a crescer mutuamente: na solidifica&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, da amizade, das rela&ccedil;&otilde;es entre os povos, das rela&ccedil;&otilde;es intereclesiais, da l&iacute;ngua, da cultura crist&atilde;, sobretudo a cat&oacute;lica, da interajuda, etc &#8230;<\/p>\n<p>Das nossas limita&ccedil;&otilde;es, que s&atilde;o muitas, antecipadamente nos penitenciamos e pedimos a vossa compreens&atilde;o. Estamos certos de que os oficiais do mesmo of&iacute;cio sabem entender-se maravilhosamente bem.<\/p>\n<p>&nbsp;Senhores Bispos da CPLP: &agrave; Na&ccedil;&atilde;o e &agrave; Igreja- m&atilde;e, Portugal, j&aacute; manifest&aacute;mos os nossos agradecimentos. &Agrave;s Igrejas irm&atilde;s, desde a Irm&atilde; primog&eacute;nita, o Brasil, passando pelas irm&atilde;s seniores, Angola, Cabo Verde, Guin&eacute;, Mo&ccedil;ambique e S. Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe, mais&nbsp; os srs. padres Manuel Moruj&atilde;o e Jos&eacute; Maia, e os queridos irm&atilde;os participantes neste X&nbsp; encontro dos Bispos&nbsp; da CPLP, n&oacute;s os 3 bispos de Timor Leste, (aqui s&oacute; 2, porque o D. Norberto encontra-se em Roma a frequentar o curso dos Bispos rec&eacute;m-ordenados)&nbsp; renovamos os nossos votos de&nbsp; boas&nbsp; vindas.<\/p>\n<p>Uma vez mais, muito, mas muito obrigado pela vossa presen&ccedil;a.<\/p>\n<p>D&iacute;li,6 de setembro de 2012<\/p>\n<p><em>D. Bas&iacute;lio do Nascimento, presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Timorense<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Excel&ecirc;ncias Reverend&iacute;ssimas e Irm&atilde;os Dizer-vos que vos acolhemos com alegria, emo&ccedil;&atilde;o, satisfa&ccedil;&atilde;o e outros sentimentos mais, &eacute; dizer pouco porque &eacute; limitativo. 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