{"id":57935,"date":"2012-09-04T10:41:00","date_gmt":"2012-09-04T10:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/09\/04\/nova-evangelizacao-propor-cristo-de-novo\/"},"modified":"2012-09-04T10:41:00","modified_gmt":"2012-09-04T10:41:00","slug":"nova-evangelizacao-propor-cristo-de-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nova-evangelizacao-propor-cristo-de-novo\/","title":{"rendered":"Nova evangeliza\u00e7\u00e3o: propor Cristo de novo"},"content":{"rendered":"<p>D. Manuel Clemente, bispo do Porto e vice-presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, \u00e9 um dos participantes no pr\u00f3ximo S\u00ednodo, que vai decorrer em outubro, no Vaticano.  <!--more--> <\/p>\n<p>D. Manuel Clemente, bispo do Porto e vice-presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, &eacute; um dos participantes no pr&oacute;ximo S&iacute;nodo, que vai decorrer em outubro, no Vaticano. Em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, antecipa os principais temas que v&atilde;o estar em debate, perante centenas de participantes, incluindo o Papa Bento XVI.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211; Que significado novo trouxe &agrave; Igreja Cat&oacute;lica a express&atilde;o &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Manuel Clemente (MC) &#8211;<\/em> &rdquo;Nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; designou, desde Jo&atilde;o Paulo II, algo que vinha sendo sentido e n&atilde;o encontrara ainda express&atilde;o pr&oacute;pria. Refiro-me &agrave; necessidade de relan&ccedil;ar a evangeliza&ccedil;&atilde;o na Europa e al&eacute;m desta, j&aacute; patente em Jo&atilde;o  XXIII e Paulo VI. Tal necessidade correspondia &agrave; consci&ecirc;ncia de que o mundo mudara muito ao longo do s&eacute;culo XX e sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial. Acentuara-se a desloca&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es para os centros urbanos, perdendo ritmos religiosos tradicionais; rarefazia-se ou individualizava-se a conota&ccedil;&atilde;o religiosa da exist&ecirc;ncia; alargava-se a consci&ecirc;ncia mundialista e inter-religiosa, com acesso generalizado aos media&hellip;Estes e outros fatores questionavam &iacute;ntima e externamente os crentes, em termos de desagrega&ccedil;&atilde;o social e familiar, secularismo, relativismo&hellip; Provindo duma Igreja resistente (ao ate&iacute;smo do regime&nbsp; polaco da altura), Jo&atilde;o Paulo II trouxe para Roma e para o mundo cat&oacute;lico uma nova milit&acirc;ncia, afirmativa e irradiante, muito al&eacute;m das fronteiras vaticanas. Incarnou &agrave; sua maneira forte e entusiasta a grande convic&ccedil;&atilde;o cristoc&ecirc;ntrica do Vaticano II e de Paulo VI. Como jovem bispo conciliar, colaborara na <em>Gaudium et Spes<\/em>, n&atilde;o se esquecendo de repetir e glosar em todo o seu longo pontificado um dos trechos mais incisivos daquela constitui&ccedil;&atilde;o pastoral: &ldquo;O mist&eacute;rio do homem s&oacute; se esclarece verdadeiramente no mist&eacute;rio do Verbo Encarnado&rdquo; (<em>GS<\/em> 22). Para Jo&atilde;o Paulo II, na esteira dos seus referidos antecessores, &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; significa propor Cristo de novo, como realiza&ccedil;&atilde;o cabal da esperan&ccedil;a humana, pela gra&ccedil;a divina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Em 1983, no Haiti, quando falava na abertura da XIX Assembleia Plen&aacute;ria da CELAM, Jo&atilde;o Paulo II dizia que esta evangeliza&ccedil;&atilde;o deveria ser &ldquo;nova no seu entusiasmo, nos seus m&eacute;todos, na sua express&atilde;o&#8221;. Em causa est&atilde;o quest&otilde;es formais?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211;<\/em> Entendemos a esta luz que a famosa express&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II, referindo uma evangeliza&ccedil;&atilde;o &ldquo;nova no ardor, nos m&eacute;todos e na express&atilde;o&rdquo; &eacute; muito mais do que ret&oacute;rica. E pela ordem enunciada, com primazia para o ardor ou entusiasmo. O Papa estava profundamente convicto de que a paix&atilde;o por Cristo &ndash; e s&oacute; esta! &#8211; encontraria no s&eacute;culo XX os melhores m&eacute;todos e express&otilde;es para O testemunhar a quem quer que fosse e onde quer que fosse. Assim como os disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s, a quem &ldquo;ardia o cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;; assim como Paulo, que queria &ldquo;alcan&ccedil;ar Aquele que o alcan&ccedil;ara&rdquo;; assim como os evangelizadores das &eacute;pocas expansivas do cristianismo bimilenar; assim como ele pr&oacute;prio assimilara na sua