{"id":57845,"date":"2012-08-24T11:39:11","date_gmt":"2012-08-24T11:39:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2012\/08\/24\/homilia-de-d-antonio-moiteiro-na-peregrinacao-da-diocese-da-guarda-a-fatima\/"},"modified":"2012-08-24T11:39:11","modified_gmt":"2012-08-24T11:39:11","slug":"homilia-de-d-antonio-moiteiro-na-peregrinacao-da-diocese-da-guarda-a-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-moiteiro-na-peregrinacao-da-diocese-da-guarda-a-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Moiteiro na Peregrina\u00e7\u00e3o da Diocese da Guarda a F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p><strong>Maria, o modelo da Igreja<\/strong><\/p>\n<p>&laquo;A Igreja n&atilde;o &eacute; um cen&aacute;rio; n&atilde;o &eacute; uma simples institui&ccedil;&atilde;o; nem &eacute; somente uma das habituais entidades sociol&oacute;gicas &ndash; ela &eacute; Pessoa. &Eacute; Mulher. &Eacute; M&atilde;e. &Eacute; um ser vivo.<\/p>\n<p>A compreens&atilde;o mariana da Igreja &eacute; o mais forte e decisivo contraste de conceito de Igreja puramente organizativo e burocr&aacute;tico. N&oacute;s n&atilde;o podemos fazer a Igreja, n&oacute;s devemos ser a Igreja. E somente na medida em que a f&eacute;, para al&eacute;m do fazer, conforma o nosso ser, n&oacute;s somos a Igreja e a Igreja est&aacute; em n&oacute;s. &Eacute; somente no ser marianos que nos tornamos Igreja.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m na origem, a Igreja n&atilde;o foi feita, mas nasceu. Nasceu quando na alma de Maria emerge o fiat. Este &eacute; o desejo mais profundo do Conc&iacute;lio: que a Igreja desperte nas nossas almas. Maria mostra-nos o caminho&raquo; <em>(J. Ratzinger, A eclesiolodia do Vaticano II)<\/em>.<\/p>\n<p>Neste caminho eclesial, tra&ccedil;ado pelo conc&iacute;lio Vaticano II, devemos ter como horizonte da nossa pastoral, chegar &agrave; consci&ecirc;ncia clara de que o que realmente move a Igreja na sua a&ccedil;&atilde;o pastoral &eacute; a convic&ccedil;&atilde;o de que sem uma confian&ccedil;a firme e a comunh&atilde;o profunda com Cristo e em Cristo, nada se pode fazer (cf. Jo 15,5). Devemos, por isso, ler e saber discernir os sinais de Deus na sociedade atual, como apelos e luz que permitem, &agrave; Igreja, vislumbrar o horizonte para o qual se devem orientar e identificar novos caminhos ou possibilidades inovadoras, em ordem &agrave; sua miss&atilde;o pastoral.<\/p>\n<p>No Conc&iacute;lio Vaticano II, a Igreja reviu-se nas palavras de S. Jo&atilde;o (1 Jo 1, 2-3), nas quais declara que os ap&oacute;stolos e toda a comunidade dos crist&atilde;os viviam em comunh&atilde;o com Deus e com Seu Filho Jesus Cristo (cf. <em>DV 1<\/em>). Por esta comunh&atilde;o com e em Deus, que &eacute; amor, a Igreja torna-se &ldquo;o sacramento, ou sinal, e o instrumento da &iacute;ntima uni&atilde;o com Deus e da unidade de todo o g&eacute;nero humano&rdquo; (<em>LG 1<\/em>).<\/p>\n<p>Um diagn&oacute;stico e ao mesmo tempo um desafio perante e face a esta realidade, podemos v&ecirc;-los nas palavras do documento <em>&laquo;Repensar juntos a pastoral em Portugal&raquo;<\/em>: A Igreja vive mergulhada e dispersa em in&uacute;meras atividades, encontros, jornadas, congressos, institui&ccedil;&otilde;es&#8230; que parecem n&atilde;o ter liga&ccedil;&atilde;o entre si, nem resson&acirc;ncia, isto &eacute;, dar vitalidade e inova&ccedil;&atilde;o significativa na vida dos crist&atilde;os, nem irradiar sinais de esperan&ccedil;a na sociedade em que vivemos. H&aacute; nela muitas institui&ccedil;&otilde;es sociais, meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, institui&ccedil;&otilde;es de ensino e assist&ecirc;ncia&#8230; mas parecem deter-se no seu &acirc;mbito pr&oacute;prio, sem serem vistas e reconhecidas. E nem elas mesmas parecem sentir-se e agir como membros diferenciados de um s&oacute; corpo &ndash; a Igreja.<\/p>\n<p>O processo de catequese, sobretudo na inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia, foi recentemente renovado e alargado, mas constata-se que, excetuando uma pequena percentagem, n&atilde;o gera crist&atilde;os vivos e empenhados; impulsionados para agir e comunicar aos outros as experi&ecirc;ncias da sua viv&ecirc;ncia crist&atilde;. No que se refere aos jovens e aos adultos, n&atilde;o se t&ecirc;m conseguido grandes avan&ccedil;os numa forma&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida e coerente da f&eacute;, de modo a acompanhar os diferentes momentos da vida das pessoas, induzindo-as a uma clara identidade crist&atilde; e eclesial.