Pol&oacute;nia arriscadamente cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que alcance ter&atilde;o tido os projetos de nova evangeliza&ccedil;&atilde;o j&aacute; concretizados em Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211;<\/em>&nbsp; Para os que nascemos e tivemos catequese antes do Conc&iacute;lio, mantendo-nos depois na vida eclesial ativa, a vis&atilde;o retrospetiva recolhe v&aacute;rios ind&iacute;cios de &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, antes e depois de ser assim formulada. Destaco entre eles: a maior aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Palavra de Deus (em chave cristol&oacute;gica), ouvida, lida, meditada e compartilhada; a maior viv&ecirc;ncia comunit&aacute;ria dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia, como realiza&ccedil;&atilde;o do &ldquo;corpo eclesial de Cristo&rdquo;; o refor&ccedil;o da a&ccedil;&atilde;o sociocaritativa, do di&aacute;logo ecum&eacute;nico e inter-religioso e dos novos modos e protagonistas da miss&atilde;o, longe ou perto; a presen&ccedil;a na comunica&ccedil;&atilde;o social e medi&aacute;tica, assimilando tamb&eacute;m os seus modos e ritmos; a responsabiliza&ccedil;&atilde;o laical e familiar na sociedade, como &ldquo;fermento na massa&rdquo; &ndash; e numa &ldquo;massa&rdquo; que j&aacute; n&atilde;o se garante em termos de &ldquo;cristandade&rdquo;, antes a desafia em pontos cruciais da mentalidade e dos comportamentos&hellip; Nessa e noutras &aacute;reas, h&aacute; muita coisa feita e muit&iacute;ssima por fazer ou em curso. Quando se estudarem sistematicamente os planos, programas e iniciativas das dioceses, da CEP, dos institutos e movimentos em Portugal, do Conc&iacute;lio aos nossos dias, a vis&atilde;o geral ser&aacute; surpreendente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que contributo espera que o S&iacute;nodo ofere&ccedil;a ao projeto da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211;<\/em> O S&iacute;nodo dar&aacute;, antes de mais, um conspecto geral e circunstanciado do que se tem feito e pensado sobre o tema, por esse mundo al&eacute;m. Depois, permitir&aacute; apurar conceitos, n&atilde;o sendo exatamente o mesmo encarar a &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; do ponto de vista &ldquo;cultural&rdquo; &#8211; incluindo os indispens&aacute;veis debates filos&oacute;ficos e a equa&ccedil;&atilde;o correta das rela&ccedil;&otilde;es entre ci&ecirc;ncia, raz&atilde;o e f&eacute;, bem como a dimens&atilde;o est&eacute;tica do cristianismo -, ou verificar a condi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica do seu processamento, que passa pela redefini&ccedil;&atilde;o ou reconfigura&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria da vida crist&atilde;, meio vital para que tudo o mais aconte&ccedil;a e irradie. Estas e outras s&atilde;o dimens&otilde;es distintas e complementares da &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que o S&iacute;nodo ajudar&aacute; a esclarecer e sistematizar.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &Eacute; poss&iacute;vel determinar o rumo de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o &agrave; escala universal? Que desafios est&atilde;o reservados para as inst&acirc;ncias de decis&atilde;o e de evangeliza&ccedil;&atilde;o locais?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211;<\/em>&nbsp; O rumo ser&aacute; decerto cristoc&ecirc;ntrico, porque, enquanto crist&atilde;os, &eacute; com a pessoa de Jesus Cristo que entraremos na reconstru&ccedil;&atilde;o dum mundo t&atilde;o fragment&aacute;rio e dissonante como o atual. Entraremos pessoal, familiar e comunitariamente, vivendo em todas estas dimens&otilde;es a din&acirc;mica pascal da exist&ecirc;ncia e oferecendo-a aos outros, como possibilidade de realiza&ccedil;&atilde;o &ldquo;em Cristo&rdquo;. Isto em geral, porque localmente as concretiza&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o conformes a cada espa&ccedil;o e cultura. Na primeira evangeliza&ccedil;&atilde;o, o cristianismo ganhou a cor pr&oacute;pria dos lugares onde chegou, mantendo a seiva comum do Esp&iacute;rito de Cristo. Mas, ainda hoje, mesmo com as particularidades lingu&iacute;sticas e rituais duma Igreja malabar ou copta, grega ou latina, em todas elas nos sentimos &ldquo;em casa&rdquo;. E o cristianismo &eacute; uma casa para toda a gente, porque toda a humanidade &eacute; a casa de Cristo. Tamb&eacute;m por isso Jo&atilde;o Paulo II lembrava que &ldquo;o homem &eacute; o caminho da Igreja&rdquo; (cf. <em>Redemptor Hominis<\/em>, 14).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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