<\/p>\n<p>Mas ao mesmo tempo que &eacute; vis&iacute;vel, em v&aacute;rios aspetos, um certo decr&eacute;scimo na Igreja em Portugal, tamb&eacute;m h&aacute; sinais novos: na sequ&ecirc;ncia do sopro conciliar do Esp&iacute;rito, a vida da Igreja e dos crist&atilde;os tornou-se mais simples e fraterna, desenvolveu-se bastante a participa&ccedil;&atilde;o laical, apareceram ou cresceram significativamente novos movimentos, comunidades e associa&ccedil;&otilde;es de fi&eacute;is, com propostas inovadoras de evangeliza&ccedil;&atilde;o, de vida comunit&aacute;ria e de testemunho da f&eacute; no mundo&#8230;<\/p>\n<p>A resposta da Igreja a estes desafios temos de encontr&aacute;-la no Amor, porque s&oacute; o amor &eacute; cred&iacute;vel. Eis a raz&atilde;o pela qual Maria nos mostra o caminho do Amor, caminho que todos devemos percorrer, tal como aparece nas bodas de Can&aacute; e junto da cruz, no momento em que o amor crucificado manifesta toda a sua profundidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&laquo;Fazei o que Ele vos disser!&raquo;<\/strong><\/p>\n<p>A &aacute;gua &eacute; depositada em seis talhas de pedra destinadas &agrave;s purifica&ccedil;&otilde;es dos judeus, e que tinham ficado vazias. O n&uacute;mero seis simboliza a imperfei&ccedil;&atilde;o desses ritos. Eram de pedra como as t&aacute;buas da Lei (Ex 32, 15), como o cora&ccedil;&atilde;o do povo judeu (Ez 36, 26). Grandes, pesadas, inamov&iacute;veis. Para c&uacute;mulo de imperfei&ccedil;&atilde;o, diz-se que estavam vazias.<\/p>\n<p>O vinho &eacute; sinal de amor e de alegria (Sl 104, 5); Ecl 10, 19). O <em>C&acirc;ntico dos C&acirc;nticos<\/em> apresenta-o como s&iacute;mbolo do amor entre o esposo e a esposa, que, por sua vez, simboliza o amor de Deus e do povo (Ct 1, 2; 7, 10; 8, 2). Esdras pede ao povo que celebre a renova&ccedil;&atilde;o da Alian&ccedil;a com vinhos generosos (Ne 8, 10). O vinho simboliza a totalidade do banquete, banquete de bodas a que tantas vezes se compara o Reino de Deus. Apenas Maria, que sendo do povo judeu j&aacute; pertencia ao novo Israel, se d&aacute; conta que n&atilde;o t&ecirc;m vinho. &Eacute; necess&aacute;rio que os antigos ritos vazios deem lugar ao novo banquete do Reino.<\/p>\n<p>Maria, situada ainda na Antiga alian&ccedil;a, converte-se em s&iacute;mbolo do novo Israel &ndash; a Igreja. Atenta &agrave;s necessidades dos irm&atilde;os, deseja o vinho novo do Reino e, com plena confian&ccedil;a no seu Filho, apela a que todos escutemos a Sua Palavra: &ldquo;Fazei o que Ele vos disser!&rdquo;, como um eco da palavra do Pai (Mc 9, 7).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&laquo;Mulher, eis o teu filho!&raquo; Depois disse ao disc&iacute;pulo: &laquo;eis a tua M&atilde;e&raquo;<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; exclusiva do IV Evangelho a palavra que Jesus dirige a Maria e ao disc&iacute;pulo amado (19, 25-27). Jo&atilde;o tinha referido Maria no in&iacute;cio do minist&eacute;rio p&uacute;blico de Jesus, nas bodas de Can&aacute;, quando lhe disse que ainda n&atilde;o tinha chegado a Sua hora. Ausente em todo o Evangelho, volta a mencion&aacute;-la no final, quando chegou a sua hora. O vocativo &ldquo;mulher&rdquo;, repetido em ambos textos, estabelece uma mais estreita rela&ccedil;&atilde;o entre os dois epis&oacute;dios. As palavras estabelecem uma rela&ccedil;&atilde;o de maternidade \/ filia&ccedil;&atilde;o entre Maria e o disc&iacute;pulo presente, representativo de todo o discipulado presente e futuro. Os sofrimentos de Cristo na cruz s&atilde;o como as dores de parto nos deslumbramentos da Igreja, que &eacute; a nova Eva arrancada, em primeiro lugar, da costela de Ad&atilde;o. Maria aparece assim como a m&atilde;e da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Maria, &laquo;Estrela da Nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&raquo;<\/strong><\/p>\n<p>&laquo;Na manh&atilde; do Pentecostes, Ela presidiu na ora&ccedil;&atilde;o ao iniciar-se a evangeliza&ccedil;&atilde;o, sob a a&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo: que seja ela a Estrela da evangeliza&ccedil;&atilde;o sempre renovada, que a Igreja, obediente ao mandato do Senhor, deve promover e realizar, sobretudo nestes tempos dif&iacute;ceis mas cheios de esperan&ccedil;a&raquo; (<em>EN 82<\/em>).<\/p>\n<p>A sua rela&ccedil;&atilde;o, a sua obedi&ecirc;ncia, a sua humildade e a sua f&eacute; firme, inabal&aacute;vel, d&aacute;-nos a conhecer o que significa seguir a Jesus &ndash; o horizonte da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>F&aacute;tima, 23 de agosto de2012<\/em><\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Moiteiro, bispo auxiliar de Braga&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria, o modelo da Igreja &laquo;A Igreja n&atilde;o &eacute; um cen&aacute;rio; n&atilde;o &eacute; uma simples institui&ccedil;&atilde;o; nem &eacute; somente uma das habituais entidades sociol&oacute;gicas &ndash; ela &eacute; Pessoa. &Eacute; Mulher. &Eacute; M&atilde;e. &Eacute; um ser vivo. 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